sexta-feira, 22 de abril de 2011

Entenda o significado do beijo na Cruz na Sexta-feira Santa


Por Padre Antônio Xavier
Comunidade Canção Nova, Terra Santa

 Eis o lenho da Cruz do qual pendeu a salvação do mundo.
Vinde adoremos!

Em todo o ano, existe somente um dia em que não se celebra a Santa Missa: a Sexta-Feira Santa. Ao invés da Missa temos uma celebração que se chama Funções da Sexta-feira da Paixão, que tem origem em uma tradição muito antiga da Igreja que já ocorria nos primeiros séculos, especialmente depois da inauguração da Basílica do Santo Sepulcro e do reencontro da Santa Cruz por parte de Santa Helena (ano 335 d.C.).


Os cristãos peregrinos dos primeiros séculos a Jerusalém nos descrevem, através de seus diários que, em um certo momento desta celebração, a relíquia da Santa Cruz era exposta para adoração diante do Santo Sepulcro. Os cristãos, um a um, passavam diante dela reverenciando e beijando-a. Este momento é chamado de Adoração à Santa Cruz, que significa adorar a Jesus que foi pregado na cruz através do toque concreto que faziam naquele madeiro onde Jesus foi estendido e que foi banhado com seu sangue. 

Bento XVI durante adoração à Santa Cruz, no Vaticano

Em nosso mundo de hoje, falar da Adoração à Santa Cruz pode gerar confusão de significado, mas o que nós fazemos é venerar a Cruz e, enquanto a veneramos, temos nosso coração e nossa mente que ultrapassa aquele madeiro, ultrapassa o crufixo, ultrapassa mesmo o local onde estamos, até encontrar-se com Nosso Senhor pregado naquela cruz, dando a vida para nos salvar. Quando beijamos a cruz, não a beijamos por si mesma, a beijamos como quem beija o próprio rosto de Jesus, é a gratidão por tudo que Nosso Senhor realizou através da cruz. O mesmo gesto o padre realiza no início de cada Missa ao beijar o Altar. É um beijo que não pára ali, é beijar a face de Jesus. Por isso, não se adora o objeto. O objeto é um símbolo, ao reverênciá-lo mergulhamos em seu significado mais profundo, o fato que foi através da Cruz que fomos salvos.
 
Nós cristãos temos a consciência que Jesus não é apenas um personagem da história ou alguém enclausurado no passado acessível através da história somente. "Jesus está vivo!" Era o que gritava Pedro na manhã de Pentecostes e esse era o primeiro anúncio da Igreja. Jesus está vivo e atuante em nosso meio, a morte não O prendeu. A alegria de sabermos que, para além da dolorosa e pesada cruz colocada sobre os ombros de Jesus, arrastada por Ele em Jerusalém, na qual foi crucificado, que se torna o simbolo de sua presença e do amor de Deus, existe Vida, existe Ressurreição. Nossa vida pode se confundir com a cruz de Jesus em muitos momentos, mas diante dela temos a certeza que não estamos sós, que Jesus caminha conosco em nossa via sacra pessoal e, para além da dor, existe a salvação.
 
Ao beijar a Santa Cruz, podemos ter a plena certeza: Jesus não é simplesmente um mestre de como viver bem esta vida, como muitos se propõem, mas o Deus vivo e operante em nosso meio.






Sexta-feira Santa

Por D. Javier Echevarría


Hæc est hora vestra et potestas tenebrarum. (Lc 22,53)
Cada um de nós pode se ver no meio daquela multidão, porque foram os nossos pecados a causa da imensa dor que se abate sobre a alma e o corpo do Senhor. Sim: cada um de nós leva Cristo, convertido em objeto de troça, de uma a outra parte. Somos nós que, com os nossos pecados, reclamamos aos gritos a sua morte. E Ele, perfeito Deus e perfeito Homem, deixa-nos agir. Tinha-o predito o profeta Isaías: maltratado, não abriu a sua boca; como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante os tosquiadores.
 
É justo que sintamos a responsabilidade dos nossos pecados. É lógico que estejamos muito agradecidos a Jesus. É natural que procuremos a reparação, porque às nossas manifestações de desamor, Ele responde sempre com um amor total. Neste tempo da Semana Santa, vemos o Senhor mais próximo, mais semelhante aos seus irmãos os homens... Meditemos umas palavras de João Paulo II: Quem crê em Jesus crucificado e ressuscitado leva a Cruz como um triunfo, como prova evidente de que Deus é amor... Mas a fé em Cristo nunca se pode dar por pressuposta. O mistério pascal, que reviveremos nos dias da Semana Santa, é sempre atual. (Homilia, 24-III-2002).
 
Peçamos a Jesus, nesta Semana Santa, que desperte na nossa alma a consciência de ser homens e mulheres verdadeiramente cristãos, para que vivamos de cara a Deus e, com Deus, voltados a todas as pessoas.
 
Não deixemos que o Senhor leve a Cruz sozinho. Acolhamos com alegria os pequenos sacrifícios diários.
 
