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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Vaticano prepara manual para ajudar sacerdotes a celebrar melhor a missa


Cardeal Cañizares: a missa deve emocionar, mas sem virar espetáculo
Por Sergio Mora


ROMA, 17 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - A Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos está preparando um pequeno manual destinado a ajudar os sacerdotes a celebrar devidamente a santa missa e também os fiéis a participarem dela com mais proveito. O cardeal Antonio Cañizares adiantou a novidade durante uma conferência na embaixada da Espanha perante a Santa Sé, intitulada “A liturgia católica a partir do Vaticano II: continuidade e evolução”.

“Estamos preparando. [O manual] vai ajudar a celebrar bem e a participar bem. Eu espero que ele saia ainda este ano, para o verão [no hemisfério norte]”, declarou o purpurado a ZENIT.

O cardeal, durante a conferência, reiterou a importância dada pelo concílio Vaticano II à liturgia, “cuja renovação deve ser entendida em continuidade com a tradição da Igreja e não como ruptura”. Ruptura seja por inovações que não respeitam a continuidade, seja por imobilidade que amarra tudo à época de Pio XII, completou Cañizares.

O cardeal recordou em particular a importância que o primeiro documento conciliar, Sacrosantum Concilium, concede à sagrada liturgia, por cujo meio “é exercida a obra da nossa redenção, em especial no divino sacrifício da eucaristia”. “Deus quer ser adorado de maneira concreta e nós não somos ninguém para mudá-la”. Cañizares especificou que, quando se fala de Igreja renovada, não se deve entender uma mera reforma de estruturas, mas uma mudança a partir da liturgia, pois é a partir da liturgia que se opera a obra da salvação.

Não pode ser esquecido, além disto, o que diz o documento conciliar: “Cristo está sempre presente na sua Igreja, principalmente na ação litúrgica. Ele está presente no sacrifício da missa, seja na pessoa do ministro, 'oferecendo agora pelo ministério dos sacerdotes o mesmo que foi oferecido na cruz', seja nas espécies eucarísticas”.

O cardeal enfatizou que a finalidade da liturgia “é a adoração de Deus e a salvação dos homens”, e que “não se trata de uma criação nossa, mas de uma fonte e ápice da Igreja”. O prefeito da Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos criticou abusos existentes, como a espetacularização, mas elogiou os momentos de silêncio, “que são momentos de ação”, já que permitem ao sacerdote e aos fiéis falar com Cristo. A atitude equilibrada “é aquela indicada por São João Batista, quando ele afirma que deseja diminuir para que o Messias cresça”.

Sobre a animação da missa com cantos, Cañizares disse que é necessário priorizar o entendimento do mistério, em vez de transformar a missa em um show para superar "a monotonia".

Acrescentou que o concílio não falou da missa voltada ao povo, o que permitiu que Bento XVI celebrasse a missa na Capela Sistina voltado para o altar; isto não exclui que o padre se volte para o povo, em particular durante a palavra de Deus.

Destacou ainda a necessidade da noção do mistério e de alguns particulares interessantes que eram respeitados antes, como o altar voltado para o oriente e a consciência mais clara do sentido da eucaristia como sacrifício.

Interrogado pela embaixadora do Panamá junto à Santa Sé a respeito da ação das culturas autóctones na liturgia, o cardeal precisou que “o concílio fala da adaptação da liturgia”, respeitando “as legítimas variedades”, sem que elas eliminem os princípios. Recordou, a propósito, uma experiência pessoal que viveu na Espanha, no domingo de Ramos, quando, em uma missa cigana, um jovem cantou o 'Cordeiro de Deus' no gênero flamenco, “um verdadeiro suspiro da alma que emocionou e fez toda a assembleia participar vivamente”.

Cañizares analisou o fato de em muitas igrejas o Santíssimo ser posto num altar ou capela lateral, fazendo com que “o sacrário desapareça”: com isto, as pessoas conversam antes da missa e se prepararam menos para ela.

Sobre o caso Lefebvre, o cardeal recordou que Bento XVI ofereceu uma medida de reconciliação à qual eles não corresponderam, e que “pensar que a tradição fica em Pio XII também é ruptura”. 


terça-feira, 3 de abril de 2012

A Missa e outras obrigações



PEQUENO MANUAL DO CATÓLICO
A Missa e outras obrigações

O Santo Sacrifício da Missa


1) O que é a Missa?
A missa é o sacrifício da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo que se realiza sobre o altar.

2) Como pode ser a Missa o sacrifício de Jesus se este morreu na Cruz há dois mil anos?
Pelo rito da Santa Missa, o mesmo sacrifício realizado há dois mil anos torna-se presente novamente, de um modo novo, um modo sacramental, ritual, incruento, ou seja, sem derramamento do Sangue, mas verdadeiro e eficaz.

3) Porque dizemos que a missa é o mesmo sacrifício, presente de modo sacramental?
Por que nela aquele mesmo sacrifício de Jesus se apresenta diante de nós através de sinais sensíveis que realizam a graça sacramental. Estes sinais, no caso da missa são as espécies consagradas, o pão e o vinho que, na consagração, se transformam no Corpo e Sangue de Jesus pelas palavras que o sacerdote pronuncia.

4) A Missa é, então, um Sacramento?
Sim, a Missa é a cerimônia na qual se realiza o Sacramento da Eucaristia, que é a presença real de Jesus na hóstia consagrada.

5) Essa presença de Jesus na hóstia consagrada é um símbolo de Jesus?
Não podemos dizer que seja apenas um símbolo. Jesus está realmente presente com todo seu ser. Toda a natureza humana e toda a natureza divina estão presentes na Sagrada Hóstia. Toda a substância do pão e do vinho se transformaram milagrosamente no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.

6) A Igreja católica dá um nome especial a esta transformação?
Sim, a Igreja definiu o termo de “transubstanciação” como sendo o único capaz de exprimir o milagre que se opera na transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus.

7) Porque dizemos que a Missa é um sacrifício eficaz?
Por que pela presença real de Jesus nós recebemos não apenas a graça sacramental da Eucaristia, mas o autor mesmo da graça, Jesus Cristo, nosso Deus, a quem adoramos de joelhos. A presença real de Jesus é a maior graça que uma alma pode receber nesta vida.

