segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo Antônio de Pádua: Martelo dos hereges

"Alegra-te, feliz Lusitânia! Salta de júbilo, Pádua ditosa! Pois gerastes para a Terra e para o Céu um varão que bem pode comparar-se com um astro rutilante, já que brilhando, não só pela santidade da vida e gloriosa fama de milagres, mas também pelo esplendor que por todas as partes derrama a sua celestial doutrina". (Papa Pio XII)


Santo Antônio, ora pro nobis!


O grande santo de Pádua - ou de Lisboa, sua cidade natal - embora com uma curta existência terrena, tornou-se um dos santos mais populares do mundo, sendo venerado tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Doutor da Igreja, Martelo dos Hereges, Doutor Evangélico, Arca do Testamento, Santo de todo o mundo são alguns dos títulos com que os Pontífices honraram aquele cuja vida foi, no dizer de um de seus biógrafos, "um milagre contínuo".
Santo Antônio nasceu em Portugal, na cidade de Lisboa, no fim do século XII, sendo a data mais mencionada nas biografias a de 15 de agosto de 1195. Seus pais, Martim de Bulhões e Tereza Taveira, eram muito religiosos e o educaram com muito carinho na religião cristã. Sobre a casa de seus pais, em Lisboa, foi erguida a Igreja de Santo Antônio, bem próxima à catedral de Santa Maria…Santo Antônio recebeu na pia batismal o nome de Fernando. Desde muito pequeno acompanhava os pais nas celebrações religiosas na Catedral. Ainda menino foi encaminhado para a escola dos Cônegos Regulares, onde recebeu boa formação humana e educação cristã aprimorada. A mãe teria consagrado o menino à Santíssima Mãe de Deus, desde os primeiros anos de vida. E ele foi crescendo em sabedoria e graça, servindo ao altar de Deus como acólito.(p.9 e p.14. Frei Paulo Back – Nova Trezena de Santo Antônio).



Aos 15 anos
Já aos 15 anos de idade, o jovem Fernando de Bulhões sentiu o desejo de buscar o caminho da vida religiosa. Foi aceito pelos cônegos regulares de Santo Agostinho, os frades agostinianos, no Mosteiro de São Vicente, em Lisboa. Jovem inteligente, durante dois anos recebeu destes frades excelente formação intelectual e religiosa. Como estava em sua cidade natal, recebia muitas visitas de amigos e familiares. Por esse motivo, pediu para ser transferido para Coimbra, para o Mosteiro de Santa Cruz, cerca de 200km de Lisboa. Permaneceu ali 8 anos, recebendo a mais sólida formação filosófica e teológica. (p.19. Frei Paulo Back – Nova Trezena de Santo Antônio).


Excelente pregador
A sólida formação que o jovem Fernando recebeu em Coimbra junto aos frades agostinianos, proporcionou-lhe a graça de poder receber a ordenação sacerdotal. Como padre, ele adquire uma grande familiaridade com a Sagrada Escritura. A inteligência e a facilidade que tinha para decorar textos dão a ele a capacidade de adquirir um conhecimento extraordinário da Bíblia Sagrada. Irá ser um grande pregador da palavra de Deus. A Igreja vai lhe confiar a difícil tarefa de pregar contra os erros dos hereges albigenses. A Ordem Franciscana vai fazer dele o primeiro grande professor de teologia e ele virá a ser chamado de “Arca do Testamento”. (p.25. Frei Paulo Back – Nova Trezena de Santo Antônio).
Chamado em sua própria época de “o martelo dos hereges” e “arca do testamento”, ele combateu heresias que contestavam o valor de toda a vida, a autoridade da Igreja e a própria natureza de Deus. Era eloqüente e eficiente na pregação da verdade para uma sociedade que em geral a ignorava. Além disso, não só proclamou o Evangelho, mas também o viveu plenamente, de modo que sua própria vida atestava a profunda verdade de suas palavras. (p.16. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Santo Antônio e a vocação franciscana
O modo de viver do Frades Menores suscitava admiração e estima junto aos habitantes de Coimbra e das cercanias. Todos, pequenos e grandes, queriam troc ar algumas palavras com eles para também contagiar-se com sua alegria. Fernando também havia se encontrado com eles, muitas vezes, pelos caminhos da cidade, e acolhera-os no mosteiro.
Tinha ouvido deles algumas das maravilhosas experiências vividas por Francisco de Assis: o convite que lhe fizera o Crucifixo de São Damião, para que lhe restaurasse sua igreja; o beijo no leproso; a renuncia à herança paterna diante do bispo; a escolha da pobreza evangélica, para assemelhar-se mais intimamente ao Cristo crucificado etc…(p.16.Giovanni M Colasanti. Antônio de Pádua. Um santo também para você.. Ed. Paulinas).
Todos os dias Francisco pregou aos frades e aos camponeses – senhoras e senhores que também vinham para ouvi-lo. “A luxúria deste mundo é curta, mas a punição que segue é infinita”, lembrou ele. “Os sofrimentos nesta vida são curtos, mas glórias na vida futura são infinitas. (p.80. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).
Quando o jovem Fernando era estudante de Teologia, em Coimbra, ele conheceu os filhos de São Francisco que morava no convento de Santo Antão de Olivas, muito próximo ao seu mosteiro. Em fevereiro de 1220, Fernando fica sabendo que os frades menores que tinham ido pregar missões em Marrocos haviam sido martirizados.
Os restos mortais dos Franciscanos foram velados na capela do Mosteiro da Santa Cruz. Fernando decide ser franciscano também. E em 1221 ele é admitido na Ordem Franciscana, recebendo o nome de Frei Antônio e vestindo o hábito de São Francisco, com o grande sonho de poder morrer mártir também. (p.30. Frei Paulo Back – Nova Trezena de Santo Antônio).


Pregação aos Peixes em Rimini

“Então eu disse coisas que vocês não querem ouvir,” reverberou a voz de Antônio acima da multidão em dispersão. O frade levantou os olhos para o céu e fez uma brevíssima pausa. Então pulou da rocha e encaminhou-se para o rio.
“Ouçam a palavra de Deus, vocês, peixes do mar..já que os hereges não a querem escutar…Meus irmãos peixes, vocês devem muitíssimo, na medida em que são capazes, agradecer a seu Criador por ter lhes dado um elemento tão nobre no qual viver….água salgada. Deus deu-lhes muitos abrigos contra as tempestades e alimento que podem viver.”
… “Deus, seu amável e gentil criador, quando criou vocês ordenou-lhes que crescessem e se multiplicassem. Ele lhes deu sua benção. Quando o grande dilúvio engoliu todo o mundo e todos os outros animais foram destruídos, Deus preservou somente vocês sem dano ou prejuízo…
…A vocês, Deus deu a ordem de preservar Jonas, que havia sido jogado no mar, e, depois de três dias, um de vocês o lançou para a praia são e salvo. Um de vocês manteve em sua boca o tributo de que nosso Senhor Jesus Cristo necessitava, o qual ele, pobre e humilde, não poderia pagar se vocês não lhe tivessem dado a moeda. Vocês foram a comida do Rei  eterno, Cristo Jesus, antes da Ressurreição e, de novo, depois dela,…quando nosso Senhor…comeu peixe na praia com seus apóstolos. Por todos esses favores, vocês devem louvar e bendizer a Deus que lhes concedeu tantos benefícios.”
Benedetto não sabia para onde olhar. Para a praia, onde a multidão volúvel estava começando a se movimentar em direção ao sacerdote. Para a água, que estava cintilando com fileiras de peixinhos…Ou para Antônio, cujo olhar passeava, de um lado para o outro, sobre as ondas mansas como se estivesse exortando criaturas racionais a louvar a Deus.
“Bendito seja o Deus eterno, pois peixes da água honram-no mais do que pessoas que negam sua doutrina. Os animais irracionais escutam mais prontamente a palavra de Deus do que a humanidade sem fé.”
…Minha gente boa e meus queridos peixes, obrigado por ouvirem com o coração. Voltem agora em paz para casa.”
As águas movimentaram-se e borbulharam. Quando Benedetto enxugou os olhos e conseguiu enxergar de novo, a superfície do rio estava coberta de círculos que rapidamente se ampliavam onde milhares de peixes tinham mergulhado sob as ondas.
Fonte: (p.117-121) Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Milagre Eucarístico em Rimini

