domingo, 29 de janeiro de 2012

Aborto Não! Manifestação de apoio aos bispos do Uruguai

Padre Paulo Ricardo convida os católicos brasileiros a manifestarem seu apoio aos valorosos bispos do Uruguai que lutam contra a aprovação do aborto em seu país.


Conferencia episcopal de Uruguay
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Diócesis de Salto, Obispo Mons. Pablo Jaime Galimberti Di Vietri
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Diócesis de Tacurembó, Obispo Mons. Julio César Bonino
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Diócesis de Melo, Obispo Mons. Heriberto Bodeant
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Canelones, Obispo Mons. Alberto Sanguinetti Montero
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Diócesis de Florida, Obispo Mons. Martín Pérez Scremini
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Arquidiócesis de Montevideo, Obispo Mons. Nicolas Domingo Cotugno Fanizzi
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Diócesis de San Jose Mayo, Obispo Mons. Arturo Eduardo Fajardo Bustamente
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Santo Tomás de Aquino

“Ensinar alguém para trazê-lo à Fé é tarefa de todo e qualquer pregador, 
e até de todo e qualquer crente.” 


Príncipe da Filosofia e Teologia Católicas. Proclamado como "esplendor e flor de todo o mundo" por Santo Alberto Magno, foi cognominado Doutor Angélico pelo Papa São Pio V, tendo recebido da Santa Igreja o título oficial de Doutor Comum, devido à sua incomparável sabedoria teológica e filosófica.


Tomás nasceu por volta de 1227 na cidadezinha de Aquino, na Campagna felice italiana, aos pés do famoso Mosteiro de Monte Cassino, sendo aparentado com imperadores e reis, inclusive o da França, São Luís IX.

Aos cinco anos foi enviado ao Mosteiro de Monte Cassino para estudar. "A serenidade de seu semblante, a inalterabilidade de seu temperamento, sua modéstia e suavidade eram marcas sensíveis de que Deus o havia precedido com suas primeiras graças" 1.
Muito reflexivo e recolhido, o menino passava longo tempo pensando. A um frade que lhe perguntou sobre o que pensava, respondeu com a pergunta que mostra suas cogitações infantis: "Que é Deus?". A essa questão ele responderá mais tarde, como ninguém o fez.
Aos 10 anos Tomás foi enviado para continuar seus estudos na Universidade de Nápoles. Seu primeiro biógrafo relata que "nas aulas o seu gênio começou a brilhar de tal forma, e a sua inteligência a revelar-se tão perspicaz, que repetia aos outros estudantes as lições dos mestres de maneira mais elevada, mais clara e mais profunda do que tinha ouvido" 2 .

Vitória contra a concupiscência
Foi em Nápoles, anos depois, que o adolescente Tomás travou relações com a Ordem Dominicana, fundada havia vinte anos, e que representava na época "a vanguarda doutrinadora e combativa da Igreja" 3. Quis nela ingressar, mas como era menor de idade, só foi recebido entre os filhos de São Domingos mais tarde, com o falecimento de seu pai, em dezembro de 1243.
Sua mãe, contudo, tinha outros planos para ele, e por isso mandou dois filhos, soldados do Imperador, atrás de Tomás, que escapara indo para Roma.
Preso Tomás numa torre do castelo, mãe e irmãos tudo fizeram para convencer o caçula a renunciar àquela aventura. Nada surtiu efeito. Os irmãos apelaram então para um estratagema infame: contrataram a mais bela das cortesãs da região, prometendo-lhe grossa quantia se conseguisse levar o jovem ao pecado. Sabiam que, se ele caísse na impureza, isso quebraria sua resistência.
Assim que a mulher infame entrou no quarto, Tomás, dando mostras de uma virtude heróica, pegou da lareira um pedaço de lenha em brasa e correu atrás dela, que fugiu como pôde. Em seguida, ainda cheio de indignação contra a cortesã e de amor para com Deus, desenhou na parede uma grande cruz, que osculou ternamente, implorando a Deus que nunca perdesse a integridade da pureza de alma e de corpo.
Tão bem tinha Tomás sua alma em suas mãos, que em pouco tempo voltou à inteira tranqüilidade, adormecendo. Viu então em sonho dois Anjos que lhe cingiram os rins com uma cintura de fogo. Ele confessará depois que, a partir desse momento, nunca mais sentiu os impulsos da concupiscência da carne. Era a recompensa que recebia por seu ato heróico de virtude.
Duas de suas irmãs, convertidas por ele, obtiveram-lhe as Sagradas Escrituras e livros de estudo, com o que ele continuou sua vida como se estivesse no convento. Enfim, segundo seus primeiros biógrafos, depois de quase dois anos de prisão, com a ajuda das irmãs conseguiu escapar, descido num cesto para os braços dos dominicanos, seus irmãos de hábito, que o aguardavam.

O encontro de dois gênios, dois santos
No ano seguinte Tomás fez sua profissão religiosa e foi enviado a Paris. Nesse famoso centro universitário brilhava então, pelo seu saber, o dominicano Alberto de Bollstädt, que passou para a posteridade como Santo Alberto Magno. Era tal a afluência dos que iam ouvi-lo, que era necessário transportar sua cátedra para uma praça pública, hoje ainda conhecida como Place Maubert (da contração de Magni Alberti).
"O encontro de Tomás de Aquino com Alberto Magno representa um fato de extraordinária transcendência na história da cultura. Talvez mesmo se possa dizer que são os dois colaboradores necessários à elaboração do mais vasto e consistente sistema filosófico de todas as épocas" 4.
De Paris, o discípulo Tomás acompanha o mestre, que ia organizar um centro de estudos teológicos da Ordem em Colônia, na Alemanha.

