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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

YOUCAT - Catecismo Jovem da Igreja Católica

Chamado também de Youcat (abreviação de Youth Catechism), o Catecismo Jovem da Igreja Católica chega às mãos dos leitores brasileiros. A obra tem a mesma proposta do “Catecismo da Igreja Católica”, sendo a linguagem e o projeto gráfico seu maior diferencial. 
Estruturado em perguntas e respostas, o livro é dividido em quatro partes: 


Em que Cremos



 Como Celebramos?



A Vida em Cristo



Como Devemos Orar





Foi desenvolvido por um número considerável de padres, teólogos e professores de religião para apresentar a mensagem e a doutrina da Igreja em linguagem jovem e acessível. O Youcat vem atender a vontade dos muitos jovens que, inspirados e entusiasmados pela dinâmica das Jornadas Mundiais da Juventude, pediram um Catecismo que lhes falasse diretamente.


Prefácio do Papa Papa Bento XVI ao YOUCAT

Subsídio ao Catecismo da Igreja Católica destinado aos jovens 

 

 

Queridos jovens amigos! 

Hoje aconselho-vos a leitura de um livro extraordinário.


É extraordinário pelo seu conteúdo mas também pelo modo em que se formou, que desejo explicar-vos brevemente, para que se possa compreender a sua particularidade. Youcat teve origem, por assim dizer, de outra obra que remonta aos anos 80. Era um período difícil para a Igreja e para a sociedade mundial, durante o qual surgiu a necessidade de novas orientações para encontrar o caminho rumo ao futuro. Após o Concílio Vaticano II (1962-1965) e no mudado clima cultural, muitas pessoas já não sabiam correctamente no que os cristãos deveriam acreditar exactamente, o que a Igreja ensinava, se ela podia ensinar algo tout court e como tudo isto podia adaptar-se ao novo clima cultural.

O Cristianismo como tal não está superado? Pode-se ainda hoje racionalmente ser crente? Estas são as questões que muitos cristãos se formulam até nos nossos dias. O Papa João Paulo II optou então por uma decisão audaz: deliberou que os bispos do mundo inteiro escrevessem um livro com o qual responder a estas perguntas.

Ele confiou-me a tarefa de coordenar o trabalho dos bispos e de vigiar a fim de que das suas contribuições nascesse um livro — quero dizer, um livro verdadeiro e não uma simples justaposição de uma multiplicidade de textos. Este livro devia ter o título tradicional de Catecismo da Igreja Católica e todavia ser algo absolutamente estimulante e novo; devia mostrar no que a Igreja Católica crê hoje e de que maneira se pode acreditar de modo racional. Assustei-me com esta tarefa e devo confessar que duvidei que algo semelhante pudesse ter bom êxito. Como podia acontecer que autores espalhados pelo mundo pudessem produzir um livro legível?

Como podiam homens que vivem em continentes diversos, e não só sob o ponto de vista geográfico, mas inclusive intelectual e cultural, produzir um texto dotado de uma unidade interna e compreensível em todos os continentes?

A isto acrescentava-se o facto de que os bispos deviam escrever não simplesmente como autores individuais, mas em representação dos seus irmãos e das suas Igrejas locais.

Devo confessar que até hoje me parece um milagre o facto de que este projecto no final se realizou. Encontrámo-nos três ou quatro vezes por ano por uma semana e debatemos apaixonadamente sobre cada parte do texto, na medida em que se desenvolvia.

Como primeira atitude definimos a estrutura do livro: devia ser simples, para que cada grupo de autores pudesse receber uma tarefa clara e não forçar as suas afirmações num sistema complicado. É a mesma estrutura deste livro; ela é tirada simplesmente de uma experiência catequética de um século: o que cremos / de que modo celebramos os mistérios cristãos / de que maneira temos a vida em Cristo / de que forma devemos rezar. Não quero explicar aqui o modo como debatemos sobre a grande quantidade de questões, até chegar a compor um livro verdadeiro. Numa obra deste género são muitos os pontos discutíveis: tudo o que os homens fazem é insuficiente e pode ser melhorado, e não obstante, trata-se de um grande livro, um sinal de unidade na diversidade. A partir das muitas vozes pôde-se formar um coro porque tínhamos a comum partitura da fé, que a Igreja nos transmitiu desde os apostólos, através dos séculos até hoje.

Por que tudo isto?