8) De que modo podemos receber Jesus na Eucaristia?
Pela Santa Comunhão. Sendo um sinal sensível do sacrifício de Cristo, quando comungamos, recebemos Jesus como alimento de nossas almas. Ele vem ao nosso coração de um modo muito real e eficaz.

9) Como podemos nos preparar para receber Jesus no coração?
Antes de tudo, uma boa confissão, um arrependimento sincero dos nossos pecados. Devemos também viver sempre na presença de Deus, consagrando nosso dia a Ele, desde o levantar e agradecendo sempre as graças recebidas ao deitar. Na Santa Missa, estar atento ao que acontece no altar, de preferência seguindo o texto mesmo da missa no missal.

10) Existe algum momento da missa que seja mais importante do que outros?
O mais importante momento da missa é a Consagração. Assim que foram ditas as palavras da forma sacramental, o padre eleva a hóstia e o cálice para serem vistos pelos fiéis. Todos devem estar de joelhos, compenetrados, silenciosos e em adoração.

11) Existe algum outro momento em que devemos estar de joelhos obrigatoriamente?
Sim. Quando o sacrário está aberto, quando a comunhão é distribuída aos fiéis, quando o padre dá a bênção final.

O templo de Deus

A Igreja é a casa de Deus. Lugar de oração, lugar de silêncio. Nela, nada de profano deve entrar. Toda a vida de uma igreja gira em torno das coisas de Deus, principalmente do seu culto, do seu louvor, do seu sacrifício.

12) Qual é a parte principal de uma igreja?
É o altar. Ele é o centro e a razão de ser da igreja. Todo altar é de pedra, pois é sobre a pedra que se realiza um sacrifício. No Antigo Testamento vemos diversos exemplos de sacrifícios oferecidos sobre altares de pedra. Noé, quando sai da arca; Abraão quando vai sacrificar Isaac; Jacó quando acorda do sonho etc.
A Igreja mantém este costume. Mas o sacrifício oferecido já não é apenas figurativo do verdadeiro sacrifício, como no Antigo Testamento, mas o próprio sacrifício por excelência, o único agradável a Deus, o sacrifício de seu Filho.

13) Qual a primeira coisa que devemos fazer ao entrar numa igreja?
Molhando os dedos na água benta, fazemos o Sinal da Cruz. Caminhamos até o lugar em que vamos rezar, fazemos a genuflexão e nos ajoelhamos para rezar.

14) O que é uma genuflexão?
É um ato de adoração pelo qual dobramos nosso joelho direito até tocar o solo e voltamos à posição normal.

15) Em que momento devemos fazer a genuflexão?
Quando entramos na igreja, antes de sair da igreja e cada vez que passamos na frente do sacrário.

16) Existe algum outro tipo de genuflexão?
Sim. Devemos genuflectir com os dois joelhos sempre que o Sacrário estiver aberto, ou que um padre estiver elevando a hóstia na consagração de uma missa e que entrarmos nessa hora na igreja, ou ainda se o padre estiver distribuindo a comunhão. Também devemos fazer esta genuflexão com os dois joelhos quando o Santíssimo Sacramento estiver exposto na Custódia, para nossa adoração.

17) Como se faz esta genuflexão com os dois joelhos?
Devemos nos por de joelhos completamente, fazer uma leve inclinação com a cabeça e nos levantar-mos em seguida.

18) Além da água benta, da genuflexão e da oração, o que mais se pede quando se entra numa igreja?
Devemos estar vestidos corretamente, sem bermudas ou shorts, sem chinelos mas bem calçados, sem camisetas de alça, mas com camisas de mangas. Os homens e rapazes devem evitar as blusas com desenhos espalhafatosos, de esportes e coisas parecidas. As mulheres não podem entrar numa igreja com os ombros descobertos, sem mangas ou com mini-saias.

19) É obrigatório para as mulheres o uso do véu?
Desde São Paulo até bem pouco tempo sempre foi pedido às mulheres que cobrissem a cabeça dentro da Igreja. Esse é o costume que mantemos em nossas igrejas. Não somente porque está assim na Bíblia, mas também porque isso favorece o recolhimento e a oração.

20) Porque as mulheres devem vir à igreja de saias?
Porque as calças compridas dão a elas um ar menos feminino, diminuindo a distinção entre os sexos e favorecendo uma atitude menos recatada. Também por isso a saia deve ser abaixo do joelho. Estes são os critérios para as vestimentas em nossas capelas e isso tem mantido um ambiente muito bom, próprio para a oração.

21) Como podemos saber que a Sagrada Hóstia está presente no Sacrário?
O principal sinal da presença do Santíssimo é o véu que cobre o Sacrário. Este véu se chama “conopeu” e costuma ter a cor dos paramentos do dia. Além do conopeu, deve sempre haver uma lamparina acesa perto do Sacrário.

22) Se o Sacrário estiver vazio, devemos fazer a genuflexão?
Não. Diante do Sacrário vazio fazemos apenas uma profunda inclinação ao altar e ao Crucifixo. Neste caso a lamparina deve estar apagada e o conopeu levantado ou ausente.

A Missa vai começar

23) Em que momento devemos entrar na igreja para o início da Missa?
Devemos chegar sempre alguns minutos antes para nos recolhermos na oração, preparar o missal e, sendo necessário, nos confessarmos para poder comungar.

24) É permitido chegar atrasado na Missa?
Não é permitido chegar atrasado porque seria uma falta de respeito para com Deus, além de evidente prejuízo espiritual para as almas.

25) Existe alguma ordem formal da Igreja sobre isso?
Sim, um dos mandamentos da Igreja diz: assistir missa completa todos os domingos.

26) E se acontecer algum imprevisto no meio do caminho?
A Igreja tolera pequenos atrasos não culposos. Por isso ela considera que, chegando na missa dominical (ou festa de preceito) até o Evangelho, pode-se ainda comungar.  É preciso, no entanto, evitar sempre o atraso. O prejuízo é muito grande quando se perde as leituras e o sermão da missa.