Santo Antônio, durante uma pregação na cidade de Rimini (Itália), foi envolvido numa disputa com uns hereges, que negavam a presença real de Jesus na Eucaristia e que pretendiam ver uma prova irrefutável disso.Um dos hereges, de nome Bonovillo, disse-lhe: ‘Não acredito que a Hóstia seja o Corpo de Cristo! Mas quero desafiar-te, ó frade: se a minha mula se ajoelhar diante da Hóstia, então acreditarei’. ‘Aceito o desafio’ – respondeu Santo Antonio – ‘Daqui a três dias, trarás a mula a esta mesma praça, diante do povo. Eu trarei a Eucaristia e o animal ajoelhar-se-á diante do Pão consagrado.’
O herético aceitou, dizendo: ‘Está bem. Vou manter a mula fechada e em jejum estes três dias. Depois trazê-la-ei aqui, à presença de todos os habitantes, e apresentar-lhe-ei a cevada.
E tu apresentar-lhe-ás a Hóstia, que dizes que é o Corpo do Homem-Deus. Se a mula ignorar a cevada e se ajoelhar diante da Hóstia, far-me-ei católico’. Santo Antônio retirou-se para o convento e durante aqueles dias dirigiu-se ao Senhor com a oração e o jejum. No dia estabelecido, Santo Antônio apresentou-se com o Santíssimo Sacramento. À vista do Santo que avançava, um profundo silêncio estendeu-se por toda aquela multidão. Então Santo Antônio, em voz alta ordenou à mula: ‘Em nome do teu Criador, que trago vivo, verdadeiro, real e substancial nas minhas mãos, embora indignamente, ordeno-te, ó mula, que venhas já ajoelhar-te diante d´Ele, a fim de que estes hereges reconheçam que toda a criação é submissa e obediente ao Cordeiro que Se imola sobre os nossos altares’. O herético suava frio, gritando com a besta e tentando-a com o seu alimento preferido. Mas o animal, recusando a cevada do patrão, aproximou-se docilmente do religioso: dobrou as patas anteriores diante da Hóstia e assim ficou. O herético veio então lançar-se aos pés de Santo Antônio, confessando publicamente o seu erro e, a partir daquele dia, tornou-se um dos mais zelosos colaboradores do Santo. Toda a sua família entrou também com ele no seio da verdadeira Igreja e ele, no ardor do seu reconhecimento para com Deus, fundou com o seu dinheiro uma igreja dedicada ao Príncipe dos Apóstolos, São Pedro. (p.41.Giovanni M Colasanti. Antônio de Pádua. Um santo também para você.. Ed. Paulinas).


Natureza de Jesus
A natureza divina vem do Pai celestial; a natureza humana de sua mãe terrena.
(p.137. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Contra a usura
“São Mateus o diz bem. ‘Espaçoso é o caminho que leva a perdição’. Quem  vai por este caminho? Certamente, não os pobres de Cristo que entram pela porta estreita. O caminho para a destruição é um mar imenso pelo qual nadam os usurários a caminho do inferno. Essas pessoas gananciosas abundam em todo o oceano, tendo o mundo em seu poder.”…Os pobres de Bolonha estavam na miséria por causa da usura. Trapaceiros emprestavam dinheiro aos necessitados a trinta cinqüenta e até oitenta por cento de juros. Como os pobres definhando em miséria, poderiam pagá-lo de volta? Ás vezes, em desespero, os tomadores de empréstimo contratavam assassinos para matar os homens a quem deviam dinheiro…os usurários engordavam e bebiam vinhos finos que bem poderiam ter sido feitos com o suor e sangue dos destituídos…Essas pessoas miseráveis não se preocupam nem um pouco com as realidades da vida. Jamais pensam como entraram neste mundo completamente nuas, nem pensam que vão sair dele enroladas em alguns trapos. Como entraram na posse de tantas coisas? Antônio fez uma pausa. “Por meio de roubo e logro…Portanto, levantem os olhos..não temam…se levantarem os olhos e reconhecerem seus pecados, ‘certamente viverão e não morrerão’. (p.148-149;p.151. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Santo Antônio confessava mendigos
As confissões continuariam até que o último mendigo foi absolvido.
(p.153. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Oração pedindo intercessão à Nossa Senhora
“Oramos a ti, Nossa Senhora, nossa esperança. Somos jogados de um lado para o outro pela tempestade dos mares da vida. Que tu, Estrela-do-Mar, nos ilumine e conduza para nosso porto seguro. Assiste-nos com tua presença protetora quando estivermos prestes a partir desta vida, para que mereçamos deixar esta prisão sem medo e alcançar alegremente o reino do júbilo sem fim. Esperamos receber esses favores de Jesus Cristo, a quem tu carregaste em teu ventre bendito e alimentaste em teu santíssimo seio. A ele seja dada toda honra e glória, para todo o sempre. Amém.” (p.160. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Importância de ser verdadeiro
Não temas as pessoas, padre. A verdade não deve ser abandonada por se temer oposição. Por temerem oposição, os pregadores cegos ficaram sujeitos à cegueira da alma. São ‘cegos guiando cegos’. Alguns homens ricos dão a pregadores o esterco de bens terrenos para escapar de repreensões. No entanto, padre, peço-lhe que seja um pregador autêntico que não dá importância alguma a prata e ao ouro. (p.162. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Importância de ser afável
Um pregador deve ser afável, tratando as almas arrependidas e humildes com compaixão e misericórdia. Assim, quando você pregar a palavra de Deus, pregue com determinação e firmeza para tocar o coração de seus ouvintes. Entretanto, se esses ouvintes proferirem insultos e afrontas contra você, permaneça gentil, clemente e amistoso. (p.163. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Após a benção no lago as rãs ficam silenciosas
Antônio tinha abençoado a água de um lago e pedido às rãs barulhentas que estavam ali que fizessem silêncio. Depois disso, elas jamais tinham voltado a coaxar. (p.183. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Temperança
Com um irmão caído, precisamos nos mostrar nem demasiadamente afáveis nem demasiadamente duros, nem brandos como carne nem duros como osso; nele, temos de amar nossa própria natureza humana, enquanto odiamos sua falha. (p.187. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


A importância do bom testemunho
Quando os dois chegaram aos subúrbios da cidade, Antônio comentou: “Acabamos de pregar um bom sermão meu rapaz”. O comentário surpreendeu o noviço. “Mas não dissemos coisa alguma”.
“Nossas maneiras pacíficas e nossa aparência modesta foram um sermão para as pessoas que nos viram. Muitas vezes o ser pode influenciar mais do que o falar. (p.187. Madeline Pecora Nugent. Antônio, Palavras de fogo, vida de luz. Ed.Paulinas.2008).


Santa pobreza

“Ó valor inestimável da pobreza! Quem não a tem não possui coisa alguma, mesmo que possua tudo. Que alegria há em você! Pois, quando somos pobres e humildes, esvaziamos a nós mesmos de tudo que possuímos. Então ficamos ocos, podendo conter tudo que seja derramado em nós. Em nós, ó Deus, derrama uma infusão de graça divina até transbordarmos de alegria”. (Santo Antônio). “Senhor, faze com que eu não tenha coisa alguma, para que tenha tudo que és tu”, sussurrou o noviço. (p.193. Madeline Pecora Nugent…);


Importa que eu diminua e Deus cresça
“A Igreja foi confiada a Pedro por Cristo, com as palavras: ‘Apascenta minhas ovelhas’. Não uma vez, mas três vezes. Nem uma vez sequer Ele disse a Pedro para tosquiá-las ou tosá-las. É como se Jesus dissesse: ‘Se tu me amas por causa de mim mesmo, apascenta minhas ovelhas, não tuas ovelhas, mas as minhas. Procura minha glória entre elas, não a tua; meu ganho, e não o teu, pois o amor de Deus é provado pelo amor ao próximo. (p.202. Madeline Pecora Nugent…);


Oração
“Ó Luz do mundo, Deus infinito, Pai da eternidade, Doador de sabedoria e conhecimento, e inefável Concessor de toda graça espiritual, tu conheces todas as coisas antes que sejam feitas. Tu, que crias as trevas e a luz, estende tua mão e toca minha boca. Torna-a como uma espada afiada para proferir eloqüentemente tuas palavras. Torna minha língua, ó Senhor, como uma seta escolhida para declarar fielmente teus prodígios. Coloca teu Espírito, ó Senhor, em meu coração para que eu perceba. Coloca-o em minha alma para que eu o conserve na memória. Coloca-o na minha consciência para que eu medite. Se forma amorosa, santa, misericordiosa, clemente e gentil, inspira-me com tua graça. (p.204. Madeline Pecora Nugent…);
Conselho ao herege sincero
Muitas vezes acontece que pessoas sinceras estão sinceramente equivocadas. (p.217. Madeline Pecora Nugent…);


