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terça-feira, 17 de abril de 2012

Noite Santa

Por Santa Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein (1891-1942)
carmelita, mártir, co-padroeira da Europa


«A fim de que todo o que n'Ele crê tenha a vida eterna»

Meu Senhor e meu Deus,
Tu me guiaste por um longo e obscuro caminho, pedregoso e duro.
Estava quase já sem forças, tanto que não esperava mais ver 

a luz do dia.
O meu coração estava duro como pedra devido ao sofrimento
Quando, diante dos meus olhos, se levantou 

a claridade suave duma estrela
E me guiou, fiel, e eu segui-a, primeiro com passos tímidos, 

depois mais seguros.
E cheguei por fim à porta da Igreja,
Que se abriu, e pedi para entrar.
Fui acolhida pela Tua bênção proferida pelo Teu sacerdote.
No seu interior sucedem-se as estrelas,
Estrelas de flores vermelhas que me indicam o caminho até Ti,
Que a Tua bondade permite que me conduzam no meu caminho até Ti.
O mistério que me faltava guardar, escondido no íntimo do coração,
Agora posso finalmente anunciá-lo em alta voz:
Eu creio, e confesso a minha fé!
O sacerdote conduz-me aos degraus do altar,
Inclino a cabeça, e a água santa escorre pela fronte abaixo.

"O vento sopra onde quer e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito." (João 3, 8)

Senhor, será possível renascer uma vez 

passada metade da vida (Jo 3,4)?
Assim o disseste, e para mim tornou-se realidade.
Já não sinto o peso das faltas e das minhas penas dessa vida longa.
De pé, recebi sobre os ombros o manto branco,
Símbolo luminoso da pureza.
Trouxe à mão o círio cuja chama anuncia 

a Tua vida santa a brilhar em mim.
E o meu coração transformou-se na manjedoura que por Ti espera.
Por pouco tempo!
Maria, Tua Mãe, e também minha, deu-me o nome.
À meia-noite depõe no meu coração o seu bebé, recém-nascido.
Oh! Não há coração humano que possa imaginar
O que Tu preparas para aqueles que Te amam (1Cor 2,9).
És meu para sempre e nunca Te deixarei.
Seja qual for o caminho que venha a trilhar estás sempre comigo.
E nada mais poderá separar-me do Teu amor (Rm 8,39).

domingo, 8 de janeiro de 2012

EPIFANIA E BATISMO DO SENHOR


Louvai o nosso Deus, todos os seus servos (Ap 19,5)

Mares e rios, bendizei ao Senhor,
águas das fontes, cantai ao Senhor. Aleluia!



Tanto os fiéis de tradição romana como os de tradição constantinopolitana conservaram, para o dia 6 de janeiro, uma festa cristológica muito antiga, a primeira em que se sintetizavam todos os mistérios do Senhor ao manifestar-se ao mundo. Mas quando no século IV, a data do nascimento do Senhor foi colocada no dia 25 de dezembro, por iniciativa romana, e logo em seguida aceita também pelos orientais, o conteúdo da festa do 6 de janeiro se diversificou. Para os católicos latinos o dia 6 de janeiro é o dia da Epifania, a manifestação de Cristo «luz das nações» considerada a partir da vinda dos Reis Magos em Belém. Esse evento, para os cristãos bizantinos, está incluído na comemoração global do dia 25 de dezembro. Ao passo que no dia 6 de janeiro eles celebram a “Santa Teofania” do Deus que se encarnou. É a segunda manifestação do Salvador, no início de sua vida pública, por ocasião do seu batismo no rio Jordão, que se deu num contexto trinitário, em que Deus Pai fez ouvir sua voz e o Espírito Santo apareceu em forma de pomba.
Era um dia em que os catecúmenos recebiam solenemente o batismo, como na Páscoa. Os textos litúrgicos da festa da Teofania resumem bem os mistérios fundamentais da fé cristã: encarnação do Verbo, com muitas alusões ao nascimento, e a unidade de Deus na Trindade.


Despontou a tua luz, Jerusalém,
e a glória do Senhor te iluminou.
E os povos andarão na tua luz. Aleluia!