27) Qual o melhor lugar para se assistir à missa?
Em princípio qualquer banco da igreja deveria servir para a boa assistência. Na prática, constata-se que as pessoas que ficam no fundo têm a tendência a se dispersar, se distrair, conversar, fazer sinais aos vizinhos, chamando a atenção para coisas que distraem do essencial. Evidentemente estes costumes são prejudiciais para as almas e podem chegar a ser pecado.

28) Qual o melhor modo de se assistir à Missa?
Usando o missal Latim-Português podemos acompanhar as belíssimas orações que a Igreja reza durante o Santo Sacrifício. Com o missal, também podemos acompanhar melhor os gestos e ritos que são explicados passo a passo.

29) Existe um modo de se entender melhor as diversas orações que compõem uma missa?
Uma divisão lógica dos textos pode ajudar a se localizar:
Devemos antes de tudo distinguir entre
Ordinário da Missa: são as orações fixas que se rezam em todas as missas
Próprio da Missa: são as orações daquele dia em particular.
No Próprio de toda missa existem:
- 3 antífonas : Intróito, Ofertório e Comunhão – As antífonas são pequenos textos que introduzem um salmo. Na missa, os salmos que seguem estas 3 antífonas ficam reduzidos a um versículo, como podemos ver no missal.
- 3 orações: Coleta, Secreta e Pós-comunhão – A Coleta é a oração sobre os fiéis, nossas necessidades espirituais. A Secreta é a oração sobre as secretas, termo antigo que designava o pão e vinho separados no Ofertório para serem consagrados. A pós-comunhão é a oração de ação de graças pelo alimento sacramental que acabamos de receber.
- 2 leituras, Epístola e Evangelho. Entre as duas curtas meditações que variam de acordo com a época do Ano Litúrgico: Gradual, Aleluia, Trato.

30) Existe ainda outras divisões que possam ajudar a assistir à Missa?
Sim. Considerando a missa de modo cronológico, podemos distinguir três partes.

31) Como se chama a primeira parte da missa?
Chama-se Missa dos Catecúmenos. Assim chamada porque, sendo formada pela parte penitencial e de instrução, era assistida também pelas pessoas que se preparavam para o batismo (os catecúmenos). Estes deviam deixar a igreja após o Credo. Os Santos Mistérios só podiam ser assistidos pelos batizados. Já não se tem este costume, mas o nome permanece. Também se chama a esta parte de Ante-missa.

32) Quais as orações da Missa dos Catecúmenos?
Orações ao pé do altar, com o Salmo Judica me (42) e o Confiteor.
Intróito, Coleta e a parte da Instrução: epístola, evangelho, sermão e o Credo, que é a profissão de fé católica.

33) Qual a segunda parte da Missa?
É a Missa dos Fiéis. Na antiguidade, todos os que, já sendo batizados e tendo podido confessar-se, estavam aptos para assistir o Santo Sacrifício e comungar.

34) Quais as orações ou partes da Missa dos Fiéis?
Ofertório, com o oferecimento do pão e do vinho que serão consagrados
Prefácio, longo canto que exprime o mistério da missa do dia.
Cânon, parte central da Missa. São as mais belas orações que o padre reza em silêncio e que têm seu ápice na Consagração.
Pai Nosso, rezado apenas pelo celebrante porque este ocupa o lugar de Cristo, que o rezou sozinho para ensinar aos Apóstolos
Comunhão
Orações finais

35) Qual a posição que devemos adotar ao longo da missa?
De joelhos:
- orações ao pé do altar até o final do Kyrie (nas missas de roxo ou preto até o fim da Coleta)
- do final do Sanctus até antes do Pai Nosso
- do Agnus Dei, durante toda a comunhão, até que o padre venha rezar a antífona da comunhão
- na bênção final

De pé:
- no Glória
- no Evangelho
- no Orate Fratres até o fim do Sanctus
- no Pai-Nosso até o Agnus Dei
- na antífona da comunhão até o fim do Ite Missa Est.
- no último Evangelho

Sentado:
- durante a Epístola até que o padre entoe o Evangelho
- durante o ofertório até que o padre entoe o Orate Fratres
- é permitido, mas não recomendado, sentar-se após o sacrário ser fechado, depois da comunhão (nunca se sentar durante a distribuição da comunhão ou com o sacrário aberto).

Seria uma falta não estar de joelhos: (salvo doença)
- na consagração
- a partir do Ecce Agnus Dei, quando o padre mostra a hóstia,  até que o Sacrário seja fechado
- na bênção final

36) O que se deve fazer após a comunhão?
Quando nos levantamos da mesa de comunhão, carregamos Jesus no coração. Toda nossa atenção deve estar voltada ao hóspede divino que nos vem visitar com tanto amor e misericórdia. Uma atitude compenetrada, o olhar voltado para baixo, silêncio na alma e no corpo. Chegando ao nosso lugar, ficamos de joelhos, procuramos fechar os olhos e rezar em silêncio, saboreando este encontro sublime com Nosso Salvador. Podemos também, para ajudar a concentração, rezar as orações tradicionais de “ação de graças”, como se encontram no próprio missal ou nos livros de oração.

37) Quando o padre sai da igreja, no final da missa, devemos sair também?
Quanto vale um só instante com Jesus presente em nós? Vale a pena prolongar nossas orações e nosso silêncio, principalmente se considerarmos que durante a semana, são raros os momentos de silêncio e oração. Fiquemos alguns instantes com Jesus em ação de graças, após a Santa Missa. O padre também volta à igreja para rezar sua ação de graças. Procuremos não impedi-lo, com nossas necessidades, de fazer sua ação de graças.