Frei Tomás: o "boi mudo"
Para evitar atrair a estima pública e os louvores que recebera em Nápoles por seu saber Tomás, fechou-se num mutismo mal interpretado pelos seus condiscípulos. Ademais, "um grande corpo, lento e pesado, e uma placidez um pouco bovina servem-lhe de espesso envoltório para uma alma benigna e generosa, mas retraída; ele é tímido para além da humildade, e distraído para além da contemplação" 5. Isso tudo leva a que o chamem de "boi mudo" ou "grande boi siciliano".
Sucedeu um dia que um condiscípulo, tomando a concentração de Tomás como sinal de que não entendera o que dissera o mestre, começou caridosamente a lhe explicar a matéria. Mas em determinado momento embaralha-se todo e não consegue ir adiante. Calmamente o"boi mudo" começou então a desenvolver a tese obscura, com muito mais clareza do que o fizera o próprio mestre. Os papéis então se inverteram, e o condiscípulo suplicou a Tomás que sempre o ajudasse em suas dúvidas. Daí para frente não foi mais possível esconder aquele talento superior e fabulosa memória.
Apreciando devidamente aquele tesouro, Santo Alberto profetizou:"Chamamos-lhe o boi mudo; mas um dia virá em que seus mugidos, a expor a doutrina, hão de ouvir-se no mundo inteiro".
Em Colônia, Tomás recebeu a ordenação sacerdotal e foi nomeado assistente de Santo Alberto Magno.
Em 1252 foi enviado a Paris para o doutorado, apesar de não ter ainda atingido 30 anos e a idade prescrita ser de 35. Na Cidade Luz, Tomás tornou-se muito popular, pois "a modéstia de seu porte, a sabedoria de seus discursos, sua doçura inalterável, a beleza natural de seus traços, o fundo de bondade que transpirava de toda sua pessoa comunicavam algo de celeste e de divino àqueles que conversavam com ele" 6.
"Talvez nunca mestre algum fosse mais apaixonadamente admirado e escutado do que Tomás de Aquino. O seu culto exclusivo da verdade comunica às palavras e às demonstrações uma segurança que dá aos jovens auditórios o supremo júbilo de tocar de perto, em brusco prodígio, a região excelsa das grandes certezas. Numa época cheia de vastas aspirações, de pesquisas no absoluto, as almas querem mais do que simples jogos dialéticos sobre conceitos abstratos. Querem palpar o real, ser introduzidas no âmago das questões, entrar na posse das altas evidências da razão e da Fé. Fé que ambiciona compreender. E Tomás de Aquino, sem lhes proibir os ardentes deslumbramentos da fé, leva-as à máxima compreensão dos mistérios e harmonias universais" 7.
Segundo a tradição, São Boaventura — o grande mestre e santo franciscano — e São Tomás receberam o doutorado no mesmo dia, na Universidade de Paris8.


União entre o Rei santo e o Doutor santo
A fama de Santo Tomás tornou-se universal, e todos queriam ouvi-lo. São Luís IX — o Rei Cruzado — o consultava sobre todos os assuntos importantes. Certo dia em que o convidou para sua mesa, o frade estava muito silencioso. De repente, dando um murro na mesa, Tomás exclamou: "Encontrei um argumento concludente contra os maniqueus". O rei, temendo que Tomás pudesse esquecer-se do argumento, chamou depressa seu secretário para anotá-lo. "Edificante quadro medieval, bem demonstrativo da perfeita unidade que liga, nesse período nobilíssimo da História, os Reis e os Sábios, nos mesmos ideais da conquista da verdade e do serviço de Deus!" 9.
O próprio Céu ratificava o acerto do grande teólogo. Estando em Nápoles aos pés de um Crucifixo, pedindo a Deus que o certificasse de que o que havia escrito sobre a Eucaristia fora do agrado divino, entrou em êxtase à vista de outros, levantou-se acima do solo, e ouviu do Crucificado estas palavras: "Escreveste bem sobre mim, Tomás. Que recompensa desejas?". O humilde frade respondeu cheio de amor: "Nada senão Vós, Senhor".
Sua sabedoria e sua ciência provinham da pureza e santidade de vida. Pouco antes de morrer, confessou a Frei Reinaldo, seu secretário, que Deus o havia preservado de todo pecado que destrói a caridade na alma. Além disso, "nunca se dava ao estudo ou à composição antes de haver, pela oração, tornado Deus propício a si; e confessava com candura que tudo que sabia devia-o menos ao seu estudo e ao seu próprio trabalho do que à iluminação divina" 10.

Seus escritos geniais: "palha"...
Entretanto, após uma visão que teve enquanto celebrava a Missa na capela de São Nicolau, em dezembro de 1273, não mais voltou a escrever. E àqueles que insistiram com ele para que terminasse sua obra, respondeu: "Não posso. Tudo quanto escrevi parece-me unicamente palha". É que, naquela visão, foram-lhe revelados mistérios e verdades tão altos, que tudo o mais lhe pareceu sem valor.
Ao receber os últimos Sacramentos no leito de morte, em 1274, com menos de 50 anos de idade, afirmou diante da Hóstia consagrada: "Eu espero nunca ter ensinado nenhuma verdade que não tenha aprendido de Vós. Se, por ignorância, fiz o contrário, eu revogo tudo e submeto todos meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Romana" 11. A posteridade o conheceria como o "Doutor Angélico".



Notas:
1.Rev. Alban Butler,The Lives of the Fathers, Martyrs and Other
Principal Saints, D.& J.Sadlier & Company, 1864, Vol. I, Internet, Site www.ewtn.com.
2.Guilhermo de Tocco, Vita, Cap. VI, apud João Ameal, São Tomás de Aquino, Livraria Tavares Martins, Porto, 1941, 2a. edição, p. 17.
3.João Ameal, op. cit., p. 18.
4.João Ameal, op. cit., p. 49.
5.G.K.Chesterton, Saint Thomas d'Aquin, versão francesa de Maximilien Vox, Librairie Plon, Paris, p. 20.
6.Les Pettits Bollandistes, Vies des Saints, d'après le Père Giry, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, vol. III, p. 244.
7.João Ameal, op. cit., p. 107.
8.Cfr. The Catholic Encyclopedia, Vol. XIV, by Robert Appleton Company, 1912, Online Edition Copyright © 1999 by Kevin Knight.
9.João Ameal, op. cit., p. 115.
10.Aeterni Patris, § 40.
11.Rev. Alban Butler, Online Edition.




Fonte:
Revista Catolicismo



domingo, 8 de janeiro de 2012

EPIFANIA E BATISMO DO SENHOR


Louvai o nosso Deus, todos os seus servos (Ap 19,5)

Mares e rios, bendizei ao Senhor,
águas das fontes, cantai ao Senhor. Aleluia!



Tanto os fiéis de tradição romana como os de tradição constantinopolitana conservaram, para o dia 6 de janeiro, uma festa cristológica muito antiga, a primeira em que se sintetizavam todos os mistérios do Senhor ao manifestar-se ao mundo. Mas quando no século IV, a data do nascimento do Senhor foi colocada no dia 25 de dezembro, por iniciativa romana, e logo em seguida aceita também pelos orientais, o conteúdo da festa do 6 de janeiro se diversificou. Para os católicos latinos o dia 6 de janeiro é o dia da Epifania, a manifestação de Cristo «luz das nações» considerada a partir da vinda dos Reis Magos em Belém. Esse evento, para os cristãos bizantinos, está incluído na comemoração global do dia 25 de dezembro. Ao passo que no dia 6 de janeiro eles celebram a “Santa Teofania” do Deus que se encarnou. É a segunda manifestação do Salvador, no início de sua vida pública, por ocasião do seu batismo no rio Jordão, que se deu num contexto trinitário, em que Deus Pai fez ouvir sua voz e o Espírito Santo apareceu em forma de pomba.
Era um dia em que os catecúmenos recebiam solenemente o batismo, como na Páscoa. Os textos litúrgicos da festa da Teofania resumem bem os mistérios fundamentais da fé cristã: encarnação do Verbo, com muitas alusões ao nascimento, e a unidade de Deus na Trindade.


Despontou a tua luz, Jerusalém,
e a glória do Senhor te iluminou.
E os povos andarão na tua luz. Aleluia!



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HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012


 
Queridos irmãos e irmãs,

A Epifania é uma festa da luz. «Ergue-te, Jerusalém, e sê iluminada, que a tua luz desponta e a glória do Senhor está sobre ti» (Is 60, 1). Com estas palavras do profeta Isaías, a Igreja descreve o conteúdo da festa. Sim, veio ao mundo Aquele que é a Luz verdadeira, Aquele que faz com que os homens sejam luz. Dá-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (cf. Jo 1, 9.12). Para a liturgia, o caminho dos Magos do Oriente é só o início de uma grande procissão que continua ao longo da história inteira. Com estes homens, tem início a peregrinação da humanidade rumo a Jesus Cristo: rumo àquele Deus que nasceu num estábulo, que morreu na cruz e, Ressuscitado, permanece connosco todos os dias até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). A Igreja lê a narração do Evangelho de Mateus juntamente com a visão do profeta Isaías, que escutámos na primeira leitura: o caminho destes homens é só o início. Antes, tinham vindo os pastores – almas simples que habitavam mais perto de Deus feito menino, podendo mais facilmente «ir até lá» (cf. Lc 2, 15) ter com Ele e reconhecê-Lo como Senhor. Mas agora vêm também os sábios deste mundo. Vêm grandes e pequenos, reis e servos, homens de todas as culturas e de todos os povos. Os homens do Oriente são os primeiros, seguidos de muitos outros ao longo dos séculos. Depois da grande visão de Isaías, a leitura tirada da Carta aos Efésios exprime, de modo sóbrio e simples, a mesma ideia: os gentios partilham da mesma herança (cf. 3, 6). Eis como o formulara o Salmo 2: «Eu te darei as nações por herança, e os confins da terra para teu domínio» (v. 8).

Os Magos do Oriente vão à frente. Inauguram o caminho dos povos para Cristo. Durante esta Missa, vou conferir a Ordenação Episcopal a dois sacerdotes, consagrá-los-ei Pastores do povo de Deus. Segundo palavras de Jesus, caminhar à frente do rebanho faz parte da função do Pastor (cf. Jo 10, 4). Por isso naqueles personagens, que foram os primeiros pagãos a encontrar o caminho para Cristo, talvez possamos – não obstante todas as diferenças nas respectivas vocações e tarefas – procurar indicações para a missão dos Bispos. Que tipo de homens eram os Magos? Os peritos dizem-nos que pertenciam à grande tradição astronómica que se fora desenvolvendo na Mesopotâmia no decorrer dos séculos, e era então florescente. Mas esta informação, por si só, não é suficiente. Provavelmente haveria muitos astrónomos na antiga Babilónia, mas poucos, apenas estes Magos, se puseram a caminho e seguiram a estrela que tinham reconhecido como sendo a estrela da promessa, ou seja, a que indicava o caminho para o verdadeiro Rei e Salvador. Podemos dizer que eram homens de ciência, mas não apenas no sentido de quererem saber muitas coisas; eles queriam algo mais. Queriam entender o que é que conta no facto de sermos homens. Provavelmente ouviram falar da profecia de Balaão, um profeta pagão: «Uma estrela sai de Jacob, e um cetro se levanta de Israel» (Nm 24, 17). Eles aprofundaram esta promessa. Eram pessoas de coração inquieto, que não se satisfaziam com aparências ou com a rotina da vida. Eram homens à procura da promessa, à procura de Deus. Eram homens vigilantes, capazes de discernir os sinais de Deus, a sua linguagem subtil e insistente. Mas eram também homens corajosos e, ao mesmo tempo, humildes: podemos imaginar as zombarias que tiveram de suportar quando se puseram a caminho para ir ter com o Rei dos Judeus, enfrentando canseiras sem número. Mas, não consideravam decisivo o que se pensava ou dizia deles, mesmo pelas pessoas influentes e inteligentes. Para eles o que contava era a própria verdade, não a opinião dos homens. Por isso, enfrentaram as privações e o cansaço dum caminho longo e incerto. Foi a sua coragem humilde que lhes permitiu prostrar-se diante dum menino filho de gente pobre e reconhecer n’Ele o Rei prometido, cuja busca e reconhecimento fora o objectivo do seu caminho exterior e interior.