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HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012


 
Queridos irmãos e irmãs,

A Epifania é uma festa da luz. «Ergue-te, Jerusalém, e sê iluminada, que a tua luz desponta e a glória do Senhor está sobre ti» (Is 60, 1). Com estas palavras do profeta Isaías, a Igreja descreve o conteúdo da festa. Sim, veio ao mundo Aquele que é a Luz verdadeira, Aquele que faz com que os homens sejam luz. Dá-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (cf. Jo 1, 9.12). Para a liturgia, o caminho dos Magos do Oriente é só o início de uma grande procissão que continua ao longo da história inteira. Com estes homens, tem início a peregrinação da humanidade rumo a Jesus Cristo: rumo àquele Deus que nasceu num estábulo, que morreu na cruz e, Ressuscitado, permanece connosco todos os dias até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). A Igreja lê a narração do Evangelho de Mateus juntamente com a visão do profeta Isaías, que escutámos na primeira leitura: o caminho destes homens é só o início. Antes, tinham vindo os pastores – almas simples que habitavam mais perto de Deus feito menino, podendo mais facilmente «ir até lá» (cf. Lc 2, 15) ter com Ele e reconhecê-Lo como Senhor. Mas agora vêm também os sábios deste mundo. Vêm grandes e pequenos, reis e servos, homens de todas as culturas e de todos os povos. Os homens do Oriente são os primeiros, seguidos de muitos outros ao longo dos séculos. Depois da grande visão de Isaías, a leitura tirada da Carta aos Efésios exprime, de modo sóbrio e simples, a mesma ideia: os gentios partilham da mesma herança (cf. 3, 6). Eis como o formulara o Salmo 2: «Eu te darei as nações por herança, e os confins da terra para teu domínio» (v. 8).

Os Magos do Oriente vão à frente. Inauguram o caminho dos povos para Cristo. Durante esta Missa, vou conferir a Ordenação Episcopal a dois sacerdotes, consagrá-los-ei Pastores do povo de Deus. Segundo palavras de Jesus, caminhar à frente do rebanho faz parte da função do Pastor (cf. Jo 10, 4). Por isso naqueles personagens, que foram os primeiros pagãos a encontrar o caminho para Cristo, talvez possamos – não obstante todas as diferenças nas respectivas vocações e tarefas – procurar indicações para a missão dos Bispos. Que tipo de homens eram os Magos? Os peritos dizem-nos que pertenciam à grande tradição astronómica que se fora desenvolvendo na Mesopotâmia no decorrer dos séculos, e era então florescente. Mas esta informação, por si só, não é suficiente. Provavelmente haveria muitos astrónomos na antiga Babilónia, mas poucos, apenas estes Magos, se puseram a caminho e seguiram a estrela que tinham reconhecido como sendo a estrela da promessa, ou seja, a que indicava o caminho para o verdadeiro Rei e Salvador. Podemos dizer que eram homens de ciência, mas não apenas no sentido de quererem saber muitas coisas; eles queriam algo mais. Queriam entender o que é que conta no facto de sermos homens. Provavelmente ouviram falar da profecia de Balaão, um profeta pagão: «Uma estrela sai de Jacob, e um cetro se levanta de Israel» (Nm 24, 17). Eles aprofundaram esta promessa. Eram pessoas de coração inquieto, que não se satisfaziam com aparências ou com a rotina da vida. Eram homens à procura da promessa, à procura de Deus. Eram homens vigilantes, capazes de discernir os sinais de Deus, a sua linguagem subtil e insistente. Mas eram também homens corajosos e, ao mesmo tempo, humildes: podemos imaginar as zombarias que tiveram de suportar quando se puseram a caminho para ir ter com o Rei dos Judeus, enfrentando canseiras sem número. Mas, não consideravam decisivo o que se pensava ou dizia deles, mesmo pelas pessoas influentes e inteligentes. Para eles o que contava era a própria verdade, não a opinião dos homens. Por isso, enfrentaram as privações e o cansaço dum caminho longo e incerto. Foi a sua coragem humilde que lhes permitiu prostrar-se diante dum menino filho de gente pobre e reconhecer n’Ele o Rei prometido, cuja busca e reconhecimento fora o objectivo do seu caminho exterior e interior.

Queridos amigos, em tudo isto é possível ver alguns traços essenciais do ministério episcopal. Também o Bispo deve ser um homem de coração inquieto, que não se satisfaz com as coisas rotineiras deste mundo, mas segue a inquietação do coração que o impele interiormente a aproximar-se sempre mais de Deus, a procurar o seu Rosto, a conhecê-Lo cada vez melhor, para poder amá-Lo sempre mais. Também o Bispo deve ser um homem de coração vigilante que percebe a linguagem subtil de Deus e sabe discernir a verdade da aparência. Também o Bispo deve estar repleto da coragem da humildade, que não se interessa do que a opinião dominante diz dele, mas por critério toma a medida da verdade de Deus, comprometendo-se com ela «opportune – importune». Deve ser capaz de ir à frente indicando o caminho. Deve ir à frente seguindo Aquele que a todos nos precedeu, porque é o verdadeiro Pastor, a verdadeira estrela da promessa: Jesus Cristo. E deve ter a humildade de prostrar-se diante daquele Deus que Se tornou tão concreto e tão simples que contradiz o nosso orgulho insensato, que não quer ver Deus assim perto e pequenino. Deve viver a adoração do Filho de Deus feito homem, aquela adoração que lhe indica sem cessar o caminho.

