sábado, 15 de setembro de 2012

O Sofrimento dos inocentes

Sinfonia Catequética composta por Kiko Arguello.

Uma composição musical, celebrativa e catequética, sobre as vítimas inocentes, e em especial sobre o sofrimento "inocente" da Mãe de Deus, através da leitura do profeta Ezequiel e do Evangelho de São Lucas.




III Movimento: Espada



A obra foi apresentada diante de 3.000 pessoas em Nova Iorque, a maioria judeus, incluindo 30 rabinos e cerca de doze bispos e autoridades civis. No público, além disso, tinha a presença de muitos sobreviventes do Holocausto e dos seus familiares, já que essa obra também homenageia os inocentes da shoah (holocausto judeu).


Nossa Senhora das Dores, ora pro nobis!

Fonte: 
Gloria TV
Caminho Neocatecumenal

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Santa Cruz

"À luz da festa de hoje e tendo em vista uma aplicação frutuosa da Exortação, convido todos a que não tenham medo, permaneçam na verdade e a cultivem na pureza da fé. Esta é a linguagem da Cruz gloriosa. 


Esta é a loucura da Cruz: a de saber converter os nossos sofrimentos em grito de amor a Deus e de misericórdia para com o próximo;?e a de saber também transformar, seres atacados e feridos na sua fé e identidade, em vasos de barro prontos a serem cumulados pela abundância dos dons divinos mais preciosos que o ouro." (Papa Bento XVI)

por São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol 
Escritos espirituais 03/04/38 

Como exprimir o que a minha alma sentiu quando, da boca dum santo prelado, ouviu o que é já a minha loucura, o que me torna absolutamente feliz no meu exílio: o amor da cruz! [...] Que bom seria ter a verve do rei David para poder exprimir as maravilhas do amor à cruz! [...]

A cruz de Cristo! Que mais posso dizer? Não sei orar, não sei o que é ser bom, não tenho espírito religioso, pois estou cheio do mundo. Só sei uma coisa, uma coisa que enche a minha alma de alegria, apesar de me ver tão pobre de virtudes e tão rico em misérias; sei apenas que tenho um tesouro que não trocaria por nada nem por ninguém: a minha cruz, a cruz de Jesus, essa cruz que é o meu único repouso. Como explicar isto? Quem não experimentou, não pode sequer suspeitar do que se trata.

Ah, se todos os homens amassem a cruz de Cristo! Se o mundo soubesse o que é abraçar plenamente, verdadeiramente, sem reservas, em loucura de amor, a cruz de Cristo! [...] Tanto tempo perdido em conversas, devoções e exercícios que são santos e bons, mas que não são a cruz de Jesus, não são o que há de melhor. [...]

Pobre homem que não prestas para nada, que não serves para nada [...], que arrastas a tua vida, seguindo como podes as austeridades da regra, contentando-te em esconder no silêncio os teus ardores: ama até à loucura o que o mundo despreza por não conhecer, adora em silêncio essa cruz, que é o teu tesouro, sem que ninguém se aperceba. Medita em silêncio diante dela nas grandezas de Deus, nas maravilhas de Maria, nas misérias do homem. [...] Prossegue a tua vida sempre em silêncio, amando, adorando e unindo-te à cruz. Que queres mais? Saboreia a cruz, como disse hoje de manhã o senhor bispo. Saborear a cruz! 



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Martírio de São João Batista

Predecessor fiel da graça, bondoso anjo da verdade,
clarão de Cristo, ele anuncia a Luz da eterna claridade.

Das profecias o precônio que ele cantara, austero e forte,
com vida e atos confirmou pelo sinal da santa morte.


Quem para o mundo ia nascer ele precede, ao vir primeiro,
mostrando Aquele que viria dar o batismo verdadeiro.

E cuja morte inocente, que a vida ao mundo conquistou,
fora predita pelo sangue que João Batista derramou.

Ó Pai clemente, concedei-nos seguir os passos de São João,
para fruirmos para sempre o dom de Cristo, em profusão.