Desde a redacção do CIC, tivemos que constatar que não só os continentes e as culturas das suas populações são diferentes, mas também no âmbito de cada sociedade existem diversos «continentes»: o trabalhador tem uma mentalidade diferente do camponês; um físico de um filólogo; um empresário de um jornalista, um jovem de um idoso. Por este motivo, na linguagem e no pensamento, tivemos que nos colocar acima de todas estas diferenças e, por assim dizer, buscar um espaço comum entre os diferentes universos mentais; com isto tornamo-nos cada vez mais conscientes do modo como o texto exigia algumas «traduções» nos diversos mundos, para poder alcançar as pessoas com as suas mentalidades diferentes e várias problemáticas. Desde então, nas Jornadas Mundiais da Juventude (Roma, Toronto, Colónia, Sydney) reuniram-se jovens de todo o mundo que querem acreditar, que estão em busca de Deus, que amam Cristo e desejam caminhos comuns. Neste contexto perguntámo-nos se não deveríamos traduzir o Catecismo da Igreja Católica na língua dos jovens e fazer penetrar as suas palavras no seu mundo. Naturalmente, também entre os jovens de hoje existem muitas diferenças; assim, sob a comprovada guia do arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, formou-se um Youcat para os jovens. Espero que muitos se deixem cativar por este livro.

Algumas pessoas dizem-me que o catecismo não interessa à juventude moderna; mas não acredito nesta afirmação e estou certo de que tenho razão. A juventude não é tão superficial como é acusada de o ser; os jovens querem saber deveras no que consiste a vida. Um romance policial é empolgante porque nos envolve no destino de outras pessoas, mas que poderia ser também o nosso; este livro é cativante porque nos fala do nosso próprio destino e portanto refere-se de perto a cada um de nós.

Por isso, exorto-vos: estudai o catecismo! Estes são os meus votos de coração.

Este subsídio ao catecismo não vos adula; não oferece fáceis soluções; exige uma nova vida da vossa parte; apresenta-vos a mensagem do Evangelho como a «pérola de grande valor» (Mt 13, 45) pela qual é preciso dar tudo. Portanto, peço-vos: estudai o catecismo com paixão e perseverança! Sacrificai o vosso tempo por ele! Estudai-o no silêncio do vosso quarto, lede-o em dois, se sois amigos, formai grupos e redes de estudo, trocai ideias na internet. Permanecei de qualquer modo em diálogo sobre a vossa fé!

Deveis conhecer aquilo em que credes; deveis conhecer a vossa fé com a mesma exactidão com a qual um perito de informática conhece o sistema operativo de um computador; deveis conhecê-la como um músico conhece a sua peça; sim, deveis ser muito mais profundamente radicados na fé do que a geração dos vossos pais, para poder resistir com força e decisão aos desafios e às tentações deste tempo. Tendes necessidade da ajuda divina, se a vossa fé não quiser esgotar-se como uma gota de orvalho ao sol, se não quiserdes ceder às tentações do consumismo, se não quiserdes que o vosso amor afogue na pornografia, se não quiserdes trair os débeis e as vítimas de abusos e violência.

Se vos dedicardes com paixão ao estudo do catecismo, gostaria de vos dar ainda um último conselho: sabei todos de que modo a comunidade dos fiéis recentemente foi ferida por ataques do mal, pela penetração do pecado no seu interior, aliás, no coração da Igreja. Não tomeis isto como pretexto para fugir da presença de Deus; vós próprios sois o corpo de Cristo, a Igreja! Levai o fogo intacto do vosso amor a esta Igreja todas as vezes que os homens obscurecerem o seu rosto. «Sede diligentes, sem fraqueza, fervorosos de espírito, dedicados ao serviço do Senhor» (Rm 12, 11).

Quando Israel se encontrava no ponto mais obscuro da sua história, Deus chamou em seu socorro não os grandes e as pessoas estimadas, mas um jovem de nome Jeremias; ele sentiu-se chamado a uma missão demasiado grande: «Ah! Senhor Javé, não sou um orador, porque sou ainda muito novo!» (Jr 1, 6). Mas Deus replicou: «Não digas: sou ainda muito novo — porquanto irás aonde Eu te enviar, e dirás o que Eu te mandar» (Jr 1, 7).

Abençoo-vos e rezo cada dia por todos vós. 

BENTO PP. XVI


Fontes:
Editora Paulus
JMJ Campinas

segunda-feira, 13 de junho de 2011

RCC

Achei interessante a reflexão e concordo muito com tudo isso que segue:

Eu e a Renovação
por ocampones
Como o profeta Jonas, a quem Deus ordenara que fosse para Nínive, sinto em mim mesmo um desejo incontrolável de partir na direção contrária. Deus mostrou-me um caminho, e todos os meus “ideais” mostraram-me outro. Foi no momento em que viajava, tão rapidamente quanto podia, na direção de Társis, a fim de afastar-se de Nínive, que Jonas foi lançado à água e engolido por uma baleia que o levou para o ponto que Deus lhe havia assinalado. (…)
O signo que Jesus prometeu à geração que não o compreendera foi o “signo de Jonas, o profeta” – isto é, o signo de sua própria ressurreição. A vida de todo monge, de todo sacerdote, de todo cristão, é marcada pelo signo de Jonas porque todos vivemos pelo poder da Ressurreição de Cristo. Sinto, porém, que minha vida está especialmente marcada por esse signo, que o batismo e a profissão monástica marcaram a fogo nas próprias raízes do meu ser, porque, como o próprio Jonas, me vejo viajando para meu destino no ventre de um paradoxo. (Thomas Merton, “O Signo de Jonas”)
Devo confessar que venho, já há algum tempo, sentindo-me insatisfeito com a espiritualidade e com a formação na RCC. A RCC vêm realmente se focando demasiadamente nos grupos de oração, nos carismas extraordinários, na evangelização querigmática, o que, de modo algum é mal, mas creio que se deveria aprofundar a tradição espiritual e mística da Igreja, incentivar os seus membros a se formarem, a estudarem, a mergulharem na Teologia, na Filosofia e redescobrirem os Padres, a Escolástica, etc.

A RCC é bem aplicada nas Sagradas Escrituras, mas é falha no estudo da Tradição e do Magistério. Isso a aproxima perigosamente do protestantismo:“Sola Scriptura!” Já ouvi, no âmbito carismático, interpretações da Sagrada Escritura totalmente alheias ao magistério católico. Coisas que beiram à livre interpretação. Grave. Mas, embora reconheça a influência protestante, posso garantir que a RCC é autenticamente católica. A RCC nasceu no contexto do Concílio Vaticano II, e isso já foi admitido inclusive pelo então cardeal Joseph Ratzinger, em seu livro-entrevista “O Sal da Terra” e no primeiro documento de Malines, para o qual foi consultor teológico. Além disso, o Cardeal Ratiznger também escreveu a apresentação à Edição italiana do 4º documento de Malines.

Relembro as origens católicas do movimento carismático com a Irmã Elena Guerra escrevendo (com grande ousadia!) ao Papa Leão XVIII várias cartas implorando para a Igreja uma renovação da devoção ao Espírito Santo; o Papa instaura a primeira novena “oficial” da Igreja, a Novena de Pentecostes, e se dedica a escrever sobre o Espírito Santo (inclusive uma encíclica, a “Divinum Illud Munus”) e consagra , no primeiro dia do século XX, este ao Espírito Santo. Neste mesmo dia, curiosamente, acontece o primeiro “batismo no Espírito Santo” e manifestação carismática do dom das línguas numa jovem protestante. Coincidência?

Para não pormenorizar, o Papa João XXIII, beatifica Elena Guerra (a primeira de seu pontificado) e logo no discurso da beatificação cunha a expressão “novo Pentecostes” e acaba convocando um concílio pedindo os ventos de um “Novo Pentecostes” (de novo!) para toda a Igreja. Logo após o fim do Concílio, surge a Renovação. E o resto é História.

Alguns pentecostais norte-americanos, vide o pastor Jackie Hayford, em seu livro “The Charismatic Century”, reconhecem que as origens do Pentecostalismo moderno se encontram em Elena Guerra e na Igreja Católica.

Apesar da influência protestante, especialmente em seus inícios, a RCC é essencialmente católica. Seus membros comungam, rezam o terço, fazem adoração eucarística, confessam-se com freqüência, reverenciam o Santo Padre, veneram os santos, enfim, são católicos.

O que penso é que a chegou a hora de a Renovação parar de olhar para si mesma, tornar a sua formação menos auto-referente (batismo no Espírito, histórico da RCC, carismas) e olhar para a Igreja. Repito: aprofundar-se na Tradição e no Magistério, estudar a História da Igreja, a mística católica, os Santos Padres, a Escolástica, descobrir os riquezas da cultura católica. A Renovação precisa se descobrir menos carismática e mais católica. O Santo Padre, numa recente catequese sobre São Boaventura, relembrou a necessidade de novos carismas, novos movimentos e novas comunidades , de acordo com a abertura dada pelo Concílio, mas que essas correntes de graça sejam canalizadas dentro de uma estrutura católica e respeitando a Tradição. Ou seja é a” hermenêutica da continuidade”, tão defendida pelo Santo Padre. A Renovação é “mais do mesmo”, por isso é católica! Ele vem trazer à tona a “beleza tão antiga e sempre nova” (Sto. Agostinho) da Igreja.

É interessante perceber que, muitos membros da RCC, especialmente jovens, buscando o aprofundamento que muitas vezes não encontram no movimento, tornam-se “tradicionalistas” ou vão beber na escola do Opus Dei (movimento muito aprecidado por mim). Lembro-me que, recentemente, um autor filo-tradicionalista escreveu um livro sobre – contra – o “dom de línguas”. Livro, aliás, muito bem escrito e fundamentado. Escrevi a várias lideranças da RCC, falando sobre o livro, pedindo que fosse estudado, pedindo que pudéssemos aprofundar o estudo dos carismas, de acordo com a tradição católica, não para dar resposta ao autor do livro, mas para que também pudéssemos ter uma fundamentação católica para a nossa experiência carismática. A repercussão do livro foi minimizada, ninguém estudou nada sobre o assunto e, só aqui em nosso vicariato (vicariato norte da diocese de Nova Friburgo), conheço dois casos de pessoas que entraram em crise com a Renovação por causa do livro. Assim vão os tradicionalistas e seus simpatizantes arrebanhando gente de dentro da Renovação por falta de formação.

Graças a Deus temos, na RCC, gente que luta por uma formação católica profunda dentro do movimento, como Padre Paulo Ricardo (que não é membro da Renovação), Professor Felipe Aquino e outros. No âmbito internacional, cito Fr. Raniero Cantalamessa e Fr. Daniel-Ange, que vêm lutando há anos para dar esse aprofundamento católico à RCC.

Eu enxergo, hoje, na RCC dois veios. Um mais americano, que é o protestantizado, que têm ênfase nos grupos de oração, carismas, evangelização querigmática, missas “animadas”, músicas sentimentais, dons extraordinários do Espírito Santo, que, infelizmente, para mim, é o modelo que mais se difundiu no Brasil, com raras exceções de algumas Novas Comunidades como a Shalom. O outro veio, europeu, é o mais católico, que é o modelo costumeiramente adotado pelas novas comunidades (Beatitudes, Emmanuel, Pain de Vie, Jeunesse-Lumiere, ect), que apela para uma volta às tradições, especialmente à patrística. E é interessantíssimo notar que a Igreja, na figura dos Pontíficies, tem olhado para o lado mais católico da RCC, não dando ênfase ao extraordinário, ao “otimismo carismático” (como diz o blogueiro Jorge Ferraz), mas à oração comunitária (João Paulo II sugeriu a Liturgia das Horas), à freqüência aos sacramentos, à consciência da vocação batismal, à devoção ao Espírito Santo, à Leccio, enfim, tudo o que conduz a um catolicismo ortodoxo e sadio. Estas características, onde a Igreja tem posto os olhos e incentivado o movimento, são a grande contribuição que a Renovação Carismática tem a oferecer ao mundo moderno.

Em recente carta ao Cardeal Cordes (que por ser do Pontifício Conselho para os Leigos, acompanhou a RCC por longos anos) por ocasião de seu 75º aniversário, o PapaBento XVI se expressou assim:
“Enquanto que os organizadores e os planificadores na Igreja tinham inicialmente muitas reservas em relação aos movimentos, logo soubeste acolher a vida que lá brotava – a força do Espírito Santo que dá novos caminhos e que de modo imprevisível sempre rejuvenesce a Igreja.
Reconheceste o caráter pentecostal desses movimentos e Te esforçaste com ardor para obter que fossem acolhidos pelos pastores da Igreja. Claro, no que se tratava da organização e da planificação, tinha-se com frequência muitas boas razões para escandalizar-se, porque brotavam coisas novas e imprevistas que nem sempre se deixavam levar sem dificuldades às formas organizativas existentes.
Percebeste que o que é orgânico é mais importante do que é organizado, viste que homens eram profundamente tocados pelo Espírito de Deus e que de tal modo cresciam formas novas de autêntica vida cristã e novos modos autênticos de ser Igreja. Claro, esses movimentos devem ser ordenados e reconduzidos ao interior da totalidade; devem aprender a reconhecer seus limites e a se tornarem parte da realidade comunitária da Igreja na sua constituição própria, junto com o Papa e com os Bispos. Precisam, portanto, de guia e também de purificação para poderem atingir a forma da verdadeira maturidade.
Todavia, os mesmos são dons dos quais precisa-se ser gratos. Não é mais possível pensar na vida da Igreja de nosso tempo sem nela integrar esses dons de Deus.”
A Renovação é de Deus. Não tenho nenhuma dúvida disso. Existe na Renovação Carismática uma corrente de graças que não se pode negar. Tenho divergencias com a parte “institucional” da RCC do Brasil. Mas não posso negar que a Renovação seja uma escola de vida batismal e que no ambiente carismático sinto-me em casa. Passei por uma fase de dúvidas e contestação, mas creio que minha vocação passa inevitavelmente pela experiência carismática. É maior do que eu. É uma vocação. Não fui eu quem escolhi, mas o proprio Senhor quem escolheu essa via para mim. É o signo de Jonas. Como Merton: “Viajo para meu destino no ventre de um paradoxo”.