O uso do missal

38) Como podemos nos localizar melhor quando seguimos a missa no missal?
- O Ordinário da Missa fica no meio do missal. Ponha um marcador reservado para o Ordinário. É a parte fixa que se reza em todas as missas.
- Temporal : Toda a parte que precede o Ordinário é chamado de Temporal (missas próprias para o tempo): engloba todas as missas dos domingos ao longo do ano além de algumas outras missas que podem cair em dia de semana mas que estão inseridas nos mistérios da vida de Jesus Cristo: Natal, Epifania  e outras. Ponha um marcador reservado também para esta parte
- Santoral : Logo depois do Ordinário vem o Santoral. Missas dos Santos. Dividido em duas partes:
            - Comum dos Santos – são missas indicadas para diversos santos : comum dos confessores, ou comum dos mártires etc. No dia do santo está indicada a página quando se deve usar a missa do comum. Ponha um marcador par o Comum dos santos.
            - Próprio dos Santos – são as missas indicadas no dia mesmo do santo. Junto com a missa vem uma breve notícia histórica sobre a vida do santo. Vale a pena abrir todos os dias o missal para acompanhar os santos de cada dia. Ponha um marcador para o próprio dos santos.
- Missas votivas – São missas que rememoram algum mistério fora de época, para quando não houver nenhuma missa indicada naquele dia.
- Missa dos defuntos – todas as orações que devemos fazer nos enterros e nas doenças graves para pedir a Deus pelos nossos parentes e amigos.
- Manual de orações – muitas orações, ladainhas, consagrações, hinos, cânticos se encontram ainda no fim do missal. Não deixe de conhecer profundamente todas elas.

Outras obrigações dos fiéis

39) Além da assistência à Santa Missa, o que mais é pedido aos fiéis?
A Santa Igreja em sua sabedoria e para o bem de nossas almas, maior glória de Deus e para nossa salvação, pede ainda outras obrigações, que devemos procurar realizar com espírito de obediência e amor por Deus Nosso Senhor. São os chamados “Mandamentos da Igreja”.

40) Quais são esses Mandamentos?
São cinco:
- Assistir a missa inteira aos domingos e dias Santos de Guarda
- Confessar-se uma vez por ano pelo menos
- Comungar por ocasião da Páscoa
- Fazer jejum e abstinência nos dias prescritos
- Dar o dízimo segundo o costume

41) Porque a Igreja nos obriga a confessar e comungar na Páscoa?
Sendo a mais importante festa do Ano Litúrgico, centro dos mistérios da vida de Nosso Senhor, a Igreja considera que todos os católicos devem realizar este mínimo de amor por Jesus Sacramentado. Não significa que esta comuhão seja suficiente. O ideal seria que comungássemos todos os domingos. Mas a obrigação da comunhão pascal nos impele a fazer um bom exame de consciência. Quantas pessoas receberam a graça da conversão devido à confissão para a comunhão pascal.

42) Quais os dias Santos de Guarda?
Na Igreja Universal são dias santos de Guarda:
- Oitava de Natal (1º de janeiro)
- Epifania (6 de janeiro)
- São José (19 de março)
- Ascensão de Nosso Senhor
- Corpus Christi
- São Pedro e São Paulo (29 de junho)
- Assunção de N. Senhora (15 de agosto)
- Todos os Santos (1º de novembro)
- N. Sra da Conceição (8 de dezembro)

Em cada país a legislação muda quanto aos dias feriados. Todos os católicos devem fazer um esforço para ir à Santa Missa nos dias santos de Guarda quando não for feriado.

43) Quais os dias de jejum obrigatório?
Atualmente, apenas na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Mas o espírito da Quaresma nos move a jejuar com maior frequência, mesmo não sendo de obrigação. Leia mais sobre o jejum e a abstinência

44) Ainda é de rigor a abstinência de carne nas sextas-feiras?
Sim. Toda sexta-feira do ano devemos nos abster de comer carne (podemos comer peixe), em honra e em memória das dores da  Paixão de Cristo.

45) Porque existe a obrigação do dízimo?
Os padres não recebem salários, mas se dedicam em tempo integral às almas. Vivem atentos a todas as necessidades espirituais, e muitas vezes, às necessidades materiais dos seus fiéis. Nada mais justo que as famílias prevejam a subsistência do seu padre.

46) Como se paga o dízimo em nossas Capelas?
Cada família costuma deixar no início do mês uma quantia para este fim. Ela varia de acordo com as possibilidades de cada. Mas todos devem estar atentos para não faltar, de modo a cumprir esta grave obrigação que a Igreja nos impõe, em nome da Caridade e que não deixa de reverter-se para o bem dos próprios fiéis.


Fonte: Capela

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A JUVENTUDE CATÓLICA E OS SEUS CLAMORES

Por Pedro Ravazzano


Quantas vezes nós não ouvimos as mais absurdas argumentações para endossar o erro, o abuso e a irreverência na Igreja? Entretanto, sem dúvida alguma, um dos raciocínios comumente utilizados é a dita “modernização” para aproximar a fé aos jovens. Deve ser frisado, antes de qualquer coisa, que se a nossa crença vem de Deus, reflete, então, a Sua imutabilidade e eternidade – e, sendo assim, pensar numa adaptação que não seja do trabalho pastoral não é apenas uma falácia, mas uma heresia. Ademais, os jovens não passam de falsos pretextos usados para justificar a megalomania e desobediência de muitos religiosos que, de maneira mesquinha, preferem seguir teologias próprias a serem fiéis à Igreja. A juventude, na realidade, não aprecia e nem muito menos compactua com tais imprecisões. Os jovens preferem a mais sincera ortodoxia e honesta piedade.

Quem nunca assistiu, ou ouviu falar, de “Missa dos jovens”? Essa nomenclatura é totalmente inapropriada, não só porque a Missa é apenas uma, porque apenas um foi o Sacrifício, mas também porque o rito da Liturgia não permite tal flexibilidade, a ponto de serem criadas novas rubricas e normas baseadas em impressões pessoais acerca da celebração. Entretanto, o problema é mais profundo do que um simples nome. As tais “Missa dos jovens” se distanciam, e muito, da reverência ao Sacrifício.


A Missa é renovação do Sacrifício do Calvário; “A Eucaristia é, portanto, um sacrifício porque representa (toma presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica seus frutos”, “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício.” S.S João Paulo II disse, na encíclica Ecclesia de Eucharistia: “A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário (n. 12, itálicos do original)” Ademais, lembremos que o Concílio de Trento declarou solenemente que o Sacrifício da Missa era o centro da Liturgia católica, em oposição aos ensinamentos heréticos de Martinho Lutero que diziam que a Missa era apenas um banquete de realidade simbólica - heterodoxia esta que, atualmente, deixou de ser exclusividade protestante e passou a ser defendida até mesmo entre católicos.

Muitos alegam que a Ressurreição também é renovada, e esse seria o motivo do regozijo meramente humano – bem diferente da santa alegria espiritual. Entretanto, enquanto a Paixão é, de fato, atualizada e presente sacramentalmente, a Ressurreição não passa de um recordação sem nenhuma realidade substancial presente, tanto é assim que nós “Anunciamos” a morte do Senhor e “Proclamamos” a Sua Ressurreição. O que isso representa? A morte de Cristo é renovada misticamente, atualizada na Missa em comunhão com o Calvário, se faz presente plenamente. Já a Ressurreição não ultrapassa a barreira temporal, não é atualizada na Celebração e lembrada apenas enquanto evento que se deu no tempo. Assim, podemos concluir que - ou as pessoas desconhecem o caráter sacrificial da Liturgia e por isso são permissivos aos abusos e corrupção - ou então, em franca desobediência ao que sempre foi crido pela Igreja e pelo povo Deus, sancionam, através de imprecisões teológicas e heresias, a lastimosa transformação do correto espírito litúrgico.

A Missa é Calvário e como Calvário nos pede uma espiritualidade específica - ou será que alguém tocaria bateria, guitarra e baixo sob os pés de Cristo? Para algo ser digno da Missa deve excluir tudo de profano, não porque seja apenas um capricho da Igreja, mas porque a Liturgia, sendo um pedaço no Céu na terra, deve servir como uma prévia do esplendor da morada celeste. Entretanto, quando profanamos a Liturgia, deixando que seja mundanizada, impedimos não a realidade sobrenatural da Missa, que sempre há quando existem celebrações válidas, mas diminuímos os efeitos de santidade causados no povo de Deus.

Os defensores das tais Missas jovens alegam, também, que estas celebrações aproximam a juventude da Igreja. Tal argumento não pode prosperar. A uma, porque a Liturgia não é ferramenta catequética, os que assistem e comungam são aqueles que entendem o que é celebrado no altar. A duas, porque estamos prestando um desserviço aos jovens. É justamente por amá-los que devemos nos esforçar para apresentar o esplendor da Missa, a sua realidade sacrificial e mística. Quando, pelo contrário, deformamos a Liturgia, mesmo com a melhor das intenções, estamos mostrando a nossa pequenez e egoísmo, já que impedimos a juventude de conhecer a sobrenaturalidade da Missa. Ora, nós amamos Cristo e justamente por amá-Lo queremos que os jovens O conheçam. Mas como apresentar os jovens a Cristo se nós somos os primeiros a deformar o Seu Sacrifício e ainda alegando que isso é para o seu bem? Vejam a óbvia contradição! A nossa fidelidade aos ensinamentos de Nosso Senhor deve nos motivar, justamente, a anunciá-los por todos os cantos, sem modificações, sem opiniões pessoais, sem desonestidade - do contrário estaremos prestando um desserviço a Cristo e aos jovens, impedindo-os de experimentar Jesus em toda a Sua grandeza.


Papa Bento XVI na JMJ 2008
 O Santo Padre nos esclarece essa questão quando da Jornada Mundial da Juventude. As Missas da JMJ em nada se aproximam da "algazarra litúrgica" tão comum nos dias de hoje. As celebrações se encontram submersas na mais sublime mística e sobrenaturalidade. Vale lembrar que estamos falando de um dos maiores eventos da Cristandade e que tem como público os jovens de todos os cantos do mundo. Se as tais “Missas jovens” gozassem de licitude seria a Jornada o momento adequado para a prática dessa mentalidade litúrgica, entretanto, o que presenciamos é justamente o contrário; sobriedade, sacralidade e solenidade.

Além de tudo isso, os defensores de tais celebrações alegam que os jovens não gostam de Missas bem celebradas. Primeiro que, com a atual realidade religiosa, eu realmente duvido que todos os garotos desse país tenham tido acesso a Celebrações decorosas. Em segundo lugar, nada, absolutamente nada, justifica a deformação do correto espírito litúrgico. Quer dizer que as preferências e gostos dos jovens estão acima da digna reverência ao mistério do altar? Então os desejos da juventude devem ser cumpridos imediatamente em detrimento não apenas do ensino da Igreja como da reverência ao Sacrifício? Que inversão total e completa! Entretanto, faço questão de frisar que é realmente difícil saber se os jovens de fato apreciam tais celebrações. Começa que não poucas são as Congregações que definham porque não conseguem renovar as suas fileiras e muitas delas são, justamente, as que insistem na defesa das “Missas jovens”. Será que não percebem que a difusão dessa espiritualidade relaxada, que eles consideram “jovem”, talvez seja o motivo da crítica situação em que vivem? Lançando mão de um jargão popular: é dar murro em ponta de faca. Chega a ser caricato, mas acima de tudo, triste, perceber que Ordens belíssimas murcham por dentro por falta de renovação e que, mui provavelmente, o motivo desse retrocesso seja a insistência numa mentalidade que pouco acende nos jovens o fervor religioso e o espírito devocional.

A Conferência Nacional de Vocações, nos EUA, encomendou uma pesquisa e descobriu que, atualmente, a esmagadora maioria dos vocacionados rumam para Congregações onde há piedade, fidelidade ao Magistério, uso do hábito, oração e vida comunitária. Além de sinalizar que os jovens chamados por Deus buscam a Tradição, a pesquisa mostrou que as ordens religiosas que se distanciam do carisma, rejeitam a própria história, adotam teologias imprecisas e tratam com descaso os ensinamentos da Igreja, estão atraindo cada vez menos vocações. Assim disse Irmã Maria Bendyna, diretora executivo do Centro para Pesquisa Aplicada no Apostolado da Universidade de Georgetown: "Eles [os jovens] são mais atraídos por um tradicional estilo de vida religiosa, onde há vida comunitária, oração comum, com Missas conventuais, Liturgia das Horas. Além disso, a fidelidade à Igreja seria importante para eles. Eles buscam comunidades inequívocas, cujos membros vestem hábito”. Entretanto, mesmo aqueles que não são verdadeiramente vocacionados, que se aproximam das Congregações apenas tocados pela beleza e pela piedade que exalam, são belíssimos exemplos de como o uso dos hábitos, os cantos, as Missas decorosas, santificam as almas, causam um bem tão sublime que faz com que jovens confundam devoção com vocação. Apenas nas mentes tresloucadas dos religiosos adeptos de teologias estranhas que tudo isso não passa de ornamentos desnecessários que atrapalham a fé do povo. A prova inconteste do erro de tais conclusões é que crescem as dioceses e congregações que primam pela ortodoxia e sacralidade e definham aquelas que ostentam orgulhosas a bandeira do modernismo mesmo quando o barco já se encontra quase naufragado em meio ao oceano.

Então do que estamos falando, em concreto? De religiosos que realmente têm um sincero foco pastoral ou de religiosos que apenas tentam justificar a própria soberba teológica com argumentos pífios? Ora, se, de fato, houvesse esse sincero desejo de aproximar a fé dos jovens, de propiciar um ambiente religioso sadio que favorecesse o desenvolvimento de vocações, seria muito mais natural e lógico defender estratégias constatadamente eficientes que, não por acaso, sempre estão alicerçadas sobre os ensinamentos da Igreja. Entretanto, o posicionamento dos relativistas peca, justamente, nesse ponto. A banalização do sagrado, o combate ao espírito de piedade e devoção, apenas afastou os jovens do chamado religioso, tanto é assim que as Congregações, Ordens e Dioceses que comungam de tais absurdos vivem verdadeiras crises por falta de renovação. Do outro lado da moeda, os religiosos que buscam a fidelidade ao Magistério, que primam pela ortodoxia e contrição, conseguem conquistar muitos jovens católicos que, mesmo quando não têm vocação, são tocados pela forte reverência, humildade e sinceridade da fé. Em suma, a dita modernidade tão aclamada e usada para justificar todo o tipo de erro e desobediência, não passa, nesse caso, do herético e condenado modernismo, onde, a sua insistência por tais religiosos, é menos pelos jovens e mais pelo radicalismo que têm na defesa daquilo que consideram sensato e correto, mesmo quando se opõe aos ensinamentos da Igreja que eles dizem seguir.

Nesse ponto gostaria de fazer uma reflexão mais aprofundada a respeito do hábito eclesiástico, já que, querendo ou não, se encontra intimamente ligado à renovação vocacional, e vamos saber o motivo.

Muitas vezes os defensores da abolição do hábito eclesiástico argumentam dizendo que o importante, de fato, é o interior, a essência. Entretanto, essa falsa dialética entre o corpo e a alma, exterior e interior, é estranha aos mais básicos ensinamentos cristãos; ao contrário, se assemelha às concepções heréticas tão comuns na Idade Média; cátaros, albigenses, gnósticos de todos os tipos etc. Negar a superioridade da alma é um erro que atinge pontos cruciais do cristianismo, assim como outra falácia de proporções grandiosas é menosprezar o corpo e o fato de constituir, juntamente com a alma, uma única substância. Exemplificando, a alma é o cavaleiro e o corpo é o cavalo; o cavaleiro sem seu cavalo é derrotado e o cavalo sem o cavaleiro é descontrolado. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira esclarece a questão: “Está na ordem natural das coisas que o homem espelhe sua alma na fisionomia, na voz, na atitude, nos movimentos. E como o traje deve revestir o corpo humano, é natural que o homem se sirva também dele como elemento de expressão. Tanto mais quanto o traje a isto se presta eximiamente (...) a necessidade de expressão da alma é uma conseqüência imperiosa do instinto de sociabilidade. De onde, recusar ao homem esta possibilidade é, em si, falsear o próprio modo de ser da alma (...) os costumes sociais consagraram em todos os tempos e lugares certos trajes como característicos de profissões ou estado de vida, que exijam uma conformação de alma muito peculiar. E sempre se entendeu, com razão, que o traje profissional auxilia o homem a realizar inteiramente sua mentalidade. De um militar que tivesse antipatia à farda, de um juiz que tivesse ódio à toga, nada se auguraria de bom. (...) Dizer-se, pois, que o hábito não faz o monge, ou a farda não faz o herói, é e não é verdade. Com efeito, o homem não se torna monge, ou militar, autêntico só por adotar o traje próprio a tal estado. Mas o hábito monástico facilita ao homem de boa vontade tornar-se bom monge. E o mesmo se pode dizer da farda.”

São João Bosco
Isto posto, devemos partir para a reflexão pretendida. O hábito eclesiástico, por ser um símbolo, tem um fim pedagógico. Claro que, infelizmente, muitos homens na atualidade vivem um verdadeiro analfabetismo simbólico, ou seja, incapacitados de reconhecer símbolos que refletem a riqueza e a genialidade do próprio ser humano. O Cristianismo, sem a menor dúvida, foi o maior promotor dessa via de evangelização; usou e abusou da beleza simbólica como ferramenta de catequização e conversão, já que a via pulchritudinis, juntamente com o simbolismo sacro, dialoga diretamente com a alma. A relevância simbólica do hábito é tão óbvia que até mesmo os adeptos da Teologia da Libertação, na década de 70, entendiam. Dentro dos conventos, mosteiros e paróquias o uso era proibido e visto como “reacionarismo”, entretanto, quando das passeatas, protestos e levantes os Sacerdotes, frades e monges faziam questão de ostentar suas batinas, hábitos dominicanos e vestes franciscanas. O hábito, como um sinal visível, engrandecia e destacava claramente as reivindicações feitas que, de certo, passariam desconhecidas se não houvesse um símbolo tão enfático da presença religiosa. A mesma realidade simbólica do hábito eclesiástico motivou o ódio dos comunistas na Europa Oriental. Quantos Sacerdotes, frades, freiras, monges, foram martirizados apenas por usar uma simples veste? O que, então, fundamentava a ira dos bolcheviques? Até mesmo os seguidores do marxismo genocida reconheciam que o hábito era um sinal claro da presença religiosa, justificando, assim, a violenta ojeriza. Durante as perseguições os homens e mulheres consagrados a Deus se recusavam a tirar seus hábitos por entender que seus efeitos e qualidades, como a constante recordação da consagração, combate aos efeitos da dessacralização social etc, estavam além de um simples sentido indumentário; o hábito era o distintivo da presença dos soldados de Cristo!

Beato Antônio Cheverir, fundador do Instituto do Prado, escreveu no seu grande livro, “O Verdadeiro Discípulo” que "É necessário que se veja Jesus Cristo no nosso exterior, na nossa atitude, no nosso porte, na nossa palavra, nas nossas ações, nas nossas mãos, nos nossos pés, nos nossos olhos, na nossa cabeça, em todo o nosso ser, porque todo o nosso ser deve revelar Jesus Cristo e espalhar o poder das suas virtudes. O corpo é a expressão da alma. É pelo corpo que nós edificamos. É também pelo corpo que nós escandalizamos. Os fiéis não vêem a alma, só vêem o corpo." Além disso, comentou que “Devemos, pois, suprimir do nosso exterior todo o adorno inútil e ocupar-nos muito mais em adornar o homem interior que se não vê, do que em adornar o homem exterior que se vê. Devemos suprimir das nossas vestes tudo o que cheira a luxo, elegância etiqueta, finura, requinte, arranjo, limpeza excessiva, tais como roupa branca fina, engomada, colarinhos, punhos, sapatos de verniz, borlas etc...tudo o que agrada, é bonito, engraçado, amável, o que seduz o olhar.” Na mesma linha disse São Josemaría Escrivá; "Oxalá fossem tais o teu porte e a tua conversação que todos pudessem dizer, ao ver-te ou ouvir-te falar; "Este lê a vida de Jesus Cristo"" E tudo isso não é verdade? Quando o religioso se nega a usar o hábito ele sucumbe aos gostos mundanos, à moda, aos prazeres estéticos ligados ao pecado dos homens.

O exterior deve refletir o interior e, como já vimos, a dicotomia alma X corpo não é válida como argumento contrário ao hábito eclesiástico. Ademais, muitos afirmam que como o interior é, de fato, o mais importante, pouco importaria a exposição e externalização da fé através dos símbolos. Ora, tal mentalidade se encontra na contramão do cristianismo. Citarei apenas dois pontos basilares da Religião; as obras e a profissão de fé. Não é pela obra que a fé é confirmada? E o que seria a obra senão a concretização objetiva da nossa crença? E o Credo que rezamos? Não é, justamente, a vocalização, logo a exposição concreta, da nossa doutrina, da nossa fé interior? E por que fazemos? Porque a externalização é a maneira mais eficiente de confirmar aquilo que cremos.

De fato, nada valeria ter um exterior primoroso e internamente alimentar a discórdia e o pecado. Aquela máxima “o hábito não faz o monge” é realmente verdadeira, mas não podemos negar que mesmo não fazendo o religioso, o hábito ajuda. Como são tocantes as palavras de Mamãe Margarida ao seu filho, São João Bosco, quando da recepção da batina e da entrada no Seminário Maior: “não é o hábito que honra o teu estado, mas as virtudes que praticares. Se por desgraça chegares um dia a duvidar da tua vocação, ah! por caridade! não desonres a batina. Larga-a imediatamente. Prefiro ter como filho um pobre camponês a um padre negligente nos seus deveres!” A Venerável mãe do fundador dos Salesianos entendia que mesmo a batina não fazendo o Sacerdote, a sua simbologia representava a santidade que o Presbítero tinha que ostentar e transmitir aos homens e mulheres no mundo. O próprio Dom Bosco, ainda seminarista, numa caçada com os amigos no período de férias, se envergonhou muito quando depois do fim vitorioso da incursão percebeu que havia deixado a batina no pé de uma árvore. Claro que o grande santo italiano não estava enrubescido por conta de uma simples veste, mas sim por ter reconhecido que o hábito eclesiástico, sendo símbolo visível de sua consagração, deve ser reverenciado e exposto, servindo não apenas para dialogar com os outros, mas para sempre lembrar o caminho escolhido pelo religioso. O hábito é um constante vigiai!

O hábito, a batina, pesa, e pesa por ser um distintivo claro; quem vê um religioso vestido como deve se vestir sabe, de imediato, que se trata de um consagrado a Deus. Assim, este passa a ter a obrigação de se policiar com um zelo muito mais delicado, já que os olhos do mundo estão mirados sobre ele. Ou seja, o Sacerdote, o frade, a freira, que passam na rua, se tornam modelos não apenas de crente, mas de cidadão. Isso pesa, e muito! Por isso que alguns preferem guardar os hábitos nos armários e andar pelas calçadas sem a tensão de serem vistos, analisados e repreendidos pelo povo que, com razão, espera dos religiosos atitudes santas e legais.

Outras falácias usadas na defesa do não uso do hábito eclesiástico sequer se sustentam. Alguns dizem que afasta o povo da Igreja, quando, não ironicamente, as paróquias mais submersas no próprio relativismo são as que mais se esvaziam em contraste com os locais onde os religiosos primam pela piedade e contrição. Ademais, mesmo que afastasse, não seria justificativa para desobedecer a uma norma canônica. Vale frisar que o uso do hábito eclesiástico é regulado pela Santa Sé que, obviamente, indica e estimula a sua utilização. Ora, o Vaticano obrigaria ao uso apenas por um fetichismo visual, uma estética vazia, ou haveria um sentido muito mais profundo por detrás das vestes? “Aquila non capit muscas.” A Igreja não se preocupa com ninharias, como disse Dr. Plínio Corrêa de Oliveira. Roma, como manancial da fé cristã, reconhece que o hábito eclesiástico é um símbolo que externaliza a realidade consagrada dos homens e mulheres que se entregam a Deus, é um testemunho silencioso num mundo onde as palavras são cada vez mais rápidas. Não é uma contradição óbvia que enquanto o orbe se laiciza, se perde no ateísmo, na imoralidade, os religiosos, justamente quando mais é necessário, escondem os símbolos, guardam as bandeiras de Cristo e jogam de lado a farda da luta?