Chagas de Jesus
Cristo mostrou suas chagas para gravar em nosso coração os sinais de seus sofrimentos; e, quarto, para evocar em nós compaixão, de modo que não o crucificássemos de novo com os cravos de nossos pecados….Cristo mostra-nos as chagas em suas mãos, seus pés e no seu lado e diz: ‘Vejam as mãos que criaram e formaram vocês; vejam como foram perfuradas por cravos… “Quando nosso Senhor mostrou aos apóstolos as chagas em suas mãos, seus pés e na lateral de seu corpo, ele repetiu: ‘A paz esteja convosco’. Somente se mantivermos em nosso coração a memória das chagas de Cristo e ouvirmos suas palavras, encontraremos a verdadeira paz de coração. (p.220. Madeline Pecora Nugent…);


Santo Antônio e o menino Jesus

O barão abriu os olhos e ergueu a cabeça. Levantou-se e sacudiu um joelho e então o outro, para afastar a rigidez que os acometera…o corredor que levava aos seus aposentos estava fracamente iluminado com uma única tocha no centro. Junto ao quarto do barão havia um quarto de hóspedes em que Antônio estava alojado. Os superiores de Antônio tinham-no instruído a escrever seus sermões da Páscoa para que outros sacerdotes pudessem usá-los…Por isso, o barão esperava ver…a luz de vela sob a porta de Antônio. Em vez disso, o que ele notou foi um brilho intenso. Ao mesmo tempo, ouviu o balbucio de uma criança no quarto….nenhum dos servos da casa tinha criança pequena…a essa altura, a criança estava dando risadinhas…o barão inclinou-se e espiou pelo buraco da fechadura…Antônio estava banhado por uma luz, que vinha de uma criancinha…sentada um pouco oscilante sobre o livro mais grosso. Enquanto o barão observava, o frade segurava as mãos na frente da criança, seus dois dedos indicadores estendidos para o bebê. A criança levantou as mãos e agarrou um dedo com cada uma das mãozinhas…com a ajuda do sacerdote, pôs-se na ponta dos pés. As pernas do garotinho subiam e desciam, enquanto ele ria…O sacerdote virou o rosto para a porta, pois a criança subitamente estendeu os braços exatamente na direção do senhor do castelo. Enquanto o garotinho fazia isso, quase caindo dos braços do sacerdote, o barão curvou a cabeça em espanto por uma fração de segundo. Quando ergueu os olhos de novo, os braços de Antônio estavam vazios…O barão curvou a cabeça e ajoelhou-se. Estava espantado demais, comovido demais, com profunda alegria, até para chorar….”Meu senhor”, disse o frade suavemente, “Cristo permitiu que você o visse e recebesse sua mensagem.(p.230-233. Madeline Pecora Nugent…);
O notário…ao dobrar a rua, viu um frade de túnica cinza que não lhe era familiar caminhando em sua direção. Quando o notário chegou perto, o frade olhou para ele, então se ajoelhou e baixou a cabeça até o chão. O notári continuou a cavalgar. O novo frade deve pensar que sou um rei, pensou ele. Poucos dias depois, o notário vo0ltou a se encontrar com o frade. Dessa vez, o notário estava cambaleando, meio bêbado, saindo da taverna local com uma das prostitutas da cidade pendurada em seu braço. De novo Antônio ajoelhou-se e curvou a cabeça até o chão.
No dia seguinte, quando a mente do notário ficou lúcida, ele pensou no segundo ato de reverência do sacerdote. Talvez esteja zombando de mim. Mais duas vezes aconteceu este mesmo tipo de incidente. O notário começou a se sentir constrangido. Observava por onde caminhava ou cavalgava e, se via algum frade de túnica cinza na mesma rua, tomava outro rumo….O notário estava cavalgando pela praça cheia de gente, quando, ao contornar a tenda de um agricultor, defrontou-se com Antônio. De novo, o padre ajoelhou-0se e curvou-se.
Enquanto duas jovens senhoras elegantemente sufocavam o riso, o notário falou rispidamente; “Padre, eu deveria golpeá-lo com a espada para punir a zombaria….Por que se curva diante de mim e me faz de bobo publicamente?…Antônio ergueu a cabeça e olhou para o notário, mas não se levantou. Ó irmão, você não sabe a honra que Deus reservou a você. Tornei-me um pobre irmão menor de Francisco, porque desejava ser um mártir para a glória de Deus…Entretanto, Deus revelou-me que, um dia, você alcançará o sonho que eu tinha para mim mesmo.
O notário começou a gargalhar. “Que coisa mais ridícula”.
“Quando sua hora bem-aventurada chegar, peço-lhe que se lembre de mim”. Padre, você está enganado”. O notário cuspiu o rosto do frade, que estava erguido para ele, e esporeou seu cavalo.(p.243). “Que Deus o abençoe exclamou Antônio. E quando chegar sua hora lembre-se de mim.
…A conversão viera lentamente, como o gotejar incessante de uma água produzindo uma marca em uma pedra.Depois do Batismo de Filipe, o notário começou a ter dificuldades para dormir; imagens perturbavam-no. Imagens de sua infância, de sua fé, de padre Antônio…Uma manhã quando os pássaros cantavam…ele parou o cavalo junto a um córrego cristalino e rezou enquanto o animal bebia sedentamente. Senhor, se tu realmente existes, mostra-me o que devo fazer. Todo dia, durante uma semana, cavalgou  para o mesmo lugar e fez a mesma oração. Então o bispo foi para Puy-em-Velay e pregou palavras de fogo às pessoas. Exortou a se unirem a ele em uma cruzada à Terra Santa para converter os sarracenos à verdadeira fé em Cristo…As pessoas que morressem lá na causa de Cristo, dizia o bispo, podiam ter a certeza de que iriam para o céu. Esta era sua resposta – uma oportunidade para obter a remissão de seus pecados. No fundo de sua alma ele sabia que não retornaria da terra santa…No caminho para lá, na missa diária e em oração, sua fé cresceu e aprofundou-se…Quando o grupo de cavaleiros e crentes cristãos chegou a Jerusalém, o bispo começou a pregar….falou aos seguidores de Maomé sobre sua própria vida e sua maldade e proclamou a grandeza de Cristo como verdadeiro Filho de Deus…Todos foram torturados e todos iriam morrer…Com uma prece pelo sacerdote em seus lábios, foi lançado sobre a areia. Alguém empurrou um CEP de madeira para debaixo de seu pescoço. Senhor abençoa o sacerdote. Abençoa a missão dele, orou ele enquanto ouvia o movimento de uma espada impelida em direção ao seu pescoço. (p.237-248. Madeline Pecora Nugent…);


Sabedoria
“Mesmo que as tentações da carne e a impureza sejam fortes, a verdade de Cristo é mais forte e vence todos esses pecados.” Cristo é vida para as pessoas sem vida. ‘(p.268. Madeline Pecora Nugent…);


É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha…
“Havia uma porta EM Jerusalém chamada de ‘buraco da agulha’. Era tão estreita que um camelo não conseguia passar por ela, pois o camelo é um animal orgulhoso e altivo. Ele se recusava a se abaixar o suficiente para passar pela porta. Essa porta é o Cristo humilde. Os orgulhosos e avarentos, aqueles que carregam falsas pretensões e riquezas, não podem entrar por essa porta.  Os que desejam entrar têm de se humilhar curvando-se. Têm de se ajoelhar diante de Cristo, o mais humilde de todos, e admitir seus pecados. Então entrarão pela porta e serão salvos, contanto que perseverem.”…Louvor a ti, meu Senhor Cristo, ‘o caminho, a verdade e a vida’, ‘a porta’ através da qual o pecador humilde pode entrar no reino de Deus. Amém.”(p.269-270. Madeline Pecora Nugent…);


