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sexta-feira, 25 de março de 2016

Servo de Iahweh



Não há n'Ele aparência,
Não há formosura
que atraia os olhares,
não há n'Ele beleza que agrade.

Desprezado,
escória dos homens,
homem das dores,
conhecedor de todas as misérias.

Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto

Menosprezado,
considerado nada.
Desprezado,
escoria dos homens,
homem das dores,
conhecedor de todas as misérias.

Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto

Porém, foi Ele,
quem carregou nossos pecados.
Porém, foi Ele,
que carregou as nossas dores.

Todos nós
andávamos errantes.
Maltratado, mas ele se submeteu.
Não abriu a boca,
como cordeiro levado ao matadouro.

Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto
Diante d'Ele se vira o rosto

Maltratado! Maltratado! Maltratado!

- Quarto Canto do Servo de Iahweh (Is 53)

terça-feira, 30 de abril de 2013

O Jesus do mundo

Que inspiração o Pe. Paulo Ricardo e Equipe têm!! Eu sempre tive raiva dessa imagem de Jesus Cristo Fanfarrão-Cabeludo!!! E diariamente escuto da boca de pagãos e até mesmo de católicos, esse tipo de crença no Jesus Paz, Amor e Revolução! Afff!!!


Jesus não é um hippie "paz e amor, bicho", nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!


Uma grande revista de circulação nacional estampava em sua capa, anos atrás, o rosto de Jesus rodeado por símbolos hippies, com a seguinte manchete: "Deus é pop". A reportagem tratava da espiritualidade juvenil e da maneira particular com que cada um se relacionava com o divino. A revista ainda fazia questão de enfatizar as peculiaridades desses novos movimentos, sobretudo as novidades, como altar em forma de prancha, uso de rock n'roll durante os cultos, grandes baladas "cristãs", etc.

O que a matéria reflete não é uma novidade na história. Pelo contrário, ao longo dos séculos o que mais se viu foi a tentativa de desmontar Jesus Cristo, tomando apenas partes de seu Evangelho em detrimento de outras, somente para saciar ou atender às próprias veleidades. Esses que querem esquartejar Jesus (como se não bastasse a Crucifixão), dizem aceitar o Amor, mas se esquecem que esse Amor não compactua com nenhuma forma de mal nem com o pecado. Esquecem-se que o Amor também significa compromisso consigo mesmo e com o próximo. Que a misericórdia também significa justiça. Enfim, escolhem as partes de Jesus que mais lhes convém, como se Ele estivesse exposto numa prateleira de mercado.

Essa tendência de se tomar a parte pelo todo, segundo o Papa Emérito Bento XVI no livro Jesus de Nazaré, ficou mais evidente a partir da década de 1950. Ela se reflete nas adaptações de Cristo às várias modalidades de culto facilmente encontradas hoje em dia e que acabam por revelar um dramático empobrecimento da fé cristã, devido a uma recusa à personalidade "exigente" e "comprometedora" do Jesus original.

Qual o motivo dessa recusa? A resposta pode ser encontrada nas palavras de São Paulo à comunidade dos Romanos: "Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos" (Cf. Rm 1, 25). Colocaram-se acima do Criador e fizeram-se senhores do "bem" e do "mal". E é por isso que se faz necessário aos missionários do mundo corromper a verdadeira imagem do Salvador num garotão patético que aceita tudo pela "paz" e o "amor". A presença da Igreja no mundo é como a presença de uma mãe no quarto de um filho que aprontou. Ele sempre tentará convencê-la, seja por desculpas, seja por birras, a abonar suas traquinagens. Mas uma mãe que ama jamais o fará, quanto mais a Igreja!

Outra motivação para esta recusa pode ser encontrada nas teologias modernas que, na ânsia de "salvarem" Jesus das indagações científicas, concebem-No irreconhecível. Este mais representa um retrato ideológico que o próprio Verbo Encarnado. O patriarca de Veneza, Dom Francesco Moraglia, compara essa atitude a dos Discípulos de Emaús, pois são os teólogos que querem dizer para Cristo quem de fato Ele é:
"Vemos a imagem de uma certa teologia, mais desejosa do que iluminada, totalmente dedicada à árdua e improvável tentativa de salvar, através de suas próprias categorias, Jesus Cristo e a Sua Palavra. Mas, nesta imagem, somos representados nós mesmos, cada vez, com nossa programação pastoral, com nossos projetos e debates, à parte de uma verdadeira fé, pretendemos explicar a Jesus Cristo quem Ele é", Dom Francesco Moraglia.
Ora, não é o ser humano que diz a Jesus quem Ele é, mas é Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que diz quem é o ser humano. Adaptar Cristo a um estilo de vida não condizente à reta vivência cristã reflete um apego aos prazeres do mundo, no qual se faz mais importante o vício que o Cristo crucificado. Não, Jesus não é um hippie "paz e amor, bicho", nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!

Fonte: Padre Paulo Ricardo

sábado, 8 de dezembro de 2012

Maria concepta sine peccato, ora pro nobis qui ad te confucimus!

Salve, ó cheia de graça!


«Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos céus, nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo [...]. Ele nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em caridade na Sua presença» (Ef 1,3-4) [...] A carta aos Efésios, falando da «riqueza da graça» pela qual «Deus Pai [...] nos tornou agradáveis em Seu amado Filho», acrescenta: «N'Ele temos a redenção pelo Seu sangue» (Ef 1,7). Segundo a doutrina formulada em documentos solenes da Igreja, esta «riqueza da graça» manifestou-se na Mãe de Deus, pelo facto de Ela ter sido «redimida de um modo mais sublime» (Papa Pio IX). 