A liturgia da Ordenação Episcopal exprime o essencial deste ministério em oito perguntas dirigidas aos Ordenandos, que começam sempre com a palavra: «Vultis? – Quereis?». As perguntas orientam a vontade e indicam-lhe o caminho a tomar. Gostaria de mencionar aqui, brevemente, algumas das palavras-chave desta orientação, nas quais se concretiza aquilo que há pouco reflectimos a partir dos Magos que aparecem na festa de hoje. A missão dos Bispos é «praedicare Evangelium Christi», «custodire», «dirigere», «pauperibus se misericordes praebere», «indesinenter orare». O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, guardar o depósito sagrado da nossa fé, ir à frente e guiar, a misericórdia e a caridade para com os necessitados e os pobres nas quais se reflecte o amor misericordioso de Deus para connosco e, finalmente, a oração contínua são características fundamentais do ministério episcopal. A oração contínua significa nunca perder o contacto com Deus, deixar-se tocar sempre por Ele no íntimo do nosso coração e deste modo sermos permeados pela sua luz. Só quem conhece a Deus pessoalmente é que pode guiar os outros para Deus. E só quem guia os homens para Deus é que os guia pela estrada da vida.

O coração inquieto, de que falámos inspirando-nos em Santo Agostinho, é o coração que, em última análise, não se satisfaz com nada menos do que Deus e é, precisamente assim, que se torna um coração que ama. O nosso coração vive inquieto por Deus, e não pode ser doutro modo, embora hoje se procure, com «narcóticos» muito eficazes, libertar o homem desta inquietação. Mas não somos só nós, seres humanos, que vivemos inquietos relativamente a Deus. Também o coração de Deus vive inquieto relativamente ao homem. Deus espera-nos. Anda à nossa procura. Também Ele não descansa enquanto não nos tiver encontrado. O coração de Deus vive inquieto, e foi por isso que se pôs a caminho até junto de nós – até Belém, até ao Calvário, de Jerusalém até à Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco, anda à procura de pessoas que se deixem contagiar por esta sua inquietação, pela sua paixão por nós; pessoas que vivem a busca que habita no seu coração e, ao mesmo tempo, se deixam tocar no coração pela busca de Deus a nosso respeito. Queridos amigos, foi esta a missão dos Apóstolos: acolher a inquietação de Deus pelo homem e levar o próprio Deus aos homens. E, seguindo os passos dos Apóstolos, esta é a vossa missão: deixai-vos tocar pela inquietação de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito.

Os Magos seguiram a estrela. Através da linguagem da criação, encontraram o Deus da história. É certo que a linguagem da criação, por si só, não é suficiente. Apenas a Palavra de Deus, que encontramos na Sagrada Escritura, podia indicar-lhes definitivamente o caminho. Criação e Escritura, razão e fé devem dar-se as mãos para nos conduzirem ao Deus vivo. Muito se discutiu sobre o tipo de estrela que guiou os Magos. Pensa-se numa conjunção de planetas, numa Supernova, ou seja, uma daquelas estrelas inicialmente muito débeis que, na sequência duma explosão interna, irradia por algum tempo um imenso esplendor, num cometa, etc. Deixemos que os cientistas continuem esta discussão. A grande estrela, a verdadeira Supernova que nos guia é o próprio Cristo. Ele é, por assim dizer, a explosão do amor de Deus, que faz brilhar sobre o mundo o grande fulgor do seu coração. E podemos acrescentar: tanto os Magos do Oriente, mencionados no Evangelho de hoje, como os Santos em geral pouco a pouco tornaram-se eles mesmos constelações de Deus, que nos indicam o caminho. Em todas estas pessoas, o contacto com a Palavra de Deus provocou, por assim dizer, uma explosão de luz, através da qual o esplendor de Deus ilumina este nosso mundo e nos indica o caminho. Os Santos são estrelas de Deus, pelas quais nos deixamos guiar para Aquele por quem o nosso ser anseia. Queridos amigos, vós seguistes a estrela que é Jesus Cristo, quando dissestes o vosso «sim» ao sacerdócio e ao ministério episcopal. E certamente brilharam para vós também estrelas menores, que vos ajudaram a não errar o caminho. Na Ladainha dos Santos, invocamos todas estas estrelas de Deus, a fim de que brilhem sempre de novo para vós e vos indiquem o caminho. Com a Ordenação Episcopal, vós mesmos sois chamados a ser estrelas de Deus para os homens, guiando-os pelo caminho que leva à verdadeira Luz: Cristo. Invoquemos, pois, agora todos os Santos, para que possais corresponder sempre a esta vossa missão mostrando aos homens a luz de Deus. Amem.