A festa do martírio de São João Batista está ligada à dedicação da igreja construída em Sebaste, na Samaria, no suposto túmulo do Precursor de Jesus. O próprio Jesus apresenta-nos João Batista:

Ao partirem eles, começou Jesus a falar a respeito de João às multidões: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis. Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais do que um profeta. É dele que está escrito: " eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista, e, no entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele ..." (Mateus 11:2-11).

O martírio de João Batista liga-se à denúncia profética das injustiças cometidas pelos poderosos, inclusive o luxo da corte, cujo desfecho fatal é a morte do inocente e a opressão dos marginalizados.



CATEQUESE
Praça da Liberdade - Castel Gandolfo
29 de agosto de 2012

Queridos irmãos e irmãs,

Na última quarta-feira de agosto recordamos a memória litúrgica do martírio de São João Batista, o precursor de Jesus. No calendário romano, ele é o único santo que comemoramos tanto o nascimento, 24 de junho, quanto a morte, ocorrida por meio do martírio. Recordamos hoje a memória voltada à dedicação de uma cripta de Sebaste na Samaria onde, em meados do século IV, já se venerava sua cabeça. O culto se espalhou por Jerusalém, nas Igrejas do Oriente e em Roma, com o título: Decapitação de São João Batista. O Martirológio Romano faz referência a uma segunda descoberta da relíquia preciosa, transportada, para a ocasião, à Igreja de S. Silvestre em Campo Marzio, em Roma.

Essas pequenas referências históricas nos ajudam a entender quão antiga e profunda é a veneração de João Batista. Os Evangelhos destacam muito bem o seu papel em relação a Jesus. Em particular, São Lucas narra seu nascimento, a vida no deserto, a pregação e São Marcos narra sua morte trágica no Evangelho de hoje. João Batista inicia sua pregação sob o imperador Tibério, no ano 27-28, e o convite dirigido às pessoas que se reuniam para ouvi-lo é o de preparar o caminho para acolher o Senhor, para endireitar as veredas tortuosas da própria vida através de uma conversão
radical de coração (cf. Lc 3, 4). Mas João Batista não se limita a pregar o arrependimento, mas a reconhecer Jesus como o "Cordeiro de Deus" que veio tirar o pecado do mundo (Jo 1,29). Tem em si a profunda humildade de mostrar Jesus como o verdadeiro Mensageiro de Deus, colocando-se à parte para que Cristo possa crescer, ser escutado e seguido. Como último ato, João Batista testemunha com o sangue sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem hesitar ou retroceder, cumprindo até o final sua missão. São Beda, monge do século IX, diz de João Batista em sua  homilia: Para [Cristo] deu a sua vida, ainda que não tenha sido obrigado a negar Jesus Cristo, foi condenado apenas para calar a verdade (cf. Om 23..: CCL 122, 354). Mas calou a verdade, morreu por Cristo, que é a Verdade. Exatamente por amor à verdade, não cedeu a seus valores e não teve medo de dirigir palavras fortes àqueles que tinham se perdido no caminho de Deus.