Em virtude da riqueza da graça do amado Filho e por motivo dos merecimentos redentores d'Aquele que haveria de tornar-Se seu Filho, Maria foi preservada da herança do pecado original. Deste modo, logo desde o primeiro instante da sua concepção, ou seja da sua existência, Ela pertence a Cristo, participa da graça salvífica e santificante e daquele amor que tem o seu início no «amado Filho», no Filho do eterno Pai que, mediante a Incarnação, se tornou o seu próprio Filho. 

Sendo assim, por obra do Espírito Santo, na ordem da graça, ou seja, da participação da natureza divina, Maria recebe a vida d'Aquele ao qual Ela própria, na ordem da geração terrena, deu a vida como mãe. [...] E, uma vez que Maria recebe esta «vida nova» numa plenitude correspondente ao amor do Filho para com a Mãe e, por conseguinte, à dignidade da maternidade divina, o Anjo na Anunciação chama-lhe «cheia de graça».


Beato João Paulo II (1920-2005), papa - Encíclica «Redemptoris Mater», §§ 7, 10

domingo, 8 de abril de 2012

O Senhor ressuscitou!

Verdadeiramente ressuscitou!!!



Desdobra-se no céu
a rutilante aurora.
Alegre, exulta o mundo;
gemendo, o inferno chora.

Pois eis que o Rei, descido
à região da morte,
àqueles que o esperavam
conduz à nova sorte.

Por sob a pedra posto,
por guardas vigiado,
sepulta a própria morte
Jesus ressuscitado.

 


Da região da morte
cesse o clamor ingente:
'Ressuscitou!' exclama
o Anjo refulgente.

Jesus, perene Páscoa,
a todos alegrai-nos.
Nascidos para a vida,
da morte libertai-nos.

Louvor ao que da morte
ressuscitado vem,
ao Pai e ao Paráclito
eternamente. Amém.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Carregue a sua Cruz!

"A vontade de Deus nunca irá levá-lo 
aonde a Sua Graça não irá acompanhá-lo."

















E aí, a sua cruz está pesada??? Eu sei... E Ele também sabe! Mas nada nesta vida é por acaso!
Quando Deus permite dificuldades tremendas em nossas vidas, Ele está apenas abrindo as nossas mãos para receber um bem maior e melhor.

O problema é que sempre queremos nos livrar da "cruz", fazer do nosso jeito, não somos obedientes e nem queremos entender os planos de Deus. Mas sempre há um "por quê" e um "para quê".

Deus nunca nos manda algo que não possamos suportar, e que não seja para o nosso bem, porque Ele nos ama!

Se abreviarmos estes caminhos, certamente teremos consequências negativas e o sofrimento será maior.
Então quando tudo parece não ter saída, se jogue no abismo insondável da Misericórdia de Deus! Confie! Faça a vontade d'Ele... e se não entende, pergunte que Ele dará as respostas no momento certo.

Caminhe buscando primeiro as coisas do Alto, e o mais Ele fará!
Espera n'Ele e seja forte!!!

Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus! (Rm 8,28)




Pax et Bonum!
In corde Jesu et Mariae.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Corpus Christi


LAUDA Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem, in hymnis et canticis.

Quantum potes, tantum aude: quia maior omni laude, nec laudare sufficis.


Laudis thema specialis, panis vivus et vitalis hodie proponitur.

Quem in sacrae mensa cenae, turbae fratrum duodenae datum non ambigitur.


Sit laus plena, sit sonora, sit iucunda, sit decora mentis iubilatio.

Dies enim solemnis agitur, in qua mensae prima recolitur huius institutio.


In hac mensa novi Regis, novum Pascha novae legis, phase vetus terminat.

Vetustatem novitas, umbram fugat veritas, noctem lux eliminat.


Quod in coena Christus gessit, faciendum hoc expressit in sui memoriam.

Docti sacris institutis, panem, vinum in salutis consecramus hostiam.


Dogma datur christianis, quod in carnem transit panis, et vinum in sanguinem.

Quod non capis, quod non vides, animosa firmat fides, praeter rerum ordinem.


Sub diversis speciebus, signis tantum, et non rebus, latent res eximiae.

Caro cibus, sanguis potus: manet tamen Christus totus sub utraque specie.


A sumente non concisus, non confractus, non divisus: integer accipitur.

Sumit unus, sumunt mille: quantum isti, tantum ille: nec sumptus consumitur.


Sumunt boni, sumunt mali: sorte tamen inaequali, vitae vel interitus.

Mors est malis, vita bonis: vide paris sumptionis quam sit dispar exitus.


Fracto demum sacramento, ne vacilles, sed memento tantum esse sub fragmento, quantum toto tegitur.

Nulla rei fit scissura: signi tantum fit fractura, qua nec status, nec statura signati minuitur.


Ecce Panis Angelorum, factus cibus viatorum: vere panis filiorum, non mittendus canibus. 

In figuris praesignatur, cum Isaac immolatur, agnus Paschae deputatur, datur manna patribus.


Bone pastor, panis vere, Iesu, nostri miserere: Tu nos pasce, nos tuere, Tu nos bona fac videre in terra viventium.

Tu qui cuncta scis et vales, qui nos pascis hic mortales: tuos ibi commensales, coheredes et sodales fac sanctorum civium. Amen. Alleluia.