A comida envenenada
As conversões que as pregações de Antônio operavam, um pouco em toda parte, suscitavam raiva e desejo de vingança entre os chefes das seitas heréticas. Nos debates públicos, não conseguiam derrubá-lo nem fazê-lo calar…Pensaram então, em matar frei Antônio…envenená-lo… Certo dia, um pequeno grupo de hereges cultos fingiu pedir esclarecimentos a frei Antõnio, sobre algumas dúvidas a respeito da bondade de Deus. Como eram muito ocupados e não dispunham de muito tempo suplicaram a Antônio para que viesse tomar a refeição junto com eles, assim poderiam conversar…Quando a conversa já estava ao auge, serviram a Antônio uma perdiz. Essa- disse o dono da casa – mandei preparar só para você…Frei Antônio olhou-a atentamente; depois, como se estivesse sido iluminado do Alto, disse: -Mas por que desejam envenenar-me?…os hereges empalideceram…até que um deles..disse…-Olhe, Pai! Não tínhamos a intenção de fazer-lhe mal. Só queríamos saber se realmente Jesus falava a verdade, quando dizia que, se seus discípulos bebessem ou comessem algo envenenado, não lhe faria mal algum. (p.42-43.Giovanni M Colasanti. Antônio de Pádua. Um santo também para você.. Ed. Paulinas).
Então, mantendo sua mão direita acima do trigo envenenado, ele fez o sinal da cruz. Apanhou sua colher, mergulhou-a na comida e então levou-a a boca….O sacerdote engoliu uma colherada e então outra. “Você deve dizer ao cozinheiro-chefe para envenenar mais a comida…jamais saboreei algo tão gostoso….No final, o conde Silvestro e vários outros crentes tinham prometido voltar à Igreja Católica. .”(p.323. Madeline Pecora Nugent…);


Conhecimento de si mesmo
Jamais podemos conhecer a verdade sobre Cristo a não ser que saibamos a verdade sobre nós mesmos. Nosso valor provém não de nós mesmos, pois somos apenas humildes animais, mas do fato de , como o asno do Domingo de Ramos, estamos carregando Cristo. Se nos virmos dessa maneira, um dia Cristo, nossa verdade, nos dirá em seu eterno banquete: ‘Meu honesto e humilde amigo, venha mais para cima”. (p.388. Madeline Pecora Nugent…);


Humildade
Assim como todos os vícios dependem do orgulho, pois este é o início de todo pecado, a humildade é a mãe e a raiz de todas as virtudes. Deus resiste ao orgulhoso, mas mostra-se ao humilde e usa-o. (p.388. Madeline Pecora Nugent…);
“A verdadeira humildade não pode sofrer nem dor por causa de alguma injustiça nem rancor por causa da boa sorte de outra pessoa.” (p.389. Madeline Pecora Nugent…);


Contemplação
A oração dá-nos a graça de agir para Deus. Somente das alturas da contemplação podemos descer para instruir e trabalhar entre os fiéis, para mostrar em nossa própria vida o caminho da salvação. (p.390. Madeline Pecora Nugent…);


Não se preocupar com os bens temporais
“Se o espírito colocar de lado o cuidado ansioso com coisas temporais, jamais se aproximará de Deus. As pessoas que estão presas em infinitas preocupações temporais fazem com que os fardos do pecado e o peso da preocupação com o mundo alcancem sua alma. As coisas temporais são como uma nuvem matinal. Não são absolutamente nada, no entanto, como uma nuvem, parecem ser algo. A nuvem matinal impede que vejamos o sol, e o excesso de bens temporais desvia a alma dos pensamentos de Deus. (p.423. Madeline Pecora Nugent…);


Cura
Um jovem chamado Leonardo tinha procurado Antônio para se confessar…Como fazia com todos os penitentes, Antônio tinha ouvido pacientemente, dado conselhos e a absolvição e enviado o jovem para casa. Não muito tempo depois, disseram a Antônio que Leonardo tinha cortado fora seu pé. Ele e Lucas foram às pressas para a casa do jovem…tomando o rosto de Leonardo em suas mãos, Antônio perguntou com a voz cheia de agonia: “Leonardo por que você fez isso? Padre, chorou o tremulo rapaz, ‘quando lhe contei que tinha chutado minha mãe, você disse que “Se o seu pé é ocasião de escândalo para você corte-o. É melhor você entrar para a vida sem um dos pés, do que ter os dois pés e ser jogado no inferno.”
…Por que você fez isso? Perguntou o santo – Não precisava cortar seu pé, bastava só controlar-se a si mesmo e dominar sua raiva….Leonardo, o corpo é o templo de Deus. Nunca, nunca o mutile.
Oh Leonardo, meu sincero penitente. Onde está o pé?
Antônio levantou a cabeça, seus olhos fechados abriram-se e um profundo suspiro escapou do seu peito. “Vamos rezar, Leonardo.” Durante longos momentos, os quatro na casa oraram em conjunto. Então Antônio levantou-se para ir embora. “Não remova a atadura durante muitas semanas. Continuarei a orar pela cura. Muitas semanas mais tarde, quando Leonardo removeu a atadura, o pé permaneceu preso. (p.439-440. Madeline Pecora Nugent…); (p.81-82.Giovanni M Colasanti. Antônio de Pádua. Um santo também para você.. Ed. Paulinas).


O verdadeiro pregador
“O pregador deve saber primeiro o quê, a quem e quando prega, e depois deve se perguntar se vive segundo aquilo que prega”…“Quem segue verdadeiramente Jesus deseja que todos o sigam.” (Nova Trezena de Santo Antônio. Frei Paulo Back, OFM. p.43).


Confissão
“Confesso-me a um homem, não como a um homem, mas como a Deus”. O sacramento da penitência é chamado ‘Casa de Deus’, porque os pecadores se reconciliam com Deus, como filho pródigo se reconcilia com o pai, que o acolhe novamente em casa. É também chamado de ‘porta do paraíso’ porque através da confissão o penitente é chamado a beijar os pés, as mãos e a face do Pai celeste.” (Nova Trezena de Santo Antônio. Frei Paulo Back, OFM. p.48).


Santo Antônio – Casamenteiro
Uma moça queria se casar, mas como era muito pobre, não tinha condições de alcançar seu objetivo. Pôs-se a rezar diante da imagem do santo, pedindo a graça. Caiu nas mãos da moça um bilhete, que dizia: “Vá até o comerciante mais rico da cidade e peça que ele lhe dê em ouro o equivalente ao peso do bilhete. Quando o comerciante colocou o bilhete na balança, o bilhete pesava tanto que a moça conseguiu a quantia que precisava para o seu casamento. O certo é que, em vida, Santo Antônio sempre se dedicou a ajudar os casais em crise a superar os momentos de conflito, a combater a imoralidade e o adultério. (Nova Trezena de Santo Antônio. Frei Paulo Back, OFM. p.66).

RCC

Achei interessante a reflexão e concordo muito com tudo isso que segue:

Eu e a Renovação
por ocampones
Como o profeta Jonas, a quem Deus ordenara que fosse para Nínive, sinto em mim mesmo um desejo incontrolável de partir na direção contrária. Deus mostrou-me um caminho, e todos os meus “ideais” mostraram-me outro. Foi no momento em que viajava, tão rapidamente quanto podia, na direção de Társis, a fim de afastar-se de Nínive, que Jonas foi lançado à água e engolido por uma baleia que o levou para o ponto que Deus lhe havia assinalado. (…)
O signo que Jesus prometeu à geração que não o compreendera foi o “signo de Jonas, o profeta” – isto é, o signo de sua própria ressurreição. A vida de todo monge, de todo sacerdote, de todo cristão, é marcada pelo signo de Jonas porque todos vivemos pelo poder da Ressurreição de Cristo. Sinto, porém, que minha vida está especialmente marcada por esse signo, que o batismo e a profissão monástica marcaram a fogo nas próprias raízes do meu ser, porque, como o próprio Jonas, me vejo viajando para meu destino no ventre de um paradoxo. (Thomas Merton, “O Signo de Jonas”)
Devo confessar que venho, já há algum tempo, sentindo-me insatisfeito com a espiritualidade e com a formação na RCC. A RCC vêm realmente se focando demasiadamente nos grupos de oração, nos carismas extraordinários, na evangelização querigmática, o que, de modo algum é mal, mas creio que se deveria aprofundar a tradição espiritual e mística da Igreja, incentivar os seus membros a se formarem, a estudarem, a mergulharem na Teologia, na Filosofia e redescobrirem os Padres, a Escolástica, etc.