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Hoje a Igreja se uniu a seu celeste Esposo,
porque Cristo lavou no Jordão o pecado;
para as núpcias reais correm Magos com presentes;
e os convivas se alegrem com a água feita vinho. Aleluia!


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ANGELUS COM O PAPA BENTO XVI 
Praça de São Pedro - Vaticano
Domingo, 8 de janeiro de 2012

Queridos irmãos e irmãs

Hoje celebramos a festa do Batismo do Senhor. Esta manhã conferi o Batismo a 16 crianças e por isto, gostaria de propor uma breve reflexão sobre nosso ser filhos de Deus. Antes de tudo, partamos do nosso ser simplesmente filhos: esta é a condição fundamental que nos une. Nem todos são pais, mas todos seguramente são filhos. Vir ao mundo não é nunca uma escolha, não nos vem pedido antes de nascer. Mas durante a vida, podemos amadurecer uma atitude livre em relação a própria vida: podemos acolhê-la como um dom e, em um certo sentido, tornar aquilo que já somos: filhos. Esta passagem sinaliza uma etapa de maturidade do nosso ser e no relacionamento com nossos pais, que se enche de reconhecimento. É uma passagem que nos torna também capazes de ser também genitores, não biologicamente, mas moralmente. 


Também em relação a Deus somos todos filhos. Deus é a origem da existência de toda criatura e é Pai em modo singular de cada ser humano: tem como ele ou com ela uma relação única, pessoal. Cada de nós é querido, é amado por Deus. E também nesta relação com Deus, por assim dizer, podemos renascer, isto é, nos tornar aquilo que somos, Isto acontece mediante a fé, mediante um sim profundo e pessoal a Deus como origem e fundamento da nossa existência. Com este “sim” eu acolho a vida como dom do Pai que está nos céus, um Pai que não vejo, mas no qual creio e que sinto no profundo do coração ser o Meu Pai e de todos os meus irmãos em humanidade, um Pai imensamente bom e fiel. 

Sobre o que se baseia esta fé em Deus Pai? Se baseia em Jesus Cristo: a sua pessoa e a sua história nos revelam o Pai, o fazem conhecer, o quanto é possível deste modo. Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, nos conduz a renascer do alto, isto é, de Deus, que é amor (Jo 3,3). E precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo é também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede o nosso fazer: devemos renascer em um novo nascimento. São João diz: A quantos o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12). Este é o sentido do Sacramento do Batismo, o Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele mesmo pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que de nós mesmos não temos.


Caros amigos, este domingo do Batismo do Senhor conclui o Tempo do Natal. Rendamos graças a Deus por esse grande mistério, que é fonte de regeneraçção para a Igreja e para o mundo inteiro. Deus se fez Filho do Homem, para que o homem se tornasse filho de Deus, mediante o Batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos aqueles que creem nEle, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus, não com as palavras, e não somente com as palavras, mas com os fatos. Escreve ainda São João: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus e nos amemos uns aos outros, este é o preceito que Ele nos deu (I Jo 3,23)



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Oração 

Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela,
concedei aos vossos servos, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia
face a face no céu.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade 
do Espírito Santo.



Fontes:

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

INICIAÇÃO CRISTÃ: BATISMO E CRISMA




O que é a “iniciação cristã”? “Iniciar” alguma pessoa em alguma coisa significa explicar-lhe o sentido do que ela pretende saber, fazer ou ser e levá-la a fazer experiência da nova realidade em que está sendo iniciada. A expressão “iniciação cristã” se refere ao caminho que se deve seguir para que uma pessoa conheça Jesus Cristo, aprenda a ser “cristã”, seguidora do Mestre. Isso envolve instrução, treino, aprendizagem e vivência.

