sexta-feira, 24 de junho de 2011

Natividade de São João Batista

Ut queant laxis Resonare fibris Mira gestorum Famuli tuorum Solve polluti Labii reatum Sancte Ioannes.


Para que teus servos, possam ressoar claramente a maravilha dos teus feitos, limpe nossos lábios impuros, ó São João.

Como a Santa Mãe de Deus, dele também se celebra a data de dois nascimentos: para a vida terrena, em 24 de junho, e para a vida eterna em 29 de agosto. 

Neste dia 24 de junho, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebram o nascimento de São João Batista. Também coincide, nas duas tradições, a data em que se celebra o seu martírio em 29 de agosto. No Oriente bizantino, porém, as comemorações do grande Profeta e Precursor são sem dúvida mais numerosas. Com relação ao nascimento, os calendários bizantinos assinalam, no dia 23 de setembro, a data da concepção do “glorioso Profeta, Precursor João, o que batizou Jesus no Jordão”. Antigamente também os martirológios latinos registravam essa comemoração em 24 de setembro; porém a partir do século XV foi abolida. Na tradição oriental é comum iconografar São João Batista na forma de um Anjo. Com efeito “era mais que um homem”, como diz o evangelho, e a palavra “mensageiro” em grego aggeloV coincide com nossa tradução”. Sendo um dos santos mais venerados no Oriente bizantino, é compreensível que muitas sejam as formas de representá-lo em ícones: encontramo-lo representado sozinho, ou em episódios da sua vida, especialmente o da sua decapitação. João é filho de Zacarias que, por causa de sua pouca fé, tornou-se mudo, e de Isabel, aquela que era estéril. O nascimento de João Batista anuncia a chegada dos tempos messiânicos, nos quais a esterilidade se tornará fecundidade e o mutismo, exuberância profética. 

O profeta João Batista era filho do sacerdote Zacarias (da geração de Aarão) e da justa Isabel (da geração de Davi). Eles moravam perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de Jerusalém. Ele era parente do Nosso Senhor Jesus Cristo por parte de sua mãe e nasceu 6 meses antes Dele. Conforme nos relata o Evangelho, o arcanjo Gabriel apareceu ao seu pai no templo, anunciando o nascimento do seu filho. E eis, na justa família de pais idosos, que não tiveram filhos, enfim nasce um filho que eles sempre pediram a Deus. 

Pela graça de Deus ele não foi morto no meio de milhares crianças massacradas em Belém e seus arredores. São João cresceu num deserto inóspito, preparando-se através de uma vida austera para a grande missão — jejuando, rezando e meditando sobre as coisas Divinas. Ele vestia uma veste rústica, de pêlos de camelo e um cinturão de couro, e comeu mel silvestre e gafanhotos. Ele permaneceu lá no deserto até, aos trinta anos, ser chamado pelo Senhor para a pregação ao povo judeu. 

Obedecendo à esta chamada, o profeta João foi até o rio Jordão, para preparar o povo para a recepção do esperado Messias (Cristo). Preparando-se para a festa de purificação, o povo costumava vir até o rio para as abluções rituais. E foi aqui que João começou pregar a eles a penitencia e o batismo para a remissão dos pecados. A essência de sua pregação visava a mostrar ao povo que antes de lavar o corpo, é necessário purificar-se espiritualmente, e desta maneira preparar-se para a aceitação do Evangelho. Naturalmente, o batismo de João ainda não era o batismo cristão, efetuado pela obra Divina. O sentido deste batismo era preparar o povo para o batismo futuro pela água e pelo Espírito Santo. 

Numa das orações o profeta João é comparado à uma estrela da manhã, que com o seu brilho excedia o brilho de todas as outras estrelas e anunciava a manhã do dia abençoado, iluminado pelo Sol espiritual de Cristo (Mal. 4:2). Quando a espera de Messias chegou ao seu ponto culminante, o Próprio Salvador do mundo, Senhor Jesus Cristo veio até João no rio Jordão para ser batizado. O batismo de Cristo foi acompanhado por fenômenos milagrosos — a descida do Espírito Santo na forma de um pombo e a voz de Deus Pai do céu: «Este é o Meu Filho amado...» 

Tendo recebido a revelação a respeito de Jesus Cristo, o profeta João dizia ao povo: «Este é o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo». Quando dois dos discípulos de João ouviram isto, eles logo seguiam Jesus Cristo. Estes dois discípulos eram João o Teólogo e André, o Primeiro Chamado, irmão do Simão Pedro. 

Com o ato de batismo, o profeta João como que terminasse a sua missão profética. Ele não tinha medo de mostrar todos os vícios e pecados tanto dos homens simples, como dos poderosos. Por tudo isto ele logo sofreu. 

O rei Herodes Antipas (filho do Herodes Grande) mandou prender o profeta João e mete-lo na prisão porque o profeta o acusava de ter abandonado a sua legitima esposa (filha do rei da Arábia, Arefa) e convivendo em concubinato com a Herodíades. Herodíades era esposa do irmão de Herodes, Felipe. 

Herodes promoveu um banquete no dia do seu aniversário, do qual participaram muitos convidados. Salomé, filha da ímpia Herodíades, dançava uma dança sensual e Herodes, junto com os outros convidados, ficou tão fascinado, que jurou à Salomé cumprir qualquer desejo dela, até presenteá-la com a metade do seu reino. A bailarina, ensinada pela sua mãe, pediu lhe dar num prato a cabeça de João Batista. Herodes respeitava João como profeta e portanto entristeceu-se com este pedido. Porém, ele teve vergonha de quebrar o juramento e assim mandou o guarda para a prisão para decapitar o profeta. A cabeça do João foi entregue à moça, a qual levou-a até a sua mãe. Herodíades, após ter profanado a cabeça do santo, a jogou num lugar imundo. Os discípulos do João Batista sepultaram o corpo dele na cidade de Sebaste, na Samária. 

No ano 38 d.C. Herodes foi castigado pelo seu crime: o seu exército foi derrotado por Arefa, que empreendeu a campanha militar contra ele para vingar a desonra de sua filha, abandonada por Herodes por causa da Herodíades, e no ano seguinte, o imperador de Roma, Calígula, condenou Herodes e o deportou para uma prisão. 

Conforme a tradição, o Evangelista Lucas, que visitava várias cidades, pregando o Evangelho, levou consigo da Sebaste uma parte da relíquia do grande profeta — a sua mão direita. No ano 959, quando os maometanos conquistaram a Antioquia, (durante o reinado do imperador Constantino Porfirogenito), o diácono Jó trasladou a mão do Precursor da Antioquia para a Calcedonia, de onde ela foi levada para a Constantinopla e onde ela foi guardada até a tomada da cidade pelos turcos. Depois, a mão direita do são João Batista foi guardada em São Petersburgo, na igreja de Nosso Senhor Aquiropita, no Palácio de Inverno. 

A santa cabeça do são João Batista foi encontrada por uma mulher piedosa, Joana, e sepultada numa urna no monte das Oliveiras. Mais tarde, um asceta que estava cavando o solo, preparando o lugar para alicerces de uma nova igreja, achou a relíquia e a guardou consigo. Antes da sua morte, temendo a profanação por parte dos ímpios, ocultou-a na terra no mesmo lugar onde ela foi achada. Durante o reinado do imperador Constantino Grande, dois monges vieram para Jerusalém, para orar no Santo Sepulcro. São João Batista apareceu a um deles em sonho indicando, onde estava enterrada a sua cabeça. A partir desta data, os cristãos começaram a festejar o Primeiro Achado da cabeça do São João Batista. 

Foi sobre o João Batista que Jesus disse: «Entre os nascidos de mulher não existe profeta nenhum maior do que João Batista». João Batista é glorificado pela Igreja como «um anjo, apóstolo, mártir, profeta, círio e amigo de Cristo, o selo dos profetas e intercessor da velha e nova graça, e entre os nascidos, a mais venerável e luminosa voz do Verbo».

"Ele é que deve crescer, e eu diminuir" (Jo 3, 30)
Na louvada memória do justo,
tu, Precursor, és o testemunho do Senhor:
verdadeiramente, foste mais venerável do que os profetas,
pois recebeste a honra de batizar o Messias nas águas do rio; 
sofreste com alegria pela verdade,
anunciaste àqueles que estavam ainda no inferno 
a vinda de Deus feito Homem, 
que redime os pecados do mundo e nos dá a grande graça.





Orígenes, presbítero e teólogo, Homilia 6 
Admiremos João Batista por causa do seguinte testemunho: "Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista" (Lc 7,28); ele mereceu ser elevado a uma tal reputação de virtude que muitas pessoas pensavam que ele era o Cristo (Lc 3,15). Mas há uma coisa ainda mais admirável: Herodes, o tetrarca, detinha poder real e podia fazê-lo morrer quando quisesse. Ora ele tinha cometido uma ação injusta e contrária à lei de Moisés ao tomar a mulher do seu irmão. João, sem ter medo dele nem fazer acepção de pessoas, sem dar importância ao poder real, sem recear a morte..., sem escamotear qualquer destes perigos, repreendeu Herodes com a liberdade dos profetas e condenou o seu casamento. Lançado na prisão por causa desta audácia, não se preocupou nem com a morte nem com um julgamento com sentença incerta mas, a partir do cárcere, os seus pensamentos iam para o Cristo que ele tinha anunciado. 
Não podendo ir em pessoa ao seu encontro, envia os seus discípulos para lhe trazerem informações: "Tu és aquele que deve vir ou temos que esperar outro?" (Lc 7,15). Notem bem que, mesmo na prisão, João ensinava. Mesmo naquele lugar ele tinha discípulos; mesmo na prisão, João cumpria o seu dever de mestre e instruía os seus discípulos, conversando sobre Deus. 
Nestas circunstâncias, levantou-se a questão de Jesus e João envia-lhe alguns discípulos... Os discípulos regressam e trazem ao mestre o que o Salvador lhes tinha encarregado de anunciar. Essa resposta foi para João uma arma para enfrentar o combate; morre com confiança e com grande coragem se deixa decapitar, seguro na palavra do próprio Senhor em como aquele em quem acreditava era verdadeiramente o Filho de Deus. Esta foi a liberdade de João Batista, aquela foi a loucura de Herodes que, aos seus numerosos crimes, acrescentou primeiro a prisão, depois o martírio de João Batista.



PAPA BENTO XVI 
ANGELUS 

Domingo, 24 de Junho de 2007
Solenidade da Natividade de São João Baptista 
Queridos irmãos e irmãs! 
Hoje, 24 de Junho, a liturgia convida-nos a celebrar a solenidade do Nascimento de São João Baptista, cuja vida está toda orientada para Cristo, como a da mãe d'Ele, Maria. João Baptista foi o precursor, a "voz" enviada para anunciar o Verbo encarnado. Por isso, comemorar o seu nascimento significa na realidade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, dos quais o Baptista foi o maior, chamado para "preparar o caminho" diante do Messias (cf. Mt 11, 9-10). 
Todos os Evangelhos iniciam a narração da vida pública de Jesus com a narração do seu baptismo no rio Jordão por obra de João. São Lucas situa a entrada em cena do Baptista com uma moldura histórica solene. Também o meu livro Jesus de Nazaré se inspira no baptismo de Jesus no Jordão, acontecimento que teve grande ressonância no seu tempo. De Jerusalém e de todas as partes da Judeia o povo acorria para ouvir João Baptista e fazer-se baptizar por ele no rio, confessando os próprios pecados (cf. Mc 1, 5). A fama do profeta baptizador cresceu a tal ponto que muitos perguntavam se era ele o Messias. Mas ele ressalta o evangelista negou-o decididamente: "Eu não sou o Messias" (Jo 1, 20). Contudo, ele permanece a primeira "testemunha" de Jesus, tendo recebido a indicação do Céu: "Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo" (Jo 1, 33). Isto acontece precisamente quando Jesus, tendo recebido o baptismo, saiu da água: João viu descer sobre Ele o Espírito como uma pomba. Foi então que "conheceu" a plena realidade de Jesus de Nazaré, e começou a dá-lo a "conhecer a Israel" (Jo 1, 31), indicando-o como Filho de Deus e redentor do homem: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29). 
De profeta autêntico, João deu testemunho da verdade sem condescendências. Denunciou as transgressões dos mandamentos de Deus, também quando os protagonistas eram os poderosos. 
Assim, quando acusou de adultério Herodes e Herodíades, pagou com a vida, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em pessoa. Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de Maria Santíssima, para que também nos nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com coragem a sua verdade e o seu amor a todos.

Logo ao nasceres não trazes mancha, 
João Batista, severo asceta, 
Mártir potente, do ermo amigo, 
grande profeta. 

De trinta frutos uns se coroam; 
a fronte de outros o dobro cinge. 
Tua coroa, dando três voltas, 
os cem atinge.

Assim cingido de tanto mérito,
retira as pedras do nosso peito,
torto caminho, chão de alto e baixo,
torna direito.

Faze que um dia, purificados,
vindo a visita do Redentor,
possa em nossa alma, que preparaste,
seus passos pôr. 

A vós, Deus Único, o céu celebra,
Trino em pessoas canta também.
Mas nós na terra, impuros, pedimos
perdão. Amém.



Doce, sonoro, ressoe o canto, 
minha garganta faça o pregão. 
Solta-me a língua, lava-me a culpa, 
ó São João! 

Anjo no templo, do céu descendo, 
teu nascimento ao pai comunica, 
de tua vida preclara fala, 
teu nome explica. 

Súbito mudo teu pai se torna, 
pois da promessa, incréu, duvida: 
apenas nasces, renascer fazes a voz perdida. 

Da mãe no seio, calado ainda, 
o Rei pressentes num outro vulto. 
E à mãe revelas o alto mistério 
do Deus oculto. 

Louvor ao Pai, ao Filho unigênito, 
e a vós, Espírito, honra também: 
dos dois provindes, com eles sois 
um Deus. Amém.

Ó Deus, que suscitastes São João Batista, a fim de preparar para o Senhor um povo perfeito, concedei à vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 


Fontes:

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Corpus Christi


LAUDA Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem, in hymnis et canticis.

Quantum potes, tantum aude: quia maior omni laude, nec laudare sufficis.


Laudis thema specialis, panis vivus et vitalis hodie proponitur.

Quem in sacrae mensa cenae, turbae fratrum duodenae datum non ambigitur.


Sit laus plena, sit sonora, sit iucunda, sit decora mentis iubilatio.

Dies enim solemnis agitur, in qua mensae prima recolitur huius institutio.


In hac mensa novi Regis, novum Pascha novae legis, phase vetus terminat.

Vetustatem novitas, umbram fugat veritas, noctem lux eliminat.


Quod in coena Christus gessit, faciendum hoc expressit in sui memoriam.

Docti sacris institutis, panem, vinum in salutis consecramus hostiam.


Dogma datur christianis, quod in carnem transit panis, et vinum in sanguinem.

Quod non capis, quod non vides, animosa firmat fides, praeter rerum ordinem.


Sub diversis speciebus, signis tantum, et non rebus, latent res eximiae.

Caro cibus, sanguis potus: manet tamen Christus totus sub utraque specie.


A sumente non concisus, non confractus, non divisus: integer accipitur.

Sumit unus, sumunt mille: quantum isti, tantum ille: nec sumptus consumitur.


Sumunt boni, sumunt mali: sorte tamen inaequali, vitae vel interitus.

Mors est malis, vita bonis: vide paris sumptionis quam sit dispar exitus.


Fracto demum sacramento, ne vacilles, sed memento tantum esse sub fragmento, quantum toto tegitur.

Nulla rei fit scissura: signi tantum fit fractura, qua nec status, nec statura signati minuitur.


Ecce Panis Angelorum, factus cibus viatorum: vere panis filiorum, non mittendus canibus. 

In figuris praesignatur, cum Isaac immolatur, agnus Paschae deputatur, datur manna patribus.


Bone pastor, panis vere, Iesu, nostri miserere: Tu nos pasce, nos tuere, Tu nos bona fac videre in terra viventium.

Tu qui cuncta scis et vales, qui nos pascis hic mortales: tuos ibi commensales, coheredes et sodales fac sanctorum civium. Amen. Alleluia.




Celebração Eucarística de Corpus Christi
(tradução dos Estudos do Oficio das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontifice)

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, nas palavras do Papa Bento XVI, "convida-nos a contemplar o mistério supremo da nossa fé: a Santíssima Eucaristia, presença real do Senhor Jesus Cristo no Sacramento do Altar. Cada vez que o sacerdote renova o sacrifício eucarístico, na oração da consagração, ele repete: "Este é o meu corpo ... este é o meu sangue ". Ele empresta sua voz, as mãos e o coração a Cristo, que quis permanecer conosco e ser o coração da Igreja ".

1. As origens da festa de Corpus Christi

As origens remotas da festa de Corpus Christi está localizado no desenvolvimento do culto da Eucaristia, na Idade Média. As disputas doutrinárias entre Pascasio Radbertus († 865) e Ratramno de Corbie († 868), e especialmente entre Berengário de Tours († 1088) e Lanfranco de Pavia († 1089), levaram a um esclarecimento da doutrina sobre a Presença Real de Cristo no Sacramento e, portanto, um culto sincero e generalizado da Eucaristia.

No século XIII, manifesta-se um movimento mais amplo de devoção eucarística entre as pessoas e também entre os teólogos, com um forte contributo da nova ordem franciscana. O IV Concílio de Latrão (1215), afirmando a doutrina da Igreja com a fórmula da transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, levou ao desenvolvimento do culto eucarístico. O próprio Conselho prescrita a obrigação da comunhão pascal anual da Eucaristia e da habitação em um local seguro. E na liturgia disseminar a prática de elevar a hóstia e o cálice durante a Missa para os fiéis o desejo de ver e de adorar as espécies consagradas.

A solene celebração de Corpus Christi, tal como a conhecemos hoje, é devido à inspiração da religiosa flamenga Santa Juliana de Cornillon (1191-1258). A festa, fundada na diocese de Liège, na Bélgica actual, em 1246 e espalhou-se rapidamente, graças aos esforços do flamengo James Pantaleone de Troyes, mais tarde eleito Papa Urbano IV (1261-1264). Ele incluiu a festa no calendário litúrgico com a Transiturus de hoc mundo, 11 de agosto, 1264. No entanto, devido a diferentes eventos, era celebrada em toda a Igreja somente após o Concílio de Viena (1311-1312).De acordo com a vida de Santa Juliana, o próprio Cristo disse que o principal motivo para querer que esta nova festa, era para recordar a instituição do Sacramento do seu Corpo e Sangue de maneira particularmente solene, o que não era possível na Quinta-Feira Santa, quando o liturgia é marcada pela lava-pés e pela Paixão do Senhor. Este festa seria um aumento de fé e de graça para os cristãos que incentivados a participar com mais atenção ao contrario do que ocorre em dias normais, com menos devoção, ou mesmo por negligência.

A festa foi marcada para quinta-feira após a oitava de Pentecostes, a primeira quinta-feira após a Páscoa, de acordo com o calendário litúrgicodell'usus antiquior. A festa é tão claramente ligada à Quinta-Feira Santa, e manifesta o seu caráter essencial: "Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição".

2. A Missa

Apesar das duvidas de historiadores, foi confirmado por pesquisas recentes que a Missa e o Ofício de Corpus Christi foram compostos por São Tomás de Aquino, sob as ordens do Papa Urbano IV. A missa original permaneceu a mesma nas várias edições do Missal Romano até os anos cinquenta do século XX, com a excepção do “tropo” do Kyrie [6] (retirado de uma fonte mais antiga), que havia desaparecido no Missal de São Pio V ( 1570).Para a epístola escolheu-se a a criação da Instituiçào da Eucaristia do Apóstolo Paulo (1 Coríntios 11,23-29), em uma versão mais curta do mesmo texto, que é usado durante a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa (1 Cor 11 20-32). Esse quadro também faz parte do Evangelho (Jo 6,56-59) a partir do grande "discurso eucarístico" de Jesus, que segue o milagre da multiplicação dos pães.

Além das orações habituais e antífonas, a Missa contenha uma longa seqüência, também “dell’Aquinate”, o Lauda Sion. Essa seqüência é um belo exemplo de como a lex credenti se exprime na lex orandi, como mencionado Bento XVI:"Temos apenas cantado a seqüência:" “Dogma datur christianis, / quod in carnem transit panis, / et vinum in sanguinem - É a verdade de cada cristão / transforma o pão em carne e o sangue torna-se o vinho". Hoje reafirmamos com alegria nossa fé na Eucaristia, no mistério que constitui o coração da Igreja. [...] Portanto a festa de Corpus Christi é um festa singular, um importante ponto da fé e hoje de louvor para toda comunidade cristã. Esta festa teve origem num determinado contexto histórico e cultural: é fundada com a finalidade específica de reafirmar abertamente a fé do Povo de Deus em Jesus Cristo, vivo e realmente presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. É uma festa criada para adorar, louvar e agradecer ao Senhor, "no sacramento da Eucaristia continua a amar-nos « até ao fim ", mesmo com o sacrifício de seu corpo e seu sangue" (Sacramentum caritatis, 1).

São Tomás de Aquino a quem se atribuiu à missa de Corpus Christi e o Prefácio do Natal do Senhor: " No mistério da encarnação de vosso Filho, nova luz da vossa glória brilhou para nós. E, reconhecendo a Jesus como Deus visível a nossos olhos, aprendemos a amar nele a divindade que não vemos”. Esta escolha é importante, pois estabelece uma íntima conexão entre o mistério da Encarnação e da Transubstanciação: no Sacramento é real e substancialmente presente, o Cristo vivo, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

No Missal Romano de 1962, que atualmente é normativo para a forma extraordinária do Rito Romano, o Prefácio da Natividade foi substituído pelo comum. No entanto, em 1962, quatro novos prefácios foram aprovados para algumas dioceses, incluindo um prefácio do Santíssimo Sacramento, também usado para Corpus Christi.No Missal Romano de 1970 e nas posteriores edições típicas, os textos da festa permaneceram essencialmente os mesmos, mas foi atribuído o novo prefácio da Santíssima Eucaristia. A diferença principal é o enriquecimento com a segunda leitura no ciclo de três anos (Ano A: Dt 8,2-3.14 b-16, 1 Cor 10,16-17, Jo 6:51-58; Ano B: 24,3 Es -8, Hb 9,11-15, Mc 14,12-16.22-26, Ano C: Gn 14,18-20, 1Cor 11,23-26, Lc 9,11-17).

3. A Procissão

Em todo o mundo, Corpus Christi é marcado pela procissão eucarística solene que segue após a missa. Também a festa, se recorda a celebração da Quinta-Feira Santa, que termina com a procissão eucarística até o altar da reposição. Deve-se notar, contudo, que a procissão de Quinta-feira Santa lembra o êxodo do Senhor no cenaculo para a solidão do Monte das Oliveiras, onde ele foi traído por Judas, e, portanto, tem um aspecto escuro e triste, é a noite que leva à Paixão Sexta-feira Santa. Em vez disso, a procissão eucarística de Corpus Christi é realizada à luz alegre da Ressurreição. Ao portar Cristo Sacramentado pelas cidades e aldeias, campos e lagos, a Igreja age "em obediência ao convite de Jesus para" proclamar de cima dos telhados "que ele nos contou em segredo (cf. Mt 10:27) . O dom da Eucaristia, os Apóstolos receberam do Senhor na intimidade da Última Ceia, mas era destinado a todos, a todo o mundo ".

Na solene celebração de Corpus Christi, em muitas paróquias e comunidades católicas, se expressa a alegria da fé, na qual Bento XVI, como teólogo e como papa, muitas vezes refletiu: a força com que a verdade da fé cristã se faz, deve ser a maneira de alegria com a qual se manifesta. Esta alegria é uma alegria pascal, enraizada de fato em Cristo, ressuscitado dentre os mortos. A Igreja tem necessidade de aproveitar todo o esplendor da beleza, de expressar esta alegria suprema.Não devemos perder a coragem de insistir sobre a prioridade do culto divino, ultrapassando assim uma restrita interpretação moralista e legalista do cristianismo. Bento XVI dá o exemplo, porque é profundamente convencido de que "a lei e a moral não caminham juntos se não estiverem ancoradas no centro litúrgico e não se aspiram". A adoração, que se expressa de modo particular na Missa e da Procissão de Corpus Christi, é constitutiva da relação do homem com Deus e da direta existência humana no mundo.

Neste ano sacerdotal*, o ministro do Santíssimo Sacramento tem uma razão para voltar a meditar sobre a incomparável dignidade, que foram chamados por vocação divina. Sendo sacerdotes ordenados tem uma referência fundamental e insubstituível para o poder de consagrar a Eucaristia. Por várias razões que são de fundo teológico para a alegria de todo cristão diante do dom da Eucaristia, o sacerdote acrescenta ainda à sua forma - e certamente humanamente imerecida – Ao Cristo Sacerdote, que está verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Queremos, portanto, que sacerdotes de todo o mundo vivam a procissão de Corpus Christi como um tempo de adoração, contemplação e reflexão sobre o grande mistério que se torna presente de novo no mundo através de suas mãos, ungidas um dia com o santo crisma, para poder consagrar e tocar o Corpo sacramentado de Cristo.

(*considera-se que o presente estudo foi escrito no decorrer do Ano Sacerdotal 2009-2010)

Rio de Janeiro

Niterói

Original em: Santa Sé

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Catequese de Bento XVI sobre a oração

Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé
Tradução de Leonardo Meira - equipe CN Notícias



Queridos irmãos e irmãs,

nas precedentes Catequeses, detivemo-nos em algumas figuras do Antigo Testamento particularmente significativas para a nossa reflexão sobre a oração. Falei sobre Abraão, que intercede pelas cidades estrangeiras, sobre Jacó, que na luta noturna recebe a bênção, sobre Moisés, que invoca o perdão para o seu povo, e sobre Elias, que reza pela conversão de Israel. Com a catequese de hoje, gostaria de iniciar um novo trecho do percurso: ao invés de comentar particulares episódios de personagens em oração, entraremos no "livro de oração" por excelência, o livro dos Salmos. Nas próximas catequeses, leremos e meditaremos alguns dos Salmos mais belos e mais queridos à tradição orante da Igreja. Hoje, gostaria de introduzi-los falando sobre o livro dos Salmos no seu conjunto.

O Saltério apresenta-se como um "formulário" de orações, uma coleção de cento e cinquenta Salmos que a tradição bíblica dá ao povo de fiéis para que se torne a sua, a nossa oração, o nosso modo de dirigir-se a Deus e de relacionar-se com Ele. Nesse livro, encontra expressão toda a experiência humana com as suas múltiplas faces, e toda a gama dos sentimentos que acompanham a existência do homem. Nos Salmos, entrelaçam-se e expressam-se alegria e sofrimento, desejo de Deus e percepção da própria indignidade, felicidade e sentido de abandono, confiança em Deus e dolorosa solidão, plenitude de vida e medo de morrer. Toda a realidade do crente conflui naquelas orações, que o povo de Israel primeiro e a Igreja depois assumiram como mediação privilegiada da relação com o único Deus e resposta adequada ao seu revelar-se na história. Enquanto orações, os Salmos são manifestações da alma e da fé, em que todos se podem reconhecer e nas quais se comunica aquela experiência de particular proximidade com Deus à qual cada homem é chamado. E é toda a complexidade do existir humano que se concentra na complexidade das diversas formas literárias dos vários salmos: hinos, lamentações, súplicas individuais e coletivas, cantos de agradecimento, salmos penitenciais, salmos sapienciais, e outros gêneros que se podem encontrar nessas composições poéticas.

Não obstante essa multiplicidade expressiva, podem ser identificados dois grandes âmbitos que sintetizam a oração do Saltério: a súplica, unida ao lamento, e o louvor, duas dimensões correlatas e quase inseparáveis. Porque a súplica é animada pela certeza de que Deus responderá, e isso abre ao louvor e à ação de graças; e o louvor e o agradecimento brotam da experiência de uma salvação recebida, que supõe a necessidade de auxílio que a súplica expressa. Na súplica, o orante se lamenta e descreve a sua situação de angústia, de perigo, de desolação, ou, como nos Salmos penitenciais, confessa a culpa, o pecado, pedindo para ser perdoado. Ele expõe ao Senhor o seu estado de necessidade na confiança de ser escutado, e isso implica um reconhecimento de Deus como bom, desejoso do bem e "amante da vida" (cfr Sl 11,26), pronto a ajudar, salvar, perdoar. Assim, por exemplo, reza o Salmista no Salmo 31: "Junto de vós, Senhor, me refugio. Não seja eu confundido […] Vós me livrareis das ciladas que me armaram, porque sois minha defesa" (vv. 2.5). Já no lamento, portanto, pode emergir algo do louvor, que se prenuncia na esperança da intervenção divina e se faz, depois, explícita quando a salvação divina torna-se realidade. De modo análogo, nos Salmos de agradecimento e de louvor, fazendo memória do dom recebido ou contemplando a grandeza da misericórdia de Deus, reconhece-se também a própria pequenez e a necessidade de ser salvos, que está na base da súplica. Confessa-se assim a Deus a própria condição de criatura inevitavelmente marcada pela morte, ainda que portadora de um desejo radical de vida. Por isso o Salmista exclama, no Salmo 86: "De todo o coração eu vos louvarei, ó Senhor, meu Deus, e glorificarei o vosso nome eternamente. Porque vossa misericórdia foi grande para comigo, arrancastes minha alma das profundezas da região dos mortos" (vv. 12-13). Desse modo, na oração dos Salmos, súplica e louvor entrelaçam-se e fundem-se em um único canto que celebra a graça eterna do Senhor que se inclina sobre a nossa fragilidade.

Exatamente para permitir ao povo de fiéis unir-se a esse canto que o livro do Saltério foi dado a Israel e à igreja. Os Salmos, de fato, ensinam a rezar. Nesses, a Palavra de Deus torna-se palavra de oração – e são palavras do Salmista inspirado –, que se torna também palavra do orante que reza os Salmos. É essa a beleza e a particularidade desse livro bíblico: as orações nele contidas, diferentemente de outras orações que encontramos na Sagrada Escritura, não estão inseridas em uma trama narrativa que especifica o sentido e a função. Os Salmos são dados ao fiel propriamente como texto de oração, que tem como único fim aquele de se tornar a oração de quem os assume e com eles se dirige a Deus. Porque são palavras de Deus, quem reza os Salmos fala a Deus com as palavras mesmas que Deus nos deu, dirige-se a Ele com as palavras que Ele mesmo nos dá. Assim, rezando os Salmos, aprende-se a rezar. São uma escola de oração.

Algo de análogo acontece quando a criança começa a falar, aprende a expressar as próprias sensações, emoções, necessidades com palavras que não lhe pertencem de modo inato, mas que elas aprendem com seus pais e aqueles que vivem ao seu redor. Aquilo que a criança quer expressar é a sua própria experiência, mas o meio expressivo é dos outros; elas pouco a pouco se apropriam desse meio, as palavras recebidas de seus pais tornam-se as suas palavras e através daquelas palavras aprendem também um modo de pensar e de sentir, acessam todo um mundo de conceitos, e nisso crescem, relacionam-se com a realidade, com os homens e com Deus. A língua dos seus pais torna-se então a sua língua, eles falam com palavras recebidas de outros que são então tornadas as suas palavras. Assim acontece com a oração dos Salmos. Esses nos são dados para que aprendamos a dirigir-nos a Deus, a nos comunicar com Ele, a falar com Ele sobre nós com as suas palavras, a encontrar uma linguagem para o encontro com Deus. E, através daquelas palavras, será possível também conhecer e acolher os critérios do seu agir, aproximar-se do mistério dos seus pensamentos e dos seus caminhos (cf. Is 55,8-9), a fim de crescer sempre mais na fé e no amor. Como as nossas palavras não são somente palavras, nas nos ensinam um modo real e conceitual, assim também essas orações ensinam-nos o coração de Deus, para que não somente possamos falar com Deus, mas possamos aprender quem é Deus e, aprendendo como falar com Ele, aprendamos o ser homem, a ser nós mesmos.

A esse propósito, parece significativo o título que a tradição hebraica deu ao Saltério. Ele chama-se tehillîm, um termo hebraico que quer dizer "louvores", daquela raiz verbal que encontramos na expressão "Halleluyah", isto é, literalmente: "louvado seja o Senhor". Esse livro de orações, portanto, também se tão multiforme e complexo, com os seus diversos gêneros literários e com a sua articulação entre louvor e súplica, é em última análise um livro de louvores, que ensina a dar graças, a celebrar a grandeza do dom de Deus, a reconhecer a beleza das suas obras e a glorificar o seu Nome santo. É essa a resposta mais adequada diante do manifestar-se do Senhor e da experiência da sua bondade. Ensinando-nos a rezar, os Salmos ensinam-nos que também na desolação, na dor, a presença de Deus permanece, é fonte de maravilha e de consolação; pode-se chorar, suplicar, interceder, lamentar-se, mas na consciência de que estamos caminho rumo à luz, onde o louvor poderá ser definitivo. Como ensina-nos o Salmo 36: "Em vós está a fonte da vida, e é na vossa luz que vemos a luz" (36,10).

Mas além do título geral do livro, a tradição hebraica colocou sobre muitos Salmos títulos específicos, atribuindo-os, na grande maioria, ao rei Davi. Figura de notável envergadura humana e teológica, Davi é personagem complexo, que atravessou as mais variadas experiências fundamentais do viver.  Jovem pastor do rebanho eterno, passando por alternados e às vezes dramáticos acontecimentos, torna-se rei de Israel, pastor do povo de Deus. Homem de paz, combateu muitas guerras; incansável e tenaz buscador de Deus, traiu o amor, e isso é característico: sempre permaneceu buscador de Deus, ainda se muitas vezes gravemente pecou; humilde penitente, acolheu o perdão divino, também o castigo divino, e aceitou um destino marcado pela dor. Davi assim foi um rei, com todas as suas debilidades, "segundo o coração de Deus" (cf. 1Sam 13,14), isto é, um orante apaixonado, um homem que sabia o que significa dizer suplicar e louvar. A ligação dos Salmos com esse insigne rei de Israel é tão importante porque ele é figura messiânica, Ungido do Senhor, no qual está de algum modo ofuscado o mistério de Cristo.

Igualmente importantes e significativos são o modo e a franqueza com que as palavras dos Salmos são retomadas no Novo Testamento, assumindo e sublinhando aquele valor profético sugerido pela ligação do Saltério com a figura messiânica de Davi. No Senhor Jesus, que na sua vida terrena rezou com os Salmos, esses encontram o seu definitivo cumprimento e revelam o seu sentido mais pleno e profundo. As orações do Saltério, com que se fala a Deus, falam-nos d'Ele, falam-nos do Filho, imagem do Deus invisível (Col 1,15), que nos revelam plenamente o Rosto do Pai. O cristão, portanto, rezando os Salmos, reza ao Pai em Cristo e com Cristo, assumindo esses cantos em uma perspectiva nova, que tem no mistério pascal a sua última chave interpretativa. O horizonte do orante abre-se, assim, a realidades inesperadas, cada Salmo adquire uma luz nova em Cristo e o Saltério pode brilhar em toda a sua infinita riqueza.

Irmãos e irmãs caríssimos, tomemos portanto em mãos esse livro santo, deixemo-nos ensinar por Deus a dirigirmo-nos a Ele, façamos do Saltério um guia que nos auxilie e nos acompanhe cotidianamente no caminho da oração. E peçamos também nós, como os discípulos de Jesus, "Senhor, ensina-nos a rezar" (Lc 11,1), abrindo o coração para acolher a oração do Mestre, no qual todas as nossas orações chegam ao seu cumprimento. Assim, tornados filhos no Filho, poderemos falar com Deus chamando-O "Pai Nosso". Obrigado.

domingo, 19 de junho de 2011

Solenidade da SANTÍSSIMA TRINDADE

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto:
Sicut erat in principio, et nunc, et semperet in saecula saeculorum. Amen.



Homilia do Santo Padre na Solenidade da Santíssima Trindade

Tradução: Nicole Melhado
Boletim da Santa Sé (CN Notícias)


É grande a minha alegria em poder dividir com vocês o pão da Palavra de Deus e da Eucaristia e poder dirigir-vos, caros Samarineses, a minha cordial saudação. Dirigi um especial pensamento aos Capitais Regente e as demais autoridades políticas e civis presentes nesta celebração eucarística; saúdo com afeto o vosso bispo, Dom Luigi Negri, a quem agradeço as palavras a mim dirigidas, e com ele, todos os sacerdotes e fiéis da diocese de San Marino-Montefeltro; saúdo cada um de vocês e expresso-vos o meu vivo reconhecimento pela cordialidade e afeto com o qual vocês me acolheram.

Vim para dividir com vocês alegrias e esperanças, cansaços e empenhos, ideais e aspirações desta comunidade diocesana. Sei que também aqui não faltam dificuldades, problemas e preocupações. A todos quero assegurar minha proximidade e minhas recordações na oração, a qual uno o encorajamento a perseverar no testemunho dos valores humanos e cristãos, assim, profundamente enraizados na fé e na história deste território e de sua população, com a seu fé granita na qual falou sua excelência.

Celebramos hoje a festa da Santíssima Trindade: Deus Pai e Filho e Espírito Santo, Festa de Deus, do centro da nossa fé. Quando se pensa na Trindade, vem em mente o aspecto do mistério: são Três e são Um, um só Deus em três Pessoas. Na realidade, Deus não pode ser outro que um mistério para nós na sua grandeza e, todavia, Ele se revelou. Podemos conhecê-Lo no Seu Filho e, assim também, conhecer o Pai e o Espírito Santo.


A Liturgia de hoje, no entanto, leva nossa atenção não tanto sobre o mistério, mas sobre a realidade de amor que é contida neste primeiro e supremo mistério da nossa fé. O Pai, o Filho e o Espírito Santo como um, porque é amor e o amor é a força vivificante absoluta, a unidade criada do amor é reconhecimento; e o Espírito Santo é como o fruto deste amor recíproco entre o Pai e o Filho.

Os textos da Santa Missa de hoje falam de Deus e por isso falam de amor; não se fixa tanto sobre o mistério das três Pessoas, mas sobre o amor que neles constitui o sustento, a unidade e a trindade ao mesmo tempo.


O primeiro texto que escutamos é do Livro do Êxodo – sobre ele falei numa recente Catequese de quarta-feira – e é surpreendente que a revelação do amor de Deus venha depois de um grandíssimo pecado do povo. Apenas foi concluído o pacto de aliança feito no monte Sinai e o povo já deixa faltar a fé.


A ausência de Moisés se prolonga e logo o povo diz: “Mas onde está este Moisés, onde está o seu Deus?” e pede a Aarão para fazer a eles um deus que seja visível, acessível, manobrável, ao alcance do homem, em vez daquele misterioso Deus invisível, longe. Aarão concorda e faz um bezerro de ouro.


Descendo do Sinai, Moisés vê o que aconteceu e quebra as tábuas da aliança, que é já rompida, quebrada, duas pedras nas quais estavam escritos os Dez Mandamento, o conteúdo concreto do pacto com Deus. Todo parece perdido, toda a amizade, desde o inicio, já está estraçalhada.

No entanto, no momento deste grandíssimo pecado do povo, Deus, por intercessão de Moisés, decide perdoar e convida Moisés a subir novamente ao monete para receber de novo a Sua lei, os Dez Mandamento e renovar o pacto.

Moisés pede então a Deus de revelar-se, de fazer visível o seu rosto. Mas Deus não mostra Sua face, revela por sua vez o seu ser pleno de bondade com estas palabras: “Javé, javé, Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade” (Ex 34, 6).

Está é a Face de Deus. Esta autodefinição de Deus manisfesta o seu amor misericordioso: um amor que vence o pecado, cobre-o, apaga-o. E podemos ser sempre seguros desta bondade que não nos deixa. Não pode haver revelação mais clara. Nós temos um Deus que renuncia destruir o pecador e que quer manisfestar o seu amor de maneira ainda mais profunda e surpreendente, justamente diante do pecador para oferecer a possibilidade da conversão e do perdão.

O Evangelho completa esta revelação, que escutamos na primeira leitura, porque indica até que ponto Deus mostrou sua misericórdia. O evangelista João reflete esta expressão de Jesus: “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo que nele crer não pereça, mas tenha vida eterna” (3, 16)

No momento existe o mal, o egoísmo, a maldade e Deus poder vir para julgar este mundo, para destruir o mal, para castigar aqueles que operam nas trevas. Em vez, Ele mostra o amor ao mundo, amor pelo homem, no momento do seu pecado, e envia aquilo que há de mais precioso: O Seu Filho unigênito. E não só envia, mas faz dom ao mundo. Jesus é o Filho de Deus que nasceu por nós, que viveu por nós, que venceu o mal perdoando os pecados, acolhendo todos. Respondendo o amor que vem do Pai, o Filho deu sua própria vida por nós: sobre a cruz, o amor misterioso de Deus chega ao cume. E é sobre a cruz que o Filho de Deus nos concede a participação à vida eterna, que vem comunicada com o dom do Espírito Santo. 


Assim, no mistério da cruz, estão presentes as três Pessoas divinas: o Pai, que doa seu Filho unigênito para a salvação do mundo; o Filho, que compre até o fim o designo do Pai; o Espírito Santo – efuso de Jesus no momento da morte – que vem nos tornar participantes da vida divina., para transformar a nossa existência, porque é animado do amor divino.


Caros irmãos e irmãs! A fé no Deus Trinitário caracterizou também esta Igreja de San Marino-Montefeltro no curso de sua história antiga e gloriosa. A evangelização desta terra é santos escultores Marino e Leão, aos quais, na metade do século III depois de Cristo, teriam chegado em Rimini da Dalmácia.

Por suas santidades de vida seriam consagrados, um sacerdote e o outro diácono, pelo bispo Gaudenzio e por ele enviados ao interior, um ao monte Feretro, que depois recebeu o nome de San Leo, e outro ao monte Titano, que depois recebeu o nome de San Marino.

Deixando de lado as questões histórias – que não cabem a nós aprofundar – interessa afirmar como Marino e Leão levaram no contexto desta realidade local, com a fé no Deus revelado em Jesus Cristo, perspectivas e valores novos, determinando o nascimento de uma cultura e uma civilização centrada na pessoa humana, imagem de deus e por isso portadora de direitos presentes em cada legislação humana.

A variedade de diversas etnias – romanos, godos e lombardos – que entravam em contato entre eles, às vezes de maneira muito conflituoso, encontram no comum referimento à fé, um fator potente e edificação ética, cultural, social e, de qualquer modo, política. Era evidente aos olhos deles que não poderia se cumprir um projeto de civilização até que todos os componentes do povo não fizessem parte de um comunidade cristã vivente e bem estruturada e edificada sobre a fé no Deus Trinitário.

Portanto, pode se dizer que a riqueza deste povo, a vossa riqueza, caros samarineses, foi e é a fé, e esta fé criou uma civilização realmente única. Junto à fé, ocorre depois recordar a absoluta fidelidade aos Bispo de Roma, a quela esta Igreja sempre olhou com devoção e afeto; como também a atenção demonstrada a grande tradição da Igreja oriental e a profunda devoção a Virgem Maria.

Vocês são justamente orgulhosos e gratos pelo quanto o Espírito Santo operou pelos séculos na vossa Igreja. Mas vocês sabem também que o melhor modo de apreciar um hereditariedade é cultivar e redeclarar. Na realidade, vocês são chamados a desenvolver este precioso depósito num dos momentos mais decisivos da história.

Hoje, a nossa missão é dever confrontar as profundas e rápidas transformações culturais, sociais, econômicas e políticas, que determinaram novas orientações e modificaram mentalidades, costumes e sensibilidade.Também aqui, de fato, como em outros lugares, não faltam dificuldades e obstáculos, devidos, sobretudo, aos modelos hedônicos que obscurecem a mente e ameaçam desfazer toda a moralidade.

Há a tentação de acreditar que a riqueza do homem não é a fé, mas o seu poder pessoal e social, sua inteligência, sua cultura e sua capacidade de manipulação científica, tecnológica e social da realidade.

Assim, também nesta terra, começou-se a substituir a fé e os valore cristão pelas riquezas, que, no fim, se revelam inconsistentes e incapazes de assegurar a grande promessa verdadeira, do bem, do belo e do justo que pelos séculos vossos antepassados identificaram com a experiência da fé. Não esqueçam a crise que se agrava em não poucas famílias da difusa fragilidade psicológica e espiritual dos casais, como também a cansativa experiência de muitos educadores oferecer contínua formação aos jovens condicionados a muitas precariedades, primeiro entre todos aqueles do meio social e depois da possibilidade de trabalho.

Queridos amigos! Conheço bem o empenho de cada componente desta Igreja na promoção da vida cristã nos seus vários aspectos. Exorto a todos os fiéis que sejam como fermento no mundo, mostrem, seja em Montefeltro ou em San Marino, que os cristão estão presentes, pró-ativos e coerentes. Que os sacerdote, os religiosos e religiosas vivam sempre na mais cordial e afetiva comunhão eclesial ajudando e escutando o pastor diocesano. Também peço a vocês com urgência uma revitalização das vocações sacerdotais, em especial a consagração: faço um apelo às família e aos jovens para que abram a alma para um resposta pronta ao chamado de Deus.

Nunca se arrependerão de ser generosos com Deus! A vocês leigos, recomento o empenho ativo na comunidade, de modo que, além de seus deveres civis, políticos, sociais e culturais, possam encontrar tempo e disponibilidade para a vida da fé, a vida pastoral.

Caros Samarineses! Permaneçam firmes fiéis ao patrimônio construído nos séculos pelo impulso dos vossos grandes padroeiros, Marino e Leão. Invoco a benção de Deus sobre o vosso caminho de hoje e de amanhã e recomento a todos “à graça do Senhor Jesus Cristo, ao amor de Deus e à comunhão do Espírito Santo”(2Cor 13,11). Amém!


Deus TRIUNO: Três Pessoas, Um só Deus!



GLORIA IN EXCELSIS DEO.
Et in terra pax hominibus bonæ voluntatis.
Laudamus te. Benedicimus te. Adoramus te. Glorificamus te.
Gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam.
Domine Deus, Rex coelestis, Deus Pater omnipotens.
Domine Fili unigenite, Jesu Christe.
Domine Deus, Agnus Dei, Filius Patris.
Qui tollis peccata mundi, miserere nobis.
Qui tollis peccata mundi, suscipe deprecationem nostram.
Qui sedes ad dexteram Patris, miserere nobis.
Quoniam tu solus Sanctus. Tu solus Dominus. Tu solus Altissimus, Jesu Christe. Cum Sancto Spiritu in gloria Dei Patris. Amen. 

sábado, 18 de junho de 2011

Ficai, Senhor, comigo!!!



Fica comigo, Senhor, pois preciso da tua presença para não te esquecer. Sabes quão facilmente posso te abandonar. 
Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair. 


Fica comigo, Senhor, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor. 


Fica comigo, Senhor, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão. 


Fica comigo, Senhor, para me mostrar tua vontade. 


Fica comigo, Senhor, para que ouça tua voz e te siga. 


Fica comigo, Senhor, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia. 


Fica comigo, Senhor, se queres que te seja fiel. 


Fica comigo, Senhor, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor. 


Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho.


Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio. 


Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti. 


Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração. 


Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor. 


Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico! 


Fica comigo, Senhor, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. 



Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.


Santo Pio de Pietrelcina


"Uma só coisa é necessária: estar perto de Jesus." (Padre Pio)






"Mantenha-se sempre muito unido à Igreja Católica, pois somente ela pode lhe dar a verdadeira paz, porque somente ela possui Jesus Sacramentado que é o verdadeiro príncipe da paz." (Padre Pio)


São Pio de Pietrelcina, ora pro nobis!!!