A RCC é bem aplicada nas Sagradas Escrituras, mas é falha no estudo da Tradição e do Magistério. Isso a aproxima perigosamente do protestantismo:“Sola Scriptura!” Já ouvi, no âmbito carismático, interpretações da Sagrada Escritura totalmente alheias ao magistério católico. Coisas que beiram à livre interpretação. Grave. Mas, embora reconheça a influência protestante, posso garantir que a RCC é autenticamente católica. A RCC nasceu no contexto do Concílio Vaticano II, e isso já foi admitido inclusive pelo então cardeal Joseph Ratzinger, em seu livro-entrevista “O Sal da Terra” e no primeiro documento de Malines, para o qual foi consultor teológico. Além disso, o Cardeal Ratiznger também escreveu a apresentação à Edição italiana do 4º documento de Malines.

Relembro as origens católicas do movimento carismático com a Irmã Elena Guerra escrevendo (com grande ousadia!) ao Papa Leão XVIII várias cartas implorando para a Igreja uma renovação da devoção ao Espírito Santo; o Papa instaura a primeira novena “oficial” da Igreja, a Novena de Pentecostes, e se dedica a escrever sobre o Espírito Santo (inclusive uma encíclica, a “Divinum Illud Munus”) e consagra , no primeiro dia do século XX, este ao Espírito Santo. Neste mesmo dia, curiosamente, acontece o primeiro “batismo no Espírito Santo” e manifestação carismática do dom das línguas numa jovem protestante. Coincidência?

Para não pormenorizar, o Papa João XXIII, beatifica Elena Guerra (a primeira de seu pontificado) e logo no discurso da beatificação cunha a expressão “novo Pentecostes” e acaba convocando um concílio pedindo os ventos de um “Novo Pentecostes” (de novo!) para toda a Igreja. Logo após o fim do Concílio, surge a Renovação. E o resto é História.

Alguns pentecostais norte-americanos, vide o pastor Jackie Hayford, em seu livro “The Charismatic Century”, reconhecem que as origens do Pentecostalismo moderno se encontram em Elena Guerra e na Igreja Católica.

Apesar da influência protestante, especialmente em seus inícios, a RCC é essencialmente católica. Seus membros comungam, rezam o terço, fazem adoração eucarística, confessam-se com freqüência, reverenciam o Santo Padre, veneram os santos, enfim, são católicos.

O que penso é que a chegou a hora de a Renovação parar de olhar para si mesma, tornar a sua formação menos auto-referente (batismo no Espírito, histórico da RCC, carismas) e olhar para a Igreja. Repito: aprofundar-se na Tradição e no Magistério, estudar a História da Igreja, a mística católica, os Santos Padres, a Escolástica, descobrir os riquezas da cultura católica. A Renovação precisa se descobrir menos carismática e mais católica. O Santo Padre, numa recente catequese sobre São Boaventura, relembrou a necessidade de novos carismas, novos movimentos e novas comunidades , de acordo com a abertura dada pelo Concílio, mas que essas correntes de graça sejam canalizadas dentro de uma estrutura católica e respeitando a Tradição. Ou seja é a” hermenêutica da continuidade”, tão defendida pelo Santo Padre. A Renovação é “mais do mesmo”, por isso é católica! Ele vem trazer à tona a “beleza tão antiga e sempre nova” (Sto. Agostinho) da Igreja.

É interessante perceber que, muitos membros da RCC, especialmente jovens, buscando o aprofundamento que muitas vezes não encontram no movimento, tornam-se “tradicionalistas” ou vão beber na escola do Opus Dei (movimento muito aprecidado por mim). Lembro-me que, recentemente, um autor filo-tradicionalista escreveu um livro sobre – contra – o “dom de línguas”. Livro, aliás, muito bem escrito e fundamentado. Escrevi a várias lideranças da RCC, falando sobre o livro, pedindo que fosse estudado, pedindo que pudéssemos aprofundar o estudo dos carismas, de acordo com a tradição católica, não para dar resposta ao autor do livro, mas para que também pudéssemos ter uma fundamentação católica para a nossa experiência carismática. A repercussão do livro foi minimizada, ninguém estudou nada sobre o assunto e, só aqui em nosso vicariato (vicariato norte da diocese de Nova Friburgo), conheço dois casos de pessoas que entraram em crise com a Renovação por causa do livro. Assim vão os tradicionalistas e seus simpatizantes arrebanhando gente de dentro da Renovação por falta de formação.

Graças a Deus temos, na RCC, gente que luta por uma formação católica profunda dentro do movimento, como Padre Paulo Ricardo (que não é membro da Renovação), Professor Felipe Aquino e outros. No âmbito internacional, cito Fr. Raniero Cantalamessa e Fr. Daniel-Ange, que vêm lutando há anos para dar esse aprofundamento católico à RCC.

Eu enxergo, hoje, na RCC dois veios. Um mais americano, que é o protestantizado, que têm ênfase nos grupos de oração, carismas, evangelização querigmática, missas “animadas”, músicas sentimentais, dons extraordinários do Espírito Santo, que, infelizmente, para mim, é o modelo que mais se difundiu no Brasil, com raras exceções de algumas Novas Comunidades como a Shalom. O outro veio, europeu, é o mais católico, que é o modelo costumeiramente adotado pelas novas comunidades (Beatitudes, Emmanuel, Pain de Vie, Jeunesse-Lumiere, ect), que apela para uma volta às tradições, especialmente à patrística. E é interessantíssimo notar que a Igreja, na figura dos Pontíficies, tem olhado para o lado mais católico da RCC, não dando ênfase ao extraordinário, ao “otimismo carismático” (como diz o blogueiro Jorge Ferraz), mas à oração comunitária (João Paulo II sugeriu a Liturgia das Horas), à freqüência aos sacramentos, à consciência da vocação batismal, à devoção ao Espírito Santo, à Leccio, enfim, tudo o que conduz a um catolicismo ortodoxo e sadio. Estas características, onde a Igreja tem posto os olhos e incentivado o movimento, são a grande contribuição que a Renovação Carismática tem a oferecer ao mundo moderno.

Em recente carta ao Cardeal Cordes (que por ser do Pontifício Conselho para os Leigos, acompanhou a RCC por longos anos) por ocasião de seu 75º aniversário, o PapaBento XVI se expressou assim:
“Enquanto que os organizadores e os planificadores na Igreja tinham inicialmente muitas reservas em relação aos movimentos, logo soubeste acolher a vida que lá brotava – a força do Espírito Santo que dá novos caminhos e que de modo imprevisível sempre rejuvenesce a Igreja.
Reconheceste o caráter pentecostal desses movimentos e Te esforçaste com ardor para obter que fossem acolhidos pelos pastores da Igreja. Claro, no que se tratava da organização e da planificação, tinha-se com frequência muitas boas razões para escandalizar-se, porque brotavam coisas novas e imprevistas que nem sempre se deixavam levar sem dificuldades às formas organizativas existentes.
Percebeste que o que é orgânico é mais importante do que é organizado, viste que homens eram profundamente tocados pelo Espírito de Deus e que de tal modo cresciam formas novas de autêntica vida cristã e novos modos autênticos de ser Igreja. Claro, esses movimentos devem ser ordenados e reconduzidos ao interior da totalidade; devem aprender a reconhecer seus limites e a se tornarem parte da realidade comunitária da Igreja na sua constituição própria, junto com o Papa e com os Bispos. Precisam, portanto, de guia e também de purificação para poderem atingir a forma da verdadeira maturidade.
Todavia, os mesmos são dons dos quais precisa-se ser gratos. Não é mais possível pensar na vida da Igreja de nosso tempo sem nela integrar esses dons de Deus.”
A Renovação é de Deus. Não tenho nenhuma dúvida disso. Existe na Renovação Carismática uma corrente de graças que não se pode negar. Tenho divergencias com a parte “institucional” da RCC do Brasil. Mas não posso negar que a Renovação seja uma escola de vida batismal e que no ambiente carismático sinto-me em casa. Passei por uma fase de dúvidas e contestação, mas creio que minha vocação passa inevitavelmente pela experiência carismática. É maior do que eu. É uma vocação. Não fui eu quem escolhi, mas o proprio Senhor quem escolheu essa via para mim. É o signo de Jonas. Como Merton: “Viajo para meu destino no ventre de um paradoxo”.

domingo, 12 de junho de 2011

Pentecostes com Maria

Posto aqui uma carta dirigida aos missionários do Regnum Christi sobre Pentecostes.