Aproveitemos a capacidade de amar, que Deus nos concedeu, para concretizar propósitos, mas sem ficarmos num mero sentimentalismo. Digamos sinceramente: Senhor, nunca mais! Nunca mais! Peçamos com fé para que nós e todas as pessoas da terra descubramos a necessidade de ter ódio ao pecado mortal e de repelir o pecado venial deliberado, que tantos sofrimentos causaram ao nosso Deus.
 
Que grande é o poder da Cruz! Quando Cristo é objeto de riso e de escárnio para todo o mundo; quando está no Madeiro sem querer arrancar os cravos; quando ninguém daria nem um centavo pela sua vida, o bom ladrão – um como nós – descobre o amor de Cristo agonizante, e pede perdão. Hoje estarás comigo no Paraíso. Que força tem o sofrimento, quando se aceita junto de Nosso Senhor! É capaz de tirar – das situações mais dolorosas – momentos de glória e de vida. Esse homem que se dirige a Cristo agonizante, encontra a remissão dos seus pecados, a felicidade para sempre.
 
Nós temos de fazer o mesmo. Se perdermos o medo da Cruz, se nos unirmos a Cristo na Cruz, receberemos a sua graça, a sua força, a sua eficácia. E encher-nos-emos de paz.
 
Ao pé da Cruz descobrimos Maria, Virgem fiel. Peçamos-lhe, nesta Sexta-Feira Santa, que nos empreste o seu amor e a sua força, para que também nós saibamos acompanhar Jesus. Dirigimo-nos a Ela com umas palavras de São Josemaria, que ajudaram milhões de pessoas. Diz: Minha Mãe (tua, porque és seu por muitos títulos), que o teu amor me ate à Cruz do teu Filho; que não me falte a Fé, nem a valentia, nem a audácia, para cumprir a vontade do nosso Jesus.

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São Leão Magno: 8ª homilia sobre a Paixão

«Uma vez erguido da terra, atrairei tudo a mim» (Jo 12,32).

Oh poder admirável da cruz! Oh glória inefável da Paixão! Ali se encontra o tribunal do Senhor, ali o julgamento do mundo, ali o poder do crucificado!
 
Tudo atraíste a ti, Senhor, e quando, «durante um dia inteiro, estendias as tuas mãos a um povo incrédulo e rebelde» (Is 65,2; Rm 10,21) todos receberam a inteligência para confessar a tua majestade.
 
Tudo atraíste a ti, Senhor, porque todos os elementos da natureza pronunciaram a sua sentença..., a criação inteira recusou servir os ímpios (Mt 27,45s).
 
Tudo atraíste a ti, Senhor, porque, quando o véu do Templo se rasgou, o símbolo do Santo dos Santos manifestou-se verdadeiramente... e a Lei antiga conduziu ao Evangelho.
 
Tudo atraíste a ti, Senhor, a fim de que o culto de todas as nações seja celebrado por um sacramento pleno, finalmente manifestado...
 
Porque a tua cruz é a fonte de todas as bênçãos, a origem de todas as graças. Da fraqueza da cruz, os crentes recebem a força; do seu opróbrio, a glória; da tua morte, a vida.
 
Com efeito, agora a diversidade dos sacrifícios chegou ao fim; a oferenda única do teu corpo e do teu sangue consome todas as diferentes vítimas oferecidas no mundo inteiro, porque tu és o verdadeiro Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo (Jo 1,29). Tu completas em ti todas as religiões de todos os homens para que todos os povos não sejam mais do que um só Reino.



Fontes:
Salvem a liturgia
Ecclesia

Quinta-feira Santa



A liturgia de Quinta-Feira Santa é riquíssima de conteúdo. É o grande dia da instituição da Sagrada Eucaristia, dom do Céu para os homens; o dia da instituição do sacerdócio, nova prenda divina que assegura a presença real e atual do Sacrifício do Calvário em todos os tempos e lugares, tornando possível que nos apropriemos dos seus frutos.

Aproximava-se o momento em que Jesus ia oferecer a sua vida pelos homens. Tão grande era o seu amor, que na sua Sabedoria infinita encontrou o modo de ir e de ficar, ao mesmo tempo. São Josemaria, ao considerar o comportamento dos que se vêem obrigados a deixar a sua família e a sua casa, para procurar emprego em outro lugar, comenta que o amor humano costuma recorrer aos símbolos. As pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, talvez uma fotografia… Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não deixa um símbolo, mas uma realidade. Fica Ele mesmo. Embora vá para o Pai, permanece entre os homens. Sob as espécies do pão e do vinho está Ele, realmente presente, com o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade.

Como responderemos a esse amor imenso? Assistindo com fé e devoção à Santa Missa, memorial vivo e atual do Sacrifício do Calvário. Preparando-nos muito bem para comungar, com a alma bem limpa. Visitando Jesus com freqüência, escondido no Sacrário.

A primeira leitura da Missa, recorda o que Deus estabeleceu no Antigo Testamento, para que o povo israelita não se esquecesse dos benefícios recebidos. Desce a muitos detalhes: desde como devia ser o cordeiro pascoal, até aos pormenores que tinham de cuidar para recordar a passagem do Senhor. Se isso se prescrevia para comemorar alguns acontecimentos históricos, que eram só uma imagem da libertação do pecado realizada por Jesus Cristo, como deveríamos comportar-nos agora, quando verdadeiramente fomos resgatados da escravidão do pecado e feitos filhos de Deus!

Esta é a razão por que a Igreja nos inculca um grande esmero em tudo o que se refere à Eucaristia. Assistimos ao Santo Sacrifício todos os domingos e festas de guarda, sabendo que estamos participando numa ação divina?

São João relata que Jesus lavou os pés dos discípulos, antes da Última Ceia. Temos de estar limpos, na alma e no corpo, e aproximarmos para recebê-lo com dignidade. Para isso nos deixou o Sacramento da Penitência.

Comemoramos também a instituição do sacerdócio. É um bom momento para rezar pelo Papa, pelos Bispos, pelos sacerdotes, e para rogar que haja muitas vocações no mundo inteiro. Pediremos melhor na medida em que tenhamos mais diálogo com esse Jesus, que instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio. Vamos dizer, com total sinceridade, o que repetia São Josemaria: Senhor, põe no meu coração o amor com que queres que eu te ame.

Na cena de hoje Nossa Senhora não aparece fisicamente, ainda que estivesse em Jerusalém naqueles dias: encontrá-la-emos amanhã ao pé da Cruz. Mas já hoje, com a sua presença discreta e silenciosa, acompanha muito de perto o seu Filho, em profunda união de oração, de sacrifício e de entrega. João Paulo II assinala que, depois da Ascensão do Senhor ao Céu, participaria assiduamente nas celebrações eucarísticas dos primeiros cristãos. E acrescenta o Papa: aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre! Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d'Ela (Ecclesia de Eucharistia, 56).

Também agora Nossa Senhora acompanha Cristo em todos os sacrários da terra. Peçamos-lhe que nos ensine a ser almas de Eucaristia, homens e mulheres de fé segura e de piedade forte, que se esforçam por não deixar Jesus só. Que saibamos adorá-lo, pedir-lhe perdão, agradecer os seus benefícios, fazer-lhe companhia.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

AS "FASES" DA PÁSCOA





Você sabe que a lua, a cada mês, passa por quatro fases: lua nova, quarto crescente, lua cheia e quarto minguante. Você sabe também (será que sabe?) que, tanto para os judeus como para os cristãos, a data da Páscoa depende de uma das fases da lua, isto é, da lua cheia de abril. Se, para nós, abril corresponde à estação do outono, no hemisfério norte, abril é tempo de primavera, a estação da renovação da vida. Quando o povo de Israel foi libertado do Egito e celebrou a primeira Páscoa, era primavera. Quando Jesus foi crucificado e morto, e em seguida ressuscitou, era primavera. Tanto para Israel quanto para Jesus, a Páscoa foi o início de uma VIDA NOVA!

Para nós, cristãos, a Páscoa é o ponto alto da nossa Liturgia e deve ser – e será – também o ponto alto da nossa vida. Como, porém, tudo é medido pelo tempo, também a Páscoa – como a lua – tem suas “fases”. Vou enumerá-las aqui para que você celebre bem a Páscoa deste ano e a Páscoa da sua vida.

A Páscoa de Israel – Como acenei acima, foi instituída por Deus, através de Moisés, para comemorar a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. Você encontra uma descrição minuciosa desse rito no Livro do Êxodo. Em síntese, na noite da libertação, os judeus, por famílias ou por grupos de famílias, deviam matar um cordeiro, assá-lo e depois comê-lo, em pé, com o cajado na mão, prontos para partir. O cordeiro era consumido junto com ervas amargas que lembravam as amarguras da escravidão. O pão era sem fermento porque, pela pressa da fuga, não tivera tempo de levedar. Os judeus deviam também marcar com o sangue do cordeiro imolado as portas de suas casas, pois, naquela noite, o anjo exterminador haveria de “passar” (páscoa significa “passagem”) e matar todos os primogênitos do Egito, inclusive o do faraó; o anjo pouparia as casas dos hebreus que estivessem assinaladas pelo sangue do cordeiro. Assim foi feito. Celebrada a ceia pascal naquela noite, os hebreus fugiram e ficaram livres da escravidão do faraó. Assim, a Páscoa não significou somente a “passagem” do anjo exterminador, mas também a “passagem” do povo de Deus da escravidão para a liberdade. Através dos séculos até hoje, os judeus celebram a Páscoa para recordar as maravilhas que o Senhor fez por eles ao libertá-los da escravidão e ao conduzi-los até a terra prometida. Esta, em síntese, é a primeira “fase” da Páscoa, a Páscoa dos judeus.

A Páscoa de Jesus – Teve dois momentos: a última ceia e a crucifixão, morte e ressurreição do Senhor, momentos que nós, cristãos, celebramos e revivemos no tríduo pascal, a começar da quinta-feira santa à tardinha até o domingo de Páscoa. Jesus é o novo Moisés que conduz toda a toda a humanidade (não só o povo hebreu) da terra da escravidão do pecado e da morte para a terra da graça e da vida eterna. Jesus é de fato o grande Libertador. Não só, Jesus é também o novo cordeiro pascal imolado na cruz, cujo sangue nos livrou do pecado e nos comunica a vida (Eucaristia). O momento alto da vida de Jesus foi o Calvário: pregado na cruz, Ele ofereceu ao Pai por nós todo o seu amor, entregou voluntariamente sua vida; ressuscitando, venceu a morte, derrotou o pecado e o diabo, e abriu para nós o caminho da vida eterna. Esta foi a Páscoa de Jesus, isto é, sua “passagem” da morte para a vida, proporcionando também para nós a “passagem” do pecado para a graça, da escravidão para a liberdade dos filhos de Deus, da morte para a vida eterna. Na última ceia, Jesus antecipou, sob a forma de um rito a ser renovado perpetuamente (a Missa), os acontecimentos do Calvário. No ritual da última ceia, Jesus era o cordeiro pascal que haveria de ser imolado na sexta-feira santa. Desse modo, a Páscoa de Jesus foi ritualmente condensada na última ceia a ser perpetuada através dos séculos pela celebração da Eucaristia. Cada vez que se celebra a Eucaristia se celebra a Páscoa do Senhor... e a nossa Páscoa também.

A Páscoa do cristão/ã (I) – É o Batismo. Como ensina São Paulo, pelo Batismo, somos tornados semelhantes a Jesus Cristo em sua morte e em sua ressurreição. Com Cristo, somos sepultados na morte; com Cristo, ressuscitamos para a vida eterna. É a nossa libertação. Jesus ensinou a Nicodemos que “quem não renascer pela água e pelo Espírito Santo não pode entrar no Reino de Deus”. O Batismo nos liberta da escravidão do pecado, do diabo e da morte e nos introduz na terra prometida da vida com Deus. É a nossa “passagem”, a nossa Páscoa. Por isso, a celebração do tríduo pascal é um convite a retornarmos ao momento do nosso Batismo quando fomos lavados por Cristo e tornados filhos/as e Deus. É de fato verdade que o Batismo é a Páscoa do cristão.

A Páscoa do cristão/ã (II) – O Batismo se desdobra ao longo de toda a vida do cristão. A morte ao pecado e a ressurreição para a vida divina deve ser o contínuo esforço do cristão. A vida cristã não é outra coisa senão o seguimento de Cristo até a cruz e a ressurreição. A vida divina acolhida em nós pelo Batismo se alimenta da Palavra de Deus, da fé, esperança e caridade, dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, da oração, da renúncia ao mal sob todas as formas que ele assume em cada um de nós e na sociedade como um todo. A vida cristã deve ser uma contínua Páscoa, isto é, “passagem” do pecado para a graça, da morte para a vida, da renúncia ao diabo para o seguimento de Jesus.

A Páscoa do cristão/ã (III) – O Batismo, pelo qual morremos com Cristo e com Cristo ressuscitamos, assume forma concreta no momento da nossa morte e da nossa ressurreição: a morte, em qualquer momento do tempo; a ressurreição, no fim dos tempos, como prometeu Jesus. A nossa morte e a nossa ressurreição tornarão plena a Páscoa em nós, pois provocarão a “passagem” definitiva para a vida eterna. Então, seremos semelhantes a Cristo Ressuscitado! Ele é a Páscoa definitiva, e nós, com Ele, participaremos da sua Páscoa para sempre.

Como você vê, a Páscoa é um acontecimento “complexo”, ou como disse no início, a Páscoa tem “fases”: o que em Jesus foi um processo de alguns dias, em nós será um processo longo tanto quanto Deus permitir e terá seu acabamento no dia do grande Retorno do Senhor na glória. Naquele grande Dia, a Páscoa desembocará na glória e estaremos para sempre com o Senhor.

Por tudo isso você vê que o fato fundamental da sua vida, depois do nascimento, é o seu Batismo, a primeira fase da “sua” Páscoa. A Páscoa dura toda a vida. Portanto, a vida cristã consiste em viver o próprio Batismo, ou seja, consiste na “passagem” diária da morte para a vida divina. Não é questão de multiplicar práticas religiosas, mas de viver com intensidade e com fidelidade a “sua” Páscoa.

A Santa Páscoa e seus Símbolos

SEMANA SANTA - SANTA PÁSCOA

Não havemos de cair na vala comum e iniciar mais uma discussão sobre a deturpação comercialista da Santa Páscoa. Temos conhecimento de que os nossos amigos e leitores já são suficientemente esclarecidos sobre os absurdos que se cometem neste período tão importante em nome de alguns trocados.

Por outro lado, nunca é demais deixar patente, sem qualquer dúvida, para fins de catequese de crianças e de recém-convertidos a importância que a Santa Páscoa representa para a vida do católico.

No tempo em que Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, os judeus celebravam a festa a Páscoa – Pessach em hebreu (que significa passagem – para os judeus/da escravidão para a liberdade) – ; fato que obrigava a peregrinação até ao Templo de Jerusalém para a realização dos sacrifícios prescritos por Deus para a expiação dos pecados. Importa ressaltar que exatamente nesse período se realizaram as profecias do Antigo Testamento acerca do Cristo prometido por Deus, na pessoa de Jesus de Nazaré, segunda pessoa da Santíssima Trindade, nascido da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, sob a proteção e paternidade terrena de São José, esposo de Santa Maria.

Nesse contexto, se faz igualmente importante apontar com clareza a sucessão dos acontecimentos no tempo e sua relação com tais profecias para favorecer o entendimento e uma maior conversão. Informa-se, portanto, que a contagem dos dias e dos meses no calendário dos judeus seguem os ciclos da lua e não do sol, como em nosso calendário.

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Assim sendo, é preciso que se saiba que tudo seguia um rito bastante estrito e muito bem definido na Lei Mosaica. No dia 10 do mês de Nisan (Março-Abril), as famílias judaicas providenciavam um cordeiro para o sacrifício; já na noite do dia 13 para 14 deste mesmo mês as famílias limpavam as casas de todo o pão com fermento, para que no dia seguinte, exatamente ao meio-dia, começassem com a preparação da Páscoa, cessando todo o trabalho secular.

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Nesse dia 14, entre as 14,30h e as 17,00 h, os homens entravam no pátio do Templo com o cordeiro do sacrifício. A oferenda constituia-se de cordeiros ou cabritos, machos, de um ano de idade (as primícias, os mais robustos e perfeitos de cada casa), e abatidos pelo Pai da Família (era permitido um cordeiro por família) em qualquer lugar no pátio do Templo.

Uma vez imolados, os sacerdotes recolhiam o sangue em recipientes de prata e ouro, que passavam de um para outro até o mais próximo ao altar, de tal sorte que se derramava o sangue na base desse. As gorduras e entranhas do cordeiro eram queimadas no altar dos holocaustos, enquanto os levitas, cantavam Salmos (Salmos 113 a 118). O homem que trouxera o cordeiro levava-o nos ombros para casa, para o assar e comer em um jantar que começava com o aparecimento da primeira estrela daquela noite.

No dia 15 era iniciada a Páscoa propriamente dita e nessa noite começava a festa dos Ázimos com um descanso (que terminava no dia seguinte à noite) e a oferta própria ao Templo. A festa dos Ázimos tinha o seu fim a 21 de Nisã à noite, que também era um dia de repouso.

Desse modo, os ritos da pascoa começavam por se recostar à mesa, beberem uma 1ª taça de vinho. Nessa ocasião, o Pai de Família abençoava o vinho. Em seguida, trazia-se os legumes, colocava-se o cordeiro na mesa e bebia-se a 2ª taça de vinho. O filho mais novo então perguntava ao pai "Porque é que esta noite é diferente das outras?", que por sua vez explicava: "É em memória do que o Senhor fez por nós, quando saímos do Egíto". Seguia-se o cântico de Salmos (Sl 113-114) e uma 3ª taça de vinho era servida aos convivas. Por fim, era feita uma ação de graças pelo Pai de Família seguida de mais uma 4ª taça de vinho e em seguida últimos Salmos (Salmos 115-118). Note-se, portanto, a prefiguração da Sagrada Eucaristía.

Nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, foi condenado e morto (imolado) na véspera de sábado, no dia da preparação, ou seja, 14 de Nisan (Jo 19,31) e São Marcos disse que foi à "hora nona", ou seja, na exata e mesmíssima hora em que os cordeiros da Páscoa eram imolados em grande quantidade no Templo de Jerusalém. São João Baptista declara abertamente que Nosso Senhor é "O Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo" (Jo1,29). Os salmos todos e diversas profecias anunciam estas coisas.

Os judeus incrédulos que não aceitam a Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda celebram apenas uma libertação secular, daí o porquê do período e da forma de ambas as festas serem bastante semelhantes no que toca o simbolismo (até porque se trata de um testemunho profético), mas mínimamente no que diz respeito ao conteúdo. Com efeito, a Santa Páscoa para nós católicos é a celebração de uma redenção completa, do pecado, para a pureza, da morte, para a vida!

Com a destruição do Segundo Templo de Jerusalém, os judeus que permaneceram no judaísmo perderam a possibilidade do local de sacrifício o que tornou inviável a continuação dos sacríficios de cordeiros, razão pela qual estes celebram a sua páscoa sem a imolação de cordeiros.

Curiosamente, este é um fato bastante relevante para nós católicos, pois atesta a perfeição do sacrifício feito por Nosso Senhor; e mais ainda a renovação do sacrifício da Santa Missa, no qual o sacrifício de Cristo é renovado de forma incruenta, e assim o será até o fim dos dias, pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Significativamente, tanto a páscoa judaica, quanto as celebrações protestantes, e mais disfarçadamente a apostasia silenciosa do Concílio Vaticano II, transformaram a Santa Páscoa em um momento de meras lembranças, sem qualquer sacrifício pascal, afastando-se, portanto, voluntariamente da remissão dos pecados.

Nesses termos, eis que temos o cordeiro como o primeiro e mais importante símbolo da Santa Páscoa, representando sua imagem o próprio Cristo em sua qualidade de redentor da humanidade.


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Eis o Cristo! O Cordeiro de Deus que retira os pecados do mundo!

ovos de páscoaNão obstante, o simbolismo da Santa Páscoa é numeroso e não se restringe à imagem do Cordeiro. Os ovos, por exemplo, longe de ser um costume pagão como alguns ignorantes gostam de dizer para tentar difamar a Santa Igreja, são na verdade a continuidade da tradição dos judeus e simbolizam a vida e a própria redenção. Eis que Nosso Senhor Jesus Cristo nos liberta e permite que possamos nascer para a vida eterna.

Na antiga Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em alguns lugares, como na Alemanha, por exemplo, o costume era presentear somente as crianças. Na Armênia decorava-se ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras imagens de Santos. Pintar ovos com cores da primavera para celebrar a páscoa foi um costume adotado, ao que tudo indica, no século XVIII. Nesse tempo, a Igreja doava aos fiéis ovos bentos. A origem dos ovos de chocolate ao que tudo indica é realmente já um apelo comercial da modernidade, entretanto há notícia de que pode ter sido um costume originário de uma maior penitência no que diz respeito ao consumo de carnes. Evidentemente, como tudo o que é destes tempos de apostasia, vender ovos de chocolate é mais lucrativo… logo, eis o resultado. No Brasil, apesar dos pesares, algumas famílias de católicos ainda preservam uma agradável tradição com as crianças: a de esconder os ovos de páscoa pela casa para que as mesmas brinquem de procurá-los.

coelhoUm outro símbolo famoso e vilipendiado em seu sentido religioso é o coelho. O coelho é um pequeno mamífero cuja fecundidade talvez seja seu aspecto mais conhecido. Com efeito, uma coelha pode chegar a gerar mais de 50 filhotes por ano. Assim, eis que o coelho representa com sua imagem a Santa Madre Igreja, que tem como uma de suas funções gerar, reunir e cuidar da maior quantidade de filhos e filhas que puder para Deus.

Na ceia pascal das famílias católicas era costume servir cordeiro, mas a presença do coelho pode ter ganhado maior destaque diante da maior ou menor escasses ou abundancia de um ou de outro conforme a região ou pátria. Enfim, em termos de Brasil contemporâneo são carnes raras e de alto custo, sem mencionar o próprio esquecimento das tradições.
Outro símbolo da ceia das famílias católicas é a colomba pascal. Trata-se de um bolo em forma de "pomba" cujo significado inconfundível é representar o Divíno Espírito Santo. Diz-se que a tradição haveria surgido na vila de Pavia (norte da Itália), onde um confeiteiro teria presenteado um rei lombardo (Albuíno) com o delicioso bolo em forma de pomba. O soberano, por sua vez, teria poupado a cidade de uma cruel invasão graças ao bondoso gesto (não da satisfação do apetite, obviamente). O fato é que, à maneira dos ovos de páscoa, a colomba também se “achocolatou”, fato este que não lhe retira o simbolismo, igualmente ao exemplo dos ovos.

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Uma colomba pascal tradicional

Afora estes simbolismo próprio da ceia é ou foi costume decorar as residências com pequenos sininhos, geralmente decorados com cores e temas pascais, além de algumas velas, espigas de trigo e em alguns locais algumas flores de girassóis. O significado geral é o anúncio de uma festividade, de grande alegria. No domingo da Santa Páscoa, os sinos das igrejas devem dobrar festivamente, anunciando com alegria a celebração da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa redenção. As velas representam a luz de Cristo representada nas igrejas pelo Círio Pascal. Nosso Senhor Jesus Cristo disse que Ele é a luz do mundo e que quem o seguir não andará em trevas. Na noite anterior ao Domíngo de Páscoa, o Sábado Santo, uma grande vela denominada Círio Pascal é acessa. Nesse Círio estão cravados cinco pregos representativos das cinco chagas de Cristo, as letras gregas Alfa e Ômega (respectivamente primeira e última do alfabeto grego), simbolizando Deus mesmo como princípio e fim de todas as coisas, e o ano em que foi aceso e celebrada a Santa Páscoa.

Cristo é a luz do mundo!

E, na medida em que o Círio representa a Luz de Cristo, o girassol por sua vez representa o católico. O girassol é uma bela flor de cor amarela, formada por muitas pétalas, e de tamanho realmente muito grande. Como é óbvio, recebeu esse nome porque está sempre se voltando para o sol. O girassol representa a busca da luz que é o próprio Cristo Jesus e, assim, tal qual ele busca o astrorei, o católico busca a Cristo, luz do mundo; Caminho, Verdade e Vida.

Dito isso, podemos verificar verdadeiramente que Jesus de Nazaré é de fato o Cristo prometido e que a celebração da Santa Páscoa conserva um simbolismo próprio e condizente com esta realidade. Que Deus nos favoreça a todos com Sua imensa misericórdia. Tenhamos todos, se Deus quiser, mais uma Santa Páscoa. Vinde sem demora Senhor Jesus!

VIVA CRISTO REI! SALVE MARIA!
Fonte:

domingo, 17 de abril de 2011

Semana Santa: Domingo de Ramos

Uma grande multidão que viera para a festa aclamava Jesus Cristo: Bendito o que nos vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!

Com os anjos e as criaturas proclamemos nossa fé e aclamemos Jesus Cristo, vencedor da própria morte: "Hosana nas alturas!"

Bendito o que nos vem em nome do Senhor! Na terra, paz aos homens.
No céu, glória ao Senhor!

Com palmas refulgentes honremos Deus que vem! Acorramos-lhe ao encontro com hinos e canções, aclamando alegremente: Bendito sois, Senhor!
 


Domingo de Ramos, com hosanas, saudações e louvores, prefigura a vitória de Cristo sobre a morte e o pecado. É o portal de entrada para a Paixão de Cristo: a Semana Santa inicia-se com ele. Que lições ele nos traz? Que frutos e graças dele podemos tirar?

O Domingo de Ramos é a comemoração litúrgica que recorda a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém onde Ele iria celebrar a Páscoa judaica com seus discípulos.

Ele é o portal de entrada da Semana Santa. É no Domingo de Ramos que se inicia a Semana da Paixão. É o dia em que a Igreja lembra a história e a cronologia desses acontecimentos para dele tirarmos uma lição.

Um Rei entra na cidade montando um jumento

Já desde a entrada da cidade, os filhos dos hebreus portavam ramos de oliveiras e alegres acenavam com eles, estendiam mantos no chão para Jesus passar sobre eles.

Jesus entrou na cidade como Rei!

Até parece que era um desejo d'Ele que fosse assim, pois, a cena em que tudo transcorre reproduz a profecia de Zacarias: o rei dos judeus virá. Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta.(Zc 9,9)

Embora Jesus montasse um simples jumento, o cortejo caminhava, alegre e digno. Na expectativa de estar ali o Messias prometido, Jerusalém transformou-se, era uma cidade em clima de festa.

E Ele era aplaudido, aclamado pelo povo: "Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas".

Isto aconteceu alguns dias antes de que Jesus fosse condenado à morte, quando os ecos dos gritos de "hosana" já se misturavam ao clamor de insultos, ameaças e blasfêmias que o levariam a sua Paixão redentora.

Que tipo de Messias queriam aqueles judeus?

Da entrada festiva como rei em Jerusalém até o deboche da flagelação, da coroação de espinhos e da inscrição na cruz (Jesus de Nazaré, rei dos Judeus), somos levados a perguntar: Que tipo de rei aquele povo queria? E que tipo de rei era Jesus? Nosso Senhor era aclamado pelo mesmo povo que o tinha visto alimentar multidões. Era aplaudido por aqueles que o viram curar cegos e aleijados e, ainda há pouco, tinham presenciado a ressurreição de Lázaro.

Impressionada com tudo isso aquela gente tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos Profetas.

Mas, aquele povo era superficial e mundano, julgava que Jesus fosse um Messias político, um libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão. E nisso estavam equivocados, enganados: Ele não era um Rei deste mundo!

Seus corações apreciavam Jesus de modo incompleto

A entrada de Jesus em Jerusalém foi uma introdução para as dores e humilhações que logo Ele sofreria abundantemente: a mesma multidão que o homenageou movida por seus milagres, virou-lhe as costas e pediu sua morte.

No Domingo de Ramos fica patente como o povo apreciava Jesus de um modo incompleto. É verdade que O aclamaram, porém, Ele merecia aclamações incomensuravelmente superiores. Merecia uma adoração amorosa, bem diversa da que lhe foi dada!

No entanto, cheio de humildade, lá ia Nosso Senhor Jesus Cristo sentado num burrico, avançando em meio à multidão ruidosa, impulsionando todos ao amor de Deus.

Só uma pessoa O entendeu naquela hora

Em geral, as pinturas e gravuras apresentam Nosso Senhor olhando pesaroso e quase severo para a multidão. Para Ele, o interior das almas não oferecia segredo. Ele percebia a insuficiência e a precariedade daquela ovação.

Apenas uma pessoa percebia o que estava acontecendo com Jesus e sofria com Ele. E essa pessoa oferecia sua dor de alma como reparação de seu amor puríssimo a Nosso Senhor: era Nossa Senhora.

Mas, ...que requinte de glória para Nosso Senhor! Era o maior deles porque Nossa Senhora vale incomparavelmente mais do que toda a Criação.

Naquelas circunstancias, Maria representava todas as almas piedosas que, meditando a Paixão de nosso Salvador, haveriam de ter compaixão e pena d'Ele. Almas que lamentariam não terem vivido naquele tempo para poderem, então, ter tomado posição ao lado de Jesus.

Domingo de Ramos em minha vida?

Existe um defeito que diminui a eficácia das meditações que fazemos.

Este defeito consiste em meditar os fatos da vida de Nosso Senhor e não aplicá-los ao que sucede em nós ou em torno de nós.

Assim, por exemplo, a nós espanta a versatilidade e ingratidão dos judeus que assistiram a entrada de Jesus em Jerusalém. Nós os censuramos porque proclamaram com a mais solene recepção o reconhecimento da honra que se deveria ter ao Divino Salvador e, pouco depois, O crucificaram com um ódio tal que a muitos chega a parecer inexplicável.

Essa ingratidão, essa versatilidade para mudanças de opinião e atitudes não existiram apenas nos homens dos tempos de Nosso Senhor!

A atitude das pessoas contemporâneas de Jesus, festejando sua entrada em Jerusalém e depois abandonando-O à mercê de seus algozes, assemelha-se a muitas atitudes que tomamos.

Muitas vezes louvamos a Cristo e nos enchemos de boas intenções para seguir os seus ensinamentos, porém, ao primeiro obstáculo, nos deixamos levar pelo desânimo, ou pelo egoísmo, ou pela falta de solidariedade e, mais uma vez, por esse desamor, alimentamos o sofrimento de Jesus.

Ainda hoje, no coração de quantos fiéis, tem Nosso Senhor que suportar essas alternativas, essas mudanças que balançam entreadorações e vitupérios, entre virtude e pecado?

E estas atitudes contraditórias e defectivas não se passam apenas no interior de alma de cada homem, de modo discreto, no fundo das consciências:

Em quantos países essas alternações se passam e Nosso Senhor tem sido sucessivamente glorificado e ultrajado, em curtos intervalos espaços de tempo?

Uma perda de tempo: não reparar as ofensas a Nosso Senhor

É pura perda de tempo nos horrorizarmos exclusivamente com a perfídia, fraude e traição daqueles que estavam presente na entrada de Jesus em Jerusalém.

Para nossa salvação será útil refletirmos também em nossas fraudes e defeitos. Com os olhos postos na bondade de Deus, poderemos conseguir a emenda e o perdão para nossas próprias perfídias.

Existe uma grande analogia entre a atitude daqueles que crucificaram o Redentor e nossa situação quando caímos em pecado mortal.

Não é verdade que, muitas vezes, depois de termos glorificado a Nosso Senhor ardentemente, caímos em pecado e O crucificamos em nosso coração?

O pecado é um ultraje feito a Deus. Quem peca expulsa Deus de seu coração, rompe as relações filiais entre criatura e Criador, repudia Sua graça.

E é certo que Nosso Senhor é muito ultrajado em nossos dias.

Não pelo brilho de nossas virtudes, mas pela sinceridade de nossa humildade nós poderemos ter atitudes daquelas almas que reparam, junto ao trono de Deus, os ultrajes que a cada hora são praticados contra Ele.

As lições do Domingo de Ramos nos convidam a isso.


Autor: João Guimarães

sábado, 16 de abril de 2011

S.S. Bento XVI comemora 84 anos

 Ad multus annos!


VATICANO, 16 Abr. 11 (ACI) .- O Papa Bento XVI celebra hoje, dia 16 de abril seu aniversário número 84 e embora não haja nenhuma atividade pública oficial programada no Vaticano, as mostras de carinho chegam há vários dias à Santa Sé.

Um dos meios mais usados é o correio eletrônico benedict.xvi@vatican.va difundido anos atrás pela Santa Sé como conta oficial para enviar mensagens ao Pontífice.

O Santo Padre cumpriu hoje uma jornada de trabalho na qual recebeu entre outras personalidades, a nova embaixatriz da Espanha ante a Santa Sé, María Jesús Figa, que lhe apresentou suas cartas credenciais.

Amanhã, o Papa presidirá na Praça de São Pedro do Vaticano a procissão das palmas e ramos de oliveira e presidirá a Missa solene das Palmas e da Paixão do Senhor pelo Domingo de Ramos.

Este novo ano de vida estará marcado por quatro viagens fora da Itália que se unirão às outras 18 feitas desde que iniciou seu Pontificado e cerimônias históricas como a beatificação de seu antecessor João Paulo II prevista para o dia 1º de maio.

Em junho chegará à Croácia, em agosto viajará à Espanha para presidir pela terceira vez a Jornada Mundial da Juventude, que este ano será celebrada em Madri. Além disto, em setembro cumprirá sua terceira viagem à Alemanha, seu país natal, e em novembro chegará ao Benin, em sua segunda viagem à África.

Breve biografia

Joseph Aloysius Ratzinger nasceu em Marktl am Inn (Baviera, Alemanha), no dia 16 de abril de 1927. Seu pai, comissário de uma delegacia, provinha de uma antiga família de agricultores da Baixa Baviera. Passou a adolescência em Traunstein e foi chamado nos últimos meses do segundo conflito mundial nos serviços auxiliares anti-aéreos.

Desde 1946 a 1951, ano em que foi ordenado sacerdote (29 de junho) e iniciava sua atividade de professor, estudou filosofia e teologia na universidade de Munique e na escola superior de Filosofia e Teologia de Freising.

No dia 24 de março de 1977, Paulo VI o nomeou arcebispo de Munique e Freising. Em 28 de maio deste mesmo ano recebia a consagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano que assumiu o governo pastoral da grande diocese bávara depois de 80 anos.

Foi criado cardeal pelo Papa Paulo VI em 1977 e em 25 de novembro de 1981 foi nomeado por João Paulo II prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Pontifícia Comissão Teológica Internacional.

Foi eleito Pontífice no dia 19 de abril do ano 2005.