Da mesma forma como o agricultor planta a sementinha de uma árvore frutífera e em seguida cuida para que a semente germine, cresça, forme tronco, ramos e folhas, e finalmente produza flores e frutos; assim também a semente da Palavra de Deus, semeada no coração de quem se aproxima de Cristo, deve ser cultivada para que germine, floresça e produza frutos de vida eterna. Isso é a iniciação cristã. Ela se dá pelo conhecimento da Palavra de Deus transmitida pela Igreja, pela fé em Jesus, pelo esforço de conversão, pela recepção dos sacramentos do Batismo, da Crisma (Confirmação) e da Eucaristia: são esses três sacramentos que “fazem o cristão”.

Vejo que você já levanta um questionamento. Você me diz: que sentido pode ter para mim a iniciação cristã, se fui batizado/a quando criancinha, fiz a primeira Comunhão sem ter muita noção do sentido da Eucaristia e recebi a Crisma entendendo muito pouco do que estava acontecendo?

Boa pergunta. Este é um dos problemas mais sérios da vida da Igreja, de modo especial no Brasil. Digamos que você nasceu num país católico (hoje, cada vez menos...), numa família católica, foi batizado/a criancinha, a catequese da sua paróquia deixou a desejar, nem sempre os/as catequistas se sentiam devidamente preparados, recebeu os sacramentos da Eucaristia e da Crisma atendendo ao pedido do padre, como queria a família, como manda o costume e... pronto. Você se tornou “cristão”; na prática, você “nasceu católico”... Entretanto, – agora lhe pergunto: você tem consciência do que significa “ser cristão”? Você vive de fato como “cristão”, isto é, como “seguidor de Cristo”? Eis o problema.

É que no fundo faltou a “iniciação cristã”. Você, criancinha, não podia tomar consciência de nada; a adolescência é um tempo difícil para todo mundo; sua família talvez não tivesse condições religiosas para lhe oferecer um ambiente de fato cristão; também pode ser que a sua comunidade eclesial não conseguia oferecer-lhe uma catequese adequada... O fato é que você “nasceu católico”, mas não houve o “desenvolvimento” de sua fé. A sementinha recebida no Batismo não germinou, não cresceu... Claro, não pode produzir frutos: este é o drama de grande parte do catolicismo brasileiro; este é também o grande desafio da catequese.

Se não houve iniciação cristã antes do Batismo porque a pessoa foi batizada sendo criancinha (o mesmo se diga dos sacramentos da Crisma e da Eucaristia), a iniciação deve ser substituída pela catequese. E se, por desgraça, a catequese falhar, está comprometida toda a educação da fé, toda a vida cristã. Resultado prático: muitos cristãos adultos precisam, hoje, de iniciação cristã que não tiveram antes do Batismo porque batizados como criancinhas e porque a catequese recebida após o Batismo foi insuficiente. Além disso, faltou-lhes o apoio cristão da família e da comunidade eclesial, sem falar do ambiente da sociedade que muitas vezes caminha em sentido contrário ao de Cristo. Por isso é que a catequese de adultos é tão importante quanto a catequese das crianças. Feliz a diocese, a paróquia, a comunidade que compreender esta realidade e providenciar a iniciação cristã para seus cristãos adultos e uma catequese adequada para suas crianças.

Faltando a iniciação cristã e uma catequese adequadas, os que se dizem “cristãos” não passarão de “crianças” em termos de fé e compromisso. A semente da Palavra de Deus que deu início à vida divina precisa germinar, crescer, produzir flores e frutos. Enquanto nossos católicos não passarem de “crianças” e não se tornarem “adultos na fé”, nosso cristianismo será sempre sem consequências práticas em meio à sociedade. Quando tivermos por todo Brasil catequistas bem preparados para essas tarefas e leigos/as maduros em sua fé, então teremos um Brasil “católico” de verdade, não tanto pelo número dos que se declaram tais no recenseamento, quanto pela qualidade da vivência de sua fé.


Batismo

Antes de tudo, por que é preciso receber o Batismo? Porque esta foi e é a vontade explícita de Jesus. Ele disse aos seus apóstolos: “Ide e ensinai a todos os povos; batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos prescrevi” (Mateus 28,18-19). Eis aí a vontade explícita do Senhor: que todos recebam o Batismo a fim de que todos tenham a vida eterna.

O Evangelho nos conta que uma noite Jesus recebeu a visita de Nicodemos. Na conversa, Jesus lhe disse: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus... Quem não renascer da água e do Espírito Santo não poderá entrar no Reino de Deus.” (João 3,3-5). A mesma resposta foi dada por S. Pedro no dia de Pentecostes à multidão que lhe perguntava: “Que devemos fazer?”. Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos dos Apóstolos 2,37-38). Veja como tudo é muito simples para Jesus: fé em sua Palavra, esforço de conversão, Batismo. A ordem dada por Jesus continua sendo cumprida pela sua Igreja até hoje: foi assim que também você recebeu o Batismo.