Celebração Eucarística de Corpus Christi
(tradução dos Estudos do Oficio das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontifice)

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, nas palavras do Papa Bento XVI, "convida-nos a contemplar o mistério supremo da nossa fé: a Santíssima Eucaristia, presença real do Senhor Jesus Cristo no Sacramento do Altar. Cada vez que o sacerdote renova o sacrifício eucarístico, na oração da consagração, ele repete: "Este é o meu corpo ... este é o meu sangue ". Ele empresta sua voz, as mãos e o coração a Cristo, que quis permanecer conosco e ser o coração da Igreja ".

1. As origens da festa de Corpus Christi

As origens remotas da festa de Corpus Christi está localizado no desenvolvimento do culto da Eucaristia, na Idade Média. As disputas doutrinárias entre Pascasio Radbertus († 865) e Ratramno de Corbie († 868), e especialmente entre Berengário de Tours († 1088) e Lanfranco de Pavia († 1089), levaram a um esclarecimento da doutrina sobre a Presença Real de Cristo no Sacramento e, portanto, um culto sincero e generalizado da Eucaristia.

No século XIII, manifesta-se um movimento mais amplo de devoção eucarística entre as pessoas e também entre os teólogos, com um forte contributo da nova ordem franciscana. O IV Concílio de Latrão (1215), afirmando a doutrina da Igreja com a fórmula da transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, levou ao desenvolvimento do culto eucarístico. O próprio Conselho prescrita a obrigação da comunhão pascal anual da Eucaristia e da habitação em um local seguro. E na liturgia disseminar a prática de elevar a hóstia e o cálice durante a Missa para os fiéis o desejo de ver e de adorar as espécies consagradas.

A solene celebração de Corpus Christi, tal como a conhecemos hoje, é devido à inspiração da religiosa flamenga Santa Juliana de Cornillon (1191-1258). A festa, fundada na diocese de Liège, na Bélgica actual, em 1246 e espalhou-se rapidamente, graças aos esforços do flamengo James Pantaleone de Troyes, mais tarde eleito Papa Urbano IV (1261-1264). Ele incluiu a festa no calendário litúrgico com a Transiturus de hoc mundo, 11 de agosto, 1264. No entanto, devido a diferentes eventos, era celebrada em toda a Igreja somente após o Concílio de Viena (1311-1312).De acordo com a vida de Santa Juliana, o próprio Cristo disse que o principal motivo para querer que esta nova festa, era para recordar a instituição do Sacramento do seu Corpo e Sangue de maneira particularmente solene, o que não era possível na Quinta-Feira Santa, quando o liturgia é marcada pela lava-pés e pela Paixão do Senhor. Este festa seria um aumento de fé e de graça para os cristãos que incentivados a participar com mais atenção ao contrario do que ocorre em dias normais, com menos devoção, ou mesmo por negligência.

A festa foi marcada para quinta-feira após a oitava de Pentecostes, a primeira quinta-feira após a Páscoa, de acordo com o calendário litúrgicodell'usus antiquior. A festa é tão claramente ligada à Quinta-Feira Santa, e manifesta o seu caráter essencial: "Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição".

2. A Missa

Apesar das duvidas de historiadores, foi confirmado por pesquisas recentes que a Missa e o Ofício de Corpus Christi foram compostos por São Tomás de Aquino, sob as ordens do Papa Urbano IV. A missa original permaneceu a mesma nas várias edições do Missal Romano até os anos cinquenta do século XX, com a excepção do “tropo” do Kyrie [6] (retirado de uma fonte mais antiga), que havia desaparecido no Missal de São Pio V ( 1570).Para a epístola escolheu-se a a criação da Instituiçào da Eucaristia do Apóstolo Paulo (1 Coríntios 11,23-29), em uma versão mais curta do mesmo texto, que é usado durante a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa (1 Cor 11 20-32). Esse quadro também faz parte do Evangelho (Jo 6,56-59) a partir do grande "discurso eucarístico" de Jesus, que segue o milagre da multiplicação dos pães.

Além das orações habituais e antífonas, a Missa contenha uma longa seqüência, também “dell’Aquinate”, o Lauda Sion. Essa seqüência é um belo exemplo de como a lex credenti se exprime na lex orandi, como mencionado Bento XVI:"Temos apenas cantado a seqüência:" “Dogma datur christianis, / quod in carnem transit panis, / et vinum in sanguinem - É a verdade de cada cristão / transforma o pão em carne e o sangue torna-se o vinho". Hoje reafirmamos com alegria nossa fé na Eucaristia, no mistério que constitui o coração da Igreja. [...] Portanto a festa de Corpus Christi é um festa singular, um importante ponto da fé e hoje de louvor para toda comunidade cristã. Esta festa teve origem num determinado contexto histórico e cultural: é fundada com a finalidade específica de reafirmar abertamente a fé do Povo de Deus em Jesus Cristo, vivo e realmente presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. É uma festa criada para adorar, louvar e agradecer ao Senhor, "no sacramento da Eucaristia continua a amar-nos « até ao fim ", mesmo com o sacrifício de seu corpo e seu sangue" (Sacramentum caritatis, 1).

