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segunda-feira, 11 de julho de 2011

São Bento abade

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Sátana / Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas



Abade vem de "Abbá", que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental.

Bento, Patriarca de inúmeros religiosos, nasceu em Núrsia, na Umbria no ano de 480, aproximadamente. Era filho de pais ilustres que não pouparam sacrifícios para dar-lhe esmerada educação. Contrário à inclinação natural da idade, desde menino São Bento mostrava aversão aos brinquedos infantis e amor declarado à oração.

Logo que o desenvolvimento espiritual do menino o permitiu, levaram-no os pais a Roma, com o fim de encetar estudos numa escola pública. O meio em que as circunstâncias o obrigaram a viver, não lhe agradou e, receando o naufrágio de sua inocência, em companhia de tantos moços, que levavam vida repreensibilíssima, resolveu cortar todas as relações com o mundo. Para pôr em seguro a salvação, abandonou Roma e retirou-se para um lugar ermo.

A aia, que lhe era muito dedicada, acompanhou-o trinta milhas, até uma aldeia de nome Afila. São Bento, subtraindo-se à vigilância de boa mulher, escondeu-se no ermo de Subíaco. Jovem de 15 anos apenas, encontrou-se São Bento com o eremita Romano, que lhe deu o hábito de monge, instruindo-o sobre a vida regular e os respectivos deveres. Em seguida levou-o a uma gruta bem retirada, na serra, desconhecida e de difícil acesso.

Foi esta gruta, chamada gruta santa, que escolheu para morada. Romano prometeu-lhe a mais estrita reserva sobre o esconderijo e também trazer-lhe a provisão necessária de mantimentos. Três anos passou São Bento naquela gruta, sem receber visita, a não ser de Romano. Deus, porém, querendo fazer brilhar a luz da santidade de seu servo, pôs a descoberta a existência do jovem eremita. Um sacerdote daquela região, estando a preparar a refeição, ouviu uma voz dizendo: "Estás preparando teu jantar, quando meu servo Bento morre de fome no deserto". O servo de Deus pôs-se a caminho, em procura do Santo e só superando inúmeras dificuldades o encontrou. Bento, admiradíssimo de receber visita, não quis conversar com o desconhecido, senão depois de ter passado algum tempo com ele em oração. O sacerdote ofereceu-lhe em seguida comida e insistiu para que ele se alimentasse, pois não achava conveniente o jejum em dia da Páscoa. São Bento ignorava esta circunstância. Terminada a refeição, o sacerdote retirou-se. Tempos depois o paradeiro de São Bento foi descoberto por pastores. Estes, vendo-o, julgaram estar diante de um animal feroz, engano causado pela pele de animais com que São Bento se cobria, e pelo fato inesperado de encontrar-se um ser humano nos rochedos de Subíaco, por todos classificados de inabitáveis. Assim foi aos poucos conhecida a morada do Santo nos rochedos de Subíaco, em particular a gruta, que se tornou alvo da visita de muita gente, que lá ia para receber conforto e conselho do santo eremita.

Quem julga ser ermo o lugar inacessível a tentações, engana-se. A gruta de Subíaco, tão afastada do bulício do mundo, foi teatro de lutas horríveis. O demônio, que perseguiu o Divino Mestre até o deserto, descobriu também o esconderijo de São Bento, e tudo fez para demover o santo do caminho de Deus. Ora importunava-o com a aparição de um pássaro preto; ora eram os jogos de fantasia, com que projetava diante da alma do jovem as imagens mais sedutoras da vida de Roma. A tentação era tão forte, que foi preciso Bento lutar com a máxima energia, para não deixar o ermo e voltar ao mundo. Para extinguir o fogo da paixão e quebrar o aguilhão da tentação, São Bento revolvia-se em espinhos, conseguindo por estes meios extraordinários a vitória do espírito sobre a carne.