Só Jesus podia “inventar” uma coisa dessas, tão simples e ao mesmo tempo tão profunda: por meio de um pequeno rito com água e com as palavras ”Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, purificar você do pecado original, infundir em você a vida divina, torná-lo filho/a de Deus, morada da Santíssima Trindade, membro da comunidade de Jesus (a Igreja) e herdeiro da felicidade eterna. Não é o máximo? De fato é o máximo, pois de simples ser humano, o Batismo fez de você um ser “divino”. O que falta, então? Tomar consciência desse acontecimento grandioso e esforçar-se por viver de acordo com a nova realidade divina que se instalou em seu corpo e em sua alma. Não queira permanecer eterna “criança” do ponto de vista divino: cresça, desenvolva a vida divina que está em você, alimente-a pela Palavra de Deus, pela oração, pelos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, pelo amor fraterno... Assuma os compromissos do Batismo, arque com as consequências que dele derivam.

Que consequências são essas? Vejamos: 1) O Batismo libertou você do pecado: esforce-se para não pecar e viver como pede o Evangelho, santamente. 2) Você se tornou filho de Deus: viva como verdadeiro filho/a do Pai do céu. 3) Tornou-se uma coisa só com Jesus: viva unido a Ele, nunca se separe dele pelo pecado. 4) Foi feito templo do Espírito Santo: proceda em tudo de acordo com o Espírito. 5) Foi agregado à comunidade da Igreja: participe intensamente da vida eclesial. 6) Tornou-se irmão/a de todos: viva em paz com todos, queira bem a todos, perdoe a todos. 7) Foram infundidas em seu coração as virtudes da Fé, da Esperança e da Caridade (amor): viva a sua fé, mantenha sempre a esperança e amplie o mais possível seu amor fraterno.

Veja quantos compromissos o Batismo introduz em sua vida. Que se conclui de tudo isso? Que o Batismo é para ser vivido diariamente. Não tem sentido ser batizado, e depois viver de qualquer jeito, longe de Deus, do Evangelho de Jesus e de sua Igreja. Seja um cristão consciente e comprometido, do contrário, diante de Deus, você ficará uma eterna “criança”, esvaziando tudo o que Jesus fez pela sua salvação.

Um sugestão prática: por que você não elabora um pequeno “projeto de vida cristã” com base nas realidades batismais acima descritas? Depois, esforce-se por ser coerente com ele e por fazer de vez em quando uma revisão de visa. É assim que você crescerá na coerência batismal e se tornará sempre mais discípulo/a de Jesus.


Crisma


“Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus.”
Foi com estas palavras que no dia da sua Crisma o bispo lhe ungiu a testa em forma de cruz com o óleo consagrado na quinta-feira santa: por meio da simplicidade deste rito, o Espírito Santo tomou conta de todo o seu ser. Junto com o Batismo e a Eucaristia, a Crisma faz parte da iniciação cristã, isto é, é um dos sacramentos que “fazem o cristão”. “Crisma” é palavra grega que significa “unção”. No Antigo Testamento ungiam-se os sacerdotes e os reis, que eram chamados os “Ungidos do Senhor”. No Novo Testamento, Jesus, o Messias, é chamado “Cristo”, que significa precisamente “Ungido”.

A Crisma é, pois, o sacramento pelo qual o Pai, por meio de Jesus, lhe comunica o Espírito Santo e seus dons. Para quem não tem fé, é impossível crer uma coisa dessas. Entretanto, é isto o que acontece. A imposição das mãos do bispo e a unção com o óleo significam que o Espírito Santo “desce” sobre você e toma conta de todo o seu ser, da mesma forma como o óleo, aos poucos, penetra a pedra mais dura. Por sua vez, a cruz traçada em sua testa significa que você pertence a Cristo: é Ele que lhe comunica o Espírito Santo. Por isso, a Crisma é o sacramento que faz do cristão uma pessoa consciente de que, pelo Batismo, se tornou filho/a de Deus, pertence ao Cristo que o redimiu do pecado e se deixa guiar pelo Espírito Santo.

A Crisma não é um complemento do Batismo, como se o Batismo sozinho não tivesse sido completo; mas está intimamente ligada a ele, pois ela potencializa, fortalece e estimula a vida divina recebida no Batismo. Sintetizando os efeitos do sacramento da Crisma: ela torna você de modo mais pleno filho/a de Deus; une-o de forma mais intensa a Cristo; aperfeiçoa os laços que o unem com a Igreja; dá-lhe a força do Espírito Santo para difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, para testemunhar com coragem o nome de Cristo e nunca ter vergonha do Evangelho.