São Tomás de Aquino a quem se atribuiu à missa de Corpus Christi e o Prefácio do Natal do Senhor: " No mistério da encarnação de vosso Filho, nova luz da vossa glória brilhou para nós. E, reconhecendo a Jesus como Deus visível a nossos olhos, aprendemos a amar nele a divindade que não vemos”. Esta escolha é importante, pois estabelece uma íntima conexão entre o mistério da Encarnação e da Transubstanciação: no Sacramento é real e substancialmente presente, o Cristo vivo, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

No Missal Romano de 1962, que atualmente é normativo para a forma extraordinária do Rito Romano, o Prefácio da Natividade foi substituído pelo comum. No entanto, em 1962, quatro novos prefácios foram aprovados para algumas dioceses, incluindo um prefácio do Santíssimo Sacramento, também usado para Corpus Christi.No Missal Romano de 1970 e nas posteriores edições típicas, os textos da festa permaneceram essencialmente os mesmos, mas foi atribuído o novo prefácio da Santíssima Eucaristia. A diferença principal é o enriquecimento com a segunda leitura no ciclo de três anos (Ano A: Dt 8,2-3.14 b-16, 1 Cor 10,16-17, Jo 6:51-58; Ano B: 24,3 Es -8, Hb 9,11-15, Mc 14,12-16.22-26, Ano C: Gn 14,18-20, 1Cor 11,23-26, Lc 9,11-17).

3. A Procissão

Em todo o mundo, Corpus Christi é marcado pela procissão eucarística solene que segue após a missa. Também a festa, se recorda a celebração da Quinta-Feira Santa, que termina com a procissão eucarística até o altar da reposição. Deve-se notar, contudo, que a procissão de Quinta-feira Santa lembra o êxodo do Senhor no cenaculo para a solidão do Monte das Oliveiras, onde ele foi traído por Judas, e, portanto, tem um aspecto escuro e triste, é a noite que leva à Paixão Sexta-feira Santa. Em vez disso, a procissão eucarística de Corpus Christi é realizada à luz alegre da Ressurreição. Ao portar Cristo Sacramentado pelas cidades e aldeias, campos e lagos, a Igreja age "em obediência ao convite de Jesus para" proclamar de cima dos telhados "que ele nos contou em segredo (cf. Mt 10:27) . O dom da Eucaristia, os Apóstolos receberam do Senhor na intimidade da Última Ceia, mas era destinado a todos, a todo o mundo ".

Na solene celebração de Corpus Christi, em muitas paróquias e comunidades católicas, se expressa a alegria da fé, na qual Bento XVI, como teólogo e como papa, muitas vezes refletiu: a força com que a verdade da fé cristã se faz, deve ser a maneira de alegria com a qual se manifesta. Esta alegria é uma alegria pascal, enraizada de fato em Cristo, ressuscitado dentre os mortos. A Igreja tem necessidade de aproveitar todo o esplendor da beleza, de expressar esta alegria suprema.Não devemos perder a coragem de insistir sobre a prioridade do culto divino, ultrapassando assim uma restrita interpretação moralista e legalista do cristianismo. Bento XVI dá o exemplo, porque é profundamente convencido de que "a lei e a moral não caminham juntos se não estiverem ancoradas no centro litúrgico e não se aspiram". A adoração, que se expressa de modo particular na Missa e da Procissão de Corpus Christi, é constitutiva da relação do homem com Deus e da direta existência humana no mundo.

Neste ano sacerdotal*, o ministro do Santíssimo Sacramento tem uma razão para voltar a meditar sobre a incomparável dignidade, que foram chamados por vocação divina. Sendo sacerdotes ordenados tem uma referência fundamental e insubstituível para o poder de consagrar a Eucaristia. Por várias razões que são de fundo teológico para a alegria de todo cristão diante do dom da Eucaristia, o sacerdote acrescenta ainda à sua forma - e certamente humanamente imerecida – Ao Cristo Sacerdote, que está verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Queremos, portanto, que sacerdotes de todo o mundo vivam a procissão de Corpus Christi como um tempo de adoração, contemplação e reflexão sobre o grande mistério que se torna presente de novo no mundo através de suas mãos, ungidas um dia com o santo crisma, para poder consagrar e tocar o Corpo sacramentado de Cristo.

(*considera-se que o presente estudo foi escrito no decorrer do Ano Sacerdotal 2009-2010)

Rio de Janeiro

Niterói

Original em: Santa Sé

sábado, 18 de junho de 2011

Ficai, Senhor, comigo!!!



Fica comigo, Senhor, pois preciso da tua presença para não te esquecer. Sabes quão facilmente posso te abandonar. 
Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair. 


Fica comigo, Senhor, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor. 


Fica comigo, Senhor, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão. 


Fica comigo, Senhor, para me mostrar tua vontade. 


Fica comigo, Senhor, para que ouça tua voz e te siga. 


Fica comigo, Senhor, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia. 


Fica comigo, Senhor, se queres que te seja fiel. 


Fica comigo, Senhor, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor. 


Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho.


Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio. 


Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti. 


Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração. 


Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor. 


Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico! 


Fica comigo, Senhor, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. 



Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.


Santo Pio de Pietrelcina


"Uma só coisa é necessária: estar perto de Jesus." (Padre Pio)






"Mantenha-se sempre muito unido à Igreja Católica, pois somente ela pode lhe dar a verdadeira paz, porque somente ela possui Jesus Sacramentado que é o verdadeiro príncipe da paz." (Padre Pio)


São Pio de Pietrelcina, ora pro nobis!!!



quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Santa Páscoa e seus Símbolos

SEMANA SANTA - SANTA PÁSCOA

Não havemos de cair na vala comum e iniciar mais uma discussão sobre a deturpação comercialista da Santa Páscoa. Temos conhecimento de que os nossos amigos e leitores já são suficientemente esclarecidos sobre os absurdos que se cometem neste período tão importante em nome de alguns trocados.