De todo o modo, o que o hábito eclesiástico tem a ver com os jovens? Pois bem, a já citada pesquisa da Conferência Nacional de Vocações, nos EUA, mostrou aquilo que, empiricamente, todos já sabiam; os jovens se aproximam das Congregações e Ordens onde o uso do hábito é estimulado e freqüente. Por quê? Primeiramente pelo fato de o hábito ser um distintivo claro e óbvio de fé. Da mesma forma, porque, hoje em dia, a demonização da veste eclesiástica – que tenta vender a imagem de que os padres que ostentam a batina são homens de moral duvidosa que apenas a usam para esconder um interior decadente - é motivada e influenciada por opositores que vão além das vestes, combatendo, igualmente, a sobriedade litúrgica, a doutrina, relativizam o ecumenismo etc. Ou seja, o uso do hábito tomou maiores proporções porque se tornou um selo de qualidade, ou seja, quem sabe da sua importância e relevância mui provavelmente defende a piedade e fidelidade; o hábito se transformou num distintivo religioso para o mundo e num distintivo de ortodoxia dentro da Igreja. Na mesma linha, quase sempre os opositores a ele também incidem nas mais absurdas heresias e abusos.

Os jovens, como qualquer fiel, procuram Deus e Seu esplendor. Ora, quantas vezes o Senhor Se encontra ofuscado dentro de um discurso assistencialista, de cunho político, que apenas maquia e menospreza a real caridade cristã? Cristo é mais facilmente encontrado nos atos de piedade e contrição que refletem a sincera e entregue fé dos homens e mulheres consagrados. Quando o jovem tem o chamado religioso, quer ser religioso de fato, com tudo aquilo que tem direito e representa a sua congração a Deus, afinal, para trabalhar com assistência social ou se passar por psicólogo, ninguém precisa fazer votos, basta seguir a carreia profissional. Por isso que, não por menos, as Congregações perdidas no relativismo sofrem com a falta de vocações, problema que só é resolvido quando vão atrás de jovens dentro das comunidades pobres, acenando a eles com a possibilidade de instrução.

O jovem chamado ao carisma dominicano, por exemplo, quer ser dominicano, se vestir como dominicano, seguir a regra dominicana, se espelhar nos santos dominicanos, agir como um dominicano, ser um filho de São Domingos. Ora, quem em sã consciência pensa: “Eu quero ser dominicano, mas não vou seguir a regra, não quero usar o hábito, não pretendo rezar como pedem as Constituições, não vou ler a vida do Fundador e sequer serei fiel ao carisma.” Isso é vocação? Óbvio que não, é deformação, por isso que estas anomalias surgem dentro dos conventos, mosteiros e casas religiosas, e não no período de florescimento do chamado que, ao contrário, é um momento extremamente belo e tocante.

Um jovem chamado por Deus para um carisma religioso tem o mesmo chamado que um jovem de décadas e séculos anteriores, isso porque se o carisma foi dado pelo Senhor reflete a Sua eternidade e imutabilidade, daí que permaneça o mesmo. O que difere, obviamente, é a ação pastoral, por isso a importância de acompanhar os tempos, já que, infelizmente, ao longo dos anos o mundo sucumbe ao pecado, sendo necessário, em consequência, novas estratégias e métodos de evangelização. Entretanto, e é bom destacar, acreditar que a mudança dos tempos pede também uma transformação na crença é incidir “na síntese de todas as heresias”; o modernismo. Afinal, se a doutrina muda com os tempos, então Deus também muda, já que a doutrina vem de Deus. Mas Deus não muda, é imutável; logo se a doutrina muda ela não vem de Deus, mas sim dos homens. Ou seja, afirmar que a crença deve ser modificada com os tempos é dizer que ela é relativa e escrava do mundo, ou seja, rebaixamos a crença e não elevamos os homens.

O mundo seria muito mais santo se os religiosos fossem fiéis aos ensinamentos da Igreja! A pesquisa de vocações veio confirmar aquilo que a Mater et Magistra sempre soube e sempre ensinou, mostrando, agora em estatísticas, que a fidelidade, piedade e ortodoxia tão pedidas pelo Magistério realmente são eficientes “mercadologicamente”, ou seja, angariam jovens e conquistam moças e rapazes, entretanto, esse sucesso dos hábitos, das Missas bem celebradas, das orações, não reflete uma estética vazia e uma beleza sem sentido, ao contrário, a eficiência religiosa-vocacional se ergue sobre a realidade sobrenatural que tudo isso expressa, daí que os jovens se sintam tocados.

A saída para a tão divulgada “crise de vocações” é clara. A receita contra esse mal perpassa, obrigatoriamente, pela união espiritual e prática com a Igreja e seu Magistério, afinal espelha a própria voz de Cristo e o Depósito da Fé por Ele deixado. Muitas são as Congregações que não sabem o que é ter o número de vocacionados reduzido e que, bem diferente da realidade pintada pela mídia, ainda têm filas de espera por falta de espaço físico para novos postulantes. Também nos é conhecida histórias de conventos, mosteiros e casas religiosas que através da ação de um superior piedoso mudaram radicalmente de postura, execrando erros e desobediências, refletindo, assim, no aumento de vocações e interessados. Atualmente, e não por acaso, os movimentos, institutos, congregações, prelazias, que mais crescem são aqueles que estão unidos aos mais sinceros clamores da Igreja e do mundo, que buscam a evangelização concreta e a difusão da fé cristã em todo o orbe.

Nesse momento é impossível não se lembrar da intervenção de Hilaire Belloc; “Os velhos ainda podem se lembrar da rebelião desconfortável contra a tradição, mas os jovens só percebem por si mesmos quão pouco foi deixado para se rebelarem, e muitos temem que, antes de morrerem, o corpo da tradição terá desaparecido.” Os jovens, sem a menor dúvida, são hoje os maiores defensores da Igreja, da Tradição, do Magistério. Tamanho “reacionarismo” escandaliza os senhores de cabelos brancos que, justamente, no passado, se levantaram em combate a tudo isso, contra aquilo que consideravam ultrapassado. Hoje, a juventude mostra que ser jovem e ser do século XXI não é negar os mais preciosos legados de Cristo perpetuados dentro da Igreja por Ele instituída. Os religiosos que, no tempo pretérito, abraçaram com fervor teologias imprecisas, hoje se assustam quando vêem que os jovens guerreiam e lutam contra o que defenderam. A juventude católica quer apenas ter o direito e a liberdade de ser... católica!


Para citar este artigo: RAVAZZANO, Pedro. Apostolado Veritatis Splendor: A JUVENTUDE CATÓLICA E OS SEUS CLAMORES. Disponível em Veritatis. Desde 26/11/2009.