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terça-feira, 23 de abril de 2013

São Jorge não é ogum!


O santo que me perdoe, mas que dia irritante esse 23/04 no Rio de Janeiro!!! Somos acordados as 6h, hora do angelus, com foguetório em homenagem a São Jorge. Não bastasse isso, as 18h, também hora do angelus, mais foguetório... Se fossem pessoas realmente querendo agradecer ou pedir ao santo, estariam em silêncio rezando o terço em honra dele, e não fogueteando como no réveillon. Afff!!!

Quando é que esse povo de religião afro vai aprender que São Jorge morreu cristão e nunca acreditou na doutrina dessas entidades e orixás de "macumba", hein?! Que inconvenientes e ignorantes! Talvez um pouco de História ajude...

A existência de São Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas e espalhados entre os quatro cantos do planeta.

Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.

A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.

Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.

De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, data da morte do santo, tanto no Ocidente como no Oriente.

Então vamos combinar assim: se você não é católico, se não crê que Jesus Cristo é o Verbo encarnado, que foi morto crucificado e ressuscitou, e deu ordem de não invocar nenhum espírito a não ser o Espírito Santo (terceira pessoa da Santíssima Trindade), não comemore o dia de São Jorge!!!!!! Deixe de ser incoerente!


Fonte: Paulinas

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Santa Tereza Benedita da Cruz (Edith Stein)


Edith Stein nasceu na cidade de Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891, em uma próspera família de judeus. Aos dois anos, ficou órfã do pai. A mãe e os irmãos mantiveram a situação financeira estável e a educaram dentro da religião judaica. 

Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determinação, caráter inabalável e muita obstinação. Na adolescência, viveu uma crise: abandonou a escola, as práticas religiosas e a crença consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com graduação máxima, recebendo o título de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha só concedeu esse título a doze mulheres na última metade do século XX. 

Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d'Ávila. Tocada pela luz da fé, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a mãe e os irmãos nunca compreenderam ou aceitaram sua adesão ao catolicismo. A exceção foi sua irmã Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, após a morte da mãe, em 1936. 

Edith Stein começou a servir a Deus com seus talentos acadêmicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em instituições católicas e finalizou como catedrática numa universidade alemã. Em 1933, chegavam ao poder: Hitler e o partido nazista. Todos os professores não-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do país, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como noviça. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua família não compareceu à cerimônia. 

Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas. A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irmã leiga carmelita, não podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos. 

A Segunda Guerra Mundial começou e a expansão nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alemão em 1941. A família de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentração. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Suíça, mas as autoridades civis de lá não facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente. 

Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posição formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agressão da Igreja Católica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irmã do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros duzentos e quarenta e dois judeus católicos foram deportados para os campos de concentração, como represália do regime nazista à mensagem dos bispos holandeses. As duas irmãs foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. Lá, Edith Stein, ou a "freira alemã", como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamentações ou prostração total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o ânimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo possível, das crianças. Assim ela viveu alguns dias, suportando com doçura, paciência e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento, e dos demais. 

No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crianças foram de trem para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na câmara de gás e tiveram seus corpos queimados. 

A irmã carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa João Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presença de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, além de alguns sobreviventes dos campos de concentração que a conheceram e de vários membros da família Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pontífice declarou santa Edith Stein, "co-Padroeira da Europa", junto com santa Brígida e santa Catarina de Sena.

Fonte: Paulinas

sexta-feira, 29 de junho de 2012

São Pedro e São Paulo

A paixão dos Apóstolos este dia sagrou, o triunfo de Pedro para nós revelou, e a coroa de Paulo até aos céus exaltou.


A vitória da morte os uniu, como irmãos consagrados no sangue, verdadeira oblação; pela fé coroados, ao Senhor louvarão. 

Pedro foi o primeiro por Jesus consagrado; Paulo, arauto por graça, vaso eleito chamado, pela fé se igualava ao que tem o Primado. 

Com os pés para o alto foi Simão levantado sobre a cruz do martírio, como o Mestre, levado, recordando a Palavra que ele tinha falado. 



Em tão nobre triunfo, Roma foi elevada ao mais alto dos cumes, em tal sangue fundada; por tão nobres profetas a Jesus consagrada. 

Para cá vem o mundo, e se encontram os crentes, feita centro dos povos, nova mãe dos viventes, como sede escolhida pelo Mestre das gentes. 

Redentor, vos pedimos que possamos também conviver com tais santos, junto a vós, Sumo Bem, e cantar vossa glória pelos séculos. Amém.