Em outras palavras, a Crisma lhe comunica o Espírito Santo e seus dons para que você se torne semelhante a Jesus, o Ungido de Deus, que é profeta, sacerdote e rei. Quem recebeu a Crisma deve ser profeta para anunciar a Palavra de Deus, sacerdote para oferecer o culto espiritual a Deus e rei para testemunhar Cristo e implantar seu Reino em toda parte. Esta é maneira pela qual Jesus cumpre sua repetida promessa de enviar aos seus discípulos/as o Espírito Santo: você pode conferir esta bela promessa e sua realização em João 16,7-15; 20,22 e nos Atos dos Apóstolos 2,1-4; 8,15-17.

A Crisma produz ainda outro efeito que é chamado “caráter”; é como a “marca” de Cristo, sinal de que você pertence a Jesus. O caráter é “indelével”, isto é, nada, nem o pecado mortal, o apaga. São Paulo escreve aos Coríntios: “Deus nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito” (2 Coríntios, 1,21). E aos Efésios: “Fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido” (Efésios 1,13). Veja também 1 João 2,20.27. Daí ser fundamental que nunca desapareça de dentro de você a consciência de pertencer a Jesus em tudo e por tudo.

A presença do Espírito Santo traz consigo o que costumamos chamar de “dons”, os “sete dons”. Presente em você, o Espírito Santo age em todas as suas faculdades: inteligência, vontade, liberdade... A ação santificadora do Espírito se adapta às suas necessidades de cada momento; daí os dons receberem nomes diversos; no fundo, porém, é sempre o mesmo Espírito Santo que age em você a fim de que se torne sempre mais semelhante a Jesus e viva de acordo com o Evangelho.

Vale a pena especificar esses sete dons e observar como cada um produz efeitos específicos. A Sabedoria ajuda você a “saborear” as coisas de Deus, isto é, a olhar tudo e todos com olhar divino, a viver de acordo com o Evangelho, a não se deixar conduzir só pela dimensão humana da vida e das coisas. A Inteligência lhe faz “compreender” a Palavra de Deus e as coisas de Deus; sem essa compreensão, não é possível “saborear” as coisas de Deus. O Conselho o orienta a “discernir”, à luz da fé e da Palavra de Deus, o que está de acordo com Deus e o que é contrário a Ele. A Fortaleza, como a palavra diz, o “fortalece” para estar pronto a seguir Jesus Cristo, a dar testemunho corajoso do Evangelho, a difundir o Reino de Deus no ambiente em que vive e a combater contra o mal que tenta tomar conta do seu coração. A Ciência lhe proporciona maior “conhecimento” dos mistérios da fé e do caminho da vida cristã. A Piedade o leva a viver o “amor filial” para com o Pai do céu (piedade = em latim se diz “píetas” e significa amor dos filhos para com os pais). Finalmente, o Temor de Deus ajuda você a “respeitar” a Deus, temendo amorosamente violar seus Mandamentos e ofendê-lo.Como você percebe, junto com a vida divina que lhe foi comunicada no Batismo, os dons do Espírito Santo santificam e fortalecem sua inteligência e sua vontade – toda a sua pessoa – para que você possa viver realmente como filho/a de Deus e produzir os “frutos do Espírito”.

Você pode perguntar: o que são os frutos do Espírito Santo? O cristão é comparado a uma árvore: Jesus disse que “toda árvore boa produz frutos bons e toda árvore má produz maus frutos” (Mateus 7,17). Ora, o crismado que procura ser uma boa “árvore”, produzirá os frutos do Espírito. São Paulo fala deles escrevendo aos Gálatas. Diz: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne, pois são contrários uns aos outros... As obras da carne são estas: fornicação, impureza libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódios, ambição, discórdia, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes... Ao contrário, os frutos do Espírito são caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gálatas 5,16-17.19-23).