Devido à fama de santidade, foi enorme o número de pedidos dos que desejavam viver sob a direção do santo eremita. Após muitos rogos insistentes, aceitou a dignidade de abade do Convento de Vivaro. A disciplina daquele convento, porém, estava tão corrompida, que São Bento se viu obrigado a proceder com bastante rigor, no intuito de reconduzir os monges relaxados à observância fiel da regra. Formou-se entre os religiosos tão estranhada antipatia contra o santo superior, que terminou por degenerar em ódio. Para livrar-se-lhe da vigilância, conceberam o plano sinistro de matá-lo. Adicionaram forte dose de veneno ao vinho, que ia ser apresentado a São Bento. Quando este, porém, conforme o seu costume de benzer o alimento antes de o tomar, fez o sinal da cruz sobre a bebida, o copo partiu-se. Longe de se irritar com este fato, disse aos irmãos: "Deus vo-lo perdoe, meus irmãos. Tendes agora a prova de que tive razão, quando, logo no princípio, vos disse que os meus costumes não combinavam com os vossos".

São Bento abandonou o convento dos monges rebeldes e voltou para Subíaco. Lá o número dos discípulos crescia-lhe de dia para dia de modo que, em poucos anos, foi preciso fundar doze conventos. São Gregório fala de muitos milagres, que São Bento fez na época da fundação dos mosteiros. As famílias mais nobres de Roma, confiavam os filhos à direção do santo homem. Os santos Plácido e Mauro , ambos filhos de senadores de Roma, figuraram entre os primeiros educandos de São Bento.

O inimigo de Cristo via com grande desgosto os progressos da nova Ordem, e não se descuidou de armar-lhe o laço. O instrumento de que se serviu, foi um mau sacerdote, vizinho de Subíaco. Florêncio, assim se chamava a infeliz criatura, espalhou horríveis calúnias contra o Santo. São Bento não teve outra resposta, senão o silêncio. Receando que sua presença pudesse irritar ainda mais o mau gênio de Florêncio, saiu de Subiaco e fixou residência em Monte Cassino. Mal tinha saído de Subíaco, quando teve notícia da morte repentina do caluniador, soterrado nos escombros de uma casa.

No cume do Monte Cassino existia um templo do deus Apolo e perto do templo havia um bosque, consagrado à mesma divindade. Templo e bosque gozavam ainda de grande veneração. Vexado com este resto de paganismo São Bento começou a pregar o santo Evangelho. A pregação e os numerosos milagres que fazia, converteram muitas pessoas. O templo foi derrubado e nas ruínas se ergueram dois conventos, sob a invocação de São João Batista e São Martinho. Tal é a origem do célebre mosteiro de Monte Cassino, fundado em 529, quando São Bento contava 49 anos de idade, sendo Justiniano imperador, Papa Felix III, e Rei da Itália Atalárico, chefe dos Godos.

São Bento não possuía a ciência das coisas profanas; tanto mais versado era na ciência de Deus e da salvação. Em Monte Cassino escreveu a admirável regra para a vida monástica. Nesta obra monumental São Bento revelava um profundo conhecimento da alma humana e da ciência que a conduz ao ápice da perfeição. São Gregório encantava-se com o espírito de sabedoria e modéstia desta regra e não hesitava em preconizá-la entre todas a primeira. A regra de São Bento foi adaptada por todos os monges do Ocidente e conservou-se por muito tempo como base da vida monástica. Eis o que prescreve a dita regra: o silêncio, a oração, o trabalho, o recolhimento, a caridade fraterna e a obediência. São Bento chamava sua Ordem escola para aprender a servir a Deus. Ele mesmo mostrou pelo exemplo a excelência da obra. Sendo superior da Ordem, era para todos os filhos o modelo de monge exemplar. Como outro Moisés, escolhido por Deus para conduzir o povo eleito, de Deus recebeu o dom dos milagres e da profecia, para autenticar-lhe a alta missão. A natureza era-lhe sujeita e o segredo das coisas futuras desvendava-lhe ante os olhos.

Na presença de muito povo chamou a vida um noviço, cujo cadáver foi tirado dos escombros de um muro desmoronado. Predisse que o mosteiro de Monte Cassino seria profanado e destruído, o que aconteceu no ano de 850, por ocasião da invasão dos Lombardos e na grande guerra mundial, em 1944.

Totila, rei dos godos, quis provar o espírito profético do Santo, e ordenou a um dos oficiais, chamado Rigo, que se apresentasse a São Bento em traje real e com a comitiva da corte. Rigo compareceu na presença de São Bento, o qual vendo-o sem se levantar da cadeira, lhe disse: "Meu filho, tira a vestimenta que usas, porque não é tua".