Nós vemos esta grande figura, esta força na morte, na resistência contra os poderosos. Nos perguntamos: de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão reta, coerente, gasta tão completamente por Deus a preparar o caminho para Jesus? A resposta é simples: da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda sua existência. João é o dom divino por muito tempo pedido por seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1,13), um grande presente, humanamente inesperável, porque ambos eram avançados em idade e Isabel era estéril (cf. Lc 1,7), mas nada é impossível para Deus (cf. Lucas 1:36). O anúncio do nascimento ocorre exatamente num lugar de oração, o templo de Jerusalém, quando toca a Zacarias o grande privilégio de entrar no lugar mais sagrado do templo para fazer a oferta do incenso ao Senhor (cf. Lc 1, 8-20). O nascimento de João Batista também foi marcado pela oração: o cântico de alegria, de louvor e de gratidão que Zacarias eleva ao Senhor e que recitamos todas as manhãs nas Laudes, o "Benedictus", exalta a ação de Deus na história e indica profeticamente a missão de seu filho João, preceder o Filho de Deus feito carne, a fim de preparar seu caminho (cf. Lc 1,67-79). Toda a existência do Precursor de Jesus é alimentada por um relacionamento com Deus, especialmente o tempo vivido no deserto (cf. Lc 1,80) regiões desérticas que são locais de tentação, mas também lugar onde o homem sente a própria pobreza por estar privado de recursos e seguranças materiais e então compreende que o único ponto de referência seguro é o próprio Deus. Mas João Batista não é apenas um homem de oração, de contato constante com Deus, mas também um guia para este relacionamento. O evangelista Lucas, recordando a oração que Jesus ensinou aos seus discípulos, o "Pai Nosso", observa que o pedido é feito pelos discípulos com estas palavras: "Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou os seus discípulos" (cf. Lc 11, 1). 
Queridos irmãos e irmãs, celebrar o martírio de São João Batista lembra também a nós, cristãos do nosso tempo, que não podemos nos esquivar do compromisso com o amor de Cristo, sua Palavra, a Verdade. Verdade é verdade, não pode ser negociada. A vida cristã exige, por assim dizer, o "martírio" da fidelidade diária ao Evangelho, que é a coragem de deixar que Cristo cresça em nós, direcione o nosso pensamento e nossas ações. Mas isso só pode acontecer em nossas vidas se for sólido o nosso relacionamento com Deus. Oração não é tempo perdido, não é tirar o tempo das nossas atividades, incluindo as apostólicas, é exatamente o contrário: só se formos capazes de ter uma fiel vida de oração, constante, confiante, será o próprio Deus a nos dar força e capacidade para viver de modo feliz e sereno, superar as dificuldades e testemunhá-Lo com coragem. São João Batista interceda por nós, para que possamos manter sempre a primazia de Deus em nossa vida. Obrigado.





Oração 


Ó Deus, quisestes que São João Batista fosse o precursor do nascimento e da morte do vosso Filho; como ele tombou na luta pela justiça e a verdade, fazei-nos também lutar corajosamente para testemunhar a vossa palavra. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Fonte:

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nossa Senhora Rainha

No alto cume dos seres, Rainha e Virgem estás.
Com tal beleza adornada, imperas sobre as demais.
 
Na criação resplandeces como obra-prima criada,
para gerares o Filho que te criou, destinada.

Rei purpurado no sangue, no lenho morre Jesus;
com ele a cruz partilhando, és Mãe dos vivos, na luz.

De tanta graça repleta, vela por nós, pecadores;
escuta a voz dos teus filhos, que hoje te cantam louvores.

Louvor ao Pai e ao Paráclito e glória ao Filho também,
que te vestiram de graça no Reino eterno. Amém.


Pio XII assim fala de Nossa Senhora Rainha: "Procurem, pois, acercar-se agora com maior confiança do que antes, todos quantos recorrem ao trono de graça e de misericórdia da Rainha e Mãe Nossa, para implorar auxílio nas adversidades, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto ... Há, em muitos países da terra, pessoas injustamente perseguidas por causa da sua profissão cristã, e privadas dos direitos humanos e divinos da liberdade ... A estes filhos atormentados e inocentes, volva os seus olhos misericordiosos, cuja luz serena as tempestades e dissipa as nuvens, a poderosa Senhora das coisas e dos tempos, que sabe aplacar as violências com o seu pé virginal; e à todos conceda que em breve possam gozar da merecida liberdade ... Todo aquele, pois, que honra a Senhora dos celestes e dos mortais, invoque-a como Rainha sempre presente, Medianeira de paz".