Por outro lado, nunca é demais deixar patente, sem qualquer dúvida, para fins de catequese de crianças e de recém-convertidos a importância que a Santa Páscoa representa para a vida do católico.

No tempo em que Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, os judeus celebravam a festa a Páscoa – Pessach em hebreu (que significa passagem – para os judeus/da escravidão para a liberdade) – ; fato que obrigava a peregrinação até ao Templo de Jerusalém para a realização dos sacrifícios prescritos por Deus para a expiação dos pecados. Importa ressaltar que exatamente nesse período se realizaram as profecias do Antigo Testamento acerca do Cristo prometido por Deus, na pessoa de Jesus de Nazaré, segunda pessoa da Santíssima Trindade, nascido da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, sob a proteção e paternidade terrena de São José, esposo de Santa Maria.

Nesse contexto, se faz igualmente importante apontar com clareza a sucessão dos acontecimentos no tempo e sua relação com tais profecias para favorecer o entendimento e uma maior conversão. Informa-se, portanto, que a contagem dos dias e dos meses no calendário dos judeus seguem os ciclos da lua e não do sol, como em nosso calendário.

dia judaico

Assim sendo, é preciso que se saiba que tudo seguia um rito bastante estrito e muito bem definido na Lei Mosaica. No dia 10 do mês de Nisan (Março-Abril), as famílias judaicas providenciavam um cordeiro para o sacrifício; já na noite do dia 13 para 14 deste mesmo mês as famílias limpavam as casas de todo o pão com fermento, para que no dia seguinte, exatamente ao meio-dia, começassem com a preparação da Páscoa, cessando todo o trabalho secular.

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Nesse dia 14, entre as 14,30h e as 17,00 h, os homens entravam no pátio do Templo com o cordeiro do sacrifício. A oferenda constituia-se de cordeiros ou cabritos, machos, de um ano de idade (as primícias, os mais robustos e perfeitos de cada casa), e abatidos pelo Pai da Família (era permitido um cordeiro por família) em qualquer lugar no pátio do Templo.

Uma vez imolados, os sacerdotes recolhiam o sangue em recipientes de prata e ouro, que passavam de um para outro até o mais próximo ao altar, de tal sorte que se derramava o sangue na base desse. As gorduras e entranhas do cordeiro eram queimadas no altar dos holocaustos, enquanto os levitas, cantavam Salmos (Salmos 113 a 118). O homem que trouxera o cordeiro levava-o nos ombros para casa, para o assar e comer em um jantar que começava com o aparecimento da primeira estrela daquela noite.

No dia 15 era iniciada a Páscoa propriamente dita e nessa noite começava a festa dos Ázimos com um descanso (que terminava no dia seguinte à noite) e a oferta própria ao Templo. A festa dos Ázimos tinha o seu fim a 21 de Nisã à noite, que também era um dia de repouso.

Desse modo, os ritos da pascoa começavam por se recostar à mesa, beberem uma 1ª taça de vinho. Nessa ocasião, o Pai de Família abençoava o vinho. Em seguida, trazia-se os legumes, colocava-se o cordeiro na mesa e bebia-se a 2ª taça de vinho. O filho mais novo então perguntava ao pai "Porque é que esta noite é diferente das outras?", que por sua vez explicava: "É em memória do que o Senhor fez por nós, quando saímos do Egíto". Seguia-se o cântico de Salmos (Sl 113-114) e uma 3ª taça de vinho era servida aos convivas. Por fim, era feita uma ação de graças pelo Pai de Família seguida de mais uma 4ª taça de vinho e em seguida últimos Salmos (Salmos 115-118). Note-se, portanto, a prefiguração da Sagrada Eucaristía.

Nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, foi condenado e morto (imolado) na véspera de sábado, no dia da preparação, ou seja, 14 de Nisan (Jo 19,31) e São Marcos disse que foi à "hora nona", ou seja, na exata e mesmíssima hora em que os cordeiros da Páscoa eram imolados em grande quantidade no Templo de Jerusalém. São João Baptista declara abertamente que Nosso Senhor é "O Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo" (Jo1,29). Os salmos todos e diversas profecias anunciam estas coisas.

Os judeus incrédulos que não aceitam a Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda celebram apenas uma libertação secular, daí o porquê do período e da forma de ambas as festas serem bastante semelhantes no que toca o simbolismo (até porque se trata de um testemunho profético), mas mínimamente no que diz respeito ao conteúdo. Com efeito, a Santa Páscoa para nós católicos é a celebração de uma redenção completa, do pecado, para a pureza, da morte, para a vida!

Com a destruição do Segundo Templo de Jerusalém, os judeus que permaneceram no judaísmo perderam a possibilidade do local de sacrifício o que tornou inviável a continuação dos sacríficios de cordeiros, razão pela qual estes celebram a sua páscoa sem a imolação de cordeiros.

Curiosamente, este é um fato bastante relevante para nós católicos, pois atesta a perfeição do sacrifício feito por Nosso Senhor; e mais ainda a renovação do sacrifício da Santa Missa, no qual o sacrifício de Cristo é renovado de forma incruenta, e assim o será até o fim dos dias, pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Significativamente, tanto a páscoa judaica, quanto as celebrações protestantes, e mais disfarçadamente a apostasia silenciosa do Concílio Vaticano II, transformaram a Santa Páscoa em um momento de meras lembranças, sem qualquer sacrifício pascal, afastando-se, portanto, voluntariamente da remissão dos pecados.