Muito estimados em Jesus Cristo:
Estamos hoje celebrando a solenidade de Pentecostes, pedindo a Deus que esta efusão do Espírito Santo nos encontre bem abertos e dispostos, para que Ele possa renovar nosso coração e nos encher com seus dons. O amor de Deus foi derramado em nós pelo Espírito, como nos diz a Escritura, e este amor é o motor e o que dá sentido a toda nossa vida.
Uma das protagonistas do evento de Pentecostes é, sem dúvida, a Nossa Senhora, com quem os apóstolos perseveraram unidos em oração, na espera do Espírito Santo. Acabamos de celebrar o mês de maio, especialmente dedicado a Ela. E agora gostaria de retomar algumas reflexões sobre a relação de Maria com o Espírito Santo.
P. Álvaro Corcuera, L.C.
"Eu gostaria de convidá-los nesta solenidade para viver um especial espírito de oração e súplica, agarrados à mão de Maria."

É de grande ajuda contemplar Maria, que nos mostra, com o seu exemplo, como viver abertos às inspirações do Espírito Santo, como nos deixar guiar por Ele, como diz são Paulo: “todos os que são guiados pelo Espírito deDeus são filhos de Deus” (Rm 8,14). O evangelista Lucas nos narra que logo que Maria recebeu a inspiração de visitar sua prima, pegou a estrada ‘com prontidão’. Ela vivia cheia de Deus, escutava constantemente a sua voz e correspondia sempre com rapidez e docilidade. Vemo-la caminhando rumo à Ain Karin, dialogando com o ‘doce hóspede da alma’, como um templo vivo da presença de Deus no mundo.
Maria, cheia de graça, deixou que o Espírito fizesse grandes obras nela e através dela. Sua vida foi um canto de louvor a Deus. Ela esteve reunida com os apóstolos no cenáculo enquanto oravam suplicando a vinda do Paráclito, do Consolador que Jesus lhes havia prometido, aquele que os ia conduzir à verdade plena, que lhes ia explicar tantas coisas que Jesus não pôde dizer-lhes porque não podiam carregar o peso. Maria experimentou em si mesma a fecundidade e o poder do Espírito que havia coberto-a com sua sombra. Por isso esteve presente em Pentecostes e está sempre presente na Igreja que pede e suplica: “Vem Espírito Santo!”.
Eu gostaria de convidá-los nesta solenidade para viver um especial espírito de oração e súplica, agarrados à mão de Maria. Peçamos com insistência a Deus que infunda os dons do seu Espírito em cada um de nós, e em toda a Legião de Cristo e Movimento Regnum Christi. Nestes momentos tão particulares da nossa história, precisamos que o Espírito Santo nos leve a Jesus, que a Legião seja cada vez mais de Cristo; que o Movimento seja sempre de Cristo, só d’Ele. Agora que terminou a Visita Apostólica à vida consagrada e as comunidades de legionários estão imersos no processo de reflexão das Constituições, Deus pede que nos abramos ao seu plano, para que a Legião e o Regnum Christi sejam o que Deus quer. Como vai ficar tudo depois deste processo? Ninguém de nós tem a resposta, mas sabemos que Cristo Ressuscitado faz novas todas as coisas (cf. Ap 21, 5) e que em tudo Deus intervém para o bem dos que o amam (cf. Rm 8, 28).
Este processo exige de todos e de cada um de nós um grande desprendimento pessoal. É preciso aceitar que não temos todas as respostas, mas “o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza” (Rm 8, 26). Os dons do Espírito são tão maravilhosos que só um coração vazio de si mesmo pode recebê-los. Não se trata de pedir ao Espírito Santo que siga nossas ideias pessoais, e sim deixarmo-nos guiar por Ele para encontrar sua vontade. “Não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8, 26). Escrevia-nos o Delegado Pontifício, “em vez de criar contraposições para fazer triunfar a própria visão, é preciso que cada um olhe também aos outros e esteja aberto e disponível à avaliação dos outros. Da avaliação e contribuições de todos, estamos chamados a um discernimento que nos
María en el Centro Misionero
"Uma alma aberta ao Espírito Santo é uma alma que vive imersa nas virtudes teologais."

leve ao caminho da mudança na continuidade da mesma vida da Congregação”. Precisamos viver muito abertos ao Espírito para progredir neste caminho.


Uma alma aberta ao Espírito Santo é uma alma que vive imersa nas virtudes teologais. A fé nos ensina a descobrir Deus em todos os acontecimentos, também nas contrariedades ou nos próprios limites; a esperança sobrenatural nos tira os medos e desânimos que às vezes nos paralisam e nos da a segurança inquebrantável no triunfo que vem de Deus; a caridade que o Espírito derrama em nossos corações nos enche de amor filial e nos dá as forças para perseguir o ideal, sem importar o cansaço ou as dificuldades. O que mais precisamos como Legião e como Movimento é viver estas virtudes em profundidade. Mas isto não é algo que possamos adquirir com nossa própria vontade, com o simples propósito que nos colocamos. É um dom que Deus nos quer dar se deixamos que o Espírito Santo encha nossos corações e acenda neles o fogo do seu amor.


Precisamos do dom de temor de Deus para que nosso único medo seja não responder ao chamado que Deus nos faz à santidade; o dom de fortaleza para perseverar na luta e combater o bom combate como são Paulo, “tudo posso naquele que me dá força”; precisamos do dom de piedade para ter absoluta confiança em Deus Pai que nos faz ser filhos seus e irmãos, membros de um mesmo corpo; precisamos do dom de conselho para não agir conforme a prudência humana, e sim proceder com santa audácia e nos deixar surpreender pelo Espírito; o dom de ciência para descobrir a mão de Deus na nossa história e o dom de entendimento para nos vermos como Deus nos vê, nos conhecer como Ele nos conhece.
Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a crescer cada dia no discernimento para não permitir que ninguém nos arrebate a paz e a alegria interior, que nenhuma situação nos leve ao desânimo, ao temor ou à desconfiança. Conhecemos já quais são os frutos do Espírito que tanto precisamos: “amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si” (Ga 5, 22). Os pensamentos e sentimentos que se opõe a estes frutos, não vêem do Espírito Santo.
Benedicto XVI
"A Eucaristia –escrevia o Papa Bento– é um 'Pentecostes perpétuo'."


Precisamos que o Espírito Santo nos renove interiormente, como os Apóstolos, para evangelizar sem medo e para que nada nos possa deter nem dividir. Bento XVI ensinava os jovens que “a fecundidade apostólica e missionária não é o resultado principalmente de programas e métodos pastorais sabiamente elaborados e eficientes, mas o fruto da oração comunitária incessante. A eficácia da missão pressupõe, inclusive, que as comunidades estejam unidas, que tenham ‘um só coração e uma só alma’ (cf. At 4, 32)” (Bento XVI, Mensagens aos jovens, Sydney 2008). Eu acho que para dar mais frutos apostólicos Deus nos está pedindo mais oração e mais caridade. Em algumas comunidades e obras de apostolado se organizaram, de modo espontâneo, tempos especiais de adoração ao Santíssimo Sacramento. A Eucaristia –escrevia o Papa Bento– é um “Pentecostes perpétuo”. Aí descobrimos que “aonde não chegam nossas forças, o Espírito Santo nos transforma, nos enche com sua força e nos faz testemunhos plenos do ardor missionário de Cristo ressuscitado” (ibid).

Eu os convido a pedir a graça de que o fogo do Espírito nos renova por dentro e a fazer um exame de consciência sobre nossa abertura e docilidade ao Espírito Santo. Procuramos a graça de abrir mais e mais nosso coração para recebê-lo e para que Ele viva em nós, para que aceitamos interiormente a sua vontade por cima da nossa, deixando de lado o desejo de controlar e dirigir os acontecimentos da nossa própria vida, e permitindo a Deus que tome o controle dela. Junto com esta carta estou enviando-lhes uns textos que talvez possam servir para a sua reflexão pessoal e meditação nestes dias.
Maria, unida em oração aos Apóstolos no Cenáculo, nos acompanhe sempre e obtenha para todos os legionários e membros consagrados do Regnum Christia graça de um novo e contínuo Pentecostes em nossas vidas.

Seu irmão afetuoso em Jesus Cristo,
Álvaro Corcuera, L.C.


Fonte:

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mês do Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Coração de Jesus existe desde os primeiros tempos da Igreja, desde que se meditava no lado e no Coração aberto de Jesus, de onde saiu sangue e água. Desse Coração nasceu a Igreja e por esse Coração foram abertas as portas do Céu.

Jesus, eu confio em Vós!


História

Os Santos Padres muitas vezes falaram do Coração de Cristo como símbolo de seu amor, tomando-o da Escritura: "Beberemos da água que brotaria de seu Coração....quando saiu sangue e água" (Jo 7,37; 19,35).
Na Idade Média começaram a considera-lo como modelo de nosso amor, paciente por nossos pecados, a quem devemos reparar entregando-lhe nosso coração (santas Lutgarda, Matilde, Gertrudes a Grande,Margarita de Cortona, Angela de Foligno, São Boaventura, etc.).
No século XVII estava muito expandida esta devoção. São João Eudes, já em 1670, introduziu a primeira festa pública do Sagrado Coração.
Em 1673, Santa Margarida Maria de Alocoque começou a ter uma série de revelações que a levaram à santidade e ao impulso de formar uma equipe de apóstolos desta devoção. Com seu zelo conseguiram um enorme impacto na Igreja.
Foram divulgados inúmeros livros e imagens. As associações do Sagrado Coração subiram em um século, desde meados do XVIII, de 1000 a 100.000. umas vinte congregações religiosas e vários institutos seculares foram fundados para estender seu culto de mil formas.
O apostolado da Oração, que pretende conseguir nossa santificação pessoal e a salvação do mundo mediante esta devoção, contava já em 1917 com 20 milhões de associados. E em 1960 chegava ao dobro em todo o mundo, passando de um milhão na Espanha; suas 200 revistas tinham 15 milhões de inscrições. A maior instituição de todo o mundo.
A Oposição a este culto sempre foi grande, sobretudo no século XVIII por parte dos jansenistas, e recebeu um forte golpe com a supressão da Companhia de Jesus (1773).
Na Espanha foram proibidos os livros sobre o Sagrado Coração. O imperador da Áustria deu ordem que desaparecessem suas imagens de todas as Igrejas e capelas. Nos seminários era ensinado: "a festa do Sagrado Coração provocou um grave mancha sobre a religião".
A Europa oficial rejeitou o Coração de Cristo e em seguida foi assolada pelos horrores da Revolução francesa e das guerras napoleônicas. Mas depois da purificação, ressurgiu de novo com mais força que nunca.
Em 1856 Pio IX estendeu sua festa a toda a Igreja. Em 1899 Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus (o Equador tinha se consagrado em 1874).
E a Espanha em 1919, em 30 de maio, também se consagrou publicamente ao Sagrado Coração no Monte dos Anjos. Onde foi gravado, sob a estátua de Cristo, aquela promessa que fez ao pai Bernardo de Hoyos, S. J., em 14 de maio de 1733, mostrando-lhe seu Coração, em Valladolid (Santuário da Grande Promessa), e dizendo-lhe: "Reinarei na Espanha com mais Veneração que em muitas outras partes" (Até então a América também era Espanha).

Principais promessas feitas pelo Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarita de Alacoque:
  1. Às almas consagradas a meu Coração, lhes darei as graças necessárias para seu estado.
  2. Darei paz às famílias.
  3. As consolarei em todas suas aflições.
  4. Serei seu amparo e refúgio seguro durante a vida, e principalmente na hora da morte.
  5. Derramarei bênçãos abundantes sobre seus projetos.
  6. Os pecadores encontrarão em meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia.
  7. As almas tíbias se tornarão fervorosas.
  8. As almas fervorosas serão rapidamente elevadas a grande perfeição.
  9. Abençoarei as casas em que a imagem de meu Sagrado Coração estiver exposta e for honrada.
  10. Darei aos sacerdotes a graça de mover os corações empedernidos.
  11. As pessoas que propagarem esta devoção, terão escrito seu nome em meu Coração e jamais será apagado dele.
  12. A todos os que comungarem nove primeiras Sextas-feiras do mês contínuos, o amor onipotente de meu Coração lhes concederá a graça da perseverança final.


A grande promessa: a Eucaristia

Entre as muitas e ricas promessas que Jesus Cristo fez aos que fossem devotos de seu Sagrado Coração, sempre chamou a atenção a que fez aos que comungassem em sua honra as nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos. É tal, que todos a conhecem com o nome da 

Grande Promessa

A Devoção ao Coração divino de Jesus Cristo começou a ser praticada, em sua essência, já no início da Igreja, pois os Santos tiveram muito presente, ao honrar a Jesus Cristo, que tinha manifestado seu Coração, símbolo de seu amor em momentos augustos. Contudo, esta devoção, em sua forma atual, deve-se às revelações que o próprio Cristo fez a Santa Margarida Maria (1649-1690), sobretudo quando em 16 de junho de 1657, descobrindo seu Coração, disse-lhe:
"Eis aqui este Coração que amou tanto aos homens, que não omitiu nada até esgotar-se e consumir-se para manifestar-lhes seu amor, e por todo reconhecimento, não recebe da maior parte mais que ingratidão, desprezo, irreverências e tibieza que têm para mim neste sacramento de amor".
Então foi quando Jesus deu a sua servidora o encargo de que se tributasse culta a seu Coração e a missão de enriquecer ao mundo inteiro com os tesouros desta devoção santificadora. O objeto e fim desta devoção é honrar o Coração adorável de Jesus Cristo, como símbolo do amor de um Deus para nós; e a vista deste Sagrado Coração, abrasado de amor pelo homens, e ao mesmo tempo desprezado por estes, nos deve mover a amá-lo e a reparar a ingratidão de que é objeto.
Entre as práticas que compreende esta devoção, conformes com o fim da mesma, sobressai a da Comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, para conseguir além da graça da penitência final, segundo a promessa feita pelo próprio Sagrado Coração a Santa Margarida Maria, para todos os fiéis.
Eis aqui a promessa:
Uma Sexta feira, durante a Sagrada Comunhão, disse estas palavras a sua devota serva:
"Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que meu amor todopoderoso concederá a todos os que comungarem nove primeiras sextas feiras do mês seguidos a graça final da penitência; não morrerão em pecado nem sem receber os sacramentos, e meu divino Coração lhe será asilo seguro naquele último momento".

O que é necessário fazer para obter esta graça: Comungar nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos em graça de Deus, com intenção de honrar ao Sagrado Coração de Jesus.

Como pode ser feita: Pela manhã pode ter a Comunhão geral em boa hora, e à tarde uma função mais ou menos breve e solene ao Coração de Jesus expondo ao Santíssimo, explicando ou lendo a intenção do mês, o algo sobre ela, rezando as ladainhas ou algum ato de desagravo ou de consagração. Caso de se poder fazer isto à tarde, pode ser feito tudo pela manhã na Missa de Comunhão ou na Missa vespertina se houver.
Quando não há função ou culto público ou não se pode assistir a ele, faça-o em particular o que se faz por outros em público. Para o qual se pode rezar a oração que segue adiante, e além disso as ladainhas do Coração de Jesus ou alguma consagração ao Coração de Jesus.

Liturgia

A liturgia é o culto público, quer dizer, os atos sagrados que por instituição de Cristo ou da Igreja, em seu nome, são realizados seguindo os livros litúrgicos oficiais.
Evidentemente refletem de modo autêntico o sentir e a fé da Igreja. Na liturgia são verificados especialmente a potestade de magistério. Quando o magistério propõe aos fiéis como devem render culto a Deus, tem uma particular assistência do Espírito Santo para não equivocar-se e oferecer um caminho certo e seguro de santificação, já que se trata da mais importante finalidade da Igreja.
Onde principalmente se ensina aos fiéis a doutrina e a vida cristã, é na Missa. Pois, bem, o culto público ao Sagrado Coração, foi canonizado em 1765 por Clemente XIII, ao introduzir sua festa litúrgica, com Missa e ofícios próprios.
Este ensinamento, mediante a liturgia, é dada pela Igreja com frases suas ou com frases tomadas da Escritura (quer em seu sentido próprio, quer em seu sentido ajustado). Nas recentes modificações introduzidas com novas leituras e o evangelho na nova missa do Sagrado Coração , o tema bíblico dominante é o do amor a Cristo que se apresenta como Bom Pastor.
A importância que a Igreja concede atualmente ao Sagrado Coração, esta sublinhada pela categoria de sua festa, solenidade de primeira classe, das quais há somente 14 ao ano no calendário universal.
Além disso, a festa de Cristo Rei, também solenidade de primeira classe, esta estreitamente unida à espiritualidade do Sagrado Coração. Pio XI declarou ao instituí-la que precisamente a Cristo é reconhecido como Rei, por famílias, cidades e nações, mediante a consagração a seu Coração. E determinou que em tal festa fosse renovado todos os anos a consagração do mundo ao Coração de Cristo.
Toda esta atitude litúrgica da Igreja tem a finalidade de estimular nossa prática cristã pondo especial interesse em celebrar sua festa: comungando, assimilando seus ensinamentos, utilizando as orações litúrgicas, a consagração, etc. Como dizia Pio XI na encíclica Quas primas: "As celebrações anuais da liturgia têm uma eficácia maior que os solenes documentos do magistérios para formar ao povo nas coisas da fé".


Consagração ao Sagrado Coração

Me entrego e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, minha pessoa e vida, ações, dores e sofrimentos para que utilize meu corpo somente para honrar, amar e glorificar ao Sagrado Coração.
Este é meu propósito definitivo, único, ser todo d'Ele, e fazer tudo por amor a Ele, e ao mesmo tempo renunciar com todo meu coração qualquer coisa que não lhe compraz, além de tomar-te, Ó Sagrado Coração, para que sejas ele o único objeto de meu amor, o guardião de minha vida, meu seguro de salvação, o remédio para minhas fraquezas e inconstância, a solução aos erros de minha vida e meu refúgio seguro à hora da morte.
Seja, Ó Coração de Bondade, meu intercessor ante Deus Pai, e livra-me de sua sabia ira. Ó Coração de amor, ponho toda minha confiança em ti, temo minhas fraquezas e falhas, mas tenho esperança em tua Divindade e Bondade.
Tira de mim tudo o que está mal e tudo o que provoque que não faça tua santa vontade, permite a teu amor puro a que se imprima no mais profundo de meu coração, para que eu não me esqueça nem me separe de ti.
Que eu obtenha de tua amada bondade a graça de Ter meu nome escrito em Teu coração, para depositar em ti toda minha felicidade e glória, viver e morrer em tua bondade. Amém
Santa Margarida Maria Alacoque

Consagração da Família aos 
Sagrados Corações de Jesus e Maria



Santíssimos corações de Jesus e Maria,

unidos no amor perfeito,

como nos olhais com carinho e misericórdia,

consagramos nossos corações, nossas vidas, e nossas famílias a Vós.

Conhecemos que o belo exemplo de Vosso lar em Nazaré foi um modelo

para cada uma de nossas famílias. 

Esperamos obter, com Vossa ajuda, 

a união e o amor forte e perdurável que vos destes. 

Que nosso lar seja cheio de alegria.

Que o afeto sincero, a paciência, a tolerância, e o respeito mútuo sejam dados livremente a todos.

Que nossas orações incluam as necessidades dos outros,

não somente as nossas.

E que sempre estejamos próximos dos sacramentos. 

Abençoai a todos os presentes e também aos ausentes,

tantos os vivos como os defuntos; que a paz estejam conosco,

e quando formos provados,

concedei a resignação cristã à vontade de Deus.

Mantende nossas famílias perto de Vossos Corações;

que Vossa proteção especial esteja sempre conosco.

Sagrados Corações de Jesus e Maria, escutai nossa oração.

Amém.

Oferecimento

Meu dulcíssimo Jesus, que em vossa infinita e dulcíssima misericórdia prometestes a graça da perseverança final aos que comungarem em honra de vosso Sagrado Coração as nove primeiras sextas feiras do mês seguidos: recordai a vossa promessa, e a mim, indigno servo vosso, que acabo de receber-vos sacramentado com este fim e intenção, concede-me que morra detestando todos os meus pecados, esperando em vossa inefável misericórdia e amando a bondade de vosso amantíssimo Coração. Amém.

Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Pai nosso...

Coração de Jesus, rico em todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Pai nosso...

Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós.
Pai nosso...


Fonte: ACI Digital

São Justino - Cristão que conhece a história, é católico!!!!!!


São Justino mártir, ora pro nobis!

Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco. 

Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente.

Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi batizado no ano 130 na cidade de Efeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos.

No ano seguinte estava em Roma, onde passou a travar discussões filosóficas, encaminhando-as para a visão do Evangelho. Muito culto, era assim que evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia.

Deixou muitos livros importantes, cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina dogmática da Igreja. Embora tenham alcançado nossos tempos apenas três de suas apologias, a mais célebre delas é o Diálogo com Trifão. Seus registros abriram caminhos à polêmica antijudaica na literatura cristã, além de fornecerem-nos importantes informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva.

Bem-sucedido em todas as discussões filosóficas, conseguiu converter muitas pessoas influentes, ganhando com isso muitos inimigos também. Principalmente a ira dos filósofos pagãos Trifão e Crescêncio. Este último, após ter sido humilhado pelos argumentos de Justino, prometeu vingança e o denunciou como cristão ao imperador Marco Aurélio.
Justino foi levado a julgamento e, como não se dobrou às ameaças, acabou flagelado e decapitado com outros companheiros, que como ele testemunharam sua fé em Cristo no ano 164, em Roma, Itália.


A seguir, parte da carta (Apologia) de São Justino Mártir ao Imperador Romano, no ano de 150 d.C. Quem participa da Santa Missa de hoje, reconhece-a nos escritos de quase 2000 anos atrás:


Fraternidade e Eucaristia

65. 1 De nossa parte, depois que assim foi lavado aquele que creu e aderiu a nós, nós o levamos aos que se chamam irmãos, no lugar em que estão reunidos (Assembléia/Igreja), a fim de elevar fervorosamente orações em comum por nós mesmos, por aquele que acaba de ser iluminado e por todos os outros espalhados pelo mundo inteiro, suplicando que se nos conceda, já que conhecemos a verdade, ser encontrados por nossas obras como homens de boa conduta e observantes do que nos mandaram, e assim consigamos a salvação eterna (Oração da Comunidade).

2 Terminadas as orações, nos damos mutuamente o ósculo da paz (Abraço da Paz).
3 Depois àquele que preside aos irmãos é oferecido pão e uma vasilha com água e vinho; pegando-os, ele louva e glorifica ao Pai do universo através do nome de seu Filho e do Espírito Santo, e pronuncia uma longa ação de graças, por ter-nos concedido esses dons que dele provêm (Oração das Oferendas). Quando o presidente termina as orações e a ação de graças, todo o povo presente aclama, dizendo: "Amém." (Ofertório)
4 Amém, em hebraico, significa "assim seja".
5 Depois que o presidente deu ação de graças e todo o povo aclamou, os que entre nós se chamam ministros ou diáconos dão a cada um dos presentes parte do pão, do vinho e da água sobre os quais se pronunciou a ação de graças e os levam aos ausentes (Comunhão Eucarística).

Teologia da eucaristia
66. 1 Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinamentos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou (Somente os batizados que estão em estado de graça participam).

2 De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças - alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne - é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado.
3 Foi isso que os Apóstolos nas Memórias por eles escritas, que se chamam Evangelhos, nos transmitiram que assim foi mandado a eles, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse: "Fazei isto em memória de mim, este é o meu corpo". E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: "Este é o meu sangue", e só participou isso a eles.
4 E certo que isso também, por arremedo, foi ensinado pelos demônios perversos para ser feito nos mistérios de Mitra; com efeito, nos ritos de um novo iniciado, apresenta-se pão e uma vasilha de água com certas orações, como sabeis ou podeis informar-vos. 

Liturgia Dominical
67. 1 Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente.

2 Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo.
3 No dia que se chama do sol (Sunday / Domingo), celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos (Novo Testamento) ou os escritos dos profetas (Antigo Testamento).
4 Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos (Homilia).
5 Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces (Oração da Comunidade). Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: "Amém"(Ofertório). Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos (Comunhão Eucarística).
6 Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente (Coleta). Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade.
7 Celebramos essa reunião geral no dia do sol (DOMINGO), porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol,ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame.

Eis o verdadeiro culto cristão!




Oração


Senhor nosso Deus, que destes a São Justino, vosso mártir, a graça de encontrar na loucura da cruz a sabedoria incomparável de Jesus Cristo, concedei-nos, por sua intercessão, que, rejeitando os erros que nos rodeiam, mantenhamos sempre a firmeza da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém!




Fontes:
Apologia de São Justino na íntegra em: Monergismo
Paulinas