Castel Gandolfo
Quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje celebramos a festa da Santíssima Virgem Maria, invocada com o título: "Rainha". É uma  festa criada recentemente, mas antiga na origem e na devoção. Foi estabelecida pelo Venerável Pio XII, em 1954, no final do Ano Mariano, para o dia 31 de maio (cf. Carta Apostólica Ad caeli Reginam, 11 octobris 1954: AAS 46 [1954], 625-640). Nesta ocasião, o Papa disse que a Maria é rainha mais  que qualquer outra criatura pela elevação de sua alma e a excelência dos dons recebidos. Ela nunca deixa de conceder os tesouros de seu amor e seu cuidado para a humanidade (cf. Discurso em honra de Maria Rainha, 1º de novembro de 1954). Mas após a reforma pós-conciliar do calendário litúrgico foi estipulada para oito dias após a Solenidade da Assunção para enfatizar a estreita relação entre a realeza de Maria e sua glorificação em alma e corpo junto ao seu Filho. Na Constituição sobre a Igreja do Concílio Vaticano II lemos assim: "Maria foi assunta à glória celeste e exaltada por Deus como Rainha do universo, para que fosse plenamente conformada a seu Filho" (Lumen gentium, 59).

E esta é a origem da festa de hoje: Maria é rainha porque é associada de forma única a seu Filho, tanto na vida terrena, como na glória do céu. O grande santo da Síria, Efrém da Síria, afirma, sobre a realeza de Maria, que ela vem de sua maternidade: Ela é a Mãe do Senhor, o Rei dos reis (cf. Is 9,1-6) e nos mostra Jesus como vida, salvação e nossa esperança. O Servo de Deus Paulo VI recordou na Exortação Apostólica Marialis Cultus: "Na Virgem Maria tudo é relativo a Cristo e tudo depende dele: em vista Dele, o Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe, toda santa, e a adornou dos dons do Espírito, concedidos a mais ninguém"(n. 25).

Mas agora nos perguntamos: o que significa Maria Rainha? É apenas um título como os outros, a coroa, um ornamento como os outros? O que quer dizer? O que significa esta realeza? Como já indicado, é uma conseqüência do seu ser unido ao Filho, do seu ser no céu, que está em comunhão com Deus. Ela participa da responsabilidade de Deus para com o mundo e do amor de Deus pelo mundo. Há uma idéia comum, de rei ou rainha: seria uma pessoa com poder e riqueza. Mas este não é o tipo de realeza de Jesus e Maria. Pensemos no Senhor: a realeza, a condição de rei de Cristo é revestida de humildade, serviço, amor: é, acima de tudo, servir, ajudar, amar. Lembremo-nos de que Jesus foi proclamado rei na cruz com a inscrição escrita por Pilatos: "Rei dos Judeus" (cf. Mc. 15,26). Naquele momento na cruz se prova que Ele é rei. E como é rei? Sofrendo conosco, por nós, amando até o fim e assim governa e inaugura o amor, a verdade e a justiça. Ou pensemos também em outro momento: na Última Ceia inclina-se para lavar os pés dos seus. A realeza de Jesus não tem nada a ver com a dos poderosos da terra. É um rei que serve os seus servos, assim agiu em toda sua vida. E o mesmo vale para Maria: é Rainha no serviço a Deus para a humanidade, é rainha do amor, que vive o dom de si a Deus para entrar no plano de salvação do homem. Ao anjo responde: Eis aqui a serva do Senhor (cf. Lc. 1,38) e canta no Magnificat: Deus olhou para a humildade de sua serva (cf. Lc. 1,48). Ela nos ajuda. É rainha amando-nos, ajudando-nos em todas as nossas necessidades, é a nossa irmã, serva humilde.

E assim chegamos ao ponto: como Maria exerceu a realeza de serviço e amor? Cuidando de nós, seus filhos, os filhos que se voltam a ela em oração, para agradecer ou para pedir sua proteção maternal e ajuda celeste, talvez depois de terem se perdido no caminho, oprimidos pela dor ou angústia, pelas tristes e incômodas vicissitudes da vida. Na serenidade ou na escuridão da existência, voltamo-nos a Maria, confiando em sua contínua intercessão, para que do Filho possamos obter toda a graça e misericórdia necessária para a nossa peregrinação ao longo da estrada do mundo. A Ele, que governa o mundo e detém os destinos do universo, nós nos voltamos confiantes, através da Virgem Maria. Ela, pelos séculos, é invocada como uma rainha celeste do Céu; oito vezes, depois da oração do Santo Rosário é invocada na ladainha lauretana como a Rainha dos Anjos, dos patriarcas, profetas, apóstolos, mártires, confessores, virgens, todos os Santos e todas as famílias. O ritmo dessas invocações antigas e orações diárias como a Salve Rainha, ajuda-nos a compreender que a Virgem Santíssima, nossa Mãe junto a seu Filho Jesus na glória do céu, está sempre conosco, no desenrolar cotidiano da nossa vida.

O título de rainha é, então, título de confiança, de alegria, de amor. E sabemos que aquela que tem nas mãos o destino do mundo é boa, nos ama e nos ajuda em nossas dificuldades.

Queridos amigos, a devoção a Nossa Senhora é um elemento importante da vida espiritual. Em nossa oração, não deixemos de recorrer confiantes a ela. Maria não deixará de interceder por nós junto a seu Filho. Olhando para ela, imitemos a fé, a disponibilidade plena no projeto de amor de Deus, o generoso acolhimento de Jesus. Aprendamos a viver como Maria. Maria é a Rainha do céu perto de Deus, mas é também a mãe perto de cada um de nós, que nos ama e ouve a nossa voz. Obrigado pela atenção.



Fonte:

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Assunção da Virgem Maria

De sol, ó Virgem, vestida, de branca lua calçada; 
de doze estrelas-coroas Coroada. 

A terra toda te canta, da morte Dominadora. 
No céu a ti temos, todos, Protetora. 

Fiel, conserva os fiéis, procura a ovelha perdida.
Brilha na treva da morte, Luz e Vida. 

Ao pecador auxilia, ao triste, ao fraco e ao pobre. 
Com o teu manto materno Todos cobre! 

Louvor à excelsa Trindade. 
Que dê a coroa a quem ele fez Mãe e Rainha nossa. Amém.



SANTA MISSA DA SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO 
DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Paróquia de São Tomás de Vilanova, Castel Gandolfo
Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011


Estimados irmãos e irmãs

Encontramo-nos reunidos, mais uma vez, para celebrar uma das mais antigas e amadas festividades dedicadas a Maria Santíssima: a solenidade da sua Assunção na glória do Céu de corpo e alma, ou seja, com todo o seu ser humano, na integridade da sua pessoa. Deste modo, recebemos a graça de renovar o nosso amor a Maria, de a admirar e de a louvar pelas «maravilhas» que o Todo-Poderoso realizou por Ela, e que nela levou a cabo.

Ao contemplarmos a Virgem Maria, recebemos mais uma graça: a de poder ver em profundidade também a nossa vida. Sim, porque inclusive a nossa existência quotidiana, com os seus problemas e as suas esperanças, recebe luz da Mãe de Deus, do seu percurso espiritual, do seu destino de glória: um caminho e uma meta que podem e devem tornar-se, de certo modo, o nosso próprio caminho e a nossa própria meta. Deixemo-nos orientar pelos trechos da Sagrada Escritura que a liturgia hodierna nos propõe. Gostaria de meditar, em particular, sobre uma imagem que encontramos na primeira leitura, tirada do Apocalipse, e à qual faz eco o Evangelho de Lucas: ou seja, o da arca.

Na primeira leitura, ouvimos: «Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca da sua aliança» (Ap 11, 19). Qual é o significado da arca? O que aparece? Para o Antigo Testamento, ela é o símbolo da presença de Deus no meio do seu povo. Mas o símbolo já cedeu o lugar à realidade. Assim, o Novo Testamento diz-nos que a verdadeira arca da aliança é uma pessoa viva e concreta: é a Virgem Maria. Deus não habita num móvel, mas sim numa pessoa, num coração: Maria, Aquela que trouxe no seu ventre o Filho eterno de Deus que se fez homem, Jesus, nosso Senhor e Salvador. Na arca — como sabemos — estavam conservadas as duas tábuas da lei de Moisés, que manifestavam a vontade de Deus, de conservar a aliança com o seu povo, indicando as suas condições para ser fiel ao pacto de Deus, para se conformar com a vontade de Deus e assim também com a nossa profunda verdade. Maria é a arca da aliança, porque acolheu em si mesma Jesus; recebeu em si a Palavra viva, todo o conteúdo da vontade de Deus, da verdade de Deus; acolheu em si Aquele que constitui a nova e eterna aliança, culminada com a oferenda do seu corpo e do seu sangue: corpo e sangue recebidos de Maria. Portanto, justamente, a piedade cristã, nas ladainhas em honra de Nossa Senhora, dirige-se a Ela, invocando-a comoFoederis Arca, ou seja, «arca da aliança», arca da presença de Deus, arca da aliança do amor que Deus quis estreitar de maneira definitiva com a humanidade inteira em Cristo.

O trecho do Apocalipse deseja indicar outro aspecto importante da realidade em Maria. Ela, arca viva da aliança, tem um destino de glória extraordinária, porque está tão intimamente unida ao Filho, que acolheu na fé e gerou na carne, a ponto de compartilhar plenamente a sua glória celestial. É quanto nos sugerem as palavras que ouvimos: «Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida… Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas as nações…» (12, 1-2.5). A grandeza de Maria, Mãe de Deus, cheia de graça, plenamente dócil à acção do Espírito Santo, já vive no Céu de Deus com toda si mesma, alma e corpo. São João Damasceno, referindo-se a este mistério numa sua famosa Homilia, afirma: «Hoje, a santa e única Virgem é conduzida para o templo celeste… Hoje, a arca sagrada e animada do Deus Vivo, [a arca] que trouxe no seu seio o próprio Artífice, descansa no templo do Senhor, não construído por mãos humanas» (Homilia ii sobre a Dormição, 2, PG 96, 723), e continua: «Era necessário que Aquela que tinha hospedado no seu ventro o Logos divino, se transferisse para os tabernáculos do seu Filho... Era preciso que a Esposa escolhida pelo Pai, habitasse no quarto nupcial do Céu» (Ibid.,14, PG 96, 742). Hoje, a Igreja canta o amor imenso de Deus por esta sua criatura: escolheu-a como verdadeira «arca da aliança», como Aquela que continua a gerar e a oferecer Cristo Salvador à humanidade, como Aquela que no Céu compartilha a plenitude da glória e goza da mesma felicidade de Deus e, ao mesmo tempo, convida-nos a tornar-nos, também a nós do nosso modo modesto, «arca» em que está presente a Palavra de Deus, que é transformada e vivificada pela sua presença, lugar da presença de Deus, a fim de que os homens possam encontrar nos outros homens a proximidade de Deus e, desta forma, viver em comunhão com Deus e conhecer a realidade do Céu.

O Evangelho de Lucas que acabamos de ouvir (cf. Lc 1, 39-56), mostra-nos esta arca viva, que é Maria, em movimento: deixando a sua casa de Nazaré, Maria põe-se em viagem rumo à montanha, para ir às pressas a uma cidade de Judá e chegar à casa de Zacarias e Isabel. Parece-me importante ressaltar a expressão «às pressas»: as coisas de Deus merecem pressa, aliás, as únicas coisas do mundo que merecem pressa são precisamente aquelas de Deus, que têm a mesma urgência para a nossa vida. Então Maria entra nesta casa de Zacarias e Isabel, mas não entra sozinha. Entra, levando no seu ventre o Filho, que é Deus feito homem. Sem dúvida, estavam à espera dela e da sua ajuda naquela casa, mas o evangelista orienta-nos a compreender que esta expectativa remete para outra, mais profunda. Zacarias, Isabel e o pequeno João Baptista são, efectivamente, o símbolo de todos os justos de Israel, cujo coração, rico de esperança, espera a vinda do Messias Salvador. E é o Espírito Santo que abre os olhos de Isabel e que a leva a reconhecer em Maria a verdadeira arca da aliança, a Mãe de Deus, que vem para a visitar. E assim, a idosa parente recebe-a, dizendo «em voz alta»: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?» (Lc 1, 42-43). E é o próprio Espírito Santo que, diante daquela que traz em si Deus que se fez homem, abre o coração de João Baptista no seio de Isabel. Isabel exclama: « Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio» (v. 44). Aqui, o evangelista Lucas recorre ao termo «skirtan», ou seja, «saltitar», o mesmo vocábulo que encontramos numa das antigas traduções gregas do Antigo Testamento para descrever a dança do rei David diante da arca sagrada, que finalmente voltou para a pátria (cf. 2 Sm 6, 16). João Baptista, no ventre da mãe, dança diante da arca da Aliança, como David; e reconhece deste modo: Maria é a nova arca da aliança, perante a qual o coração exulta de alegria, a Mãe de Deus presente no mundo, que não conserva para si esta presença divina, mas oferece-a compartilhando a graça de Deus. E assim — como recita a oração — Maria realmente é «causa nostrae laetitiae», a «arca» em que realmente o Salvador está presente entre nós.

Caros irmãos! Estamos a falar de Maria, mas num certo sentido estamos a falar também de nós, de cada um de nós: também nós somos destinatários daquele amor imenso que Deus nos reservou — sem dúvida, de uma maneira absolutamente singular e irrepetível — a Maria. Nesta solenidade da Assunção, olhemos para Maria: Ela abre-nos à esperança, a um futuro cheio de alegria e ensina-nos o caminho para o alcançar: acolher o seu Filho na fé; nunca perder a amizade com Ele, mas deixar-nos iluminar e orientar pela sua palavra; segui-lo todos os dias, mesmo nos momentos em que sentimos que as nossas cruzes se tornam pesadas. Maria, a arca da aliança que se encontra no santuário do Céu, indica-nos com clareza resplandecente que estamos a caminho rumo à nossa verdadeira Casa, a comunhão de alegria e de paz com Deus. Amém!

Fonte: Vatican

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Inscrição do peregrino - JMJ Rio 2013

A inscrição é a porta de entrada para o peregrino na JMJ Rio2013.

É por meio da inscrição que o jovem passa a fazer parte oficialmente da JMJ Rio2013. Por ela poderemos conhecer, acolher e melhor atender as necessidades do peregrino (hospedagem, alimentação, transporte...). Por isso a importância de se inscrever com antecedência.








segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Campanha AIS: Meio Milhão de Catecismos para os Jovens

Mesmo sem saber, a nova geração tem sede da vida. Precisamos apresentar a essa geração a fonte que não seca.



A Ajuda à Igreja que Sofre doará, com a ajuda de seus benfeitores, meio milhão de Catecismos YouCat para os jovens. O pedido dos livros já foi feito. Mais uma vez essa Obra de Amor conta apenas com a caridade dos corações corajosos que se arriscam a doar um pouco do que tem para enraizar Deus nos jovens brasileiros.

Por que a Ajuda à Igreja que Sofre arrisca tanto? A AIS não aprova seus projetos baseada no que ela pode fazer, ela aprova seus projetos baseada no que ela tem que fazer. Podemos fazer tudo pelo poder de Deus! Ele nos dá a força!

Se cada um fizer a sua parte, muito em breve meio milhão de jovens receberão o Catecismo YouCat, aprenderão mais sobre a sua fé e se apaixonarão por Cristo e pela Igreja. E o mais importante desta campanha: esses quinhentos mil jovens brasileiros serão fermento entre tantos outros jovens da nossa nação. Vamos reconquistar o Brasil para Cristo?!

Você pode contribuir:


Fonte: AIS Brasil