É fácil ver que a Crisma compromete seriamente você com Jesus e a Igreja. Você deve ser consciente de sua responsabilidade como discípulo/a de Jesus. Por isso, precisa esforçar-se para dar testemunho do Evangelho e do próprio Jesus Cristo. Além disso, deve também ser consciente de que a Crisma o empenha mais intensamente no cumprimento da missão da Igreja, isto é, de evangelizar e transformar a sociedade e o mundo. No seu “projeto de vida cristã” que lhe sugeri ao tratar do Batismo inclua a bela a radiosa realidade divina do Espírito Santo que lhe foi dado pelo sacramento da Crisma.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Batismo de Jesus


Por Dom Hilário

O tempo litúrgico do Natal se encerra com a celebração do Batismo de Jesus. O episódio é narrado pelos quatro evangelistas. É um acontecimento repleto de significados: Jesus se apresenta a João e pede para ser batizado; o Batista recusa, mas acaba cedendo; Jesus entra nas águas do rio Jordão e João o batiza; o Espírito Santo, em forma de pomba, desce sobre Jesus; ouve-se a voz do Pai celeste que diz: “Este é meu Filho muito amado, no qual pus o meu encanto” (Mateus 3,17).


Quantos sinais! O que querem significar? Por que Jesus quis ser batizado? Jesus não busca o batismo de João para ser purificado do pecado, pois Ele é a própria pureza divina. O batismo de João era convite e sinal de arrependimento, de conversão, de mudança de vida, e Jesus não precisava de nada disso. Pois bem, com esse gesto, o que Ele pretendeu dizer-nos?


Como ensina a Carta aos Hebreus (cf. 4,15), “Ele foi provado em tudo como nós, exceto no pecado”. Quando o Filho de Deus decidiu tornar-se um de nós, assumiu por completo a nossa condição, quis ser semelhante a nós em tudo, inclusive na “aparência” de pecador. De fato, como lembra S. Paulo, “Aquele que não havia conhecido o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus” (2 Coríntios 5,21). Portanto, o batismo de Jesus foi um sinal de humildade, de solidariedade para conosco. Mais: foi o gesto de assumir sobre si os nossos pecados a fim de levá-los até a cruz e nela morrer para deles nos livrar. É S. Pedro quem fala: “Subindo ao madeiro, Ele levou os nossos pecados no seu corpo para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados” (1 Pedro 2,24). Jesus, nosso Irmão em tudo, até na “aparência” de homem pecador.


A presença do Espírito Santo, significada pela pomba pairando sobre Jesus, o que nos lembra? Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo. “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra” (Lucas 1,35), diz o arcanjo Gabriel a Maria no momento da Encarnação. A humanidade de Jesus é obra do Espírito do Senhor. O próprio Jesus, na sinagoga de sua terra, aplicará a si as palavras de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Isaías 61,1-2). Antes desse acontecimento, eis que o Espírito desce sobre Jesus às margens do Jordão. Será igualmente o Espírito Santo a orientar Jesus para o deserto após o batismo e a conduzi-lo durante toda sua vida, em particular a levá-lo ao Calvário, onde Ele realizará o maior ato de amor: de fato, o Espírito anima o coração de Jesus com o mais puro amor de Deus. Por fim, o Espírito Santo transfigurará Jesus na ressurreição. Sim, toda a existência humana de Jesus é iluminada e movida pela presença do Espírito do Senhor.


Por fim, (para ficar nos elementos essenciais do episódio do batismo de Jesus), ouve-se a voz do Pai celeste: “Este é meu Filho muito amado”. O que significa? Pode-se dizer que é a “apresentação” que o Pai faz de seu Filho para o mundo como Messias e Salvador. Na Transfiguração do Senhor, ouve-se novamente a voz do Pai que renova sua declaração de amor pelo seu Filho e acrescenta para nós: “Escutai-o” (Mateus 17,5). Jesus, que abandona o anonimato de sua pequena cidade de Nazaré, apresenta-se ao mundo movido pelo Espírito Santo e confortado pelo amor de Seu Pai, pronto a tomar sobre si os pecados do mundo e a redimir todos os seres humanos, conduzindo-os, por meio da cruz, à glória da ressurreição, “quando seremos semelhantes a Ele” (1 João 3,2).


Este é o significado mais relevante do batismo de Jesus. Pois bem, ponha-se agora no lugar de Jesus, pense no momento do seu próprio batismo: também você, pecador, foi purificado do pecado original; também em você o Espírito Santo fez sua morada; também você foi “declarado” filho/a muito amado pelo Pai; também em você foi plantada a semente da vida divina e da futura ressurreição. A celebração do batismo de Jesus seja também a renovação da celebração do seu batismo; agradeça a Deus por tão grande dom; renove seus compromissos batismais.


Jesus, nosso Irmão em tudo, menos no pecado; você, em tudo, irmão/a de Jesus, procurando evitar todo pecado. Este é o significado da celebração que encerra o tempo litúrgico do Natal.


Fonte:  Blog Dom Hilário