Totila, sabendo deste fato, foi ter o abade de Monte Cassino e admirou-se grandemente, vendo-se recebido pelo Santo com estas palavras: "Já praticastes muitos males e como vejo, maiores ainda praticarás. Hás de tomar Roma, transpôr o mar e reinar por espaço de nove anos. No décimo ano morrerás e comparecerás perante o tribunal de Deus, onde darás conta de tudo o que fizeste". Esta profecia cumpriu-se em todos os detalhes. Totila assustou-se bastante com as palavras do Santo Patriarca, a cujas orações se recomendou. Tendo tomado mais tarde Nápolis, tratou os prisioneiros com uma caridade tal, que não se poderia esperar de um rei bárbaro.

São Bento morreu no dia 21 de março do ano 543/547, no mesmo ano que sua irmã Santa Escolástica, porém depois dela, e um ano depois da visita do Rei Totila. Predisse a sua morte e seis dias antes mandou abrir a sepultura. No sexto dia da doença foi levado à Igreja, para receber os últimos sacramentos. Depois de ter feito umas exortações aos religiosos, de pé e as mãos elevadas ao céu, exalou o espírito. Grande parte das relíquias descansam no Mosteiro de Monte Cassino, hoje completamente restaurado. As outras foram transportadas para a abadia de Fleury, na França. Duzentos anos após a sua morte, a Regra beneditina havia espalhado pela Europa inteira, tornando-se forma de vida monástica durante toda a Idade Média. Em 1964, o Papa Paulo VI, declarava São Bento padroeiro principal da Europa, tributando desse modo justo reconhecimento ao santo a quem a civilização européia deve muito.

Misericórdia, Senhor!

São Bento, ora pro nobis!

Fonte:

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

São Sebastião mártir


A reprodução do martírio de São Sebastião, amarrado a uma árvore e atravessado por flechas é uma imagem milhares de vezes retratada em quadros, pinturas e esculturas, por artistas de todos os tempos. Entretanto, nem todos sabem que o destemido Santo não morreu daquela maneira. O suplício das flechas não lhe tirou a vida, resguardada pela fé em Cristo. Vejamos como tudo aconteceu.

Sebastião nasceu em Narbônia, na Gália, atual França, mas foi criado por sua mãe em Milão, na Itália, de acordo com os registros de Santo Ambrósio. Pertencente a uma família cristã, foi batizado ainda pequenino. Mais tarde, tomou a decisão de engajar-se nas fileiras romanas e chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do imperador Diocleciano. Contudo, nunca deixou de ser um cristão convicto e protetor ativo dos cristãos.

Ele fazia tudo para ajudar os irmãos na fé, procurando revelar o Deus verdadeiro aos soldados e aos prisioneiros. Secretamente, Sebastião conseguiu converter muitos pagãos ao cristianismo. Até mesmo o governador de Roma, Cromácio, e seu filho Tibúrcio foram convertidos por ele.

Sempre que pôde, salvou cristãos da tortura e da morte; e, quando incapaz de fazê-lo, exortou-os a morrer por Cristo Deus Vivo sem voltar atrás. Dois irmãos, Marcos e Marcelino, que haviam sido presos por Cristo e já estavam a um passo de repudiá-lo e adorarem os ídolos, foram confirmados na Fé por Sebastião, que os revigorou para o martírio. Enquanto falava com eles, encorajando-os a não temer a morte por Cristo, sua face se iluminou. Todos viram seu rosto radiante como o de um anjo de Deus.

Sebastião também confirmou suas palavras com milagres: curou Zoé, mulher do carcereiro Nicóstrato, que era muda havia seis anos; levou ela, Nicóstrato e sua família inteira ao batismo; curou os dois filhos doentes de Cláudio, o comandante, e trouxe ele e sua família ao batismo; curou Tranquilino, pai de Marcos e Marcelino, de gota e dores nas pernas que o atormentavam havia onze anos, e levou-o ao batismo com toda a sua casa; curou o Eparca romano Cromácio da mesma doença e trouxe ele e seu filho Tibúrcio ao batismo. O primeiro deles a sofrer foi Santa Zoé, capturada junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, onde orava a Deus. Depois de a torturarem, lançaram-na no Rio Tibre. Em seguida prenderam Tibúrcio, e o juiz pôs carvões em brasa diante dele, dizendo-lhe que escolhesse entre a vida e a morte, isto é, atirar incenso sobre os carvões e incensar os ídolos ou permanecer descalço sobre os carvões quentes. São Tibúrcio fez o sinal da Cruz, pisou descalço sobre os carvões incandescentes e permaneceu ileso. Depois disso, foi degolado. Nicóstrato foi morto com uma estaca, Tranquilino foi afogado, e Marcos e Marcelino foram torturados e trespassados por lanças.

Por estar contrariando o seu dever de oficial da lei, teve então, que comparecer ante ao imperador para dar satisfações sobre o seu procedimento. Sebastião foi levado perante o sanguinário Imperador Diocleciano que lhe dispensara admiração e confiara nele, esperando vê-lo em destacada posição no seu exército, numa brilhante carreira e por isso considerou-se traído. Sebastião não negou sua fé. O imperador lhe deu ainda uma chance para que escolhesse entre sua fé em Cristo e o seu posto no exército romano. Ele não titubeou, ficou mesmo com Cristo. A sentença foi imediata: deveria ser amarrado a uma árvore e executado a flechadas.

Após a ordem ser executada, Sebastião foi dado como morto e ali mesmo abandonado, pela mesma guarda pretoriana que antes chefiara. Entretanto, quando uma senhora cristã foi até o local à noite, pretendendo dar-lhe um túmulo digno e o encontrou vivo! Levou-o para casa e tratou de suas feridas até vê-lo curado.

Depois, cumprindo o que lhe vinha da alma, ele mesmo se apresentou àquele imperador anunciando o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo e censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-o de inimigo do Estado. Perplexo e irado com tamanha ousadia, o sanguinário Diocleciano o entregou à guarda pretoriana após condena-lo, desta vez, ao martírio no Circo. Sebastião foi executado então com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte, no dia 20 de janeiro de 288.

Os algozes cumpriram a ordem e, para evitar a sua veneração, foi jogado numa fossa, de onde a piedosa cristã Santa Luciana o tirou, para sepulta-lo junto de São Pedro e São Paulo. Posteriormente, em 680, as relíquias foram transportadas solenemente para a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, construída pelo imperador Constantino. Naquela ocasião em Roma a peste vitimava muita gente, mas a terrível epidemia desapareceu na hora daquela transladação. Em outras ocasiões foi constatado o mesmo fato; em 1575 em Milão, e em 1599 em Lisboa, ambas ficando livres da peste pela intercessão do glorioso mártir São Sebastião.

No Brasil, diz a tradição, que no dia da festa do padroeiro, em 1565, ocorreu a batalha final que expulsou os franceses que ocupavam a cidade do Rio de Janeiro, quando São Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os invasores franceses calvinistas.

Ele é o protetor da Humanidade, contra a fome, a peste e a guerra e do cartão postal do Brasil, a "cidade maravilhosa" de São Sebastião do Rio de Janeiro.


 Hino de Louvor

O santo Sebastião foi coberto de flechas –
Com um saco de flechas seu corpo foi vestido.
Mas por baixo das flechas, sua alma estava intacta;
Seu coração se elevava até os céus em oração.

Sebastião suportou sofrimento pelo Cristo.
Que são reinos poderosos, que são grandes riquezas,
Comparados a essa honra, comparados a essa iluminação –
Ser cravejado de flechas por amor ao Deus Vivo?

O maravilhoso Sebastião desejou isso:
Ser crucificado pelo Salvador crucificado,
Confirmar a verdade pelo sofrimento e pelo sangue,
Testemunhar a Fé perante o céu e a terra.

O Senhor Onividente, que vê toda a criação,
Mediu e contou cada gota de sangue,
E recompensou Sebastião no Reino Eterno,
Banhando-o de bênçãos sem medida.

Ó Mártir gloriosíssimo, que sofreste pelo Cristo,
E por meio de teu sofrimento ampliaste a Igreja:
Ora a Deus pela Igreja na terra,
Para que ela se torne cada vez mais bela e ainda maior.


Fontes: