sexta-feira, 17 de maio de 2013

Edito de Milão, 1700 anos!




O que este documento tem de importante e qual é a sua atualidade na sociedade de hoje? 
Crato, Maio de 2013 (Zenit.org)

Este ano é aniversário do famoso Edito de Milão com o qual o Imperador Constantino (306-337) reconhecia a liberdade de culto à religião cristã. Era o mês de fevereiro do 313. Passaram-se exatamente 1.700 anos.

O Card. Angelo Scola, no dia 6 de dezembro de 2012 abriu solenemente as celebrações dessa comemoração na catedral de Milão. 


Mas, o que este documento tem de importante e qual é a sua atualidade na sociedade de hoje? 


Precisamos começar um pouco distante no tempo. 

Jesus provavelmente morreu na Palestina no ano 30 que a partir do 64 a.C. estava sob o protetorado do Império Romano. Naquele ano o Governador (representante do Imperador) era Pôncio Pilatos (26-36), que assinou a sentença de morte de Jesus. 

Era costume romano que os Governadores enviassem a Roma um relatório oficial sobre os acontecimentos da região confiada aos seus cuidados. Desta tradição nos informa o primeiro historiador do cristianismo, Eusébio de Cesaréia (260-340), na sua História Eclesiástica: “Pilatos, segundo um antigo costume de que o governador das províncias transmitisse as novidades ocorridas nelas ao detentor do poder real, a fim de que este ficasse bem informado de tudo, comunicou ao imperador Tibério...” (II, 2, 1). 

Naqueles anos, o Imperador era Tibério (14-37). Pilatos enviou a Tibério um informe mostrando-se favorável aos Cristãos e falava também de Jesus, mas desta vez o elogiava e apresentava a Tibério a proposta de reconhecer a sua divindade. 

Esta carta é do ano 35. 

Justino (100-165) nos confirma em dois passos da sua I Apologia, depois de ter resumido a vida de Jesus: “Que tudo isso aconteceu assim, podeis comprová-los pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos” (I, 35, 9). Outro passo: “Que tudo isso foi feito por Cristo, vós o podeis comprovar pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos” (I, 48, 3). 

Também Tertuliano (cerca de 155 - cerca de 245) nos transmite esta notícia no Apologético (197 d. C.): “Pilatos, já cristão no seu coração, relatou a César, que então era Tibério, todos os fatos relativos ao Cristo” (21, 24). 

Então o reconhecimento da divindade do fundador de uma religião, condição indispensável para que o exercício deta religião fosse admitido no império, era responsabilidade do Senado de Roma. Tertuliano nos dá a notícia: “Existia um antigo decreto de acordo com o qual o comandante supremo não tinha nenhum direito de deificar uma pessoa sem a aprovação do Senado” (Apocalipse, 5, 1). 

Tibério enviou o relatório de Pilatos ao Senado mostrando o seu desejo de que Cristo fosse reconhecido como Deus. Aqui veio o conflito de competências. O Senado não gostou desta "pressão" do Imperador, e para defender a sua autonomia, recusou reconhecer em Cristo as prerrogativas da divindade. Portanto respondeu negativamente a Tibério. 

Este documento é do ano 35 d.C. e é conhecido na história como "Senatus Consultum". 

Desde então, a religião cristã foi considerada no império como “religio non licita”. 

É ainda Tertuliano que nos informa sobre isso: “ Tibério, quando informado da Síria-Palestina que lá embaixo se tinha revelado a divindade de Cristo, submeteu a questão ao Senado com voto favorável. O Senado, não tendo aprovado tais fatos, os rejeitou” (Ap, 5, 2). 

Eusébio nos apresenta assim os fatos: “Conta-se ter Tibério relatado a questão ao Senado, o qual, contudo, rejeitou a proposta… Uma antiga lei estabelecera que, entre os romanos, ninguém fosse divinizado, senão através de votos e decreto do Senado... O Senado romano rejeitou desta forma o projeto que lhe fora apresentado acerca de nosso Salvador” (H. E., II, 2, 2-3). (Para ver este documento. Marta Sordi, Império Romano e do cristianismo, Escritos Selecionados, Institutum Patristicum Agostinianum, Roma, 2006, p. 33-69). 

Pelo qual do 35 d. C. os cristãos não podiam professar oficialmente a sua religião em quanto não reconhecida pelo Senado. Esta situação durou até o 313. 

Não necessariamente os cristãos deveriam ser perseguidos. Isso dependia da mentalidade dos Imperadores e da conveniência política. 

Nos primeiros três séculos acontecem várias perseguições. 

O escritor Lactâncio (260-340, aproximadamente) em sua obra: A morte dos perseguidores (escrito logo após o 313) apresenta as perseguições mais ferozes e em territórios geográficos mais amplos, sob os seguintes imperadores: Nero (54-68), Domiciano ( 81-96), Décio (249-251), Valeriano (253-260), Aureliano (270-275), Diocleciano (284-305), Galério (305-311). 

Mas houveram outras em territórios mais delimitados durante os Imperadores: Trajano (98-117), Adriano (117-138), Antonino Pio (138-161), Marco Aurélio (161-180) Septímio Severo (193-211), Gallo (251-253).

Após a vitória sobre Maxêncio no Ponte Mílvio (Roma), em 312, Constantino mudou o estatuto jurídico dos cristãos, com o famoso Édito (fevereiro de 313).
Na verdade, este documento não foi assinado no Fevereiro de 313 em Milão. Após a vitória, Constantino e Licínio (308-323) fizeram acordos em Milão no mês de fevereiro, mas a assinatura e a publicação desses acordos acorteceram no dia 13 de junho de 313 na cidade de Nicomédia. Desta forma se abolia o documento do Senado do ano 35. 

O texto nos é trazido por Lactâncio (A morte dos perseguidores, cap. 48) e por Eusébio (História, X, 5, 2-14). 

Isto significou que o cristianismo não era mais passível de perseguição mas entrava com todos os direitos no Império Romano. 

Devido à sua importância transcrevo de Eusébio a parte mais importante: 

“Não se deve recusar a libertade da religião, mas é preciso deixar à razão e à vontade de cada um a faculdade de se ocupar das coisas divinas, conforme preferir... Resolvemos, em primeiro lugar e antes de tudo, dar ordens para assegurar o respeito e a honra à divindade, isto é, decidimos conceder aos cristãos e a todos a livre escolha de seguir a religião que quisessem... Declaramos nossa vontade de que a ninguém absolutamente se recuse a libertade de seguir e preferir a observância ou a religião dos cristãos e de que seja concedida a cada qual a liberdade de dar consciente adesão à religião que julgar melhor...Assim, após a supressão completa das cláusulas contidas a respeito dos cristãos, ficasse abolido o que se mostrasse inteiramente injusto e contrario à nossa brandura, e que agora, livre e simplezmente, cada un daqueles que tomaram a livre decisão de praticar a religião dos cristãos, possa observá-la sem nenhum impedimento”. 

Dá para imaginar a alegria dos cristãos por este Édito. Eusébio de Cesaréia escreveu uma Vida de Constantino elogiando muito mesmo esse Imperador. Além disso na Igreja do Oriente, Constantino é considerado um santo. 

Certamente mais do que por razões religiosas, Constantino agiu por razões políticas. É suficiente pensar que Constantino só decidiu ser batizado quando estava para morrer. 

Mas isso não diminui o grande mérito e intuição que ele teve ao reconhecer que já a realidade no Império tinha mudado, que já o cristianismo e a Igreja tinham uma função social e jurídica, pelo qual já era anacronístico continuar com a proibição do Senado. Constantino viu no Deus dos cristãos não um perigo para o Império, mas uma ajuda. Já a religião imperial mostrava-se insuficiente diante das novas problemáticas. Na religião cristã Constantino viu uma ajuda para garantir a estabilidade do Império e para salvar a civilização romana. 

Infelizmente, esse equilíbrio foi quebrado pelo seguinte Édito de Tessalônica do 27 de Fevereiro de 380, no qual a religião cristã foi reconhecida como a única e verdadeira religião a ser professar no Império: "Nós queremos que todos os povos permaneçam fieis àquela religião transmitida pelo divino apóstolo Pedro aos Romanos... Ordenamos que o nome dos Cristãos católicos abrace aqueles que seguem esta lei, enquanto os outros loucos e insanos... devem ser castigados” (Para este documento, e toda a legislação: o cristianismo nas leis da Roma Imperial, a c. Alberto Barzanň, ed. Pauline, Milão 1996; texto citado está em p. 228.).



Este Edito tem um signifaco epocal porque marca o começo da liberdade do homem moderno. O Estado reconhece a liberdade dos seus cidadãos de professar aquela religião que em consciência acreditam que seja a melhor.

Com Constantino o Estado se torna laico, no sentido mais verdadeiro do termo. Laico não significa indiferente ante a religião, ou pior, relegar a religião ao interior da consciência, mas reconhecer a dimensão espiritual do homem, que tem também implicações sociais, permitir a liberdade de culto sem interferências e limites. 

Neste sentido o Estado laico é um Estado crente no duplo sentido. 

Crente em Deus a quem deve prestar o culto devido segundo a virtude da justiça, que neste caso se transforma em virtude da religião. 

Crente no homem porque o Estado reconhece não somente a sua dimensão biológica e cívica, mas também aquela espiritual. Dessa forma evita-se um antropologismo redutivo e vem reconhecido um antropologismo transcendente. 

Bento XVI mais de uma vez falou de “laicidade positiva” 

“A ‘laicidade sadia’ exige que o Estado não considere a religião como um simples sentimento individual, que poderia ser confinado exclusivamente no âmbito particular. Pelo contrário a religião... deve ser reconhecida como presença comunitária pública... Não é um sinal de laicidade sadia a rejeição, à comunidade cristã e àqueles que legitimamente a representam, do direito de se pronunciar a respeito dos problemas morais que hoje interpelam a consciência de todos os seres humanos, de maneira particular dos legisladores. Não se trata de uma ingerência indevida por parte da Igreja na atividade legislativa, própria e exclusiva do Estado, mas sim da afirmação e da defesa dos grandes valores que dão sentido à vida da pessoa e salvaguardam a sua dignidade. Antes de ser cristãos, estes valores são humanos... Nesta nossa época há quem procure excluir Deus de todos os âmbitos da vida, apresentando-O como antagonista do homem... É nossa tarefa fazer compreender que a lei moral que Ele nos deu tem a finalidade não de nos oprimir, mas de nos libertar do mal e de nos fazer felizes. Trata-se de mostrar que sem Deus o homem está perdido, e que a exclusão da religião da vida social debilita os próprios fundamentos da convivência humana” (Bento XVI, discurso à União dos Juristas Católicos Italianos, 9 de dezembro de 2006.). 

E ainda: “Sem dúvida, esta ‘sã’ laicidade do Estado comporta que cada realidade temporal seja regida segundo normas próprias, que todavia não devem descuidar as instâncias éticas fundamentais, cujo fundamento se encontra na própria natureza do homem e que, precisamente por este motivo, remetem em última análise para o Criador” (ao Embaixador, Discurso da República de São Marino, 13 de novembro de 2008). 

Esta "sã laicidade do Estado" não é um resultado do Concílio mas faz parte do Magistério constante da Igreja. Já Pio XII no discurso do 23 de março de 1958, se expressava: “A legítima sã laicidade do Estado é um dos princípios da doutrina católica”. Assim, um Estado laico é aquele que não impede a busca do sentido da própria vida de cada pessoa e que garante que os direitos humanos fundamentais sejam respeitados e protegidos. 

A autêntica laicidade não coíbe, mas postula uma sã colaboração entre o Estado e a Igreja, dado que ambos, embora diversamente, estão ao serviço da vocação pessoal e social das mesmas pessoas humanas. 

Estas reflexões do Papa Bento XVI também são compartilhadas por outras pessoas capazes de refletir. Um destes é o escritor Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Ele meditou no slogam: "Como se Deus não existisse". E concluiu que esta expressão é a desgraça da sociedade moderna e não só está cheia de agnosticismo, mas também privada de toda moralidade. Pungentemente escreveu: "Se Deus não existe, qual crime pode existir?" (Os Irmãos Karamazov, Livro VI, cap. 3) "Uma vez que a humanidade tenha negado a Deus... o homem se exaltará com um espírito divino, de orgulho titânico, e aparecerá como homem-Deus... Se Deus não existe, tudo é permitido"( Idem, Livro XI, cap. 9.). 

O Estado vai por água abaixo. Tornando-se tudo lícito não existe mais o delito. Toda ação, também a mais negativa, obtém livre cidadania. Diante disso o Estado é impotente; tirando Deus e não reconhecendo a liberdade religiosa, está fadado à morte. 

A outra grande personalidade é Victor E. Frankl (1905-1997), fundador da Terceira Escola de psicoterapia de Viena, a Logoterapia. Ele fundou a sua teoria sobre a busca do ‘sentido da vida’. Individualizou a realização da pessoa quando esta encontrou o sentido da sua vida; diz que quando a vida não tem mais significado, vem o desespero, a degradação e o ser humano é capaz de qualquer coisa quando se forma o ‘nada’; sucessivamente ao sentido da vida vem o ‘tédio’ do viver. Vê no niilismo o grande inimigo: “Confundir a dignidade do ser humano com mera utilidade surge de uma confusão conceptual que pode ser attribuída em suas origens ao niilismo contemporâneo... O niilismo não afirma que não existe nada, mas afirma que tudo é desprovisto do sentido” (Victor E. Frankl, Em Busca de SENTIDO, Ed. Vozes, Petrópolis, 2008, p. 173.). 

Daqui se deduz que a visão da vida apresentada pela Igreja não tem diretamente fundamento cristão, mas é uma exigência enraizada na natureza mesma do homem, compartilhada por pessoas de outras religiões.

A grande abertura intelectual do Edito de Milão nem sempre tem sido respeitada nestes 1700 anos. A história passada e recente, infelizmente o demonstra.

O Concílio tratou o argumento da liberdade religiosa e dedicou-lhe a Declaração ‘Sobre a Liberdade Religiosa’ (Dignitatis Humanae ", 7 de dezembro de 1965). 

Entre estes dois documentos há uma grande diferença. 

Constantino ao dar a liberdade ao cristianismo, pensou em fazer uma ‘benigna concessão’. 