A solenidade de são Pedro e de são Paulo é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Já no século IV havia a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos apóstolos ficaram escondidas para fugir da profanação nos tempos difíceis. 

E mais: depois da Virgem Santíssima e de são João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, quando temos a festa da cátedra de São Pedro; e 18 de novembro, reservado à dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo.

Antigamente, julgava-se que o martírio dos dois apóstolos tinha ocorrido no mesmo dia e ano e que seria a data que hoje comemoramos. Porém o martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes, com são Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na colina Vaticana e são Paulo, decapitado, nas chamadas Três Fontes. Mas não há certeza quanto ao dia, nem quanto ao ano desses martírios.

A morte de Pedro poderia ter ocorrido em 64, ano em que milhares de cristãos foram sacrificados após o incêndio de Roma, enquanto a de Paulo, no ano 67. Mas com certeza o martírio deles aconteceu em Roma, durante a perseguição de Nero.

Há outras raízes ainda envolvendo a data. A festa seria a cristianização de um culto pagão a Remo e Rômulo, os mitológicos fundadores pagãos de Roma. São Pedro e são Paulo não fundaram a cidade, mas são considerados os "Pais de Roma". Embora não tenham sido os primeiros a pregar na capital do império, com seu sangue "fundaram" a Roma cristã. Os dois são considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação como pelo ardor e zelo missionários, sendo glorificados com a coroa do martírio, no final, como testemunhas do Mestre.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro papa da Igreja. A ele Jesus disse: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

São Paulo, que foi arrebatado para o colégio apostólico de Jesus Cristo na estrada de Damasco, como o instrumento eleito para levar o seu nome diante dos povos, é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o "Apóstolo dos Gentios".

São Pedro e são Paulo, juntos, fizeram ressoar a mensagem do Evangelho no mundo inteiro e o farão para todo o sempre, porque assim quer o Mestre.


Oração 

Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes Apóstolos que nos deram as primícias da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Fonte:

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Santa Luzia, ora pro nobis!


O nome de Santa Luzia deriva do latim e significa portadora da luz. Ela é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a "janela da alma", canal de luz.

Luzia nasceu em uma rica família napolitana de Siracusa (Itália), no fim do śeculo III, que lhe deu ótima formação cristã, a ponto de ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe, chamada Eutícia, a queria casada com um jovem de distinta família, porém, pagão. 

Ao pedir um tempo para o discernimento e tendo a mãe gravemente enferma, Luzia inspiradamente propôs à mãe que fossem em romaria ao túmulo da mártir Santa Águeda, em Catânia, e que a cura da grave doença seria a confirmação do "não" para o casamento. Milagrosamente, foi o que ocorreu logo com a chegada das romeiras e, assim, Santa Luzia voltou para Siracusa com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto aos sofrimentos pelos quais passaria, assim como Santa Águeda. 

Santa Luzia vendeu tudo, deu aos pobres, e com o casamento cancelado, foi denunciada como cristã ao governador romano pelo jovem que a queria como esposa. Não querendo oferecer sacrifício aos falsos deuses nem quebrar o seu santo voto, foi levada a julgamento diante das autoridades perseguidoras. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano. Quis o prefeito da cidade, Pascásio, levar à desonra a virgem cristã, o mandando que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Mas não houve força humana que a pudesse arrastar. Firme como um monte de granito, várias juntas de bois não foram capazes de a levar (Santa Luzia é muitas vezes representada com os sobreditos bois). Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva, as chamas do fogo também se mostravam impotentes diante dela. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. A decapitação de Santa Luzia se deu no ano de 303.

Somente em 1894 o martírio da jovem Luzia foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV. 

Mas a devoção à santa já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira. 

Diz a antiga tradição que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. Santa Luzia é reconhecida pela vida que levou Jesus - Luz do Mundo - até as últimas consequências, pois assim testemunhou diante dos acusadores: "Adoro a um só Deus verdadeiro, e a Ele prometi amor e fidelidade".

A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje. 

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. 

Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.




Fontes:

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Natividade de São João Batista

Ut queant laxis Resonare fibris Mira gestorum Famuli tuorum Solve polluti Labii reatum Sancte Ioannes.


Para que teus servos, possam ressoar claramente a maravilha dos teus feitos, limpe nossos lábios impuros, ó São João.

Como a Santa Mãe de Deus, dele também se celebra a data de dois nascimentos: para a vida terrena, em 24 de junho, e para a vida eterna em 29 de agosto. 

Neste dia 24 de junho, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebram o nascimento de São João Batista. Também coincide, nas duas tradições, a data em que se celebra o seu martírio em 29 de agosto. No Oriente bizantino, porém, as comemorações do grande Profeta e Precursor são sem dúvida mais numerosas. Com relação ao nascimento, os calendários bizantinos assinalam, no dia 23 de setembro, a data da concepção do “glorioso Profeta, Precursor João, o que batizou Jesus no Jordão”. Antigamente também os martirológios latinos registravam essa comemoração em 24 de setembro; porém a partir do século XV foi abolida. Na tradição oriental é comum iconografar São João Batista na forma de um Anjo. Com efeito “era mais que um homem”, como diz o evangelho, e a palavra “mensageiro” em grego aggeloV coincide com nossa tradução”. Sendo um dos santos mais venerados no Oriente bizantino, é compreensível que muitas sejam as formas de representá-lo em ícones: encontramo-lo representado sozinho, ou em episódios da sua vida, especialmente o da sua decapitação. João é filho de Zacarias que, por causa de sua pouca fé, tornou-se mudo, e de Isabel, aquela que era estéril. O nascimento de João Batista anuncia a chegada dos tempos messiânicos, nos quais a esterilidade se tornará fecundidade e o mutismo, exuberância profética. 

O profeta João Batista era filho do sacerdote Zacarias (da geração de Aarão) e da justa Isabel (da geração de Davi). Eles moravam perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de Jerusalém. Ele era parente do Nosso Senhor Jesus Cristo por parte de sua mãe e nasceu 6 meses antes Dele. Conforme nos relata o Evangelho, o arcanjo Gabriel apareceu ao seu pai no templo, anunciando o nascimento do seu filho. E eis, na justa família de pais idosos, que não tiveram filhos, enfim nasce um filho que eles sempre pediram a Deus. 

Pela graça de Deus ele não foi morto no meio de milhares crianças massacradas em Belém e seus arredores. São João cresceu num deserto inóspito, preparando-se através de uma vida austera para a grande missão — jejuando, rezando e meditando sobre as coisas Divinas. Ele vestia uma veste rústica, de pêlos de camelo e um cinturão de couro, e comeu mel silvestre e gafanhotos. Ele permaneceu lá no deserto até, aos trinta anos, ser chamado pelo Senhor para a pregação ao povo judeu. 

Obedecendo à esta chamada, o profeta João foi até o rio Jordão, para preparar o povo para a recepção do esperado Messias (Cristo). Preparando-se para a festa de purificação, o povo costumava vir até o rio para as abluções rituais. E foi aqui que João começou pregar a eles a penitencia e o batismo para a remissão dos pecados. A essência de sua pregação visava a mostrar ao povo que antes de lavar o corpo, é necessário purificar-se espiritualmente, e desta maneira preparar-se para a aceitação do Evangelho. Naturalmente, o batismo de João ainda não era o batismo cristão, efetuado pela obra Divina. O sentido deste batismo era preparar o povo para o batismo futuro pela água e pelo Espírito Santo. 

Numa das orações o profeta João é comparado à uma estrela da manhã, que com o seu brilho excedia o brilho de todas as outras estrelas e anunciava a manhã do dia abençoado, iluminado pelo Sol espiritual de Cristo (Mal. 4:2). Quando a espera de Messias chegou ao seu ponto culminante, o Próprio Salvador do mundo, Senhor Jesus Cristo veio até João no rio Jordão para ser batizado. O batismo de Cristo foi acompanhado por fenômenos milagrosos — a descida do Espírito Santo na forma de um pombo e a voz de Deus Pai do céu: «Este é o Meu Filho amado...» 

Tendo recebido a revelação a respeito de Jesus Cristo, o profeta João dizia ao povo: «Este é o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo». Quando dois dos discípulos de João ouviram isto, eles logo seguiam Jesus Cristo. Estes dois discípulos eram João o Teólogo e André, o Primeiro Chamado, irmão do Simão Pedro. 

Com o ato de batismo, o profeta João como que terminasse a sua missão profética. Ele não tinha medo de mostrar todos os vícios e pecados tanto dos homens simples, como dos poderosos. Por tudo isto ele logo sofreu. 

O rei Herodes Antipas (filho do Herodes Grande) mandou prender o profeta João e mete-lo na prisão porque o profeta o acusava de ter abandonado a sua legitima esposa (filha do rei da Arábia, Arefa) e convivendo em concubinato com a Herodíades. Herodíades era esposa do irmão de Herodes, Felipe. 

Herodes promoveu um banquete no dia do seu aniversário, do qual participaram muitos convidados. Salomé, filha da ímpia Herodíades, dançava uma dança sensual e Herodes, junto com os outros convidados, ficou tão fascinado, que jurou à Salomé cumprir qualquer desejo dela, até presenteá-la com a metade do seu reino. A bailarina, ensinada pela sua mãe, pediu lhe dar num prato a cabeça de João Batista. Herodes respeitava João como profeta e portanto entristeceu-se com este pedido. Porém, ele teve vergonha de quebrar o juramento e assim mandou o guarda para a prisão para decapitar o profeta. A cabeça do João foi entregue à moça, a qual levou-a até a sua mãe. Herodíades, após ter profanado a cabeça do santo, a jogou num lugar imundo. Os discípulos do João Batista sepultaram o corpo dele na cidade de Sebaste, na Samária. 

No ano 38 d.C. Herodes foi castigado pelo seu crime: o seu exército foi derrotado por Arefa, que empreendeu a campanha militar contra ele para vingar a desonra de sua filha, abandonada por Herodes por causa da Herodíades, e no ano seguinte, o imperador de Roma, Calígula, condenou Herodes e o deportou para uma prisão. 

Conforme a tradição, o Evangelista Lucas, que visitava várias cidades, pregando o Evangelho, levou consigo da Sebaste uma parte da relíquia do grande profeta — a sua mão direita. No ano 959, quando os maometanos conquistaram a Antioquia, (durante o reinado do imperador Constantino Porfirogenito), o diácono Jó trasladou a mão do Precursor da Antioquia para a Calcedonia, de onde ela foi levada para a Constantinopla e onde ela foi guardada até a tomada da cidade pelos turcos. Depois, a mão direita do são João Batista foi guardada em São Petersburgo, na igreja de Nosso Senhor Aquiropita, no Palácio de Inverno. 

A santa cabeça do são João Batista foi encontrada por uma mulher piedosa, Joana, e sepultada numa urna no monte das Oliveiras. Mais tarde, um asceta que estava cavando o solo, preparando o lugar para alicerces de uma nova igreja, achou a relíquia e a guardou consigo. Antes da sua morte, temendo a profanação por parte dos ímpios, ocultou-a na terra no mesmo lugar onde ela foi achada. Durante o reinado do imperador Constantino Grande, dois monges vieram para Jerusalém, para orar no Santo Sepulcro. São João Batista apareceu a um deles em sonho indicando, onde estava enterrada a sua cabeça. A partir desta data, os cristãos começaram a festejar o Primeiro Achado da cabeça do São João Batista. 

Foi sobre o João Batista que Jesus disse: «Entre os nascidos de mulher não existe profeta nenhum maior do que João Batista». João Batista é glorificado pela Igreja como «um anjo, apóstolo, mártir, profeta, círio e amigo de Cristo, o selo dos profetas e intercessor da velha e nova graça, e entre os nascidos, a mais venerável e luminosa voz do Verbo».

"Ele é que deve crescer, e eu diminuir" (Jo 3, 30)
Na louvada memória do justo,
tu, Precursor, és o testemunho do Senhor:
verdadeiramente, foste mais venerável do que os profetas,
pois recebeste a honra de batizar o Messias nas águas do rio; 
sofreste com alegria pela verdade,
anunciaste àqueles que estavam ainda no inferno 
a vinda de Deus feito Homem, 
que redime os pecados do mundo e nos dá a grande graça.





Orígenes, presbítero e teólogo, Homilia 6 
Admiremos João Batista por causa do seguinte testemunho: "Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista" (Lc 7,28); ele mereceu ser elevado a uma tal reputação de virtude que muitas pessoas pensavam que ele era o Cristo (Lc 3,15). Mas há uma coisa ainda mais admirável: Herodes, o tetrarca, detinha poder real e podia fazê-lo morrer quando quisesse. Ora ele tinha cometido uma ação injusta e contrária à lei de Moisés ao tomar a mulher do seu irmão. João, sem ter medo dele nem fazer acepção de pessoas, sem dar importância ao poder real, sem recear a morte..., sem escamotear qualquer destes perigos, repreendeu Herodes com a liberdade dos profetas e condenou o seu casamento. Lançado na prisão por causa desta audácia, não se preocupou nem com a morte nem com um julgamento com sentença incerta mas, a partir do cárcere, os seus pensamentos iam para o Cristo que ele tinha anunciado. 
Não podendo ir em pessoa ao seu encontro, envia os seus discípulos para lhe trazerem informações: "Tu és aquele que deve vir ou temos que esperar outro?" (Lc 7,15). Notem bem que, mesmo na prisão, João ensinava. Mesmo naquele lugar ele tinha discípulos; mesmo na prisão, João cumpria o seu dever de mestre e instruía os seus discípulos, conversando sobre Deus. 
Nestas circunstâncias, levantou-se a questão de Jesus e João envia-lhe alguns discípulos... Os discípulos regressam e trazem ao mestre o que o Salvador lhes tinha encarregado de anunciar. Essa resposta foi para João uma arma para enfrentar o combate; morre com confiança e com grande coragem se deixa decapitar, seguro na palavra do próprio Senhor em como aquele em quem acreditava era verdadeiramente o Filho de Deus. Esta foi a liberdade de João Batista, aquela foi a loucura de Herodes que, aos seus numerosos crimes, acrescentou primeiro a prisão, depois o martírio de João Batista.



PAPA BENTO XVI 
ANGELUS 

Domingo, 24 de Junho de 2007
Solenidade da Natividade de São João Baptista 
Queridos irmãos e irmãs! 
Hoje, 24 de Junho, a liturgia convida-nos a celebrar a solenidade do Nascimento de São João Baptista, cuja vida está toda orientada para Cristo, como a da mãe d'Ele, Maria. João Baptista foi o precursor, a "voz" enviada para anunciar o Verbo encarnado. Por isso, comemorar o seu nascimento significa na realidade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, dos quais o Baptista foi o maior, chamado para "preparar o caminho" diante do Messias (cf. Mt 11, 9-10). 
Todos os Evangelhos iniciam a narração da vida pública de Jesus com a narração do seu baptismo no rio Jordão por obra de João. São Lucas situa a entrada em cena do Baptista com uma moldura histórica solene. Também o meu livro Jesus de Nazaré se inspira no baptismo de Jesus no Jordão, acontecimento que teve grande ressonância no seu tempo. De Jerusalém e de todas as partes da Judeia o povo acorria para ouvir João Baptista e fazer-se baptizar por ele no rio, confessando os próprios pecados (cf. Mc 1, 5). A fama do profeta baptizador cresceu a tal ponto que muitos perguntavam se era ele o Messias. Mas ele ressalta o evangelista negou-o decididamente: "Eu não sou o Messias" (Jo 1, 20). Contudo, ele permanece a primeira "testemunha" de Jesus, tendo recebido a indicação do Céu: "Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo" (Jo 1, 33). Isto acontece precisamente quando Jesus, tendo recebido o baptismo, saiu da água: João viu descer sobre Ele o Espírito como uma pomba. Foi então que "conheceu" a plena realidade de Jesus de Nazaré, e começou a dá-lo a "conhecer a Israel" (Jo 1, 31), indicando-o como Filho de Deus e redentor do homem: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29). 
De profeta autêntico, João deu testemunho da verdade sem condescendências. Denunciou as transgressões dos mandamentos de Deus, também quando os protagonistas eram os poderosos. 
Assim, quando acusou de adultério Herodes e Herodíades, pagou com a vida, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em pessoa. Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de Maria Santíssima, para que também nos nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com coragem a sua verdade e o seu amor a todos.

Logo ao nasceres não trazes mancha, 
João Batista, severo asceta, 
Mártir potente, do ermo amigo, 
grande profeta. 

De trinta frutos uns se coroam; 
a fronte de outros o dobro cinge. 
Tua coroa, dando três voltas, 
os cem atinge.

Assim cingido de tanto mérito,
retira as pedras do nosso peito,
torto caminho, chão de alto e baixo,
torna direito.

Faze que um dia, purificados,
vindo a visita do Redentor,
possa em nossa alma, que preparaste,
seus passos pôr. 

A vós, Deus Único, o céu celebra,
Trino em pessoas canta também.
Mas nós na terra, impuros, pedimos
perdão. Amém.



Doce, sonoro, ressoe o canto, 
minha garganta faça o pregão. 
Solta-me a língua, lava-me a culpa, 
ó São João! 

Anjo no templo, do céu descendo, 
teu nascimento ao pai comunica, 
de tua vida preclara fala, 
teu nome explica. 

Súbito mudo teu pai se torna, 
pois da promessa, incréu, duvida: 
apenas nasces, renascer fazes a voz perdida. 

Da mãe no seio, calado ainda, 
o Rei pressentes num outro vulto. 
E à mãe revelas o alto mistério 
do Deus oculto. 

Louvor ao Pai, ao Filho unigênito, 
e a vós, Espírito, honra também: 
dos dois provindes, com eles sois 
um Deus. Amém.

Ó Deus, que suscitastes São João Batista, a fim de preparar para o Senhor um povo perfeito, concedei à vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 


Fontes:

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Santa Cecília, Virgem e Mártir (séc. III ou IV)

“O culto de Santa Cecília, em honra da qual no século V foi construída em Roma uma basílica, difundiu-se por causa de sua Paixão (descrição de seu martírio). Nela, Santa Cecília é exaltada como o modelo mais perfeito de mulher cristã, que por amor a Cristo professou a virgindade e sofreu o martírio.” (Liturgia das Horas da Igreja)

Santa Cecília e o Anjo
Santa Cecília pertencia a antiga nobreza romana. Sua família era rica e influente. Estudiosa, adorava estudar música, principalmente a sacra, filosofia e o Evangelho. Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da Corte para ser esposa de Cristo, consagrando-se a Deus pelo voto secreto de virgindade. Seu amor a Jesus Sacramentado era tão grande que, quando O recebeu pela primeira vez das mãos do Papa Urbano I, na Catacumba de São Calixto, renovou a consagração de sua pureza e virgindade a seu Divino Esposo. Algum tempo depois, oficializou seu voto nas mãos do Pontífice, que relutou em aceitar tal oferecimento, por pertencer a jovem donzela a família tão importante e ser filha única.

Seus pais acertaram seu casamento com Valeriano, um nobre romano. De acordo com os costumes da época, não era necessário o consentimento da noiva para o casamento, e assim o pai de Cecília a casou sem tê-la consultado. Ao receber a notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com o voto.

Com a morte de seus pais, Cecília se refugiava na solidão de seu coração e cantava a Deus seu amor. Além de usar um apertado cilício que lhe castigava o corpo, carregava sobre o peito os Santos Evangelhos, para proteger-se dos ataques do demônio, do mundo e da carne.

Ela enfrentou os duros tempos de perseguição aos cristãos, sempre tocando sua harpa ou cítara para acompanhar suas melodiosas canções. Era este seu modo de expressar aquele amor de Deus que abrasava sua alma pura e virginal.

Valeriano vê o Anjo
Após o casamento, Cecília declarou a Valeriano sua condição de cristã e de virgem consagrada à Deus, dizendo-lhe que um anjo velava noite e dia por ela. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa, mas só acreditaria e defenderia sua virgindade se visse o anjo. Ela o aconselhou visitar o Papa Urbano que, em decorrência da perseguição aos cristãos, estava refugiado nas catacumbas. Acompanhado de seus irmão Tibúrcio, os dois ouviram a longa pregação e, ao final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e ao seu lado estava o Anjo da Guarda.

A fé cristã de Cecília e a conversão de seu marido e de seu cunhado foi denunciada às autoridades romanas. Valeriano e Tibúrcio foram presos quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. O prefeito de Roma falou com Cecília em consideração às famílias ilustres a que pertenciam, e exigiu que abandonassem a religião sob pena de morte. Julgados, recusaram-se a renegar a fé. Primeiro os dois foram decapitados. Santa Cecília recolheu os corpos do esposo e do cunhado e sepultou-os na sua propriedade, na via Ápia. Isto lhe valeu o martírio. Ela foi colocada no próprio balneário de seu palacete para morrer asfixiada pelos vapores. Mas ela saiu ilesa. Então foi levada para também ser decapitada. O carrasco a golpeou três vezes, mas sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram. Os três, Cecília, Valeriano e Tibúrcio sofreram o glorioso martírio por amor a Jesus Cristo!

Martírio de Santa Cecília
O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires sepultadas lá foram trasladadas para inúmeras Igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas no terreno do seu antigo palácio foi construída a Igreja de Santa Cecília, onde já no século VI era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro. A devoção à sua santidade avançou pelos séculos, sempre acompanhada de incontáveis milagres.

Entre os anos 817 e 824, o papa Pascoal I teve uma visão de Santa Cecília e o seu caixão foi encontrado e aberto. Constatou-se que seu corpo permanecera intacto. Depois, foi colocado numa urna de mármore sob o altar da Igreja dedicada a ela. Outros séculos se passaram e, em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e viu que o corpo permanecia da mesma forma.
Corpo incorrupto de Santa Cecília sob o altar
Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos do Ocidente e do Oriente. Dentre as santas é a que maior número de basílicas teve em Roma. A nenhuma outra santa a cristandade consagrou tantas igrejas quanto a ela.

Padroeira dos Músicos
O nome de Santa Cecília é citado no cânon da liturgia desde o século XV, e ela é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.
Ela é invocada assim porque, de acordo com antiga tradição, ela cantou para Valeriano a beleza da castidade, e o fez de modo tão eficaz que ele se determinou a respeitar o voto que ela fizera.

Santa Cecília tem a glória de se ter assemelhado a Maria Santíssima num ponto: ambas foram casadas e permaneceram virgens.


Santa Teresinha do Menino Jesus, também virgem, soube bem compreender Santa Cecília, deixando as seguintes palavras:
"Santa Cecília se assemelha à Esposa dos Cantares; sua vida foi apenas um canto melodioso, mesmo em meio das maiores provações, e isso se compreende, porque o Evangelho descansava sobre seu peito, e dentro de seu coração repousava o Esposo das Virgens, o amante por excelência."

Santa Cecília, virgem e mártir,
Rogai por nós!


Fontes:
Ecclesia
Fatima
Santos Segundo João Cladias

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cristãos Perseguidos...

Segue a notícia e depois minha "análise".
VATICANO, 10 Nov. 10 (ACI) .- O Secretário de Estado Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, assinalou que as autoridades do governo do Iraque devem tomar as medidas necessárias para proteger os cristãos, após os atentados perpetrados hoje em Bagdá por extremistas muçulmanos contra cristãos que provocaram a morte de ao menos 3 pessoas e outros 25 feridos.
Depois deste ataque que se soma ao massacre ocorrido no último 31 de outubro na Catedral siro-católica de Bagdá onde os extremistas assassinaram 58 pessoas e deixaram outras 80 feridas, o Cardeal Bertone assinalou que o problema da proteção dos cristãos no Oriente Médio "já foi discutido com as autoridades iraquianas e tomado a séria consideração".
Sobre estes fatos que ratificam as ameaças do Al Qaeda de atentar contra as Igrejas e os cristãos "lá onde estiverem", o Secretário de estado Vaticano disse que "estamos refletindo como já fizera o Sínodo dos Bispos" do Oriente Médio realizado de 10 a 24 de outubro, "sobre este grande problema da perseguição contra cristãos, sobre este sofrimento inexprimível das comunidades cristãs pulverizadas no mundo neste momento, sobre tudo no Iraque, mas pensamos também em outros países como o Paquistão".
O Cardeal também se deu tempo para agradecer aos governos da Itália e da França "que puseram à disposição os meios necessários para transportar e curar os feridos mais graves" vítimas dos ataques.
O Arcebispo siro-católico de Bagdá, Dom Atanase Matti Shaba Matoka, denunciou que "apesar dos pedidos, o governo não faz nada para deter esta onda de violência que nos aflige. Há policiais diante das igrejas, mas hoje são as casas de nossos fiéis as que estão sendo atacadas. Foram feridas famílias cristãs caldéias, católicas, assírias, e de outras confissões no distrito de Doura".
"O terror está tocando as nossas portas. As famílias estão destroçadas. Isto não é vida, dizem. Querem-nos expulsar e estão conseguindo. O país é presa da destruição e do terrorismo. Os cristãos sofrem cada vez mais e que querem abandonar o país. Não temos palavras!", exclamou.
"Pedimos uma pronta intervenção da comunidade internacional" demandou o prelado dizendo que "suplicamos ao Santo Padre e à Igreja universal que venham em nossa ajuda. Hoje só podemos esperar e rezar, confiando nossas vidas nas mãos de Deus. Os cristãos iraquianos dizem entre lágrimas: In manus tuas, Domine", finalizou.
Não é de hoje que os cristãos, principalmente no oriente, são perseguidos, o que de certa forma é glorioso para nós, pois sofrer por Cristo o martírio é motivo de alegria, é a certeza de que estamos no lugar certo, na verdadeira Igreja que é o próprio Cristo! Entretanto, é abominável que grupos terroristas venham a matar cristãos católicos, como tem acontecido no Iraque, sem que as autoridades internacionais tomem uma posição diante de tal barbaridade.

Alguns homens carregam o caixão de um padre que morreu após o atentado em uma igreja católica no centro de Bagdá, no Iraque - Foto: EFE
É revoltante que os "malucos" do Islã tomem essa postura, fazendo exatamente o serviço dos que querem extinguir o cristianismo do mundo. Ora, se o "profeta" escreveu no Al Corão que o povo cristão é o mais amigo do Islã, por que tanto ódio desses "fundamentalistas de satã"?! Acho que eu mesma já respondi... "satã"!!!

Cadê a ONU? Cadê as ONGs dos "Direitos Humanos"? Cadê os chefes de Estado se manifestando a favor da democracia, da liberdade de expressão e religião?! Sabemos que só os covardes começam a guerra mas nela não permanecem...  Tocam fogo e depois se escondem. Sim, os EUA, Israel e amiguinhos da tal "organização de governo mundial" lavam as mãos quando a minoria cristã paga pelos atos de nações mesquinhas (protestantes e judeus)! Procurar culpados nesse momento não resolve, mas é bom que cada qual seja apontado pelo o que é e pelo o que faz.
A Ajuda a Igreja que Sofre (AIS) vê bem de perto essa realidade dos cristãos perseguidos por todo o mundo, e nos faz perceber o quanto precisamos ajudar a esses nossos irmãos cristãos com orações e ajuda material também. Muitos muçulmanos querem a extinção de todos os cristãos, e para tanto incentivam seus homens a se casarem com mulheres cristãs, assim elas são automaticamente convertidas ao islamismo e seus filhos tem a religião do pai... Não é por acaso que é a religião que mais cresce no mundo... Ainda mais porque em países pobres, os que se convertem ao islamismo recebem ajuda financeira (patrocínio do petróleo dos ricos países muçulmanos), enquanto que os cristãos são marginalizados, humilhados e assassinados. Há países como o Paquistão, por exemplo, que vigora a "lei anti-blasfêmia", em que qualquer cristão que for acusado de blasfemar contra o Islã, sem ser necessário testemunha para tal, pode ser condenado à morte. Muitas barbaridades como esta acontecem no mundo. No entanto, a grande mídia não dá enfase porque não é do interesse dela, afinal esses fanáticos muçulmanos estão fazendo o que muitos servidores do anti-cristo querem, destruir o cristianismo.

Conversando com muitas pessoas vejo a revolta, o mal sofrido querendo pagar com o mesmo mal... Mas somos cristãos e Jesus nos ensinou a dar a outra face (e isso nada tem a ver com mazoquismo, rs!) porque confiamos que a nossa justiça é o Senhor. Parafraseando o Pe. Paulo Ricardo, aprendemos que não se mata pela fé, mas que se morre por ela! Nossa arma mais eficaz nesse momento é o rosário, a oração com o coração contrito e suplicante à Misericórdia divina!

É, parece que o tempo da tribulação há tempos já se faz presente, e para o nosso consolo, também o tempo da Misericórdia, tempo em que o sangue dos inocentes mártires é derramado para dar mais frutos à Igreja de Cristo, para ser sinal para o mundo de que Cristo vive e tem um povo fiel, e que Ele voltará para julgar este mundo que nada faz para defender os menores, os mais fracos, mas que pelo contrário, só oprime e mata...

Mas me alegra o coração saber que mesmo com toda essa cultura de morte propagada no mundo, ainda hajam cristãos dispostos a dar a vida por Cristo e por seu Evangelho, obedecendo o que Ele mesmo ordenou "Ide e evangelizai a todos os povos..."!

Em momentos assim, me uno a dor dessas famílias que morrem por sua fé, mas me sinto impotente e, de certa forma, covarde por não pegar minha bíblia, meu terço e também minha espada... Observando esses bravos cristãos que saem pelo mundo em missão, passando pelas mais adversas situações de humilhação e injustiça, me pergunto o que eu, o que nós fazemos de fato para evangelizar o mundo? Aqui no Brasil ainda podemos circular e falar livremente... ainda podemos! E o que fazemos?! Muitas vezes só criticamos quem dá a cara pra bater e evangeliza com todo amor e dedicação à Cristo... Se fossem críticas construtivas pelo menos... Mas o que mais vejo é a crítica egoísta e com um fundo de inveja pela inércia em que a maioria de nós encalhou! Criticamos e muitas vezes também matamos, não o corpo, mas a alma de muitos irmãos por questões tão pequenas perto do todo... Questões que não ajudam em nada a missão da Igreja, mas só a divide em pequenos grupos que se acham, cada um, a cereja do bolo, mas que nada fazem para se unir ao martírio de Cristo em Sua paixão e de fato evangelizar, levar consolo e amor às almas miseráveis e sedentas de Deus!

"A começar por mim, quebra coração... para que sejamos todos um, como Tu és em nós!"

Ésse é o refrão de uma música que aprendi na catequese há muitos anos, e me sinto devedora a Deus por muitas vezes não contribuir para a unidade da Igreja, mas ao contrário, dilacerar o santo Corpo de Jesus com atitudes e posturas que só levam à divisão...
A Igreja tem necessidade de cristãos que pratiquem a caridade e a evangelização do mundo. Nós podemos fazer a parte que nos cabe começando pelas nossas famílias, pasando pelos nossos amigos próximos até passar pelas fronteiras das nações.

Que a Santíssima Virgem e os Santos Mártires roguem por nós!