Queridos amigos, em tudo isto é possível ver alguns traços essenciais do ministério episcopal. Também o Bispo deve ser um homem de coração inquieto, que não se satisfaz com as coisas rotineiras deste mundo, mas segue a inquietação do coração que o impele interiormente a aproximar-se sempre mais de Deus, a procurar o seu Rosto, a conhecê-Lo cada vez melhor, para poder amá-Lo sempre mais. Também o Bispo deve ser um homem de coração vigilante que percebe a linguagem subtil de Deus e sabe discernir a verdade da aparência. Também o Bispo deve estar repleto da coragem da humildade, que não se interessa do que a opinião dominante diz dele, mas por critério toma a medida da verdade de Deus, comprometendo-se com ela «opportune – importune». Deve ser capaz de ir à frente indicando o caminho. Deve ir à frente seguindo Aquele que a todos nos precedeu, porque é o verdadeiro Pastor, a verdadeira estrela da promessa: Jesus Cristo. E deve ter a humildade de prostrar-se diante daquele Deus que Se tornou tão concreto e tão simples que contradiz o nosso orgulho insensato, que não quer ver Deus assim perto e pequenino. Deve viver a adoração do Filho de Deus feito homem, aquela adoração que lhe indica sem cessar o caminho.

A liturgia da Ordenação Episcopal exprime o essencial deste ministério em oito perguntas dirigidas aos Ordenandos, que começam sempre com a palavra: «Vultis? – Quereis?». As perguntas orientam a vontade e indicam-lhe o caminho a tomar. Gostaria de mencionar aqui, brevemente, algumas das palavras-chave desta orientação, nas quais se concretiza aquilo que há pouco reflectimos a partir dos Magos que aparecem na festa de hoje. A missão dos Bispos é «praedicare Evangelium Christi», «custodire», «dirigere», «pauperibus se misericordes praebere», «indesinenter orare». O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, guardar o depósito sagrado da nossa fé, ir à frente e guiar, a misericórdia e a caridade para com os necessitados e os pobres nas quais se reflecte o amor misericordioso de Deus para connosco e, finalmente, a oração contínua são características fundamentais do ministério episcopal. A oração contínua significa nunca perder o contacto com Deus, deixar-se tocar sempre por Ele no íntimo do nosso coração e deste modo sermos permeados pela sua luz. Só quem conhece a Deus pessoalmente é que pode guiar os outros para Deus. E só quem guia os homens para Deus é que os guia pela estrada da vida.

O coração inquieto, de que falámos inspirando-nos em Santo Agostinho, é o coração que, em última análise, não se satisfaz com nada menos do que Deus e é, precisamente assim, que se torna um coração que ama. O nosso coração vive inquieto por Deus, e não pode ser doutro modo, embora hoje se procure, com «narcóticos» muito eficazes, libertar o homem desta inquietação. Mas não somos só nós, seres humanos, que vivemos inquietos relativamente a Deus. Também o coração de Deus vive inquieto relativamente ao homem. Deus espera-nos. Anda à nossa procura. Também Ele não descansa enquanto não nos tiver encontrado. O coração de Deus vive inquieto, e foi por isso que se pôs a caminho até junto de nós – até Belém, até ao Calvário, de Jerusalém até à Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco, anda à procura de pessoas que se deixem contagiar por esta sua inquietação, pela sua paixão por nós; pessoas que vivem a busca que habita no seu coração e, ao mesmo tempo, se deixam tocar no coração pela busca de Deus a nosso respeito. Queridos amigos, foi esta a missão dos Apóstolos: acolher a inquietação de Deus pelo homem e levar o próprio Deus aos homens. E, seguindo os passos dos Apóstolos, esta é a vossa missão: deixai-vos tocar pela inquietação de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito.

Os Magos seguiram a estrela. Através da linguagem da criação, encontraram o Deus da história. É certo que a linguagem da criação, por si só, não é suficiente. Apenas a Palavra de Deus, que encontramos na Sagrada Escritura, podia indicar-lhes definitivamente o caminho. Criação e Escritura, razão e fé devem dar-se as mãos para nos conduzirem ao Deus vivo. Muito se discutiu sobre o tipo de estrela que guiou os Magos. Pensa-se numa conjunção de planetas, numa Supernova, ou seja, uma daquelas estrelas inicialmente muito débeis que, na sequência duma explosão interna, irradia por algum tempo um imenso esplendor, num cometa, etc. Deixemos que os cientistas continuem esta discussão. A grande estrela, a verdadeira Supernova que nos guia é o próprio Cristo. Ele é, por assim dizer, a explosão do amor de Deus, que faz brilhar sobre o mundo o grande fulgor do seu coração. E podemos acrescentar: tanto os Magos do Oriente, mencionados no Evangelho de hoje, como os Santos em geral pouco a pouco tornaram-se eles mesmos constelações de Deus, que nos indicam o caminho. Em todas estas pessoas, o contacto com a Palavra de Deus provocou, por assim dizer, uma explosão de luz, através da qual o esplendor de Deus ilumina este nosso mundo e nos indica o caminho. Os Santos são estrelas de Deus, pelas quais nos deixamos guiar para Aquele por quem o nosso ser anseia. Queridos amigos, vós seguistes a estrela que é Jesus Cristo, quando dissestes o vosso «sim» ao sacerdócio e ao ministério episcopal. E certamente brilharam para vós também estrelas menores, que vos ajudaram a não errar o caminho. Na Ladainha dos Santos, invocamos todas estas estrelas de Deus, a fim de que brilhem sempre de novo para vós e vos indiquem o caminho. Com a Ordenação Episcopal, vós mesmos sois chamados a ser estrelas de Deus para os homens, guiando-os pelo caminho que leva à verdadeira Luz: Cristo. Invoquemos, pois, agora todos os Santos, para que possais corresponder sempre a esta vossa missão mostrando aos homens a luz de Deus. Amem.

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Hoje a Igreja se uniu a seu celeste Esposo,
porque Cristo lavou no Jordão o pecado;
para as núpcias reais correm Magos com presentes;
e os convivas se alegrem com a água feita vinho. Aleluia!


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ANGELUS COM O PAPA BENTO XVI 
Praça de São Pedro - Vaticano
Domingo, 8 de janeiro de 2012

Queridos irmãos e irmãs

Hoje celebramos a festa do Batismo do Senhor. Esta manhã conferi o Batismo a 16 crianças e por isto, gostaria de propor uma breve reflexão sobre nosso ser filhos de Deus. Antes de tudo, partamos do nosso ser simplesmente filhos: esta é a condição fundamental que nos une. Nem todos são pais, mas todos seguramente são filhos. Vir ao mundo não é nunca uma escolha, não nos vem pedido antes de nascer. Mas durante a vida, podemos amadurecer uma atitude livre em relação a própria vida: podemos acolhê-la como um dom e, em um certo sentido, tornar aquilo que já somos: filhos. Esta passagem sinaliza uma etapa de maturidade do nosso ser e no relacionamento com nossos pais, que se enche de reconhecimento. É uma passagem que nos torna também capazes de ser também genitores, não biologicamente, mas moralmente. 


Também em relação a Deus somos todos filhos. Deus é a origem da existência de toda criatura e é Pai em modo singular de cada ser humano: tem como ele ou com ela uma relação única, pessoal. Cada de nós é querido, é amado por Deus. E também nesta relação com Deus, por assim dizer, podemos renascer, isto é, nos tornar aquilo que somos, Isto acontece mediante a fé, mediante um sim profundo e pessoal a Deus como origem e fundamento da nossa existência. Com este “sim” eu acolho a vida como dom do Pai que está nos céus, um Pai que não vejo, mas no qual creio e que sinto no profundo do coração ser o Meu Pai e de todos os meus irmãos em humanidade, um Pai imensamente bom e fiel. 

Sobre o que se baseia esta fé em Deus Pai? Se baseia em Jesus Cristo: a sua pessoa e a sua história nos revelam o Pai, o fazem conhecer, o quanto é possível deste modo. Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, nos conduz a renascer do alto, isto é, de Deus, que é amor (Jo 3,3). E precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo é também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede o nosso fazer: devemos renascer em um novo nascimento. São João diz: A quantos o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12). Este é o sentido do Sacramento do Batismo, o Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele mesmo pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que de nós mesmos não temos.


Caros amigos, este domingo do Batismo do Senhor conclui o Tempo do Natal. Rendamos graças a Deus por esse grande mistério, que é fonte de regeneraçção para a Igreja e para o mundo inteiro. Deus se fez Filho do Homem, para que o homem se tornasse filho de Deus, mediante o Batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos aqueles que creem nEle, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus, não com as palavras, e não somente com as palavras, mas com os fatos. Escreve ainda São João: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus e nos amemos uns aos outros, este é o preceito que Ele nos deu (I Jo 3,23)



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Oração 

Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela,
concedei aos vossos servos, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia
face a face no céu.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade 
do Espírito Santo.



Fontes:

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Santa Luzia, ora pro nobis!


O nome de Santa Luzia deriva do latim e significa portadora da luz. Ela é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a "janela da alma", canal de luz.

Luzia nasceu em uma rica família napolitana de Siracusa (Itália), no fim do śeculo III, que lhe deu ótima formação cristã, a ponto de ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe, chamada Eutícia, a queria casada com um jovem de distinta família, porém, pagão. 

Ao pedir um tempo para o discernimento e tendo a mãe gravemente enferma, Luzia inspiradamente propôs à mãe que fossem em romaria ao túmulo da mártir Santa Águeda, em Catânia, e que a cura da grave doença seria a confirmação do "não" para o casamento. Milagrosamente, foi o que ocorreu logo com a chegada das romeiras e, assim, Santa Luzia voltou para Siracusa com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto aos sofrimentos pelos quais passaria, assim como Santa Águeda. 

Santa Luzia vendeu tudo, deu aos pobres, e com o casamento cancelado, foi denunciada como cristã ao governador romano pelo jovem que a queria como esposa. Não querendo oferecer sacrifício aos falsos deuses nem quebrar o seu santo voto, foi levada a julgamento diante das autoridades perseguidoras. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano. Quis o prefeito da cidade, Pascásio, levar à desonra a virgem cristã, o mandando que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Mas não houve força humana que a pudesse arrastar. Firme como um monte de granito, várias juntas de bois não foram capazes de a levar (Santa Luzia é muitas vezes representada com os sobreditos bois). Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva, as chamas do fogo também se mostravam impotentes diante dela. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. A decapitação de Santa Luzia se deu no ano de 303.

Somente em 1894 o martírio da jovem Luzia foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV. 

Mas a devoção à santa já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira. 

Diz a antiga tradição que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. Santa Luzia é reconhecida pela vida que levou Jesus - Luz do Mundo - até as últimas consequências, pois assim testemunhou diante dos acusadores: "Adoro a um só Deus verdadeiro, e a Ele prometi amor e fidelidade".

A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje. 

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. 

Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.




Fontes:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Nossa Senhora de Guadalupe

Como toda aparição de Nossa Senhora, a que é venerada hoje é emocionante também. Talvez esta seja uma das mais comoventes, pelo milagre operado no episódio e pela dúvida lançada por um bispo sobre sua aparição a um simples índio mexicano. 

Tudo se passou em 1531, no México, quando os missionários espanhóis já haviam aprendido a língua dos indígenas. A fé se espalhava lentamente por essas terras mexicanas, cujos rituais astecas eram muito enraizados. O índio João Diogo havia se convertido e era devoto fervoroso da Virgem Maria. Assim, foi o escolhido para ser o portador de sua mensagem às nações indígenas. Nossa Senhora apareceu a ele várias vezes. 

A primeira vez, quando o índio passava pela colina de Tepyac, próxima da Cidade do México, atual capital, a caminho da igreja. Maria lhe pediu que levasse uma mensagem ao bispo. Ela queria que naquele local fosse erguida uma capela em sua honra. Emocionado, o índio procurou o bispo, João de Zumárraga, e contou-lhe o ocorrido. Mas o sacerdote não deu muito crédito à sua narração, não dando resposta se iria, ou não, iniciar a construção. 

Passados uns dias, Maria apareceu novamente a João Diogo, que desta vez procurou o bispo com lágrimas nos olhos, renovando o pedido. Nem as lágrimas comoveram o bispo, que exigiu do piedoso homem uma prova de que a ordem partia mesmo de Nossa Senhora. 

Deu-se, então, o milagre. João Diogo caminhava em direção à capital por um caminho distante da colina onde, anteriormente, as duas visões aconteceram. O índio, aflito, ia à procura de um sacerdote que desse a unção dos enfermos a um tio seu, que agonizava. De repente, Maria apareceu à sua frente, numa visão belíssima. Tranqüilizou-o quanto à saúde do tio, pois avisou que naquele mesmo instante ele já estava curado. Quanto ao bispo, pediu a João Diogo que colhesse rosas no alto da colina e as entregasse ao religioso. João ficou surpreso com o pedido, porque a região era inóspita e a terra estéril, além de o país atravessar um rigoroso inverno. Mas obedeceu e, novamente surpreso, encontrou muitas rosas, recém-desabrochadas. João colocou-as no seu manto e, como a Senhora ordenara, foi entrega-las ao bispo como prova de sua presença. 

E assim fez o fiel índio. Ao abrir o manto cheio de rosas, o bispo viu formar-se, impressa, uma linda imagem da Virgem, tal qual o índio a descrevera antes, mestiça. Espantado, o bispo seguiu João até a casa do tio moribundo e este já estava de pé, forte e saudável. Contou que Nossa Senhora "morena" lhe aparecera também, o teria curado e renovado o pedido. Queria um santuário na colina de Tepyac, onde sua imagem seria chamada de Santa Maria de Guadalupe. Mas não explicou o porquê do nome. 

A fama do milagre se espalhou. Enquanto o templo era construído, o manto com a imagem impressa ficou guardado na capela do paço episcopal. Várias construções se sucederam na colina, ampliando templo após templo, pois as romarias e peregrinações só aumentaram com o passar dos anos e dos séculos. 

O local se tornou um enorme santuário, que abriga a imagem de Nossa Senhora na famosa colina, e ainda se discute o significado da palavra Guadalupe. Nele, está guardado o manto de são João Diego, em perfeito estado, apesar de passados tantos séculos. Nossa Senhora de Guadalupe é a única a ser representada como mestiça, com o tom de pele semelhante ao das populações indígenas. Por isso o povo a chama, carinhosamente, de "La Morenita", quando a celebra no dia 12 de dezembro, data da última aparição. 

Foi declarada padroeira das Américas, em 1945, pelo papa Pio XII. Em 1979, como extremado devoto mariano, o papa João Paulo II visitou o santuário e consagrou, solenemente, toda a América Latina a Nossa Senhora de Guadalupe.

Nuestra Señora de Guadalupe, ora pro nobis!

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Muitos cientistas têm ido ao México, à Basílica de Guadalupe, para decifrar o enigma do manto (tilma) do índio Juan Diego, onde está gravada a imagem de Maria, e que se encontra exposto para visitação dos fiéis.

1) A TILMA (manto) E A "PINTURA"

a) O primeiro milstério, com o qual se deparam os cientistas, é o material com que foi feito a tilma: uma fibra vegetal, própria do México, que possui uma durabilidade estimada em 20 anos. Depois disso, ela começa a se oxidar e a se deteriorar. Aqui encontra-se o primeiro mistério: o manto está em perfeita conservação já há 500 anos. Fato para o qual os experts não encontram uma explicação lógica.

b) O outro mistério sem uma explicação convincente é a respeito da pintura impressa. Ao longo de muitos anos foram feitas várias investigações científicas, como por exemplo, a de um cientista austríaco (vencedor do prêmio Nobel de Química), em 1936, ou a de um professor em 1954 e, a última, a de dois cientista americanos.

Estes cientistas dos Estados Unidos estudaram a imagem da Virgem Maria com raios infra-vermelhos, ficando vivamente admirados. De acordo com o laudo que apresentaram, não há qualquer traço de pincel no manto, o qual, nem sequer estava preparado para receber uma pintura. Parece-lhes uma imagem impossível. Continua o laudo: os pigmentos de "tinta" existentes na imagem não têm origem nem no reino animal, nem vegetal e nem mineral; não pertencem a nenhuma categoria existente neste mundo. Também não é uma pintura sintética.

2) OS OLHOS DA IMAGEM

Em seguida os cientistas se dispuseram a estudar os olhos da Virgem de Guadalupe com potentíssimos aparelhos e computadores. Verificaram, então, que dentro dos olhos da imagem existem figuras refletidas - como os olhos de uma pessoa, por exemplo, quando está de frente para uma janela luminosa. Estas figuras são humanas, mais precisamente, são o índio Juan Diego, o bispo, um índio e outras pessoas, todas presentes na sala onde o índio "abriu" o manto para mostrar as rosas.

O LAUDO ESPECÍFICO DOS OLHOS DA VIRGEM MARIA

A córnea direita da imagem mede apenas 8 milímetros e ela reflete imagens, como um espelho, que somente é possível de acontecer com seres VIVOS. Portanto, Maria aparece na tilma como uma pessoa VIVA. Dentro desta córnea foram encontradas as seguintes figuras:

1) Um indígena sentado com a pernas cruzadas; posição típica dos inkas daquela região;

2) O rosto de um ancião com características espanholas; identificado como sendo a face do bispo. Foram comparados quadros pintados com a figura do bispo com a imagem contida na córnea da Virgem e constataram que era realmente o bispo;

3) Um outro espanhol, que, como se sabe, servia de intérprete entre o bispo e Juan Diego;

4) Uma mulher negra. Sabe-se, historicamente, que o bispo libertava os escravos e que havia uma que trabalhava na sede episcopal e que se chamava Maria;

5) Uma família com seis pessoas, dentre elas, crianças. A Igreja vê neste fato uma chamada de atenção de Nossa Senhora para a importância da família, hoje em dia tão atacada;

6) Um índio com a tilma abaixada (esticada) contendo a imagem. Esta figura é a de Juan Diego.

Verificou-se igualmente que todas estas figuras olham para a mesma direção; olham para Juan Diego que traz em si a sagrada estampa da Virgem Maria.

Foram 20 anos de estudos para se chegar a este laudo científico.


Fonte:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Solenidade da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria

Tota Pulchra es, Maria!
Et macula originalis non est in te!
Tu, Gloria Ierusalem!
Tu, Laetitia Israel!
Tu, honorificentia populi nostril!
Tu, advocata peccatorum!
O Maria!
O Maria!
Virgo Prudentissima,
Mater Clementissima,
Ora pro nobis.
Intercede pro nobis
ad Dominum Iesum Christum!



És torre inabalada, farol que nos conduz, 
trazendo, imaculada, o bálsamo: Jesus!



In Conceptione tua, Virgo, Immaculata fuisti.
Ora pro nobis Patrem, cuius Filium peperisti.

Oremus. Deus, qui per immaculatam Virginis Conceptionem dignum Filio tuo habitaculum praeparasti, quaesumus, ut qui ex morte eiusdem Filii tui praevista eam ab omni labe praeservasti, nos quoque mundos eius intercessione ad te pervenire concedas. Per eumdem Christum Dominum nostrum.
Amen.





SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO
DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA
BENEDETTO XVI
ANGELUS
Praça de São Pedro
Quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje a Igreja celebra solenemente a Imaculada Conceição de Maria. Como declarou o Beato Pio IX, em sua Carta Apostólica Ineffabilis Deus de 1854, ela "foi preservada, por especial graça e privilégio de Deus onipotente, em antecipação dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador da humanidade, livre de toda mancha do pecado original." Esta verdade de fé está contida nas palavras de saudação que deu-lhe o Arcanjo Gabriel: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo" (Lc 1, 28). A expressão "cheia de graça" indica a obra maravilhosa de Deus, que quis dar-nos de volta a vida e a liberdade, perdida pelo pecado, através de Seu Filho Unigênito encarnado, morto e ressuscitado. Portanto, desde o segundo século, no Oriente e Ocidente, a Igreja reza e celebra a Virgem, que com seu "sim" trouxe o céu à terra, tornando-se "geradora de Deus e enfermeira de nossas vidas", como expressou São Romanus em melodias de uma velha canção (Canticum Mariae Virginis XXV em Nativitatem B., no JB Pitra, Analecta Sacra t. I, Paris 1876, 198). No século VII, São Sofrônio de Jerusalém louvou a grandeza de Maria, porque o Espírito Santo passou a residir nela, e diz: "Você excede toda a magnificência dos dons que Deus já conferida a qualquer pessoa humana. Sobre todos é rica da posse de Deus que habita em vós" (Oratio II, 25 em SS Deiparae Annuntiationem:. PG 87, 3, AB 3248). E São Beda, o Venerável disse: "Maria é bendita entre as mulheres, porque com a dignidade da virgindade tem contado com a bênção de ser geradora de uma criança que é Deus" (Hom I, 3: CCL 122, 16).

Também nos é dada a "plenitude de graça" que precisamos para resplandecer nela em nossa vida, porque "o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo - escreve São Paulo - nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual... e ele nos escolheu antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis para ele... predestinou para sermos filhos" (Ef 1, 3-5). Esta filiação que recebemos através da Igreja, no dia do Batismo. A este respeito, Santa Hildegard de Bingen escreve: "A Igreja é, portanto, a mãe virgem de todos os cristãos. A força secreta do Espírito Santo as concebe e dá à luz a eles, oferecendo-lhes a Deus para que eles também sejam chamados filhos de Deus”. (Scivias, visão III, 12: CCL continuatio Mediævalis XLIII, 1978, 142). E, finalmente, entre os muitos cantores da beleza espiritual da Mãe de Deus, está São Bernardo de Claraval, que disse que a invocação "Ave Maria cheia de graça" é "agradável a Deus, aos anjos e aos homens. Aos homens graças a maternidade, aos anjos graças a virgindade e à Deus graças a humildade" (Sermo xlvii, De Annuntiatione Dominica: SBO VI, 1, Roma 1970, 266).

Queridos amigos, esperando para fazer esta tarde, como é habitual, a homenagem a Maria Imaculada na Praça de Espanha, voltamo-nos agora a nossa oração fervorosa para Aquele que intercede junto a Deus para nos ajudar a celebrar com fé o Natal do Senhor que se aproxima.


* Tradução minha.

Fonte:

Maria Imaculada!

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

Solenidade da Imaculada Conceição de Maria
Quinta-feira 08 de dezembro de 2011


Queridos irmãos e irmãs 

A grande festa de Maria Imaculada convida-nos a cada ano para estarmos aqui, em uma das praças mais bonitas de Roma, para prestar homenagem a ela, a Mãe de Cristo e Mãe nossa. Saúdo com afeto a todos vós aqui presentes e aqueles que estão unidos conosco através da rádio e televisão. E obrigado por sua participação neste evento de oração. 

No topo da coluna em que estamos Maria é representada por uma estátua que lembra, em parte, a passagem em Apocalipse que foi há pouco proclamada: "Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher vestida do sol, e a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça" (12, 1). Qual é o significado da imagem? Representa tanto a Virgem e como a Igreja. 

Primeiro, a "mulher" de Apocalipse é a própria Maria. Aparece "vestida de sol", isto é, Deus vestiu a Virgem Maria, na verdade, é completamente cercada pela luz de Deus e vive em Deus. Este símbolo “Vestido luz” expressa claramente uma condição que diz respeito a todo o ser de Maria: Ela é "cheia de graça," cheia do amor de Deus. E "Deus é luz", diz São João (1 Jo 1, 5). Aqui, então, que a "cheia de graça", a pessoa "Imaculada" toda reflete a luz do "sol" que é Deus. 

Esta mulher tem a lua debaixo dos pés, símbolo da morte e da mortalidade. Maria, na verdade, é plenamente associada com a vitória de Jesus Cristo, Seu Filho, sob o pecado e a morte, está livre da sombra da morte, plenamente viva. Como a morte já não tem qualquer poder sobre Jesus ressuscitado (cf. Rom 6, 9) e por uma singular graça e privilégio de Deus onipotente, Maria também deixou-a para trás, já superou-a. E isso se manifesta nos dois grandes mistérios da existência: no início, tendo sido concebida sem pecado original, que é o mistério que hoje celebramos, e finalmente, depois de ter sido levada de  corpo e alma para o céu, a glória de Deus. Mas toda a sua vida terrena foi uma vitória sobre a morte, porque dedicou-se totalmente ao serviço de Deus, oferecendo-Lhe a si e aos outros. É por isso que Maria é em si um hino à vida: é a criatura que já realizou a palavra de Cristo: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10, 10). 

Na visão do Apocalipse, há um outro detalhe: na cabeça da mulher vestida de sol, há "uma coroa de doze estrelas." Este sinal representa as doze tribos de Israel, o que significa que a Virgem Maria está no centro do Povo de Deus, a comunhão geral dos santos. E assim esta imagem da coroa de doze estrelas nos apresenta a interpretação do segundo maior do sinal celestial da "mulher vestida de sol": além de representar a Virgem, este sinal simboliza a Igreja, a comunidade cristã de todos os tempos. Está grávida, no sentido de que carrega Cristo em seu ventre e deve ser luz para o mundo: esta é a tribulação da Igreja peregrina sobre a terra, no meio das consolações de Deus e as perseguições do mundo, deve levar Jesus aos homens. 

E justamente por isso, porque conduz a Jesus, a Igreja opõe-se por um adversário feroz, representado na visão apocalíptica de "um grande dragão vermelho" (Apocalipse 12, 3). Este dragão tentou em vão devorar Jesus "filho, que é pastor todas as nações" (12, 5) -, em vão, Jesus, através da Sua morte e ressurreição, ascendeu para Deus e sentou em seu trono. Portanto, o dragão, derrotado uma vez por todas no céu, dirigiu seus ataques contra a mulher, a Igreja no deserto do mundo. Mas em todos os tempos a Igreja é sustentada pela luz e pela força de Deus, que alimenta o deserto com o pão da sua Palavra e da Eucaristia. E assim, em alguma tribulação, através de todas as evidências encontradas ao longo dos tempos e em diferentes partes do mundo, a Igreja sofre perseguições, mas está ganhando. E precisamente desta forma a comunidade cristã é a presença, a certeza do amor de Deus contra todas as ideologias de ódio e de egoísmo. 

A armadilha que a Igreja pode e deve temer é apenas o pecado dos seus membros. De fato, enquanto Maria é Imaculada, está livre de toda mancha do pecado, a Igreja é santa, mas ao mesmo tempo, marcada por nossos pecados. Portanto, o povo de Deus, peregrino no tempo, se dirige a sua Mãe celeste e pede sua ajuda, o pedido para que ela acompanhe o caminho da fé, para incentivar o compromisso da vida cristã e para manter a esperança. Precisamos da sua ajuda, especialmente neste momento muito difícil para a Itália, para a Europa, para várias partes do mundo. Que Maria nos ajude a ver que há uma luz além da camada de neblina que parece envolver a realidade. Portanto, também nós, especialmente nesta ocasião, vamos continuar a pedir-lhe ajuda com confiança filial, "Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós."




Ora pro nobis, intercede pro nobis ad Dominum Jesum Christum!

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O mariologista Stefano de Fiores fala à Rádio Vaticano
ROMA, sexta-feira, 9 de dezembro de 2011 (ZENIT.org) - A natureza humana de Maria atinge a perfeição desde a concepção: ela proclama a redenção de Cristo de forma muito mais perfeita do que todos os outros resgatados. São palavras ditas à Rádio Vaticano pelo padre Stefano De Fiores, mariologista, sacerdote de Monfort.

"Maria faz parte da comunidade dos que foram salvos porque ela é Imaculada não pelas próprias forças, mas por um dom que vem de Jesus Cristo, que tem duas maneiras de se tornar e mostrar-se mediador: libertando-nos do pecado cometido ou preservando-nos do pecado com uma força ainda superior, que é a força que impede Maria de cair em pecado".

As aparições de Lourdes não se restringem apenas a confirmar o dogma de Pio IX promulgado em 1854, já que, naquela localidade dos Pirineus, Maria disse "Eu sou a Imaculada Conceição", e não apenas que foi concebida imaculada.


Portanto, continuou De Fiores, a Virgem Maria se identifica com o primeiro instante da sua concepção imaculada, porque durante toda a sua vida ela é fiel àquele momento inicial.

Além de ter sido concebida sem a mancha do pecado original, Maria "sempre viveu de acordo com esse dom inicial, podendo de verdade representar a Imaculada Conceição", acrescentou.


Já em Gênesis, especificamente no chamado Protoevangelho da Salvação, Maria é prefigurada em seu dogma quando Deus amaldiçoa o demônio, que, disfarçado de serpente, corrompe a primeira mulher, Eva: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; ela te esmagará a cabeça e tu lhe atacarás o calcanhar" (Gen 2,15).


Uma profecia, esta, que é entendível justamente com o dogma da Imaculada Conceição, graças ao qual "temos a realização desse anúncio profético do Protoevangelho, com Maria unida a Cristo na vitória sobre o diabo e sobre todos os pecados, inclusive o pecado original", concluiu De Fiores.