O Concílio pelo contrário sustenta que o fundamento desta liberdade reside na natureza mesma da pessoa humana. Eis a frase mais significativa: “O direito à liberdade religiosa não se funda, pois, na disposição subjetiva da pessoa, mas na sua própria natureza (n. 2)... A verdade deve ser buscada pelo modo que convém à dignidade da pessoa humana... É injustiça contra a pessoa humana e contrária à própria ordem estabelecida por Deus, negar ao homem o livre exercício da religião na sociedade” (n. 3). 

Portanto, os Estados devem respeitar a liberdade de consciência dos seus cidadãos e não promulgar leis contrárias aos princípios da ética natural. Os Estados devem respeitar os elementos ontológicos que estão na base da pessoa humana. 

O princípio de laicidade do Estado não é outra coisa a não ser o reconhecimento de um limite intransponível do poder político sobre a pessoa humana. 

Quando o Estado não respeita isso, se transforma em um déspota e tirano, embora continue a vangloriar-se falsamente do nome de democracia.


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bartolomeu-e-francisco
Papa Francisco e o patriarca ecumênico Bartolomeu I











Mensagem do papa por ocasião dos 1700 anos do Edito de Milão 

O patriarca ecumênico Bartolomeu I está de visita a Milão por ocasião das comemorações 


Roma, 16 de Maio de 2013 (Zenit.org)


O patriarca ecumênico Bartolomeu I está de visita a Milão por ocasião das comemorações do décimo sétimo centenário do Edito de Milão, assinado por Constantino e Licínio, imperadores romanos do Ocidente e do Oriente, no ano de 313. O documento concedeu a liberdade de culto em todo o Império Romano e pôs fim às perseguições religiosas.

Devido à visita do patriarca, o papa Francisco enviou na tarde de ontem, através do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, uma mensagem ao cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão, em que apresenta "saudações fraternais a Sua Santidade Bartolomeu I. [O papa Francisco] dedica pensamentos de boas vindas aos outros ilustres convidados que se reuniram para esta feliz ocasião e parabeniza a amada Igreja ambrosiana, juntamente com as autoridades civis e toda a cidade de Milão, pelo destaque dado à memória da histórica decisão, que, decretando a liberdade religiosa para os cristãos, abriu novos caminhos para o Evangelho e contribuiu significativamente para o nascimento da civilização europeia". 

“O papa Francesco”, prossegue o texto, “faz votos de que hoje, como então, o testemunho comum dos cristãos do Oriente e do Ocidente, apoiados pelo Espírito do Ressuscitado, contribua para espalhar a mensagem da salvação pela Europa e pelo mundo inteiro, e que, graças à visão magnânima das autoridades civis, seja respeitado em todos os lugares o direito à expressão pública da fé de cada um e seja acolhida sem preconceitos a contribuição que o cristianismo continua a oferecer à cultura e à sociedade do nosso tempo".


Fonte: Zenit

segunda-feira, 13 de maio de 2013

13 de Maio - Nossa Senhora de Fátima

"Por fim, meu imaculado coração triunfará."
No dia 5 de maio de 1917, o mundo ainda vivia os horrores da Primeira Guerra Mundial, então o papa Bento XV convidou todos os católicos a se unirem em uma corrente de orações para obter a paz mundial com a intercessão da Virgem Maria. Oito dias depois ela respondeu à humanidade através das aparições em Fátima, Portugal. 

Foram três humildes pastores, filhos de famílias pobres, simples e profundamente católicas, os mensageiros escolhidos por Nossa Senhora. Lúcia, a mais velha, tinha dez anos, e os primos, Francisco e Jacinta, nove e sete anos respectivamente. Os três eram analfabetos.

Contam as crianças que brincavam enquanto as ovelhas pastavam. Ao meio-dia, rezaram o terço. Porém rezaram à moda deles, de forma rápida, para poder voltar a brincar. Em vez de recitar as orações completas, apenas diziam o nome delas: "ave-maria, santa-maria" etc. Ao voltar para as brincadeiras, depararam com a Virgem Maria pairando acima de uma árvore não muito alta. Assustados, Jacinta e Francisco apenas ouvem Nossa Senhora conversando com Lúcia. Ela pede que os pequenos rezem o terço inteirinho e que venham àquele mesmo local todo dia 13 de cada mês, desaparecendo em seguida. O encontro acontece pelos sete meses seguintes.

As crianças mudam radicalmente. Passam a rezar e a fazer sacrifícios diários. Relatam aos pais e autoridades religiosas o que se passou. Logo, uma multidão começa a acompanhar o encontro das crianças com Nossa Senhora. 

As mensagens trazidas por ela pediam ao povo orações, penitências, conversão e fé. A pressão das autoridades sobre os meninos era intensa, pois somente eles viam a Virgem Maria e depois contavam as mensagens recebidas, até mesmo previsões para o futuro, as quais foram reveladas nos anos seguintes e, a última, o chamado "terceiro segredo de Fátima", no final do segundo milênio, provocando o surgimento de especulações e histórias fantásticas sobre seu conteúdo. Agora divulgado ao mundo, soube-se que previa o atentado contra o papa João Paulo II, ocorrido em 1981.

Na época, muitos duvidavam das visões das crianças. As aparições só começaram a ser reconhecidas oficialmente pela Igreja na última delas, em 13 de outubro, quando sinais extraordinários e impressionantes foram vistos por todos no céu, principalmente no disco solar. Poucos anos depois, os irmãos Francisco e Jacinta morreram. A mais velha tornou-se religiosa de clausura, tomando o nome de Lúcia de Jesus, e permaneceu sem contato com o mundo por muitos anos.

O local das aparições de Maria foi transformado num santuário para Nossa Senhora de Fátima. Em 1946, na presença do cardeal representante da Santa Sé e entre uma multidão de católicos, houve a coroação da estátua da Santíssima Virgem de Fátima. Em 13 de maio de 1967, por ocasião do aniversário dos cinqüenta anos das aparições de Fátima, o papa Paulo VI foi ao santuário para celebrar a santa missa a mais de um milhão de peregrinos que o aguardavam, entre eles irmã Lúcia de Jesus, a pastora sobrevivente, que viu e conversou com Maria, a Mãe de Deus.

Esta mensagem de Fátima foi um apelo à conversão, alertando a humanidade para não travar a luta entre o bem e o mal deixando Deus de lado, pois não conseguirá chegar à felicidade, pois, ao contrário, acabará destruindo-se a si mesma. Na sua solicitude materna, a Santíssima Virgem foi a Fátima pedir aos homens para não ofender mais a Deus Nosso Pai, que já está muito ofendido. Foi a dor de mãe que a fez falar, pois o que estava em jogo era a sorte de seus filhos. Por isso ela sempre dizia aos pastorzinhos: "Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".

No dia 13 de maio de 2013, o episcopado português consagra a Nossa Senhora de Fátima o pontificado do Papa Francisco, a pedido deste Pontífice.


Fonte: Paulinas

sábado, 11 de maio de 2013

Rosário, oração de Deus dirigida à Mãe

Por Dom Orani João Tempesta, O.Cist. 


RIO DE JANEIRO, 10 de Maio de 2013 (Zenit.org) - Mês de maio, mês de Maria! Grandes são as manifestações de amor e devoção à Santíssima Virgem Maria, Mãe do povo, que está atenta às suas necessidades e vem ao socorro dos seus. Mãe de grande veneração, que atrai multidões aos seus santuários tanto aqui no Brasil como pelo mundo. Terei a alegria de estar no Santuário de Fátima, em Portugal, para consagrar os jovens da JMJ a Maria, juntamente com o desejo do Santo Padre o Papa Francisco de consagrar a ela seu pontificado. 

A oração da Ave Maria, tão bíblica e eclesial ao mesmo tempo, nos situa sempre nesse mistério. Oração de grande beleza, foi sendo proclamada pelo próprio Deus, através do Arcanjo Gabriel: “Ave, cheia de graça! O Senhor esta contigo!” (Lc 1,28), saudação inicial do Mistério da Encarnação, confirmada por Isabel, “Tu és bendita entre as mulheres e é bendito o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42) e gerada no coração dos cristãos ao longo dos séculos: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte!”. 

Por esta oração entramos na intimidade com a Trindade Santa; é a saudação que dirigimos a Maria, pois foi a oração proferida pelo próprio Deus. Grandes são os benefícios dos fiéis que recorrem a esta Boa Mãe. Muitos santos pregaram que tendo a Salvação do mundo começado pela Ave-Maria, a salvação de cada alma em particular está ligada a esta oração. (São Luís Maria Grignion de Montfort, T.V.D. n 249). 

São Bernardo de Claraval nos ensina que “clama Maria com fervor, e ela não deixará de lado a tua necessidade, pois ela é misericordiosa ou, melhor, a mãe da misericórdia”. Essa misericórdia foi buscada pelos fiéis leigos, pelo século XII, que teceram o Rosário, exercício de oração composto por dezenas da mais bela oração – a Ave-Maria – que, como Orvalho do Céu, embeleza um rosal, um campo de rosas. 

O Rosário torna-se uma oração de grande estima por parte dos leigos e recomendada constantemente por Papas, como o Papa Beato João Paulo II: “O Rosário é minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade”. Oração de grande valor diante da Virgem Maria, que aos pastorinhos de Fátima, em 19 de agosto de 1917, recomenda “Quero que continueis a rezar o Terço todos os dias. Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores!”. 

São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina que o Rosário, ou o Santo Terço, eleva-nos ao conhecimento de Jesus Cristo, purifica nossas almas do pecado, torna-nos vitoriosos sobre todos os nossos inimigos e fáceis à prática das virtudes. Este santo ainda nos ensina que para conhecer se uma pessoa é de Deus, é preciso verificar se ela gostar de rezar a Ave-Maria e o Terço, pois quem é de Deus sempre gosta e inspira os outros a rezarem. 

Ao contemplarmos os quatro mistérios do Rosário: gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos, contemplamos a vida de Nosso Senhor e a presença discreta, mas atuante, de Maria durante toda a História da Salvação. De fato, sobre o fundo das palavras da Ave-Maria passam diante dos olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus Cristo, como nos ensina o Beato João Paulo II. O Rosário é profundamente cristológico, pois nos fala dos mistérios de nossa salvação e é, ao mesmo tempo, contemplativo, junto com Maria. O Papa Francisco esteve já duas vezes em visita a Nossa Senhora na Basílica Romana de Santa Maria Maior, seja no primeiro momento para pedir a Maria pelo seu Pontificado, seja para rezar àquela que “nos ajuda a crescer, a afrontar a vida, a ser livres”. Ele também escolheu iniciar a sua visita ao Brasil com um ato devocional a N. Sra. Aparecida, como ficou claro em sua decisão de vir presidir a Jornada Mundial da Juventude. 

Também nós podemos ver nas palavras da Ave-Maria a contemplação da vida de Cristo e a nossa vida assim iluminada: ao longo do Rosário veremos a presença de Maria desde nosso batismo ao sermos consagrados a Ela, passando pelas aventuras da juventude, nas dificuldades da vida adulta, na vida familiar e como companhia na solidão dos idosos. Ainda citando o Beato João Paulo II, a simples oração do Rosário marca o ritmo da vida humana, marca o Amor de Deus presente na vida dos seus filhos. 

Cânticos, festas, peregrinações e orações marianas como o Rosário são fontes de graças que o próprio Deus nos concedeu, para estarmos mais intimamente ligados a Ele, através de Maria. Como nos diz São Bernardo: Deus vendo que somos indignos de receber as graças diretamente das suas mãos, dá-as a Maria, a fim de que por Ela recebamos tudo o que Ele nos quis dar, “para que a graça regresse ao seu Autor pelo mesmo canal por onde veio”. 

Estamos no Ano da Fé, ano da Graça de Deus, quando Maria se faz presente acolhendo seus filhos dispersos na fé, acolhendo-os na Igreja de seu Filho, na qual Ela é Mãe. Santo Irineu expressa que “o nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade, a Virgem Maria desligou pela fé”. Observar Maria e seguir seu exemplo é um caminho seguro de fé e de obediência à vontade de Deus. 

Que tenhamos Maria como nossa companheira nesta estrada, santificando-nos pela vida de Cristo, e com o exemplo de Sua Mãe! Como devotos desta Boa Mãe, vamos nos unir a Ela através do Rosário, meditando a Graça de Deus manifestada aos homens pelas mãos de Maria. Contemplemos tão bela face de Maria, Nossa Senhora de Fátima, aquela que vem aos mais simples, mas de coração puro e desapegado. Como os pastorinhos, estejamos atentos ao seu apelo: “Quero que continueis a rezar o Terço todos os dias. Rezai, rezai muito...”. 

† Orani João Tempesta, O. Cist. 
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Fonte: 
Zenit

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Têmporas e Rogações


Têmporas

As Quatro Têmporas do ano são os dias em que a Igreja ora, insistentemente, a Deus dando-lhe graças e pedindo-lhe pelas várias necessidades da humanidade, pelos frutos do campo e pelo trabalho dos homens. No começo das quatro estações (daí «quatro Têmporas» ou tempos), dedicavam-se os três dias mais penitenciais da semana – quarta-feira, sexta-feira e sábado –, ao jejum e à oração, com essas intenções. Parece uma instituição de origem claramente romana, talvez já desde o século V, em conexão com a vida agrícola e o ritmo das estações do ano. Caíam na primeira semana da Quaresma, na semana a seguir ao Pentecostes, nos dias seguintes ao 14 de Setembro (Exaltação da Cruz) e no Advento.

Na última reforma do Calendário, deixou-se ao critério de cada Conferência Episcopal, «tendo em conta as necessidades locais», a adaptação das datas e conteúdos destas Têmporas «às diversas regiões e às diversas necessidades dos fiéis» (NG 45-47; cf. EDREL 675-677).

Algumas Conferências Episcopais, por se ter perdido entre nós o sentido desta tradição, optou por suprimir a celebração das “Quatro Têmporas”, mantendo somente a das Rogações.


Rogações

As «rogações», do latim, rogare (pedir), são as orações de petição que uma comunidade faz em determinados tempos ou por algumas intenções especiais, muitas vezes em forma de procissão e com o canto das Ladainhas dos Santos.

No século V, Mamerto, bispo de Vienne (França), estabeleceu umas rogações em 25 de Abril, com o inconveniente de caírem sempre no Tempo Pascal.

As rogações – dando graças a Deus, pedindo a chuva, uma boa colheita, o fim de uma epidemia ou a libertação de algum outro mal que ameaça toda a comunidade – relacionam-se sobretudo com as Quatro Têmporas do ano. «Para que se adaptem às diversas regiões e às diversas necessidades dos fiéis, é conveniente que as Conferências Episcopais determinem o tempo e o modo de as celebrar». (cf. NG 45-47, in EDREL 675-677).


Na sociedade contemporânea que se urbaniza, essas práticas praticamente desapareceram.


Fonte: 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Agenda do Papa Francisco - JMJ


22 de julho - Chegada e primeiros atos oficiais:

A acolhida oficial será feita no Aeroporto Internacional do Galeão/Antônio Carlos Jobim, a partir das 16h.

Logo após, haverá uma cerimônia de boas vindas no jardim do Palácio Guanabara, onde o Santo Padre dará o seu primeiro discurso. No local, haverá a recepção protocolar das três esferas de governo.  A recepção protocolar será feita pela presidente da república Dilma Rousseff, pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e pelo prefeito da cidade, Eduardo Paes.

A Residência do Sumaré será o local que receberá o Sumo Pontífice durante sua estada no Brasil. Além do Papa Francisco, a residência receberá também toda comitiva papal.

24 de julho - Visita a Aparecida:

O Santo Padre visitará, na quarta-feira, dia 24 de julho, o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, maior santuário mariano do mundo. A visita foi um pedido pessoal do Papa Francisco, já que possui uma devoção pública por Maria, mãe de Jesus. Ao lado do cardeal Dom Raymundo Damasceno, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Aparecida, o Sumo Pontífice celebrará uma Missa, após a veneração da imagem da Virgem na Basílica. A homilia será feita pelo Papa.

Hospital São Francisco da Tijuca: ainda na quarta-feira, o Papa Francisco participa da inauguração do Pólo de Atenção Integrada da Saúde Mental (PAI), voltado para a recuperação e dependência química, um dos legados sociais da JMJ Rio2013. Com 350 médicos, cerca de 500 profissionais de saúde, 648 leitos de internação, 323 leitos de enfermaria, 12 leitos de emergência, 75 leitos de UTI e 11 salas de cirurgia, o Hospital São Francisco da Tijuca (antigo Ordem Terceira da Penitência/VOT) é um hospital geral que oferece atendimento em 22 especialidades. Haverá um discurso do Papa no local.

25 de julho  - Uma quinta-feira emocionante:

No dia 25 de julho, quinta-feira, Eduardo Paes, prefeito do Rio, em um gesto simbólico e tradicional, entregará as chaves da cidade ao Sumo Pontífice, traduzindo o respeito pelo Santo Padre e a autoridade que representa.

Além disso, também está previsto um rápido encontro com representantes do mundo esportivo, com a bênção das bandeiras Olímpicas.

Ainda pela manhã, o Papa Francisco parte para um encontro emocionante. Depois de 33 anos, um Papa volta a visitar uma comunidade carente. Desta vez, ao invés do Vidigal, na Zona Sul do Rio, onde passou João Paulo II, em 1980, a visita será a uma favela da Zona Norte. A comunidade escolhida foi a de Varginha, dentro do Complexo de Manguinhos, recentemente pacificada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. O Papa falará aos moradores e dará sua bênção.

Às 18h, o Santo Padre participa da festa de acolhida dos jovens na orla de Copacabana, um dos Atos Centrais da JMJ Rio2013. Haverá a primeira saudação do Papa Francisco aos peregrinos da Jornada, e um discurso.

26 de julho  - Um dia só para os jovens:

Um dos pontos turísticos mais visitados da cidade e antiga casa de repouso do imperador Dom Pedro, a Quinta da Boa Vista receberá um dos maiores pontos de catequese do evento e a Feira Vocacional. O Santo Padre atenderá quatro confissões de jovens no local na manhã de sexta-feira, dia 26.

Em seguida, alguns jovens detentos se encontrarão com o Papa Francisco no Palácio Arquiepiscopal São Joaquim. Ao meio dia, o Sumo Pontífice fará a Oração Angelus Domini do balcão central do Palácio. Antes do tradicional almoço com os jovens de todos os continentes, que acontece nas Jornadas, o papa fará uma saudação ao Comitê Organizador Local da JMJ Rio2013 e aos patrocinadores.

Às 18h, acontece a Via Crucis com os jovens, na orla da Praia de Copacabana, o terceiro Ato Central da JMJ, com um discurso do Santo Padre.

27 de julho  - Encontros e oração:

As atividades oficiais começam com a Santa Missa com os bispos, sacerdotes, religiosos e os seminaristas, na Catedral São Sebastião, presidida pelo Santo Padre. Logo após, o Papa Francisco se encontrará com representantes da sociedade da cidade e do Brasil no Teatro Municipal. A estrutura, construída no século XIX, por muito tempo, foi palco principal das apresentações artísticas de todo país.

À tarde, participa de um almoço com os cardeais brasileiros, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os bispos do Regional Leste 1 da CNBB (que compreende as dioceses do Estado do Rio de Janeiro) e o Séquito Papal, no grande refeitório do Centro de Estudos do Sumaré.

A partir das 19h30, o Papa Francisco estará em Guaratiba, no Campus Fidei para a Vigília de Oração com os jovens, quarto Ato Central da JMJ Rio2013, onde ele fará um discurso aos peregrinos e passará um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento com os jovens presentes.

28 de julho  - Despedidas:

Às 10h da manhã, o Papa Francisco reencontra os jovens da noite anterior no Campus Fidei para a Santa Missa de envio da JMJ Rio2013 e anunciar o próximo local que acolherá a Jornada Mundial da Juventude.

Ao meio dia, também fará a oração do Angelus Domini com os peregrinos.

O almoço será com o Séquito Papal no refeitório do Centro de Estudos do Sumaré. Deve encontrar o Comitê de Coordenação do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM) antes de sua despedida da Residência do Sumaré.

Para agradecer pessoalmente os 60 mil voluntários envolvidos nos trabalhos da Jornada, o Papa Francisco deverá encontrar-se com eles no Pavilhão 5 do Rio Centro, às 17h30, e fará um discurso a eles.

Haverá ainda uma cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, onde o Santo Padre fará um discurso. Sua partida de volta a Roma está marcada para as 19h.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Mês dedicado a Virgem Maria


Em uma mensagem escrita pelo Papa Francisco na rede social Twitter, destacou a importância de rezar o Terço em família especialmente neste mês de maio dedicado à Santa Mãe de Deus.

No tweet se lê: "Seria maravilhoso, no mês de maio, rezar juntos em família o Terço. A oração faz com que a vida familiar torne-se ainda mais sólida".

Maio é o mês consagrado a Maria, por ser o mês no que não havia nenhuma festa particular, portanto a Igreja Católica alentou esta devoção à Santíssima Virgem, por duas bulas, uma de 21 de março de 1815 e a outra de 18 de junho de 1822, quando Pio VII concede as indulgências aplicáveis às almas do Purgatório.

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Neste mês Mariano, lembramos no dia 13 a Festa de Nossa Senhora de Fátima, no dia 24 a festa de Maria Auxiliadora e no dia 31 festejamos a Visitação de Maria a Santa Isabel.

Na América Latina se celebra Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, terra do Santo Padre.




Fonte: ACI Digital

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Trindade

Santo Hilário (c. 315-367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja 


A Trindade, VII, 33-35 - Evangelho segundo S. João 14, 6-14

O caminho para o Pai 

O Senhor não deixou pairar dúvidas nem incertezas sobre tão grande mistério. [...] Escutemo-Lo a revelar aos apóstolos o que é preciso saber para acreditar: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por Mim. Se ficastes a conhecer-Me, conhecereis também o Meu Pai. [...] Quem Me vê, vê o Pai. Como é que Me dizes, então, 'mostra-nos o Pai'? Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?» [...] Assim, portanto, Aquele que é o caminho não nos conduz a becos sem saída nem a um deserto sem destino; Aquele que é a verdade não nos quer enganar com mentiras; Aquele que é a vida não nos deixará cair num erro que levaria à morte. [...] «Ninguém pode ir ao Pai senão por Mim»: o caminho para o Pai passa pelo Filho. [...]

«Se ficastes a conhecer-Me, conhecereis também o Meu Pai.» Vemos o homem Jesus Cristo [...], o Seu aspecto exterior, quer dizer, a Sua natureza humana [...]; como é então que conhecê-Lo é também conhecer o Pai? No mistério do corpo que tomou, o Senhor manifesta a divindade que está no Pai, mantendo uma certa ordem [...]: «se ficastes a conhecer-Me, conhecereis também o Meu Pai. E já O conheceis, pois estais a vê-Lo.» [...] Ele distingue o tempo da vista e o do conhecimento; diz que terão de reconhecer Aquele que lhes fala e que eles vêem [...]; é preciso que aprendam a reconhecer a natureza divina que está Nele.

Estas palavras inesperadas perturbaram Filipe. Ele vê um homem e esse homem afirma ser o Filho de Deus [...]; o Senhor diz que viu o Pai e por isso que O conhece, uma vez que O viu. A sua limitada condição humana não permite a Filipe compreender tal afirmação. [...] Por isso responde que não viu o Pai e pede ao Senhor que lho mostre. Não que o queira contemplar com os olhos do corpo, mas pede que lhe faça compreender Quem é Aquele que vê. Exprimindo um desejo, mais de compreender que de ver, acrescenta: «E isso nos basta!»