Nesses termos, eis que temos o cordeiro como o primeiro e mais importante símbolo da Santa Páscoa, representando sua imagem o próprio Cristo em sua qualidade de redentor da humanidade.


lambofgod
Eis o Cristo! O Cordeiro de Deus que retira os pecados do mundo!

ovos de páscoaNão obstante, o simbolismo da Santa Páscoa é numeroso e não se restringe à imagem do Cordeiro. Os ovos, por exemplo, longe de ser um costume pagão como alguns ignorantes gostam de dizer para tentar difamar a Santa Igreja, são na verdade a continuidade da tradição dos judeus e simbolizam a vida e a própria redenção. Eis que Nosso Senhor Jesus Cristo nos liberta e permite que possamos nascer para a vida eterna.

Na antiga Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em alguns lugares, como na Alemanha, por exemplo, o costume era presentear somente as crianças. Na Armênia decorava-se ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras imagens de Santos. Pintar ovos com cores da primavera para celebrar a páscoa foi um costume adotado, ao que tudo indica, no século XVIII. Nesse tempo, a Igreja doava aos fiéis ovos bentos. A origem dos ovos de chocolate ao que tudo indica é realmente já um apelo comercial da modernidade, entretanto há notícia de que pode ter sido um costume originário de uma maior penitência no que diz respeito ao consumo de carnes. Evidentemente, como tudo o que é destes tempos de apostasia, vender ovos de chocolate é mais lucrativo… logo, eis o resultado. No Brasil, apesar dos pesares, algumas famílias de católicos ainda preservam uma agradável tradição com as crianças: a de esconder os ovos de páscoa pela casa para que as mesmas brinquem de procurá-los.

coelhoUm outro símbolo famoso e vilipendiado em seu sentido religioso é o coelho. O coelho é um pequeno mamífero cuja fecundidade talvez seja seu aspecto mais conhecido. Com efeito, uma coelha pode chegar a gerar mais de 50 filhotes por ano. Assim, eis que o coelho representa com sua imagem a Santa Madre Igreja, que tem como uma de suas funções gerar, reunir e cuidar da maior quantidade de filhos e filhas que puder para Deus.

Na ceia pascal das famílias católicas era costume servir cordeiro, mas a presença do coelho pode ter ganhado maior destaque diante da maior ou menor escasses ou abundancia de um ou de outro conforme a região ou pátria. Enfim, em termos de Brasil contemporâneo são carnes raras e de alto custo, sem mencionar o próprio esquecimento das tradições.
Outro símbolo da ceia das famílias católicas é a colomba pascal. Trata-se de um bolo em forma de "pomba" cujo significado inconfundível é representar o Divíno Espírito Santo. Diz-se que a tradição haveria surgido na vila de Pavia (norte da Itália), onde um confeiteiro teria presenteado um rei lombardo (Albuíno) com o delicioso bolo em forma de pomba. O soberano, por sua vez, teria poupado a cidade de uma cruel invasão graças ao bondoso gesto (não da satisfação do apetite, obviamente). O fato é que, à maneira dos ovos de páscoa, a colomba também se “achocolatou”, fato este que não lhe retira o simbolismo, igualmente ao exemplo dos ovos.

colombapascal
Uma colomba pascal tradicional

Afora estes simbolismo próprio da ceia é ou foi costume decorar as residências com pequenos sininhos, geralmente decorados com cores e temas pascais, além de algumas velas, espigas de trigo e em alguns locais algumas flores de girassóis. O significado geral é o anúncio de uma festividade, de grande alegria. No domingo da Santa Páscoa, os sinos das igrejas devem dobrar festivamente, anunciando com alegria a celebração da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa redenção. As velas representam a luz de Cristo representada nas igrejas pelo Círio Pascal. Nosso Senhor Jesus Cristo disse que Ele é a luz do mundo e que quem o seguir não andará em trevas. Na noite anterior ao Domíngo de Páscoa, o Sábado Santo, uma grande vela denominada Círio Pascal é acessa. Nesse Círio estão cravados cinco pregos representativos das cinco chagas de Cristo, as letras gregas Alfa e Ômega (respectivamente primeira e última do alfabeto grego), simbolizando Deus mesmo como princípio e fim de todas as coisas, e o ano em que foi aceso e celebrada a Santa Páscoa.

Cristo é a luz do mundo!

E, na medida em que o Círio representa a Luz de Cristo, o girassol por sua vez representa o católico. O girassol é uma bela flor de cor amarela, formada por muitas pétalas, e de tamanho realmente muito grande. Como é óbvio, recebeu esse nome porque está sempre se voltando para o sol. O girassol representa a busca da luz que é o próprio Cristo Jesus e, assim, tal qual ele busca o astrorei, o católico busca a Cristo, luz do mundo; Caminho, Verdade e Vida.

Dito isso, podemos verificar verdadeiramente que Jesus de Nazaré é de fato o Cristo prometido e que a celebração da Santa Páscoa conserva um simbolismo próprio e condizente com esta realidade. Que Deus nos favoreça a todos com Sua imensa misericórdia. Tenhamos todos, se Deus quiser, mais uma Santa Páscoa. Vinde sem demora Senhor Jesus!

VIVA CRISTO REI! SALVE MARIA!
Fonte:

sexta-feira, 25 de março de 2011

Dia da Anunciação

Ave, do mar Estrela, bendita Mãe de Deus,
fecunda e sempre Virgem, portal feliz dos céus.
Ouvindo aquele Ave do anjo Gabriel,
mudando de Eva o nome, trazei-nos paz do céu.

Não temas, ó Maria, por Deus agraciada; 
haverás de conceber um Menino e o dar à luz; 
seu nome há de ser: o Filho do Altíssimo.
Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço. 

Hoje é o dia em que a eternidade entra no tempo ou, como afirmou o Papa São Leão Magno: "A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade."

Com alegria contemplamos o mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém, desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:

"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas , Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tu palavra’" (cf. Lc 1,26-38).


Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: "Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade" (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima.

Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco" (Is 7,14). Por isso rezemos com toda a Igreja:

"Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".
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“Akáthistos” é uma palavra grega que significa “não sentado”, de pé. Esse hino do século VI é cantado sempre de pé. O hino Akáthistos canta o mistério da encarnação salvífica do Verbo de Deus, descreve a maternidade de Maria e canta seu papel no mistério de Cristo e da Igreja. O Papa João Paulo II o denominou “um esplêndido hino”. Os estudiosos da Mariologia dizem que é o mais belo hino dedicado a Nossa Senhora.

No século VI, no Oriente, começou a ser cantado o hino Akáthistos – palavra grega que significa não sentado, de pé. Trata-se do mais célebre hino mariano, a mais bela composição mariana do rito bizantino, “um esplêndido hino” (João Paulo II, 25.3.88).


Akáthistos canta o mistério da encarnação salvífica do Verbo de Deus, descreve a maternidade de Maria e canta seu papel no mistério de Cristo e da Igreja. Não é possível precisar o autor desse hino. Certamente trata-se de um grande poeta, um eminente teólogo, um profundo contemplativo. O autor teve o mérito de traduzir, numa oração, a síntese da fé que a Igreja dos primeiros séculos professava a Maria. Tudo indica que esse hino, cujo original é em grego, tenha sido composto entre a segunda metade do século V e os primeiros anos do século VI, em Constantinopla.


“Queremos que este cântico universal, este poderoso e dulcíssimo hino seja a profecia de uma humanidade nova, a dos redimidos que no cântico de louvor se reconhecem irmãos. E enquanto a experiência cotidiana nos põe diante das múltiplas formas de mal, que derivam da pobreza do nosso limite, a renovada contemplação da comum salvação no Verbo, encarnado no seio da Virgem, é anúncio constante de uma nova fraternidade naquele único Senhor, irmão e mestre, carne da nossa carne, no qual a criação vence toda a opacidade e se faz transparência do Invisível. [...] A história da Virgem é a história dos redimidos, a história de toda a criatura” (João Paulo II, 25.3.1988).


Divide-se o Akáthistos em duas partes: A primeira parte (estâncias de 1 a 12), seguindo o Evangelho da infância (Lc 1-2; Mt 1-2), propõe e comenta a teofania, isto é, o aparecimento e a primeira revelação histórica de Deus na carne humana assumida, com os efeitos salvíficos que daí derivam. As primeiras seis (de 1 a 6) estâncias do hino, de conotação cristológica, encenam e cantam a descida do Verbo e sua manifestação às primeiras testemunhas: a Virgem-Mãe, João Batista, Isabel e José. As outras seis estâncias (de 6 a 12), de conotação eclesial, mostram a epifania de Deus no mundo, portadora de luz e graça para todos: os protagonistas e beneficiários os pastores, os magos, os redimidos da escravidão dos ídolos e o justo Simeão, modelo da espera de Israel.

A segunda parte do hino (estâncias de 13 a 24) propõe a teologia da Igreja antiga, isto é, a profissão dos dogmas de fé relacionados a Maria: as primeiras seis estâncias (de 13 a 18) a contemplam imersa no mistério de Cristo, enquanto as últimas seis (de 19 a 24) a cantam presente no mistério da Igreja em curso.

1. Deus envia o anjo para fazer a saudação; o mistério se realiza em Maria; explode a alegria, cessa a condenação, renova-se a criação.

2. A estupefação de Maria: a criatura encontra-se diante da misteriosa iniciativa de Deus.

3. Diante do evento misterioso surge espontaneamente a pergunta: “como?”. Respondendo-lhe o anjo lhe revela que somente ela‚ tão profundamente iniciada na experiência do divino a ponto de tornar-se guia para a ascensão do homem.

4. Descendo, o Espírito Santo cobre a Virgem, tornando seu ventre em terra-virgem fecunda de graças.

5. A visitação: à saudação de Maria, o mistério se revela a João e o toca em seu íntimo; floresce o perdão, a misericórdia se difunde; Maria é a sua mediadora e o seu altar.

6. O mistério é revelado a José, a “testemunha” virginal.

7. A adoração dos pastores: prefiguração dos apóstolos, dos pastores e dos mártires, que ao longo dos tempos anunciam e confessam Cristo, nascido da Virgem, que assim como vestiu de carne o Senhor, reveste de glória os fiéis.

8. A chegada dos magos: ao anúncio de fé pregado pelos pastores, o homem que o acolhe encaminha-se em busca de Deus. Inicia-se o itinerário catecumenal, que se conclui em Maria, de quem, se fez carne a Palavra do Pai.

9. A adoração dos magos: o caminho catecumenal do homem se conclui com a renúncia a Satanás e aos vícios e com alegre adesão ao único Senhor, de que é artífice e marco a Mãe de Deus.

10. Os magos retornam à sua terra e, na própria vida, o neófito torna-se arauto de Cristo.

11. Como prenunciava Isaías (Is 19,1), Cristo entra no Egito, levado por Maria; Desmoronam os ídolos e atrás dela inicia-se o êxodo no novo povo em direção à terra prometida.

12. O encontro com Simeão; a espera e a sabedoria do homem se iluminam em Cristo.

13. A concepção virginal : com novo prodígio, renasce a vida; a santidade e a obediência virginal da nova Eva se contrapõem à obediência da antiga e a cancelam reconciliando o mundo com Deus.

14. Em Cristo, o homem retorna às origens, no Verbo encarnado se lhe abrem os céus.

15. A maternidade divina como vértice supremo, trono de Deus e único caminho para que o homem perdoado torne-se “deus”.

16. Também para os anjos o mistério do Verbo encarnado é nova luz de conhecimento e de êxtase.

17. O parto virginal, abismo de sabedoria divina: a luz da sabedoria humana rejeita o mistério; a verdadeira sabedoria é a fé dos simples, que encontra em Maria a sua luz.

18. Nós jamais teríamos podido nos aproximar de Deus, se ele não houvesse descido, humilde, entre nós, para nos salvar e atrair-nos suavemente para si.

19. A virgindade perpétua de Maria, início da santa Igreja, sublime modelo para os virgens; Maria, que no seu ventre desposou Deus, ao homem, agora conduz os virgens e os desposa ao Verbo de Deus.

20. o primeiro dever dos virgens é o culto a Deus; por mais que prolongue suas louvações, o homem nunca chega a celebrar dignamente os benefícios divinos.

21. A maternidade espiritual de Maria, a “Mãe da Igreja” , da mesma forma que gerou a Cabeça segundo a carne, não cessa de nela regenerar os seus membros, com os sacramentos que infundem a luz e a vida, tendo brotado do seu seio e do seu coração.

22. A nossa regeneração nasce do mistério pascal, que tem suas raízes no seio virginal, com efeito, para a nossa salvação, Cristo desceu do céu e se encarnou em Maria Virgem.

23. A mediação celeste: Maria é templo e arca que acompanha e protege a Igreja peregrina na santa conquista da pátria celeste; é refúgio e esperança de cada fiel.

24. A nossa advogada: que a Mãe de Deus nos salve de todo perigo e do último castigo.

A trama do hino gira em torno de três palavras: a saudação do anjo, “AVE”, que desencadeia toda a louvação, e os dois refrões: “AVE, VIRGEM E ESPOSA” e “ALELUIA”.

AVE: o Akáthistos inicia quando o anjo desce do céu, enviado por Deus para dar anúncio de júbilo a Virgem e, por seu intermédio, a toda a terra: O mais excelso dos anjos foi enviado do céu para dizer “ave” à mãe de Deus(o termo grego Kaire = alegra-te = ave). Todo entrelaçamento do hino e o seu cenário estão envolvidos para a alegria do céu. Com efeito, é um evangelho de alegria que, em Maria, se abre para o mundo: o anúncio de que Deus se fez homem!

AVE VIRGEM ESPOSA: desposada com Deus, mas não desposada com homem; uma posse pessoal exclusiva do Pai, Filho e Espírito, mas virgem de toda posse de natureza humana. Assim, o refrão coloca a figura Virgem na própria fronteira entre o criado e o incriado, quase como vértice extremo da ascensão humana, que mergulha no esplendor divino e por ele é inteiramente revestida, sem perder as suas propriedades de criatura.

ALELUIA: o refrão das estâncias pares, glorifica só o Senhor, de quem parte a iniciativa, brota a vida, inicia a história e se difunde a graça e em quem terminam, mergulhados em Cristo, através do Espírito, na contemplação da divindade, o itinerário espiritual de todo homem e o itinerário cósmico.

Na visão teológica do Akáthistos, Maria está presente e ativa em toda a extensão do mistério: onde quer que a humanidade de Cristo seja fonte de vida, ali está Maria, que lhe deu sua carne, ali está inscrita a sua figura virgem e sua ação de Mãe.

Hoje como ontem, a Virgem é presença ativa na Igreja peregrina: sustentáculo para a fé, para os apóstolos, força para os mártires, já que todos, em toda parte, anunciam e testemunham Cristo, que ela nos deu.

O autor do Akáthistos certamente foi um grande poeta, um insigne teólogo, um consumado contemplativo: tão grande que soube traduzir em síntese de oração a fé professada pela Igreja; tão humilde que desapareceu anonimamente. O seu nome é conhecido por Deus e ignorado pelo mundo. E é melhor que assim seja: desse modo, o hino é de todos, porque é da Igreja. Segundo os estudos mais recentes, a data de composição do Akáthistos oscila entre a segunda metade do século V e os primeiros anos do século VI.

Valor Ecumênico 

O Akáthistos é comum aos irmãos ortodoxos e aos católicos de rito bizantino: é uma vetusta e solene ponte no sentido da plena comunhão de fé com as igrejas do Oriente. Mas também para os irmãos evangélicos do ocidente para os quais o culto a Maria ainda constitui pedra de tropeço, ele poderia representar um autêntico valor e uma base de diálogo: por sua antigüidade; pela fórmula laudatória , que, se bem compreendida, redunda em glória do Senhor; pelo substrato cristológico-eclesial; pela doutrina rica e sóbria, isenta de exaltações, que desemboca no próprio mistério da encarnação, isto é, no primeiro artigo de fé cristológica professado por todas as igrejas.




Fontes: