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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Para a Celebração do Natal


Durante o Advento, preparamo-nos para celebrar bem o Natal de Jesus. Em nós reavivar a certeza de que não estamos sozinhos no mundo. O Deus da esperança caminha conosco e conduz a história; também acompanha a nossa
vida pessoal e nos ajuda a superarmos os males e a alcançarmos a felicidade e a vida plena.

O Natal celebra na fé o fato mais extraordinário já acontecido entre nós: o Filho
de Deus se fez homem por meio da Virgem Maria, para santificar este mundo e nossas pessoas mediante o Mistério da sua admirável Encarnação. Nosso Deus é “Emanuel”, Deus conosco. Ele está no meio de nós!



Para a Celebração do Natal

- Na noite do Natal, antes da festa em família, reunir todos perto do presépio, ou no lugar preparado para acolher o Menino Jesus;

- Acender uma vela;

- Enquanto se canta um hino de Natal, uma criança ou uma jovem introduz a imagem do Menino Jesus e a coloca no presépio;

- Ler o Evangelho do nascimento de Jesus
(Lc 2,1-20);

- Em seguida, todos recitam a oração do Ângelus:

Voz 1: O Anjo do Senhor anunciou a Maria,
Voz 2: E ela concebeu do Espírito Santo.
Todos: Ave Maria...

Voz 1: Eis aqui a serva do Senhor,
Voz 2: Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
Todos: Ave Maria...

Voz 1: E o Verbo se fez carne,
Voz 2: E habitou entre nós.
Todos: Ave Maria...

Voz 1: Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
Todos: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas para que, conhecendo, pelo anúncio do Anjo, a encarnação de vosso Filho Jesus Cristo, cheguemos por sua paixão e cruz à gloria da ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Todos: Amém.

Todos: Glória ao Pai...


- Concluir a celebração com a seguinte oração, feita por todos:

Oremos: Senhor Deus, nosso Pai, que enviastes vosso Filho ao mundo para ser nosso Salvador, nós vos louvamos e glorificamos pela vossa misericórdia. Neste Natal, acolhemos mais uma vez a sua vinda entre nós. Abençoai a nós e a todas as famílias; dai a paz ao mundo, consolai os que sofrem, reavivai nossa esperança e fazei de nós mensageiros e testemunhas do vosso amor para nossos irmãos. Pelo mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Canto final: Noite feliz


A Solenidade do Natal é dia santo de guarda, assim como o dia 1º de janeiro (Santa Maria, Mãe de Deus).

O Natal cristão inclui a participação na Missa; esta é a melhor acolhida e homenagem ao “Deus-que-vem” ao nosso encontro.

Os cristãos devem se preparar para uma boa confissão e participar de ações de solidariedade porque, neste tempo, o natal é uma boa notícia para todos, especialmente para quem sofre.

No Natal, Deus nos dá de presente seu Filho único; partilhemos esta alegria com todos, especialmente em família, com os doentes e os pobres.


Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer

segunda-feira, 30 de maio de 2011

«MISSA É COMO UM POEMA, NÃO SUPORTA ENFEITE NENHUM»

Escritora brasileira defende resgate da beleza na celebração da liturgia

APARECIDA, domingo, 2 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- Ao defender o esmero com as celebrações litúrgicas e a beleza como uma «necessidade vital» que deve permeá-las, a escritora brasileira Adélia Prado afirma que «a missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum».

«A missa é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso», enfatiza.

Poeta e prosadora, uma das mais renomadas escritoras brasileiras da atualidade, Adélia Prado, 71 anos, falou sobre o tema da linguagem poética e linguagem religiosa essa quinta-feira, em Aparecida (São Paulo), no contexto do evento «Vozes da Igreja», um festival musical e cultural.

Ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado «há muitos anos». «Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão», disse.

«Olha, gente – comentou com um tom de humor e lamento –, têm algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar.»

Como um primeiro ponto a ser debatido, Adélia colocou a questão do canto usado na liturgia. Especialmente o canto «que tem um novo significado quanto à participação popular», ele «muitas vezes não ajuda a rezar».

«O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração», disse, citando o padre católico Max Thurian, que, observador no Concílio Vaticano II ainda como calvinista, posteriormente converteu-se ao catolicismo e ordenou-se sacerdote.

Adélia Prado reforçou as observações, enfatizando que «o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa».

Segundo a poeta, «a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição».

«Nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui», comentou.

«Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto». «Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério», disse.

De acordo com a escritora mineira (natural de Divinópolis), «muitos procedimentos nossos são uma tentativa de domesticar aquilo que é inefável, que não pode ser domesticado, que é o absolutamente outro».

«Porque a coisa é tão indizível, a magnitude é tal, que eu não tenho palavras. E não ter palavras significa o quê? Que existe algo inefável e que eu devo tratar com toda reverência.»

Adélia Prado fez então críticas a interpretações equivocadas que se fizeram do Concílio Vaticano II na questão da reforma litúrgica.

«Não é o fato de ter passado do latim para a língua vernácula, no nosso caso o português, não é isso. Mas é que nessa passagem houve um barateamento. Nós barateamos a linguagem e o culto ficou empobrecido daquilo que é a sua própria natureza, que é a beleza.»

«A liturgia celebra o quê?» – questionou –. «O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns.»

Segundo Adélia, o erro está na suposição de que, para aproximar o povo de Deus, deve-se falar a linguagem do povo.

«Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco», – disse –. «Não há ninguém que se acerca com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo».

«O próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério», enfatizou.

«Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério.»

Segundo a escritora brasileira, barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia «com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja».

«E está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o “Chefão”, “Aquele lá de cima”, o “Paizão”, o “Companheirão”.»

«Deus não é um “Companheirão”, ele não é um “Paizão”, ele não é um “Chefão”. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando», afirmou.

Para Adélia Prado, «linguagem religiosa é linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão».

Com esse espírito, enfatizou, «nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros».

Ao destacar que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado afirmou que a celebração da Eucaristia «é perfeita» na sua simplicidade.

«Nós colocamos enfeites, cartazes para todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha.»

«A arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade. Não precisa inventar nada, nada, nada», disse Adélia.

E encerrou declamando um poema seu, cujo um fragmento diz:

"Ninguém vê o cordeiro degolado na mesa,
o sangue sobre as toalhas,
seu lancinante grito, ninguém”.